Refiro-me aos anos 80. Anos difíceis, economia em baixa, recessão e desemprego em alta, atuava em administração de pessoal recrutamento e seleção. Faltavam vagas, sobravam candidatos.
Diante do caótico cenário no ABC Paulista, recebi um pedido de um amigo para que lhe arranjasse uma colocação, estava ele desempregado à beira do despejo e desespero. De acordo com a experiência deste amigo, consegui uma colocação, não era o emprego dos sonhos, mas conseguiria sobreviver até as coisas melhorarem.
Assim chamei o pretendendo e devidamente ajustados marcamos o início para o dia seguinte, deu 8 horas e ele nada, 9 horas e nada, à tarde me liga e justificando disse que não poderia começar o trabalho porque havia falecido um parente, bem acontece.
No outro dia guardou luto
normal.
No terceiro dia ele não apareceu, tomei a iniciativa de ligar e ainda choroso me atendeu dizendo que havia falecido a sua mãe. Pensei bem coincidências acontecem e trágicas também, vá lá esperaremos mais os dias necessários ao luto.
No começo da semana seguinte nada do Ari, este era o nome do meu amigo aparecer, mas \\\"neca de pitibiriba\\\", nem sombra, nem telefonema, resolvi ligar e ele meio que desajeitado no falar, foi logo me comunicando que também falecera o tio, já estava meio doente há algum tempo, mas devia ter aproveitado a oportunidade do \\\"pacote de sepultamentos\\\".
Na hora eu fiquei envergonhado e não sabia o que dizer, com serenidade disse-lhe: Senhor Ari: serei obrigado a demiti-lo de imediato para a perpetuação da sua família. Pô o cara estava matando a família inteira para faltar ao trabalho.