Meu nome é Demétrio Vilagra, nasci no dia 8 de novembro de 1946, em Corumbá, Mato Grosso do Sul.
Entrei na Petrobras em 1971. Na época eu trabalhava na GE – General Electric. Fiz um concurso aqui, fui aprovado e me desliguei da GE.
Na GE mexia na área de Suprimentos e Ferramentas. Aqui eu vim trabalhar na parte de ferramentaria, que são as ferramentas com que a manutenção trabalha em toda a refinaria. Como nós tínhamos uma experiência em ferramentas e materiais, a gente montou esta ferramentaria. Eu fiquei dois anos. Aí fiz um concurso para a operação. E nesse concurso passei, mas o pessoal da manutenção não queria me liberar. Desliguei-me da Petrobras, fiquei afastado três meses. Depois voltei para ser Operador de Utilidades, no mesmo ano de 1973.
Eu sou um dos fundadores do Sindicato dos Petroleiros de Campinas, nos anos 70. O sindicato foi formado por um pessoal que veio de Cubatão, que já tinha uma consciência política, sindical. Entramos para a diretoria em 1978. Fiz uma gestão. Na próxima, teve uma votação para tesoureiro, foi em 1982.
Em 1983, fomos cassados porque fizemos uma greve. Fiquei afastado dois anos. Voltamos em 1985, mas não aceitaram que a gente trabalhasse aqui, então fomos para São Paulo. São Paulo tem uma base grande de mil e poucos funcionários. Fundamos o sindicato na cidade de São Paulo. Fiquei lá até 1992 e me aposentei.
A Petrobras marcou a minha vida porque nós entramos aqui com 20 e poucos anos, o país vivia a fase política da ditadura, já meio desgastada. O sindicato fez um trabalho bem forte de politização. Nesse período, a gente fez um sindicato forte, fundamos a CUT, fundamos o PT. E hoje culmina que um trabalhador da nossa época é presidente da República.
A Petrobras, como empresa também marcou muito. A gente viu como tinha avançado muito aqui, porque tinha sindicatos organizados, sindicatos fortes. Nós adquirimos 40 horas semanais na década de 1980, enquanto...
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Meu nome é Demétrio Vilagra, nasci no dia 8 de novembro de 1946, em Corumbá, Mato Grosso do Sul.
Entrei na Petrobras em 1971. Na época eu trabalhava na GE – General Electric. Fiz um concurso aqui, fui aprovado e me desliguei da GE.
Na GE mexia na área de Suprimentos e Ferramentas. Aqui eu vim trabalhar na parte de ferramentaria, que são as ferramentas com que a manutenção trabalha em toda a refinaria. Como nós tínhamos uma experiência em ferramentas e materiais, a gente montou esta ferramentaria. Eu fiquei dois anos. Aí fiz um concurso para a operação. E nesse concurso passei, mas o pessoal da manutenção não queria me liberar. Desliguei-me da Petrobras, fiquei afastado três meses. Depois voltei para ser Operador de Utilidades, no mesmo ano de 1973.
Eu sou um dos fundadores do Sindicato dos Petroleiros de Campinas, nos anos 70. O sindicato foi formado por um pessoal que veio de Cubatão, que já tinha uma consciência política, sindical. Entramos para a diretoria em 1978. Fiz uma gestão. Na próxima, teve uma votação para tesoureiro, foi em 1982.
Em 1983, fomos cassados porque fizemos uma greve. Fiquei afastado dois anos. Voltamos em 1985, mas não aceitaram que a gente trabalhasse aqui, então fomos para São Paulo. São Paulo tem uma base grande de mil e poucos funcionários. Fundamos o sindicato na cidade de São Paulo. Fiquei lá até 1992 e me aposentei.
A Petrobras marcou a minha vida porque nós entramos aqui com 20 e poucos anos, o país vivia a fase política da ditadura, já meio desgastada. O sindicato fez um trabalho bem forte de politização. Nesse período, a gente fez um sindicato forte, fundamos a CUT, fundamos o PT. E hoje culmina que um trabalhador da nossa época é presidente da República.
A Petrobras, como empresa também marcou muito. A gente viu como tinha avançado muito aqui, porque tinha sindicatos organizados, sindicatos fortes. Nós adquirimos 40 horas semanais na década de 1980, enquanto todo mundo brigou até há pouco tempo. Uma série de direitos, gratificação de férias, participação de lucros, turno de seis horas, uma série de conquistas trabalhistas que nós tínhamos. Avançamos muito.
A relação Petrobras – Sindicato é vivência rica. No começo negociávamos com o coronel Darci Siqueira, vinha do regime militar, nós conseguimos sentar à mesa e discutir os nossos problemas, reivindicações específicas. A Petrobras ajudou também, porque tinha espaço para você discutir, para você fazer sindicato dentro da empresa. Não era fácil não, mas a gente sempre teve espaço para trabalhar.
Depois da aposentadoria, a minha vida não mudou muito, porque isso é fruto de um trabalho sindical, também da Petrobras. Assim que aposentei, fui trabalhar com o deputado Luciano Zica. Fiquei dois anos de assessor. Depois viemos para o Sindicato dos Aposentados.
O funcionário da Petrobras tem fundo de pensão – foi criado nos anos 70. Hoje ele tem condição de dar para um ex-funcionário uma condição digna de aposentado. Porque você recebe do INSS e a Petros suplementa.
A empresa é marcante pelo seguinte: Eu passei três meses me preparando para ser operador de utilidades. Depois você entra como estagiário, tem um ano para demonstrar que tem condições de ser operador. É uma indústria perigosa, se você não tiver um conhecimento pleno do que faz, põe em risco não só a sua vida, mas de toda a comunidade que está ao redor da empresa. E é uma empresa que sempre deu toda estrutura para o pessoal trabalhar.
Quem tem um problema pessoal, por exemplo, tem uma assistência social para seguir. Todo ano você faz um acompanhamento médico. Enfim, ela dá uma assistência médica, odontológica, hospitalar para você e para a sua família. É uma empresa que sempre se preocupou com o funcionário.
Acho interessante esse projeto de recuperar a memória dos trabalhadores e da Petrobras, porque um país, uma pessoa, uma cidade, uma empresa que não tem memória está arriscado a se perder no tempo e no espaço. É um projeto que vai buscar a vivência das pessoas que por aqui passaram e ficar registrado. Essas coisas vão ser um instrumento muito importante para qualquer estudo e pesquisa.
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