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Por: Museu da Pessoa,

Da roça à internet

Esta história contém:

Da roça à internet

"Olha, antigamente, eu tinha bastante sonhos, mas, agora, eu acho que meu sonho é menor. Eu quero sonhar hoje e conseguir fazer amanhã. A vida não é assim? Porque tem vezes que a gente faz tanto sonho, tanto sonho… Eu acho que é melhor a gente sonhar hoje e esperar acontecer amanhã. Porque teve um tempo que eu fiz tanto sonho, tanto sonho... Eu morei na roça, no interior. Nasci de uma família muito humilde, de dezenove filhos, mas só onze se criaram. E meu pai não deixava estudar. Na época, tinha pai que não era ignorante. Mas tinha uns que eram muito. Ele era. Não deixava nós irmos pra escola porque íamos ficar mandando bilhete pra namorado. Ele falava: “Filho de pobre não precisa estudar, só filho de rico”. Tem a ver? Eu nunca fiz bilhete pra namorado e casei. Trabalhava na roça. Só na roça, meus pais não deixavam trabalhar mais em canto nenhum. Eu aprendi com meu pai que só se pegava o que era da gente; dos outros, nem que fosse ouro. De resto, aprendi a pegar na enxada, a entrar no mato. Brincadeira era correr atrás do que fazer. Os menorzinhos cuidavam dos bichos, os maiores trabalhavam na enxada. Mas, sem estudo, se perde muito de conhecer as coisas. Eu conheço bastante coisas. Mesmo assim. Sem estudar. No conhecimento das pessoas, vai conversando, a gente vai aprendendo, porque tem gente que estuda e também não aprende as coisas. A gente vai aprendendo no dia a dia. Porque cada pessoa é diferente. E a gente vai aprendendo um pouco com cada um. As pessoas que não estudam e não conversam com as outras pessoas, não têm contato, eles não sabem o direito que eles têm. Eu não tenho estudo. Meu estudo é pequenininho, mas eu sei o direito que eu tenho porque eu converso muito com as outras pessoas que entendem. Depois que eu tomei conta de casa, fui estudar. Hoje em dia tem muita cobrança de estudo. Já estou com cinquenta e dois anos, minha cobrança agora, acho que não vai ter mais não. Eu quero aprender pra...

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Projeto Mulheres Empreendedoras Chevron

Depoimento de Maria das Neves Félix da Silva

Entrevistada por Stela Tredice

Duque de Caxias, 26 de abril de 2012

Realização Museu da Pessoa

Código: MEC_HV003

Transcrito por Ana Paula Corazza Kovacevich

Revisado por Joice Yumi Matsunaga

P/1 – Então eu queria que você começasse dizendo seu nome completo, onde você nasceu e a data do seu nascimento.

R – Meu nome é Maria das Neves Félix da Silva. Nasci no dia 10 de abril de 1960.

P/1 – E onde você nasceu, Maria?

R – Em Pernambuco.

P/1 – Em que cidade?

R – Mas eu morei na roça. Não era cidade, não. Era no interior, no interior da cidade de Pernambuco. E nasci de uma família muito humilde. Era muito filho que minha mãe teve. Minha mãe teve dezenove filhos. Dezenove filhos. E na história criou-se só onze. A gente trabalhava na roça de enxada. Meu pai não deixava a gente estudar. É por isso que hoje eu estou estudando. Voltei a estudar com cinquenta e... quarenta e nove anos eu comecei a estudar, ainda não terminei, mas pretendo terminar um dia. Isso me faz muito falta. Porque ele não deixava a gente estudar. E depois que eu cresci, tomei conta de casa, foi que eu comecei a tomar essa decisão de estudar. E também… e quando eu... Ele também não deixava a gente trabalhar em canto nenhum, só lá no serviço dele mesmo. Aí foi o tempo que eu me casei e tive meus filhos. Aí de lá, eu já estava morando na cidade, morava na cidade. Aí depois os meus filhos com catorze anos, quinze, catorze e treze... Aí me separei…

P/1 – Mas calma. Vamos um pouquinho mais devagarzinho. Voltando um pouquinho lá na sua infância. Eu queria saber o nome dos seus pais.

R – Ah, o nome dos meus pais? Maria José Félix da Silva. O meu pai, Francisco Joaquim da Silva.

P/1 – E o que eles faziam, Maria?

R – Trabalhavam na roça também. Trabalhavam na roça e tinham muitos filhos pra trabalhar na roça pra eles. Entendeu? A gente... Eles não...

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