Eu me chamo Lene Nascimento e nasci em uma comunidade de Salvador, Bahia, chamada Retiro. Venho de uma família simples. Meu pai e minha mãe não são da cidade de salvador, vieram do interior da Bahia. Minha mãe costura e meu pai era bombeiro, hoje é aposentado.Nós somos quatro irmãos, e minha mãe e meu pai tinham muito cuidado com a gente, principalmente comigo, por ser a mais nova. Eles tinham medo de nos envolvermos com o tráfico e sei lá mais o quê, coisas às quais estávamos propícios. Por isso, minha mãe não deixava a gente ir aos carnavais.Um dia, quando eu tinha 20 anos, minha mãe me liberou para ir com uma amiga da cunhada da minha irmã. E as meninas eram terríveis. Elas iam para um lado do Carnaval onde só tinha estrangeiros. Nessa, um homem de Israel me beijou. Eu fui embora e acabou ali. Era um homem estranho, mas, no calor do álcool, eu dei um beijo e fui embora.Um ano depois, voltei com elas para o mesmo lugar, que era na rua, no Carnaval, e não era nada demais. Eu estava com um ficante com quem iria terminar, e apareceu um estrangeiro de Israel me perguntando se eu iria sentar em um banco que tinha ali. Eu disse que não, porém fiquei feliz por conseguir falar minhas meia dúzia de palavras em inglês.Nessa brincadeira, esse homem ficou falando com a gente a noite toda. E aí éramos tão infantis que fomos brincar de correr, e ele foi junto, eu, minhas dez amigas e o ficante (kkk). Depois fui para o ponto de ônibus e ele nos acompanhou. A cara do meu quase ex-crush era a melhor.Enfim, no outro dia terminei com o crush e voltei para o Carnaval, porque já estávamos terminando mesmo. Nessa brincadeira encontrei novamente o rapaz, que se chamava Dror. Conversamos, dançamos e eu simplesmente me apaixonei, sem nem beijá-lo. Voltei para casa e chorava com uma amiga minha, dizendo que amava aquele homem e que não sabia explicar aquele amor.No outro dia esperei Dror novamente. Um homem calmo e singelo. Ele não apareceu. E todas...
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Eu me chamo Lene Nascimento e nasci em uma comunidade de Salvador, Bahia, chamada Retiro. Venho de uma família simples. Meu pai e minha mãe não são da cidade de salvador, vieram do interior da Bahia. Minha mãe costura e meu pai era bombeiro, hoje é aposentado.Nós somos quatro irmãos, e minha mãe e meu pai tinham muito cuidado com a gente, principalmente comigo, por ser a mais nova. Eles tinham medo de nos envolvermos com o tráfico e sei lá mais o quê, coisas às quais estávamos propícios. Por isso, minha mãe não deixava a gente ir aos carnavais.Um dia, quando eu tinha 20 anos, minha mãe me liberou para ir com uma amiga da cunhada da minha irmã. E as meninas eram terríveis. Elas iam para um lado do Carnaval onde só tinha estrangeiros. Nessa, um homem de Israel me beijou. Eu fui embora e acabou ali. Era um homem estranho, mas, no calor do álcool, eu dei um beijo e fui embora.Um ano depois, voltei com elas para o mesmo lugar, que era na rua, no Carnaval, e não era nada demais. Eu estava com um ficante com quem iria terminar, e apareceu um estrangeiro de Israel me perguntando se eu iria sentar em um banco que tinha ali. Eu disse que não, porém fiquei feliz por conseguir falar minhas meia dúzia de palavras em inglês.Nessa brincadeira, esse homem ficou falando com a gente a noite toda. E aí éramos tão infantis que fomos brincar de correr, e ele foi junto, eu, minhas dez amigas e o ficante (kkk). Depois fui para o ponto de ônibus e ele nos acompanhou. A cara do meu quase ex-crush era a melhor.Enfim, no outro dia terminei com o crush e voltei para o Carnaval, porque já estávamos terminando mesmo. Nessa brincadeira encontrei novamente o rapaz, que se chamava Dror. Conversamos, dançamos e eu simplesmente me apaixonei, sem nem beijá-lo. Voltei para casa e chorava com uma amiga minha, dizendo que amava aquele homem e que não sabia explicar aquele amor.No outro dia esperei Dror novamente. Um homem calmo e singelo. Ele não apareceu. E todas as amigas me diziam:— Está esperando aquele homem?E eu mentia dizendo que não.Passaram dois dias indo ao Carnaval e, no último dia, decidi ir embora. Quando estava voltando, encontrei ele saindo de um táxi e dizendo que estava com dengue. Foi um dos nossos últimos encontros.Passaram doze longos dias até que eu decidi ir à praia procurá-lo. Não sabia onde ele estava, nem com quem. Exatamente nada. Peguei minha sobrinha de seis anos e somente com o dinheiro de dois picolés saí para procurar ele.Fiquei rodando as ruas e praias por quase seis horas junto com uma desconhecida que encontrei pelo caminho e que depois queria me roubar, mas essa é outra história.Quando eu estava voltando, passei por uma baiana de acarajé e perguntei por um grupo de israelenses. Ela disse que todos tinham ido embora. Minha cara caiu. Fiquei muito mal.Nessa brincadeira, decidi voltar pelo caminho mais longo e, quando estava voltando de cabeça baixa, encontrei nada mais e nada menos que ele, Dror.Gritamos, comemoramos, e uma amiga dele disse:
— Eu vejo vocês casados e com dois filhos.
Enfim, não namorávamos, era apenas um amor.
Nessa conversa ele disse que não tinha condições de ficar no centro e que todos tinham ido embora. Eu disse a ele:
— Eu moro em uma comunidade. Se você quiser vir ver...
Expliquei que minha mãe tinha uma casa de aluguel.
— Você vai, olhar e, se gostar, fica.
Ele decidiu ir conhecer a casa .
Passei a noite e a manhã inteira, até as 13 horas, implorando para minha mãe fazer comida. Ela dizia que não iria fazer nada. Eu não sabia cozinhar.
Quando ele chegou, eu gritava:
— Mãe, vem aqui!
E ela gritava do fundo:
— Eu não vou porra nenhuma!
(Coisas de mãe baiana.)
Ela dizia:
— Eu não convidei ninguém.
Minha mãe, segundo ela mesma, é capricorniana.
Depois ela nos chamou e tinha uma mesa farta. Tinha até porco. Judeus não comem porco, e ela disse:
— Vai comer o que tem.E ele, alegre, comeu. Depois disso tivemos um encontro no lago Dique do Tororó e ele foi roubado antes do encontro .
Nessa, ele viu a casa que estava alugada para uma pessoa e gostou. Assim que ele foi embora, eu tirei tudo da pessoa que estava lá e coloquei na casa da minha madrinha, pois era o namorado dela e ela queria casar.Enfim, o morador discutiu muito, mas foi embora (kkk).Dror apareceu no outro dia com aquelas mochilas imensas, com panelas penduradas e sapatos amarrados. Descemos todas as escadarias, ele conheceu minha família e ficou um mês naquela casa simples.Aí ele disse que tinha que continuar a viagem, pois eles viajam seis meses antes de terem uma família ou uma vida adulta, coisas da cultura judaica.
Então ele me perguntou se eu aceitava viajar com ele.
Nisso, ficou um mês na casa da minha mãe, na casa de aluguel. Quando fui falar com minha mãe, ela colocou os cachorros em cima de mim e me disse que eu era a pior filha do mundo e tudo mais que vocês possam imaginar.
Nessa, pensei que teria que decidir minha vida.
Compramos uma mochila e viajei por várias partes da Bahia que eu via na televisão. Sou atriz, sonhadora e sempre acreditei na vida e no amor.
Viajamos e voltamos. Então Dror me disse que precisava ir embora, mas que, se conseguisse um trabalho lá, voltaria para me ver.
Ele foi embora e ficamos nos falando pela internet. Eu nem tinha computador. Precisava pegar um ônibus e ir até o Pelourinho pedir ajuda para alguém acessar a internet, porque eu não sabia nada daquilo.
Passaram-se nove meses e Dror voltou.
Ficou mais seis meses e então me convidou para conhecer o país dele. Minha mãe ficou com muito ódio,e triste, mas eu sei que era proteção, mas eu fui.Lá fiquei por um ano em Israel, aprendi hebraico em duas semanas.Antes da viagem, meu pai fez Dror sentar na sala e me pedir em namoro, porque eu não era filha de ninguém. Depois me pediu em noivado antes de eu viajar nesse ir e voltar já eram quase três anos entre namoro e noivado Já em Israel, me pediu em casamento.No começo morei com a mãe dele, uma senhora judia temanita (negra), uma pessoa difícil. Dror passou por cima da cultura e de todos para ficar comigo. Eu era uma pessoa sem condições financeiras, não judia e não era de lá. Para muitos, aquilo era o fim do mundo.Mas ficamos juntos.Nos casamos e permanecemos casados por 17 anos.Tivemos dois filhos, chamados Thomas e Davi, que vieram ao mundo em Salvador, Bahia, e são baianos.Nos separamos, mas ele continua sendo um dos grandes amores da minha vida como amigo porque foi isso que escolhi, porque somos felizes amigos. Andamos juntos, criamos nossos filhos juntos.Estudei no país dele para ser instrutora de karatê, porque eu já era karateca.Também atuei como atriz, mas meu país me chamava de volta.Voltei em 2013 com meu filho pequeno e grávida de Davi que nasceu em Salvador, Bahia .Dror me surpreendeu mais uma vez e veio comigo.Hoje ele é meu vizinho. Moramos no mesmo bairro, separados e muito amigos.Sou feliz assim. Tenho dois filhos e um aprendizado enorme com esse homem e com o país dele, onde vivi por dez anos.Hoje não moro mais na comunidade onde nasci. Moro justamente no bairro onde conheci Dror: Na Barra, a vida deu muitas voltas. Saí de uma comunidade simples do Retiro, viajei pelo mundo, vivi uma grande história de amor, conheci outra cultura, construí uma família, tive dois filhos maravilhosos e aprendi que, muitas vezes, os caminhos mais improváveis são aqueles que transformam completamente a nossa vida.E, quando olho para trás, vejo que tudo começou com um encontro inesperado em uma rua do Carnaval de Salvador , hoje eu fiz finalmente a minha universidade em licenciatura em teatro e atualmente estou na universidade fazendo mais uma vez interpretação em teatro mais sou atriz e tentando o mestrado sou a primeira mulher negra da minha família a morar no exterior e que passou duas guerras no oriente médio e entrou para a universidade federal da Bahia , sou grata e espero que a minha história seja interessante para vocês, desde já obrigada
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