Projeto Memória dos trabalhadores da Bacia de Campos
Depoimento de Décio Soares Vieira
Entrevistada por Inês Gouveia
Local: Macaé/RJ
Dia: 05/06/2008
Realização Museu da Pessoa
PETRO_CB362
Transcrito por Ana Lúcia V. Queiroz
P/1 – Pra começar queria que você dissesse seu nome completo, local e data de nascimento.
R – Meu nome é Décio Soares Vieira. Barra de São Francisco foi a cidade que eu nasci, no interior do Espírito Santo.
P/1 – Décio, conta um pouco pra gente da sua trajetória na Bacia Petrobras.
R – Minha entrada foi em 1976, lá no TEFRAN (Terminal de São Francisco), lá no Paranaguá. Lá eu fiquei um ano e pouco, aí voltei pro exército. Período obrigatório de exército. Depois do exército eu saí. Como meu pai, que tava no TEFRAN foi tranferido pra São Paulo, pra Jacareí, eu não fui pra Jacareí. Foi aonde fui trabalhar, também, uns dois anos ainda na base da Petrobras da Refinaria em São José dos Campos, Henrique Lage. Meu pai foi transferido pra Macaé. Eu vim junto, era solteiro na época. Aí trabalhei na construção do terminal de, nem me lembro o nome, trabalhei lá dois anos. Eu saí e fui atrás de outras melhorias profissionais e fui trabalhar lá no meio da floresta de Carajás. Trabalhei no projeto Carajás durante um ano e meio e aí voltei. Nesse meio tempo meu pai tinha sido transferido pra São Paulo de novo e eu já tinha me casado aqui também. Só que eu voltei lá pra São Paulo, casado, e fiquei trabalhando lá durante quase dez anos, dentro da refinaria de São José dos Campos também.
P/1 – Então a gente pode entender que houve uma influencia grande de seu pai em toda essa trajetória, né?
R – Com certeza.
P/1 – E desde o primeiro momento o quê ele falava? O que você escutava dele sobre a Petrobras?
R – Ele falava muito bem. E eu também –, as coisas mudam rapidamente – lembro da época que eu era garoto, quanto às festividades, as festas que a Petrobras promovia para...
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Projeto Memória dos trabalhadores da Bacia de Campos
Depoimento de Décio Soares Vieira
Entrevistada por Inês Gouveia
Local: Macaé/RJ
Dia: 05/06/2008
Realização Museu da Pessoa
PETRO_CB362
Transcrito por Ana Lúcia V. Queiroz
P/1 – Pra começar queria que você dissesse seu nome completo, local e data de nascimento.
R – Meu nome é Décio Soares Vieira. Barra de São Francisco foi a cidade que eu nasci, no interior do Espírito Santo.
P/1 – Décio, conta um pouco pra gente da sua trajetória na Bacia Petrobras.
R – Minha entrada foi em 1976, lá no TEFRAN (Terminal de São Francisco), lá no Paranaguá. Lá eu fiquei um ano e pouco, aí voltei pro exército. Período obrigatório de exército. Depois do exército eu saí. Como meu pai, que tava no TEFRAN foi tranferido pra São Paulo, pra Jacareí, eu não fui pra Jacareí. Foi aonde fui trabalhar, também, uns dois anos ainda na base da Petrobras da Refinaria em São José dos Campos, Henrique Lage. Meu pai foi transferido pra Macaé. Eu vim junto, era solteiro na época. Aí trabalhei na construção do terminal de, nem me lembro o nome, trabalhei lá dois anos. Eu saí e fui atrás de outras melhorias profissionais e fui trabalhar lá no meio da floresta de Carajás. Trabalhei no projeto Carajás durante um ano e meio e aí voltei. Nesse meio tempo meu pai tinha sido transferido pra São Paulo de novo e eu já tinha me casado aqui também. Só que eu voltei lá pra São Paulo, casado, e fiquei trabalhando lá durante quase dez anos, dentro da refinaria de São José dos Campos também.
P/1 – Então a gente pode entender que houve uma influencia grande de seu pai em toda essa trajetória, né?
R – Com certeza.
P/1 – E desde o primeiro momento o quê ele falava? O que você escutava dele sobre a Petrobras?
R – Ele falava muito bem. E eu também –, as coisas mudam rapidamente – lembro da época que eu era garoto, quanto às festividades, as festas que a Petrobras promovia para os funcionários da época. O fato de ficar viajando pra lá e pra cá. ___ engenharia. E isso enchia os olhos. Quando a gente é criança, a gente ___ pensa nisso. E essas coisas todas me influenciaram. E meu pai ele gostava muito da Petrobras. Ele era muito ligado mesmo à Petrobras.
P/1 – Seu pai trabalhava embarcado?
R – Não, não. Meu pai era do serviço de engenharia. Antigamente Engenharia Petrobras. Ou seja, quando a Petrobras tinha um empreendimento em qualquer lugar do país, entendeu, pra construir uma unidade nova, sempre vai na frente um fotógrafo que vai fazer ___, fotografia no meio do mato. Isso era o trabalho do meu pai. Então, muitos lugares que a Petrobras construiu pelo país, com certeza em muitos desses lugares meu pai trabalhou como fotógrafo.
P/1 – Você reproduz um pouco a trajetória deles porque já trabalhou em diversos estados ou, pelo menos não só em Macaé, à serviço da Petrobras.
R – Eu, sim. Já trabalhei em diversos estados ___. Não com a mesma função ou mesma profissão. Eu comecei na Petrobras puxado pela profissão que meu pai tinha, gostava da profissão que ele tinha, então fui ser auxiliar dele. ___ topografia, ___ topógrafo. Eu comecei com certo ___. Vim tocando. Depois que eu fui embora, fiquei quase dez anos, a minha ex-esposa, que queria voltar pra Macaé, um dia eu estava aqui de férias, no final desses dez anos e pintou uma oportunidade aqui, na área de informática, que eu já tinha terminado um curso lá em São Paulo, de tecnologia de processamento de dados. Aí eu vim pra cá trabalhar nessa área. Foi o primeiro aqui emprego em Macaé depois desses dez anos foi pra prestar serviços para a Petrobras, mas não aqui dentro, foi fora. Foram só quatro meses, acabou o contrato eu entrei no outro contrato já aqui dentro da Petrobras. Isso foi em 1991. Aí eu trabalhei até 1997 em outro setor, não na ___, mas como programador. Depois passei pra ___. E estou até hoje aqui.
P/1 – Hoje qual a função que você exerce?
R – O cargo que eu estou hoje contratado é prestador de recursos tecnológicos. Trabalho bastante com organização de informação, relação de dados. Linguagem ___, que é linguagem, ____ do Office, Excel, Access. Trabalho com isso hoje.
P/1 – Ao longo desses anos todos, Décio, você saberia dizer qual foi seu maior desafio em relação à sua vida profissional na Petrobras?
R – Na Petrobras? Ah, foram muitos desafios. O maior desafio pra mim, eu acho que pra todo profissional que seja contratado, o maior desafio é a mudança de contrato. Porque você se bate com uma quantidade n de variáveis, que incomoda um pouco nessa mudança de contrato. E também outro grande desafio que eu tive, que me fez correr muito atrás, foi o fato da necessidade de nível superior. Quando eu comecei não tinha nível superior. A evolução das necessidades profissionais foram apertando, apertando. Eu terminei a faculdade agora, com 40 e tantos anos, em razão disso. Foi um grande desafio que eu tive e eu consegui fazer. E hoje eu já tenho esse nível superior e estou fazendo o MBA. Mas por quê? Por causa dessa evolução tecnológica e de informação.
P/1 – Dentro desse contexto que você está falando, desde a década de 90 pra cá, o que mudou na bacia de Campos?
R – Muita coisa. Muita coisa. Muitas mudanças pra melhor.
P/1 – Em relação direta com o seu trabalho qual é a mudança?
R – Houve várias mudanças no sentido de __ profissionais aqui dentro. Isso me ajudou. Mesmo porque foi aquilo que eu falei anteriormente. Aqui grande desafio que eu tive de estudar, foi em razão dessas mudanças que estavam acontecendo.
P/1 – No meio dessa diversidade, até mesmo da diversidade de empresas, de empresas que se agrega; diversidade de cargos, funções, histórias. De pessoas oriundas de estados diferentes. Você saberia me dizer quem é o trabalhador hoje da Bacia de Campos? Um perfil dele?
R – Dinamismo. O perfil do trabalhador na bacia de Campos com certeza é dinamismo, ___, tem uma boa parcela de audácia e perseverança e muita vontade de crescer, de ser, de fazer. É o ideal hoje.
P/1 – Nesses anos que você mora em Macaé. Qual foi a mudança na cidade de Macaé, que você observou; que tenha acontecido em relação à Petrobras?
R – Macaé na verdade, tudo e qualquer mudança que ___, grande parte foi__. Boa parte. Quase que ¬¬¬__. uma das grandes mudanças que teve em Macaé foi, ou seja, um produto gerado com essas mudanças, é o Centro de Convenções. Pra mim foi. Porque ele ___ pela Petrobras.
P/1 – Você se lembra de alguma história que seja interessante. Aquela indispensável de ser contada para seus filhos, seus amigos, enfim, desses anos de contato com a Petrobras?
R – Há várias. Os colegas de trabalho que se apresentaram, que voltaram a trabalhar. E a gente tem várias histórias, mas não consigo me lembrar uma. Existem várias, sim.
P/1 – Como você vê a bacia de Campos no futuro?
R – Depende do futuro. Se falar em futuro bem, 60 anos, não tenho essa visão. Mas quando o petróleo estiver em alta, a coisa, mas tem muito pra melhorar. Claro que isso vai depender muito, uma das grandes variáveis aí que pode mexer alguma coisa é quando se fala em governo. Não adianta a Petrobras fazer, fazer, e o governo também não fazer nada. Crescer junto, ___. E nós vamos ver. Claro que dentro da Petrobras sempre___. Porque ela contribui com a sociedade. A gente sabe disso.
P/1 – Você se identifica com o nome Petroleiro?
R – Eu tenho uma identificação razoável em razão do meu pai. Não me sinto petroleiro por isso, mas eu não consigo me atrelar totalmente a isso não. Eu tenho consciência___. Mas eu tenho aquela coisa do meu pai me passar.
P/1 – Assim como aconteceu em relação ao seu pai com você. Você já trouxe alguém para a Petrobras?
R – Já, isso já aconteceu várias vezes, não só pra Petrobras como pra trabalhar até comigo. Já aconteceu. Vários amigos que eu fiz. As pessoas que eu conhecia, sabia o perfil, sabia quem era; a gente ajuda. Lá sempre tem um ou outro. Minha filha trabalha aqui dentro. Contratada também. E também já está terminando o MBA agora. Tenho outros amigos também que estiveram comigo, alguns deles já morreram. A gente ajudou. Sempre conhece. Com tantos anos de trabalho a gente passa a conhecer.
P/1 – Qual o sentimento de ter a sua filha trabalhando na Petrobras?
R – Na verdade o sentimento não é por estar trabalhando na Petrobras. Mas o sentimento que eu tenho é de orgulho por ela estar com a sua faculdade; ela estar trabalhando; independente onde ela está conseguindo vencer. Em relação aos filhos a gente pensa o melhor. Ela vai fazer concurso pra ser funcionária da Petrobras. Agora domingo tem as provas. E até eu vou fazer. O fato de eu fazer também concurso e a faculdade tem muito a ver com meus filhos também. Eu queria dar certo exemplo também. Seria outra variável que veio mexer com a minha vontade de melhorar a minha situação, o meu salário.
P/1 – O que você achou de participar desse projeto.
R – Achei interessante. A minha maior vontade era __. Eu tinha isso na cabeça. Ele é um cara que fez muito pra gente.
P/1 – Foram quantos anos de carreira dele?
R – Dentro da Petrobras ele trabalhou quase 30 anos. Ele faleceu quando estava trabalhando no antigo ___, que hoje não é mais ___. Lá em São Mateus. Ele tinha sido transferido pra lá.
P/1 – Em serviço?
R – Ele morreu em serviço. Ele não conseguiu se aposentar. Porque quando ele conseguiu a primeira aposentadoria dele – ele levou três anos pra juntar os documentos que precisava – aí roubaram no ônibus. Aí ele levou mais três anos pra conseguir. Quando ele conseguiu faleceu. Ele não teve tempo de se aposentar. Mas ele fez muito. Ele fez muitas áreas no meio de mato aí que ___ pra poder construir. Fez muita coisa.
P/1 – Obrigada.
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