P/1 – Primeiro eu vou pedir pra senhora começar dizendo o seu nome, eu sei que a senhora já me disse lá dentro, mas pra ficar registrado, o local e a data do seu nascimento.
R – Meu nome é Ana Chala, moro na Rua Ibiquara, 135, Lapa, São Paulo não posso esquecer que é São Paulo, Brasil, sou brasileira e onde eu nasci e fui criada, até hoje eu moro na mesma casa que eu nasci.
P/1 – Olha, que incrível! Então, e os seus pais, qual que era o nome dos seus pais?
R – O nome do meu pai era Paulo e da minha mãe era Ana.
P/1 – O que eles faziam?
R – Meu pai era pedreiro e minha mãe era faxineira, fazia faxina em escritório no centro da cidade.
P/1 – E a senhora tinha mais irmãos?
R – Tenho, eu sou gêmea.
P/1 – Ah, a senhora é gêmea.
R – Eu tenho uma irmã gêmea, chama Isabel, ela não mora aqui, ela mora em Detroit, Michigan, e eu tenho um irmão que faleceu, chama José, já está falecido há mais de 20 anos e através do meu irmão eu tenho duas sobrinhas, que é Ana Maria e Clarice, e depois, da parte da minha irmã, da parte do meu irmão são só. Da minha irmã, ela também teve um casal, que é Rosana e Paulo, os dois moram com ela lá nos Estados Unidos, tanto a Rosana como o Paulo moram com a minha irmã, minha irmã chama Isabel.
P/1 – Como que a senhora descreveria sua família, seus pais?
R – Olha, meus pais...
P/1 – De quando a senhora era pequena.
R – Eles eram estrangeiros, meus pais eram húngaros, vieram daquela leva que traziam imigrantes para o Brasil, eles vieram pra São Paulo e primeiro moraram ali na, no centro da cidade, aí depois compraram o terreno aqui na Lapa e vieram morar aqui na Lapa. A convivência era muito boa porque os meus pais, o meu irmão, a idade de diferença do meu irmão era de 13 anos, o meu irmão, quando nós nascemos o meu irmão já tinha 13 anos.
P/1 – Nossa, então bem mais velho.
R – Aí por desconto veio duas mas sempre foi um ambiente bom porque quando o meu irmão ia jogar bola ou sair com os amigos ele tinha que levar as duas, ele só tinha essa condição, se ele fosse jogar bola, então ele ia jogar bola, levava nós duas, ele ia pescar, nós íamos junto pra minha mãe poder trabalhar e meus pais naquele tempo, eu tinha meus tios todos, mas todos trabalhavam todos também tinham filhos, então cada um tentava harmonizar a família. Mas graças a Deus foi sempre um ambiente muito bom, tem sempre, quem era mais durona com a gente era a minha mãe, o meu pai já era mais, chorava, meu pai já ficava mole agora, minha mãe não, minha mãe levava dura, era ariana então ela era mais durona. E aí fomos crescendo sempre na mesma rua, pegando amizade com todo aquele pessoal.
P/1 – Então, a senhora tava me contando lá fora que a casa que a senhora mora hoje.
R – A casa era dos meus pais.
P/1 – É a mesma casa que a senhora nasceu.
R – A mesma casa que eu nasci, sim.
P/1 – Como que era essa casa?
R – Essa casa continua, o estilo dela continua, você olhando de fora o estilo dela é antiga, mas dentro tá um pouquinho mais moderno mas o estilo dela é antiga mesmo, ela deve ta agora com 90 anos, essa casa.
P/1 – Olha, que incrível!
R – Mas ela é conservada porque os meus pais fizeram, depois eu mesmo conservo muito a casa, porque foi o seguinte, o meu irmão casou, ele tinha a casa dele, depois a minha irmã casou, com custo reformaram a calha, como eu fiquei tomando conta dos meus pais, aí meus irmãos acharam que eu tinha que ficar com a casa. Porque com 18 anos eu já tomava conta dos meus pais, já tomava conta da casa, então eu já tinha uma outra experiência de vida, então eu tinha um compromisso com os meus pais, porque como eles tiveram comigo, com a minha irmã, com todos, a gente respeitava muito isso então a convivência foi muito boa tanto com a minha irmã como com o meu irmão.
P/1 – Então, aí voltando um pouquinho na sua infância, como que era morar nessa rua que a senhora, a rua, imagino, que a rua era bastante diferente.
R – A rua, não, é muito diferente de hoje, nossa, era uma rua que não tinha asfalto, não, era só terra, não entrava carro, alguém que fazia mudança tinha que parar na Rua Tito, uma rua abaixo, pra poder fazer a mudança, por causa da lama, não tinha, a única rua que tinha asfalto era a Rua Clélia só, era paralelepípedo, não tinha, ou então na Rua Guaicurus, lá embaixo, onde passava o bonde, o resto não tinha asfalto. Então era difícil, qualquer compra que você fizesse pra entrar na rua, mas a gente como é menina era uma rua maravilhosa porque a gente podia andar descalça, brincar, jogar bola, os meninos jogar bola, as meninas brincar com os brinquedos de infância. Então foi até uma infância muito gostosa, que hoje a gente vê que a criança perde muito isso, porque hoje na minha rua não tem nem como brincar mais porque é uma rua de muito movimento e é saída de um colégio, então aí já acaba, não tem como brincar. Mas no meu tempo tinha, a meninada jogava bola, bom, podiam fazer o que queriam porque não passava carro mesmo, não precisava ter medo e eu estudava num colégio da Lapa, na Escola Pereira Barreto.
P/1 – Ah, então, isso que eu ia perguntar pra senhora. Com quantos anos que a senhora entrou na escola?
R – Ai, eu já tinha, quando eu entrei na escola já tinha sete anos, eu antes estudei um ano na Rua Toneleros, tinha escola húngara, e nesse escola húngara ensinava Português e Húngaro, que é o jardim da infância hoje só que depois veio a guerra, não teve mais essa escola, fecharam a escola. Aí eu com a minha irmã, nós fomos pra Escola Pereira Barreto, que era o Grupo Pereira Barreto fomos lá com sete anos pra escola, muito boa.
P/1 – Como que vocês iam pra escola, a pé?
R – A pé, não, não tinha condução, ninguém tinha nem carro, quem tinha carro nem passava por ali, nós íamos a pé, mamãe, quando soube da escola, mamãe primeiro dia me levou até a escola com a minha irmã, mostrou o caminho de volta, pronto. E tinha meu colegas da rua, você sabe, todos iam no mesmo horário na escola, então ia um grupo, voltava sempre com um grupo, brigando muitas vezes, andando embaixo de chuva que a gente fechava o guarda-chuva pra se molhar e andar assim no córrego, que criança adorava sapato todo molhado. E naquele tempo a gente não tinha tanto sapato a gente tinha o sapato pra sair, outro pra ir na escola, e o chinelinho pra ficar em casa e aquele sapato da escola não podia ta molhado, como é que ia fazer pra ir no outro dia na escola?
P/1 – Pra ir no dia seguinte.
R – É, então não tinha mesmo por fazer, mas mesmo assim não é como hoje que a meninada hoje tem muito, que nem eu comento hoje, hoje tudo é muito mais fácil, no meu tempo, quando eu era menina, a gente tinha duas roupas, tinha a roupa pra ir na escola, tinha a roupa de sair e a roupa de ficar em casa, não tinha escolha de que roupa você vai por: “Que roupa eu saio hoje?”, você tinha que sair com aquela que você tem. Não tinha tanta loja naquele tempo, não tinha esse comércio, quem vendia geralmente, aquele se chamava de mascate que ele entregava, vendiam na porta.
P/1 – E passava na porta da sua casa?
R – Passava na porta de casa, como era conhecido, eles compravam, depois pagava como podiam.
P/1 – Sim, e o que ele vendia?
R – Ah, vendiam roupa, vendiam sapato, vendiam tudo que você possa imaginar, cobertor, lençol, tudo que você possa imaginar eles vendiam, aí depois começou a Lapa crescer, começou a ter comércio na Lapa, hoje já é uma cidade mas...
P/1 – A sua mãe trabalhava fora e vocês ficavam, vocês duas.
R – Ficávamos em casa, é.
P/1 – E seu irmão.
R – É, e o meu irmão, o meu irmão já, quando nós começamos na escola meu irmão já trabalhava, tava numa fábrica de parafuso na Rua Tito, e, como na minha casa na frente é térrea, atrás é sobrado, ficou morando a mãe da minha cunhada, os pais da minha cunhada moravam lá, então, como ela costurava em casa, ela olhava a gente. Não que precisava ficar, porque de manhã, antes de a minha mãe trabalhar, minha mãe fazia, penteava o cabelo, fazia a trança, deixava a roupa toda pronta com o que ia na escola, ia pra escola e voltava, e essa que era inquilina da minha mãe, a minha cunhada, ela que olhava se a gente tinha almoçado, se a gente tinha comido lanche, olhava a lição de casa. Quando o meu irmão chegava do serviço ia olhar nossas lição, se tínhamos feito ou não, aí podia, depois podia ir brincar, primeiro era a lição, depois ir pra brincar, a gente tinha mais preocupação com o meu irmão do que com o meu pai, porque quando a fábrica tocava, que o meu irmão ia sair, as duas já estavam dentro de casa.
P/1 – Ainda bem que tinha esse apito.
R – Porque o segundo, tinha apito que ia sair, o primeiro toque, depois o segundo que os funcionários tão saindo e é perto, então as duas já estavam dentro de casa fazendo a lição, pra dizer: “Ó, somos santinhas”.
P/1 – A senhora, quando era pequena, sempre foi muito ligada a essa sua irmã gêmea?
R – Sim, sempre, porque a gente estudava juntas mesmo, nunca na mesma sala, nunca com os mesmos professores, minha mãe não queria, minha mãe tinha pedido lá que não pusesse na mesma sala, que pusesse em sala separada. E teve uma vez que a professora chamou a minha mãe que, sabe, aquele tempo se chamava a mãe a gente ficava preocupada que a minha irmã não prestava atenção na aula, como é que eu tinha nota, minha irmã, é que a minha irmã não prestava atenção quando a professora falava. Eu já era diferente, eu prestava muita atenção, então depois eu sabia a matéria, eu não tinha problema em fazer lição de casa, nada, só que eu não podia passar pra minha irmã porque não era a mesma matéria, não era a mesma coisa.
P/1 – Ah, porque ela tava em outra sala.
R – É, então mamãe dessa vez ficou preocupada.
P/1 – Era outra professora.
R – É, aí começou a guerra, o meu irmão, por ser filho único, foi servir exército, e por ser o filho único, então tinha a Legião Brasileira de Assistência, então eles davam suporte pra nós, então iam na escola ver se a gente tava bem na escola, como é que estávamos ou deixávamos de ta, tudo o que podia ter do bom, do melhor nós tivemos. Eu vou te dizer sinceramente, a minha mãe toda segunda-feira pegava ali no centro, que hoje é o centro, ali na estação da Lapa tem um museu lá, antigamente chamava-se, não to lembra.
P/1 – Na estação.
R – Estação, isso.
P/1 – Ai, tá bom, depois a gente lembra.
R – Já, já a gente vai lembrar, e lá é que davam lá que o governo tinha, que toda família ganhava toda segunda-feira, que tinham os filhos que, só tinham filho único que foi, eles davam mantimento, tinha que o meu tio ir junto com aqueles carrinho de mão pra carregar os mantimentos porque a minha mãe sozinha com o meu pai não conseguiam. Assim divida pra três famílias, porque ganhava bastante e com isso dividia pros outros também porque não vai jogar, naquele tempo, sabe como é, o pessoal era duro e tratavam bem mas foi muito bom também porque fomos muito paparicadas, eu com a minha irmã, porque aquele tempo o exército vinha, nos levava pra passear, tanto que a mamãe passou mal, teve que operar apêndice no Hospital Santa Catarina e não podia fazer visita, mas nos levavam todo dia pra ver minha mãe, depois levaram minha mãe pra cá. E a minha mãe nesse meio tempo achou um broche de um, do exército, de uma comandante muito alto e minha mãe entregou, minha mãe chegou pras moças: “Olha, eu vinha vindo, achei na rua isso aqui”, era de um comandante do exército, não sei quem era, e aí queria saber quem foi que achou, a minha falou: “Ah, eu não quero que fale quem que achou”, não, mas aí mesmo quis saber quem era, e só sei que fomos passar até 30 dias em Campos do Jordão em férias.
P/1 – Por que, por causa do broche?
R – Não, uma que é por causa da colônia, por causa da Legião Brasileira de Assistência.
P/1 – Ah, tá, por que tinha uma colônia de férias lá?
R – Tinha colônia de férias, um mês era menino, um mês era menina, então pediram pra minha mãe se a minha mãe deixava, pra aproveitar, aí tivemos que pedir licença na escola e a lição a gente já levava adiantado, que lá era obrigado também a fazer lição, e tivemos a oportunidade de conhecer Campos do Jordão de cabo a rabo.
P/1 – Aí foram vocês duas?
R – Fomos nós duas.
P/1 – A senhora e a Dona Isabel?
R – Eu e minha irmã, e o meu irmão servindo exército em Pindamonhangaba, e meu irmão cada 15 dias subia pra ver a gente lá, porque ele podia, como ele trabalhava, estava fazendo exército, ele podia subir pra nos ver, isso pelo menos foi muito bom, muito bom, aquele tempo Campos de Jordão, não é hoje o que é mas era muito lindo também era muito verde, muita montanha, muito frio, mas valeu a pena também ter conhecido.
P/1 – Aí tudo isso foi na época da guerra?
R – Na época da guerra.
P/1 – E quando acabou a guerra o que aconteceu?
R – Aí quando acabou...
P/1 – Ele nunca chegou, ele não chegou a ir.
R – Não, ele foi pra, ele foi mandado pro Rio Grande do Sul pra ir pra Itália, só que acabou a guerra, aí quem queria ir como voluntário podia ir, meu irmão não quis ir, mas mesmo assim dois anos ainda a legião ficou dando assistência pra gente, mais dois anos, tudo o que precisasse, o meu irmão voltou pro mesmo emprego porque era obrigado.
P/1 – A readmitir o funcionário.
R – Readmitir e tudo mais, aí depois o meu irmão, quando namorou com a minha inquilina lá, a Júlia, e casaram. Aí depois nós ficamos estudando, com a minha irmã, eu só fiz o segundo grau, que nem eu falei pra você, porque não tinha colégio particular como tem hoje, não existia nem aula à noite, não existia esse termo, escola à noite, então eu tive que parar pra ajudar os meus pais, aí eu comecei a trabalhar.
P/1 – E aí, onde que a senhora começou a trabalhar?
R – O meu primeiro emprego...
P/1 – Quantos anos a senhora tinha?
R – Quando eu comecei a trabalhar eu tinha 15, eu primeiro trabalhei um ano em oficina de costura, mas eu não gostava de costura, pra falar a verdade, mas...
P/1 – Lá na Lapa, não?
R – Não, aí já vim trabalhar aqui no Largo do Arouche, na Rua Frederico Abranches, fui aprender, aí nesse meio tempo abriu-se uma fábrica de luva aqui em São Paulo e o dono era húngaro, meus pais eram húngaros e aí eles fizeram uma proposta, vieram conversar comigo, se eu não queria ir trabalhar com eles, eu falei: “Eu vou, mas eu não entendo nada”, ele falou: “Não, mas você não tem que entender, você vai aprender fazer a luva pra ensinar os outros”. Tudo bem, eu fui, só que já com 17 anos eu já era gerente porque o dono da fábrica, o Tibor, ele não sabia falar português e aí o que que eu fazia?
P/1 – A senhora funcionava como intérprete?
R – E eu fiquei intérprete dele, no sendo intérprete eu aprendia primeiro uma máquina pra poder passar pros outros trabalharem, quando ia cortar, que é couro, como os homens precisavam trabalhar o couro todo ele ensinou, e assim foi crescendo, com ele eu trabalhei dez anos.
P/1 – Como chama a fábrica, Dona Ana?
R – A primeira fábrica chamava Luvas Star.
P/1 – Luvas Star?
R – É, e aí fiquei trabalhando com ele dez anos, aí venderam a fábrica, aí depois fiquei só um ano nesse, até ele abrir, ele abriu outra loja, chamava Graciosa.
P/1 – Que ainda existe?
R – É, aí fui, trabalhei lá com ele também, nesse meio tempo, como a gente pega amizade e tudo mais, eu vim conhecer o pessoal de confecção, que fica na Oscar Freire, chamava Confecção Gold, e fui trabalhar, saí de lá da fábrica de luva, fui trabalhar. Aí também eles eram húngaros, mas não era pra ser intérprete, não, porque já tinham a fábrica há muitos anos, fui mais pra fazer parte de vendas e ao mesmo eu apresentava o desfile porque quando tinha a época do verão, era inverno, você tinha que apresentar o verão, então tinha uma sala de desfile, era eu que apresentava pro freguês, pro pessoal da loja a moda.
P/1 – Ah, porque atrás tinha um lugar onde as pessoas...
R – Iam ver.
P/1 – Onde tinha os desfiles, aí os clientes iam lá.
R – É, e a manequim desfilava e eu que apresentava o tecido, as cores que tinham, como é que eram, pro pessoal fazer compras pras lojas, então isso, dependendo da onde era loja talvez nós íamos até a loja deles, se era mais longe a gente ia um pouquinho mais longe, procurava o espaço pra mostrar a moda, que foi muito bom, uma experiência muito boa, eu sempre lidei com o público, então eu adorei.
P/1 – Que ano era isso mais ou menos, Ana?
R – Ai, eu não lembro, não lembro, contando, 15, com 15 na Star, eu comecei acho que com...
P/1 – Na década de 50 mais ou menos a senhora foi trabalhar com as luvas.
R – Isso.
P/1 – E depois esse lugar na Oscar Freire.
R – Da uva conta mais ou menos uns 15 anos.
P/1 – Ah, então era década de 60.
R – Setenta, isso, por aí.
P/1 – Sessenta, 70.
R – É, aí fui, e só trabalhei cinco anos porque a firma faliu, nisso eu falei: “Bom, vou tirar umas férias”, não tirei férias porque aí também me contrataram pra ser gerente de uma loja na Rua Augusta, que fica na Oscar Freire, na Rua Augusta, Galeria Ouro Fino, ainda existe essa galeria.
P/1 – Ah, sim.
R – E tinha a loja que chamava Luvalândia, e lá trabalhei dez anos, fui gerente da loja, fazia compra, que a dona lá, ela viajava muito, quando chegava janeiro, fevereiro ela ficava com os netos em Londrina e quando chegava junho e julho ela ia pra Europa.
P/1 – Sim, e a senhora que ficava?
R – Eu que ficava na loja, fazer compra, vendas, aliás, acabei dirigindo a loja, sempre tinha uma funcionária do meu lado pra me apoiar, pra sair pras, mas também foi uma experiência muito boa.
P/1 – O que tinha na loja além das luvas?
R – Na loja no começo quando eu fui só tinha luva, mas como caiu a moda da luva, começou já o pessoal não comprava, não fazia mais questão da luva aqui, aí eu comecei incrementar, por guarda-chuvas, tinha guarda-chuva, mas eu incrementei, comprar guarda-chuvas mais modernos, aí compramos capa de nylon, que era moda, a fábrica ficava na Barra Funda, compramos aí vários tipos de capa, capa de chuva, capa de inverno. E aí começamos, trabalhava muito com luva de inverno também porque as pessoas que viajavam, aí começamos a incrementar com cachecol, com chalé, aí com flores, cachecol, tudo pra, não só luva, pra você poder trabalhar. E a gente vendia muita luva pra costureiros que nem o Dener, Clodovil, qual é o outro que era? O Renato Esper eu atendi muito pouco ele, ele era novo, era muito novo, quando eu comecei a trabalhar era o Dener, então ele trabalhava com a Madame Boriska, que fazia os melhores chapeis do Brasil, então a Madame Boriska era muito dona, muito amiga do Tibor na fábrica de luva, então tudo que se fazia acompanhava a luva e as flores.
P/1 – Sim.
R – Então nós arrumamos uma pessoa que fazia as flores e aí se vendia muita flor porque era época das flores e a época das flores durou muitos anos e assim foi, aí fechou a loja.
P/1 – Como era, quando a senhora foi trabalhar na Galeria Ouro Fino como era o comércio?
R – Olha, o comércio era muito bom porque a Rua Augusta era o bum, o que era ruim, você pegar condução pra ir embora.
P/1 – Onde a senhora morava nessa época?
R – Eu morava na Lapa.
P/1 – Ah, é, a senhora nunca, a senhora sempre morou nessa mesma casa.
R – Aí na Augusta o que eu fazia? Eu pegava ônibus na Lapa, descia em Pinheiros, de Pinheiros eu pegava o elétrico que subia a Augusta, mas na sexta-feira ou à tarde, que como toda a mocidade, todo mundo ia pra Rua Augusta, a loja fechava cedo, só que o trânsito não dava, você via o ônibus lá em cima e você não conseguia pegar o ônibus pra ir embora e se eu subisse até a Paulista também não tinha ônibus que ia até a Lapa que nem tem hoje.
P/1 – Sei.
R – Então tinha que esperar o ônibus elétrico pra ir pra Pinheiros, de Pinheiros pegar o Lapa, mas tinha muitas amigas minhas que faziam isso também, em Pinheiros, de Pinheiros pegava outra condução, mas foi muito bacana, foi uma coisa muito maluca a Rua Augusta naquela época. Tem uma história muito boa, uma vez fizeram, a Tapete Teperman acho que foi, Pekerman, não sei, enfeitou, fez um tapete vermelho na Augusta inteira, da Paulista até a Oscar Freire, aí todo mundo ia andar em cima do tapete na Rua Augusta.
P/1 – Em todas as calçadas desde lá de cima?
R – Não, não na calçada, era no meio da rua.
P/1 – Ah, no meio da rua?
R – Fizeram no meio da rua, aí como era o último sábado todo mundo quis levar um pedaço do tapete, foi um corre-corre a história, mas era, a gente era jovem.
P/1 – Que mais, que outra história a senhora lembra?
R – Lembro de lá da Rua Augusta?
P/1 – É.
R – Natal, que também era um, era muito lindo porque o pessoal enfeitava a Rua Augusta todo mundo enfeitava a sua loja e sempre tinha corais que iam cantar lá na rua, então era, chegava natal, era muito lindo a Rua Augusta, era povo mesmo e o pessoal participava, as lojas ficavam muito cheias o pessoal ficava até dez horas aberto.
P/1 – Aí nessa época a senhora trabalhava até às dez?
R – Trabalhava até às dez, dia das mães, dia dos namorados, natal, páscoa e depois também sempre tinha aquela festa da semana judaica também, que eles presenteavam, então iam buscar presente, então e tem sempre, tem essa troca o ano inteiro que era muito bom.
P/1 – E aí, bom, daí eu interrompi a senhora, a senhora tava contando, aí a loja fechou.
R – A loja fechou, aí eu zerei, falei pra minha, a minha mãe falou: “Agora você vai tirar férias”, eu já tinha perdido o meu pai meu pai tinha falecido já.
P/1 – Seu pai tinha morrido fazia muito tempo?
R – Sim, meu pai faz, pera, eu tinha 25 anos quando ele morreu, e porque ele teve uma trombose na perna e nós não sabíamos o que era, o Hospital das Clínicas tudo, é que ele esteve na Primeira Guerra Mundial, teve estilhaço na perna e não existia penicilina, então quando ele começou a sentir dores, que já tinha 60 anos, ele já não podia andar, ele tinha dores na perna, ia no médico, voltava, fazia exame, mas não chegava. Aí quando amputaram a perna dele que viram que ele tinha um estilhaço de guerra na perna mas aí infelizmente já.
P/1 – Aí a infecção já tinha tomado.
R – É, tomou conta porque não tinha...
P/1 – Ele já tava aposentado nessa época?
R – Aquela época não tinha aposentadoria querida, meu pai não pagava.
P/1 – Ah, tá.
R – Era ainda o tempo ainda peguei um pouco do Getúlio minha filha, o tempo do Getúlio, deixa eu contar uma história, tava trabalhando na Luvalândia, na luva, e na Dom José de Barros, Luvas Star, não Luvas Graciosa, bom, Getúlio morreu, fechou tudo três dias de feriado, não, nós não trabalhamos, nós fomos procurar cinema, no lugar de ir pra casa fomos procurar cinema, fomos parar na Praça da Sé pra ver se achava cinema. Quando chegamos na Praça da Sé aquelas estudantes fazendo enterro, aquela revolução geral, todo mundo de luto, tudo preto: “Nossa, o que que nós viemos fazer aqui” e minha mãe desesperada porque ouvia rádio, no lugar de ir pra casa, que nada, nós tava procurando cinema, você acredita? Olha a cabeça.
P/1 – Que cinema que vocês queria ir?
R – Não, queríamos ir no cinema, não, dispensaram a gente dez horas do serviço: “Não, vamos procurar cinema”, aí tivemos que ir a pé pra casa porque parou a condução.
P/1 – Nossa!
R – Não tinha como, todo mundo foi embora, aí da cidade fomos a pé, cortando aqui a Pompéia, Perdizes, Pompéia e chegamos na Lapa.
P/1 – A senhora e quem?
R – Eu e a turma que trabalhava, minhas amigas que moravam na Lapa também, se juntamos e voltamos, fomos procurar cinema com as minhas amigas, não tinha, mas o interessante...
P/1 – Porque também tava fechado.
R – Tava tudo fechado, fechou loja, comércio, fechou tudo.
P/1 – Mas naquela época na Sé ainda tinha o Palacete Santa Helena?
R – Como?
P/1 – Que cinema que tinha na Sé?
R – Ah, tinha o Metro, não, tinha na cidade, no centro, qual cinema que tinha perto do centro eu não lembro, pera, eu sei que tinha no Conselheiro Crispiniano, que é o Marrocos, que o cinema é Metro, tinha ali o Marabá, que é na Avenida Ipiranga e nós fomos procurar todos esses cinemas.
P/1 – Mas tava todo mundo fechado por conta da morte.
R – Todos fechados, claro, não tinha cinema, não tinha mais nada, todo mundo abaixou, todo mundo foi embora, três dias de luto, quando cheguei em casa ainda levamos uma bronca: “Onde que vocês estavam?”, “Ah, fomos procurar cinema, fomos procurar cinema”. A gente na idade da gente era tão grande que ia procurar cinema, mas que alegria, feriado, não, é divertido hoje não seria mas aquele tempo o pessoal fazia passeata, era passeata mesmo, ninguém quebrava nada, ninguém fazia nada, era um respeito pelo luto mas tudo bem, tudo isso passa.
P/1 – Então, aí a senhora tava contando, aí fechou a loja e a sua mãe falou: “Agora você vai tirar férias”.
R – “Vamos tirar férias”, bom, tirei, fomos pra praia, que nós fomos pra Itanhaém na casa de uma prima minha, voltamos, eu falei pra mamãe: “Vamos por as coisas em dia, a gente vai voltar”.
P/1 – Só vocês duas?
R – Só nós duas, porque a minha irmã já tinha casado, o meu irmão também, aí peguei minha irmã, falei pra minha, aí a minha amiga Elisa Vanuccini era presidente da Aberje, ela chegou: “Puxa, que legal, você nunca foi no prêmio Aberj, você vai comigo no Prêmio Aberje”, “Mas, Elisa, como é que”, “Não, você vai na festa, você vai lá me ajudar”. Lá fui eu até o Prêmio Aberje de dez anos, foi ali do Hilton Hotel, a festa muito bonita, porque lá tem um palco bonito, depois teve coquetel, e ela começou a me apresentar como secretária, eu falei: “Elisa, mas eu não sou”, “Não, não, você é secretária”, porque comecei a entregar crachá, comecei a aprender lá a profissão de relações públicas e comunicação, aí trabalhamos com a Elisa, mas eu fiquei...
P/1 – Tudo isso aconteceu nessa festa?
R – É, nessa festa.
P/1 – Que ela levou a senhora.
R – Aí depois eu falei: “Li”, “Olha, eu vou te dar só 15 dias de férias, você vai começar a trabalhar, já to te dando férias”, tinha um rapaz trabalhando, mas nunca achavam ele dentro da Aberje, a pessoa ligava, ninguém achava ele, claro, a Aberje não tinha nada pra fazer, tinha 60 associados, por aí, que dá, que levou mais ou menos, quando eu entrei, o Brasil inteiro. Aí eu falei: “Não, Eli”, “Não, você vai sim trabalhar”, tanto que ela, dispensaram o rapaz lá, aí eu fui trabalhar lá na Rua Dona Antônia de Queirós, não sabia mexer, máquina de escrever pra mim, era ainda elétrica, imagina, pegar uma máquina de escrever elétrica, eu falei: “Elisa, não sei trabalhar com isso, não aprendi”, “Não, mas você vai aprender”. E a Elisa com isso também foi me ensinando, que era uma sala pequena na Rua Antônia de Queirós, é 474 se eu não me engano, sala da...
P/1 – Perto da onde, da Consolação?
R – Da Consolação, esquina com a Consolação.
P/1 – Sei, porque a rua é curta, ah, bom, tem um pedaço antes.
R – É, tem aquele prédio, é, nós ficávamos na parte de cima, sobreloja, aí fiquei lá trabalhando com ela, ela foi me ensinando como é que eu fazia isso, fazia aquilo, falar com as, e o primeiro associado que eu falei, nunca me esqueço, foi da Volvo do Brasil, foi com o Pedro ainda, Pedro Correa o nome dele, nunca esqueço, que ele precisava falar com a presidente da Aberje, era o único associado do Paraná. Aí eu fiquei aflita, ligue: “Elisa”, “Não, pode deixar, eu ligo pra ele pra dar”, ela demorou pra dar resposta, retornou, falou comigo, falei: “Olha, ela não fica aqui”, ela trabalhava na Ciba, eu falei: “Eu vou falar com ela hoje à noite”. Falei: “Eli, o Pedro ligou de novo, precisa falar com você”, não era nada importante, ele queria fazer algumas, porque fazia esse jornal lá, uma vez, saía uma vez por ano cada jornalzinho, o jornal da Aberje, que antigamente era Associação Brasileira de Revistas e Jornais de Empresas então tinha que ser jornalista que trabalhava dentro de empresa. Até você explicar que pra fazer a revista de uma empresa tinha que ser jornalista, não podia ser nem RP, ele tinha que por o número porque senão o sindicato caía em cima e aí eu fui indo, foi indo, e acabei aprendendo escrever à máquina, fazer as etiquetas.
P/1 – A senhora aprendeu sozinha então, não fez curso de datilografia?
R – Sozinha, fui lá com dois dedos, aprendi, comecei fazer, aí fui aperfeiçoando melhor o português, aí comecei, ela escrevia as cartas e eu mandava fazer a cópia pra mandar pros associados, que aí eu tinha que fazer envelope, envelopar, botar a carta dentro, ir no correio porque aquele tempo não tinha nem fax então tinha que ser tudo pelo coisa. Aí depois teve a primeira eleição na Aberje, a primeira eleição foi a turma do Amaury Beleza Marchese, o pessoal da General Motors, da Gessy Lever, que foram e aí que eu fiquei muito apreensiva, eu falei: “Meu Deus, o que vai dar agora. Agora eu vou embora vai mudar de presidência, vão me trocar, né”, porque era eu sozinha ali dentro.
P/1 – Ah, então, isso que eu ia falar, a senhora ficava sozinha lá?
R – Sozinha e quando, eu fazia reunião com a Elisa à noite na casa dela, que ela morava em frente à minha casa, aí levava as coisas pra ela, e uma vez por mês tinha reunião de diretoria, que era à noite, que todos eles trabalhavam em empresa, a Elisa também.
P/1 – Então a senhora tinha que ir lá à noite ou ficava até à noite.
R – Não, eu ficava até à noite lá, ficava até às oito, nove horas, que é a reunião, aí ia pra casa com a Elisa, que ela morava em frente. Aí depois entrou a turma do Amaury, o Amaury Beleza Marchese foi presidente.
P/1 – A senhora achou que ia ser mandada embora.
R – Que ia me mandar embora eu pensei não sei eles faziam, aí teve eleição, tudo, aí a Elisa falou pra ele: “Amaury, você vai mandar ela embora?”, ele falou: “Não, não posso mandar ela embora, eu preciso dela”, aí entrou o Amaury Beleza Marchese. Aí com o Amaury Beleza Marchese eu comecei a entender melhor a comunicação porque, como ele vinha todo dia, ele trabalhava na Johnson & Johnson, ele vinha todo dia cinco horas, cinco, cinco e dez, ele também podia, ele tinha um horário flexível, que são americano, ele vinha, ficava comigo, passava o que tinha que fazer, me explicava. Aí comecei a aprender montar revista, jornal, falar com gráfica, coisa que eu não sabia aí fui, ele foi me embalando nisso tudo e acabei aprendendo, aprendendo até mexer com jornal e aí depois ele começou a fazer jornalzinho mensal, boletins. E aí foi crescendo, começou a fazer cursos, aí à noite quem ficava fazendo os cursos era eu porque não tinha quem ficar à noite, porque eles, além de trabalhar, estavam fazendo, ele tava se, ele já era formado jornalista, tava fazendo Relações Públicas, então não tinha quem ficasse à noite, a diretoria não podia ficar. Então eu que montava o esquema de cursos, quando acabava o curso, fechava e ia embora e foi bom porque o relacionamento foi melhor porque aí tive relacionamento diretamente com os associados abrindo mais conhecimentos, que foi muito bom.
P/1 – A senhora ficava lá o dia inteiro e ainda ficava à noite?
R – O dia inteiro, à noite, os cursos geralmente eram de dois dias por semana só, não é que ficava a semana toda, sempre, e muitas vezes o Amaury não tinha aula, ele vinha, ficava comigo, na hora de fechar ele falava: “Vai embora”, eu falei: “Não, deixa eu pelo menos guardar as coisas, depois eu vou” porque, sabe, homem, por mais que queira ajudar não vai saber. Então eu fazia, mas isso eu fazia com muito, a minha mãe sabia onde eu tava, minha mãe ficava feliz quem não gostava muito era namorado porque dia de semana não tinha como namorar.
P/1 – E os namorados, como que era?
R – Eu, pra falar sinceramente eu, como era muito independente, era difícil namorado comigo.
P/1 – Por quê?
R – Porque eu namorava, eu achava que eles não impunham, eu tomava iniciativa, ninguém falava nada, falei: “Ai, gente, não, não serve”, namorava e deixava de lado, aí depois também eu tinha um compromisso com a minha família, com o meu irmão, que ele tinha duas filhas, minha irmã tinha casado, tinha uma filha, o meu irmão precisava de ajuda financeira também, que era os meus pais que tomavam conta das meninas enquanto iam na escola, então tinha que dar uma ajuda. Então eu não, se eu tivesse que arrumar alguma coisa com as meninas eu deixava de namorar pra levar as meninas em qualquer lugar, minhas sobrinhas tavam em primeiro lugar, levava elas no cinema, se tinham que ir em algum lugar eu: “Olha, você não vem no sábado porque eu vou sair com”, “Mas não tem nada a ver”, “Não, não quero saber” e não conseguia. Eu não, por ser eu acho que daquela época, ser muito independente, você tomar conta de uma casa, por ser, onde eu trabalhei comecei a ter mais conhecimento, aí já achei que namoro ali já ia atrapalhar, não é que eu não tinha, não, eu tinha sim, tinha pretendentes, tinha namorado. Namorei 15 anos com um rapaz, não foi, também ele era muito ocupado, ele trabalhava em hotel, também era ocupado, então ele me entendia um pouco mais, mas mesmo assim depois a minha mãe também ficou um pouco doente, a mãe dele também ficou doente, então cada um, aí resolvemos cada um cuidar da sua família. Porque pra mim a família tava em primeiro lugar, sempre esteve, que a gente é apegada à família, então não tem, como eu não casei, não tinha filhos, eu me apeguei às minhas sobrinhas, então com a minha família era mais unidas, então nem pensava em namoro. Eu não me arrependo, falar sinceramente, não me arrependo que eu não casei porque graças a Deus eu tive convívio com a família, ajudei criar minhas sobrinhas, formamos elas, quer dizer, graças a Deus todas as três, a terceira hoje mora nos Estados Unidos com o irmão também, que é o quarto e graças a Deus depois eu fiquei com a mamãe. O meu irmão ficou morando, que morava em Pirituba, com a minha cunhada e as duas filhas, eu morava na Lapa, então não era longe, aí com o tempo, aí o meu irmão é que fazia minhas compras, ele já sabia o que tinha que comprar, ele falou: “Ah, mas a mamãe tá pedindo carne de porco”, “Ai compra, se ela quer comer carne de porco você acha que eu vou tirar carne de porco dela”. Aí o meu irmão veio a falecer primeiro que a minha mãe, menina, foi um perereque, porque eu tinha uma ajuda muito grande do meu irmão, meu irmão ia ver todo o dia a minha mãe, olhava, eu tinha empregada, mas ia olhar.
P/1 – Porque a senhora sempre trabalhando fora e às vezes ficando até tarde.
R – Trabalhando fora e ele já tava aposentado, ele já tava aposentado então ele passava em casa.
P/1 – Isso foi quando mais ou menos, a senhora lembra?
R – Meu irmão tem 25 anos que morreu.
P/1 – Então foi em...
R – Vinte e cinco, tamos em 2000, 1800, não, 1900, não.
P/1 – Foi em 1990 mais ou menos.
R – Isso, mais ou menos isso, não, um ano antes 1890.
P/1 – Mil novecentos e 89, por aí.
R – É porque um ano antes faleceu meu irmão, depois faleceu minha mãe, isso, minha mãe faleceu em 90, faleceu um ano antes, 89.Aí teve que ter mais cuidado com a minha mãe porque minha mãe não andava porque acabou o joelho dela, acabou aquela cartilagem que tem no joelho, naquele tempo não tem, hoje, a operação que tem hoje, que nós devemos aos jogadores que aperfeiçoaram as pernas deles tanto que a medicina tá tão adiantada com perna, que naquela época não tinha isso, eles aplicavam injeção, mas não adiantava, doía muito. Aí ela teve que ficar em cadeira, mas assim mesmo ela faleceu com 95 anos, ela começou na cadeira de rodas com 92 anos, mas lúcida e eu trabalhando, chegava sábado e domingo eu ficava, depois precisava, a pessoa que cuidava.
P/1 – Ah, porque aí tinha uma pessoa que ficava com ela durante o dia.
R – Uma pessoa que cuidava sempre, e também tem essa minha inquilina que mora comigo até hoje, que também ela trabalhava, ela trabalhava em frente à minha casa, ela que de vez em quando dava uma corrida pra ver a mamãe, se tava tudo bem, então eu, graças a Deus as amizades sempre foram muito boas, então sempre tive ajuda foi muito bom. Aí mamãe veio a falecer, ah, e aí foi crescendo dentro da Aberje, porque depois do Amaury, o Amaury foi crescendo a Aberje e ele foi ampliando as salas, aí ficamos, da sala dez ficou o auditório e depois fomos pra sala dois, aí ficou o escritório.
P/1 – Ainda na Antônia de Queirós?
R – Na Dona Antônia de Queirós, aí continuou lá até nós pedimos uma parede, tivemos que fazer um buraco porque não pudemos fazer uma porta grande porque tem um, aquela laje de cimento, concreto, não podia mexer, então, mas não tinha problema, era pra passar quando tinha curso, pra poder passar, ali também ficamos um bom tempo. Aí depois o Amaury saiu, entrou o Miguel Jorge, o Miguel Jorge, ele era da Auto Latina naquele tempo e o Miguel Jorge só ficou três anos, aí teve a reeleição, mas aí quem ficou foi o Prado, Antônio Alberto Prado, que ele trabalhava naquele tempo no Bayer. E assim foi levando, os anos, tendo cada vez mais conhecimento, conhecendo melhor, cada presidente com umas ideias novas, cada, e sempre tendo mais funcionários, tendo mais cursos.
P/1 – Por que daí cresceu?
R – Aí cresceu, a Aberje cresceu.
P/1 – E a senhora ficou sempre na...?
R – Sempre lá, e aí já com o conhecimento todo, quando tinha curso à noite eu não precisava ficar porque aí, como já tinha mais pessoas, contratava as pessoas pra ficar no curso à noite, só se fosse uma emergência eu ficava e tinha os Prêmio Aberje, que os Prêmio Aberje, geralmente quem separava os pacotes Prêmio Aberje era eu, que ninguém podia mexer, só era eu. Então eram volumes grandes, muitas vezes eu sentava no chão pra amarrar pacotes e depois levar pros jurados e recolher, mas foi bom porque aí fiquei conhecendo os jurados porque naquele tempo você levava o material pros jurados.
P/1 – Ah, você levavam pessoalmente o material?
R – É, isso, e depois, aí quando entrou o Prado, depois o Prado, como ele tava muito ocupado, aí tiveram uma ideia, tanto o, perguntaram quem deu a ideia de por o Paulo Nassar na Aberje foi o Marchese, como é que o nome do Marchese, o primeiro? Perdi, Amaury Marchese junto com o Renato Gaspareto, aí: “Não, vamos por, quem a gente podia por agora que tem uma visão muito pra frente é o Paulo Nassar”. Aí o Paulo Nassar veio trabalhar com a gente no tempo ainda do Prado, acho que era o último ano do prado, o ano, no começo eu não lembro bem isso, e aí o Paulo, como tinha uma visão muito grande, aí começou fazer mais cursos, mais palestras, mais, começou a desenvolver melhor e os cursos, aí quando começamos do Prêmio Aberje já, ele já ampliou melhor, não ter que buscar os jurados, sabe, chamava eles pra fazer, marcava hora, aí os jurados davam as notas já facilitou mais o Prêmio Aberje, aí depois saiu o Prado, entrou.
P/1 – Esses cursos que a senhora fala são cursos de que exatamente?
R – Ah, era de comunicação.
P/1 – Sempre, desde o começo?
R – Desde o começo, era relações públicas, comunicação, como é que eu vou dizer também? Não, tinha sempre o que tava sendo atual naquela época porque aquela época que começou, tanto a ECA na USP, que começou a desenvolver mais a comunicação, foi com a Margarida Kunsch que começaram ter a relações públicas e comunicação. Aí começou crescer, aí as pessoas começaram a procurar emprego em empresas, então essas pessoas vinham no curso, que a gente era comunicação interna, comunicação externa, revistas.
P/1 – Sempre quem dava esses cursos eram profissionais da área?
R – Eram professores naquela época.
P/1 – Professores mesmo?
R – Professores mesmo, procurava em faculdade, que vinha dar aula.
P/1 – Ah, certo.
R – Sempre alguém tinha conhecimento, que davam aula tanto na USP como na Metodista, ou da Cásper Líbero, iam procurando professores que entendiam de comunicação, relações públicas, porque o importante aquela época era comunicação interna, revista tinha externa e interna, que separava, tinha o boletim interno, boletim externo, boletim interno quando é interno, externo quando distribuíam fora. Então tinha toda essa separação, aí começou fotografia, prêmio de fotografia que sai em jornais e revistas, que também foi muito bonito porque todo mundo começou mandar fazer fotografia do trabalho dele, da empresa também foi muito bom, e assim foi ampliando.
P/1 – Vocês criaram uma categoria de fotografia dentro do prêmio?
R – De fotografia também, dentro do prêmio, tinha categoria de comunicação.
P/1 – Mas sempre fotografia ligada à área de comunicação?
R – Área de comunicação sim, tinha que ser dentro da empresa dele, área de comunicação, então dentro.
P/1 – Por exemplo, o fotógrafo que fez o catálogo.
R – É, mas o fotógrafo muitas vezes era o próprio jornalista que tirava, então punha isso, porque nós tivemos até uma exposição que o Prado fez de fotografias, que foi muito bonito também, uma semana, por exemplo, painéis, tava muito bonito também.
P/1 – Sempre lá no...
R – Sempre lá na Aberje, na Dona Antônia de Queirós, então aquele auditório, a gente fazia painéis pra expor as fotografias de, da, aí já aproveitava, também fazia, o Prado fez também uma exposição de jornais e revistas pro pessoal ver como é que a pessoa fazia um jornal. E quando tinha o Prêmio Aberje a gente pedia pras empresas que eram ganhador que trouxesse a revista e jornal, porque a pessoa, além de participar, levava os outros, como é que cada um trabalhava, porque o importante é você se comunicar, saber o que cada um faz, como até hoje. E assim ela foi crescendo, o Prêmio Aberje foi crescendo cada vez mais, a briga cada vez ficou maior e aí, como foi crescendo, sempre precisou procurar gente que não tinha envolvimento com empresa, nós tínhamos que tomar muito cuidado, a pessoa que se convidava pra ser jurado, ele não podia ter conexão com nenhuma empresa.
P/1 – Quem que fazia esse, vocês convidavam?
R – É, a gente escolhia o nome, geralmente...
P/1 – Sim, faziam uma pesquisa dos profissionais.
R – É, fazia uma pesquisa do profissional, aí ligava, perguntava se queriam ser jurados ou não, aí chamava, aí mandava, falava-se por telefone aí foi crescendo, aí o pessoal, e precisavam tomar muito cuidado na hora de procurar o nome, que ele não tinha ligação com nenhum jornal, envolvimento com alguma empresa, porque ou ele podia ser o jornalista, ele podia ser o, até o fotógrafo, pode ser uma gráfica, não podia envolver porque vai parecer que ele vai querer dar pra empresa que ele faz, mas uma triagem muito grande, como até hoje tem. É muito legal, muito, eu acho fantástico, hoje é um maquinário completamente diferente, hoje é lindo, me emociona cada vez que tem o Prêmio Aberje, não só Prêmio Aberje, me emociona tudo porque quando eu comecei a trabalhar era eu, mais eu, mais eu aí começou a vir o Amaury, aí ele trouxe a Renata, aí depois pegamos uma secretária, eu não lembro o nome da menina agora, que atendia o telefone, ficou ajudando, e assim nós fomos crescendo, tendo, e cada vez que subia mais, mais emocionada eu ficava porque: “Nossa, como estamos crescendo, olha que maravilha”, não é. Aí começamos, tudo o que a gente fazia e crescia era uma emoção tanto pra mim quanto pro presidente, pra tudo, quando a gente conseguia fechar uma revista que a gente tinha apoio, que podia fechar: “Olha, que maravilha, olha, eu consegui fazer o Prêmio Aberje”, não é, isso tudo era emoções. E quando era o Prêmio Aberje a gente tinha que procurar um lugar que fosse fácil pra todo mundo, não fosse caro, que coubesse dentro do bolso então...
P/1 – Porque quem paga, quem cuida da produção sempre é a própria Aberje?
R – É a própria Aberje, então tentava, de uma maneira eu tentar fazer a festa com tudo com a Aberje, se tinha apoio, eu sempre conseguia apoio de uma coisa ou outra, tinha vezes que dava apoio.
P/1 – Ah, tinha apoio.
R – Os próprios diretores da Aberje davam apoio, a gente fazia a festa, e assim fomos crescendo, aí entrou, depois do Miguel Jorge, que saiu o Prado, aí ficou o Paulo, o Paulo continuou, aí depois veio o Doutor Rui Altenfelder , que ele era da FIESP e já a cabeça foi crescendo mais. E o Paulo, como tinha visão, achou: “Olha, nós vamos ter que por como presidente o Doutor Rui Altenfelder porque ele é da comunicação lá”, ele era advogado e ele trabalhava em comunicação naquele tempo de FIESP, no Instituto Roberto Simonsen, e aí ele veio, ele aceitou, foi uma maravilha. E com a cabeça do Doutor Rui trabalhando na FIESP, conhecimento do Paulo, o Paulo conhecendo tantas pessoas, professor, porque o Paulo em rádio, na Globo o Paulo, então ele tinha muito conhecimento, ele trabalhava em marketing também, então o conhecimento dele também ele trouxe das pessoas e com o conhecimento também do Doutor Rui, que cada um vai conhecendo, aí a Aberje começou a crescer. Aí ficou, de repente a Aberje começou a ficar pequena, começou a crescer, pegando pessoa pra fazer estágio, porque foi, nossa, que gente essa de estágio aqui na Aberje, que coisa mais linda, porque tudo isso aí mexia com a minha cabeça, né: “Nossa, que maravilha, tem menino fazendo estágio aqui”, e aí começamos pegar funcionário já, que fazia o estágio, ficava e já pegamos profissionais pra trabalhar dentro da Aberje porque precisava pra chegar hoje como a Aberje está que ela já vai fazer, ela faz 45 anos fez 45 anos e eu tenho 36 de Aberje.
P/1 – Ah, então a senhora chegou eles tinham nove anos?
R – É, mas tem muita história gostosa, que no momento eu não lembro, mas tem acontecimentos muito gostosos, bacanas que tinham passando esses anos.
P/1 – A senhora, foi passando os presidentes e a senhora foi sempre...
R – Bom, eu conheci todos conheço todos, só quem, conheci até o fundador, mas ele já faleceu, que é Nilo Luchetti, mas a partir de todos eu conheci todos eles, tenho amizade com eles, tanto que alguns deles fazem parte ainda, dão curso na Aberje, participam da Aberje então não é que se afastaram, ao contrário, eles tão, recebem tudo da Aberje, continuam trabalhando e continuam na Aberje.
P/1 – Mas aí como consultores, pode-se dizer assim?
R – É, como diretor ou participam de eventos, chamam pra fazer palestra, todos eles vêm, que pra eles fazem parte também da Aberje. Aí ficou muito pequeno, aí o Paulo falou: “Não, chegou uma hora que não dá pra ficar mais aqui, nós precisamos sair daqui da Dona Antônia de Queirós, que não tá dando mais” e não tava mesmo e pra procurar, foi uma procura grande. Aí achamos na Angélica, que é perto de onde estávamos, então não foi uma, foi muito melhor porque nós fomos pro mais moderno, não levamos nada velho, de velho só fomos nós mesmo, que tava trabalhando, e fizemos tudo novo ali no décimo segundo andar, tinha o auditório na frente e atrás os escritórios. Aí já tinha jornalista, aí já, ah, não, tem a história das faxes também, quando veio fax na Aberje, gente, foi difícil, ninguém queria mexer no fax, mas, gente, é a coisa mais fácil e o povo: “Ah, mas o papel não passa”, “Como o papel não passa? Passa sim”.
P/1 – Ah, as pessoas tinham resistência.
R – Não, tinha medo de por o papel: “Não, o papel não fica preso, ele sai do lado”, “Mas a pessoa recebe?”, “Recebe” e quando entrava o fax, nossa, era um, gente, foi um bum, eu vou dizer, não.
P/1 – Quando chegou o fax, a senhora lembra?
R – Ah, o fax chegou em, foi no tempo do Amaury ainda, não sei que ano era o Amaury, no tempo do Amaury Marchese, bom, aí veio o fax, aí facilitou a vida, até o pessoal, aí depois nós já tínhamos máquina Xerox. Eu lembro uma vez, porque ali tudo era a base de correio, nós não tínhamos nada o que fazer, não tinha como mandar, gente, quando eu tinha que mandar material pra todos associados, porque toda semana tinha coisa, você tinha que fazer etiqueta, por no envelope, dobrar o papel, colar papel, porque aí você mandava imprimir em gráficas 300, 400 páginas, dobrar papel e depois colar, ir no correio, no correio você passava naquelas maquininhas era fácil, mas muitas vezes tinha tanto que o dono embaixo, do supermercado, que ele ficava com dó de mim, ele me emprestou aquele carrinho de compra, que eu ia até o carrinho, com o carrinho de compra, que eu não conseguia carregar a caixa, mas não tinha quem, quem que eu ia pegar pra me levar?
P/1 – Quando a senhora tava sozinha ainda lá na Aberje?
R – Sozinha, como é que eu ia fazer. Levava, aí depois pegava até a faxineira pra dobrar, aí um ano foi, que tava o Amaury, trabalhamos numa sábado, tinha, era carta que era pra prêmio, se não me engano, e tinha que ser posto no correio aquele sábado, só que no correio da Consolação não tava funcionando, fechou, não funcionava de sábado, nós não sabíamos. Aí quando chegamos lá, ele me largou no correio central, bom, desceu, ele me desceu com a caixa, tudo, mas ninguém perguntou nada, quando fui passar na máquina, não, uma moça da máquina tinha ido embora só pra colocar selo.
P/1 – Nossa, aí teve que colar.
R – Menina, 300 cartas.
P/1 – Trezentos selos.
R – Trezentas e poucas cartas, eu punha carta assim, tinha que colar, sabe colar o selo? Aí o guarda que tava ali do lado ficou com dó, ele me ajudou a colar os selos, aí tinha o outro guarda, que já tinham fechado, tava dentro, fomos colar, saí do correio, e não tinha como avisar o Amaury porque não existia celular ainda, avisar ele pelo, não podia, já que eu tava ali tinha que mandar no correio, o correio fechava às cinco, mas eu só sei que dois guardas lá, mais a pessoa que ia passando, contando pra pagar, eu consegui mandar. Aí o Amaury ligou pra mim, pra minha casa, tinha telefone, a minha mãe falou: “Não, ela ainda não chegou”, ele ficou preocupado: “Nossa, a Ana acho que foi no cinema”, “Não, Amaury, foi nada, saí quatro horas, aquela máquina que faz em cinco minutos tava, a moça tinha ido embora, tinha que ser no selinho mesmo”, como é que eu ia recolher, vir embora com aquilo? É pior.
P/1 – Então a senhora acompanhou todas essas mudanças?
R – Todas essas mudanças de colar selo, levar em correio.
P/1 – E quando chegou a internet?
R – Quando chegou a internet, bom, primeiro vamos falar do, que entrou o computador.
P/1 – Ah, é verdade, tem razão, primeiro o computador
R – Foi no tempo do Prado, o Prado chegou, entrou o computador, aí o Prado pôs um computador lá na Aberje, bom, quem que foi mexer no computador? Seria só o jornalista ou então a secretária lá, mas a secretária não fazia muito porque também não tinha muita coisa a secretária pra fazer aí era pela internet, aí o Prado vinha, não sei o que, começamos ter conhecimento. Aí tinha uma máquina só tinha um só computador, então também não podia ta abusando, porque não é que todo mundo mexia no computador porque também no começo as pessoas da máquina de escrever pra ir pro computador, eles já vinham, estavam vendo uma coisa meio diferente na vida dele, mas aí graças a Deus a coisa encaminhou, aí compramos mais um computador, foi aí que depois nós mudamos pra Angélica, que aí o Paulo comprou um computador pra cada um, que já podíamos fazer isso. Então cada pessoa que trabalhava ganhava um computador, que a pessoa precisava mesmo o computador e ficou mais fácil porque você usava correio, mas o correio não era tão grande quanto era necessário, facilitava muito mais a vida da gente então as coisas. Aí depois o Paulo também conseguiu através de um correio, pessoas deficientes físicas, que eles que envelopavam, eles que fechavam, selavam, tudo, a gente só mandava etiqueta, ou a revista com a etiqueta, já tinha envelope, tudo lá, então a gente já não mexia nisso, então era um trabalho a menos e a gente ajudava essa entidade porque eram deficientes que faziam e facilitava a vida de todo mundo, ajudava todo mundo. Também foi uma fase bonita, foi uma fase legal e a revista aí que passava no tempo do Amaury era anual a revista, aí do Prado foi semestral, aí quando o Amaury, o Paulo chegou ficou trimestral a revista.
P/1 – Nossa, aumentou.
R – É, foi, mas isso tudo foi um trabalho porque você tinha associado, se você não tem apoio, não tem anúncio, você tem que ir atrás de anúncio, de apoio, se não a revista não podia sair, então quando a gente conseguia fechar a revista a gente batia palma, cantava, era uma festa, quando conseguimos fazer alguma coisa que a gente chegava no topo era uma festa. E hoje a Aberje tá nisso que nós tamos vendo, grande, espaço grande, que nós estamos em dois prédios agora já temos instituto também, então quando mudamos pro prédio, que ela tava toda moderna, começou a vir gente, gente, começou ver pessoas, também vieram fazer estágio, geralmente quase todo pessoal que faz estágio já acaba ficando na Aberje né, Emiliana? Porque eles acabam, no tempo que eles trabalham acabam conhecendo o sistema da Aberje, eles começam a aperfeiçoar trabalho, porque quando entra ele não tem ideia do que é a Aberje, mas aí dependendo da área que ele vai trabalhar ele vai se aperfeiçoando, vai acreditando naquele trabalho dele, vai trabalhando. E ainda mesmo estudando na área dele ele também tem apoio muito grande da faculdade hoje, comunicação relações públicas, é muito grande a área hoje, então hoje ele, quando ele sai da faculdade ele não sai só pra trabalhar, pensar que vai trabalhar num grande jornal, ele vai trabalhar numa TV, não, ou numa rádio, não, ele sabe que pode procurar um bom emprego, ganhar bem dentro de empresas, não é? A Emiliana não entrou lá na Aberje pra trabalhar em vídeo? Começou lá na, estudando junto com o Paulo, aprendendo lá na USP, vindo fazer trabalho na Aberje e hoje é uma responsável na área.
P/1 – E a senhora hoje, o que a senhora faz hoje?
R – Hoje o que eu faço na Aberje?
P/1 – É.
R – Na realidade eu faço relacionamento.
P/1 – Certo, como que funciona isso?
R – Porque eu conheço os associados de muitos anos, conheço, conheço todos eles, então quando precisa falar ou marcar alguma coisa ou convidar ou fazer, então eu ajudo o Paulo, ajuda a Nara a conversar com essas pessoas, ou ele de repente precisa de uma pessoa, como é que faz pra conversar, então quando, como eu tenho conhecimento eles me atendem. Aí quando tem mais dificuldade então eu atendo, então como tem cursos, nos cursos eu não vou, mas todas as palestras que tem eu participo porque, pra saber quem vem, quem não vem, quem deixa de ta, ou tem uma pessoa importante, a gente ta sabendo quem está lá, é mais, eu to lá mesmo é pra receber mesmo as pessoas, é uma relações públicas pra...
P/1 – Como que é seu cotidiano, a senhora vai lá todo dia?
R – Não, agora, eu ia todo dia, aí quebrei a perna, aí depois da perna parei três meses, voltei pra Aberje, ficou normal, esse ano eu quebrei a perna, a perna direita, ainda fui cair na Avenida Angélica, muito chique do lado da polícia, não, a calçada, tropecei, o pé ficou, levei um tombo, aí eu quebrei o fêmur, mas não precisou por a, não quebrei, puseram uma placa só. Aí o Paulo falou: “Ó, Ana, nós vamos fazer um negócio, você vai começar a trabalhar só duas vezes por semana, mas você não pode ficar fora porque você é muito antiga na Aberje, você tem conhecimento, eu não quero que você pare com isso, eu quero você lá dentro, aí eu falei: “Bom, tá bom”. Então to vindo todas terças, agora, quando elas têm evento, por exemplo, que nem agora tem o Prêmio Aberje, que vai ter o, como é que chama aquela? Que a Giovana falou de agora pra dividir o, audiência pública, que cada vencedor de cada estado nas categorias, ele tem que fazer audiência pública, ele tem, não é só, os júris só viram o trabalho manual, agora eles têm que falar sobre o trabalho dele, 20 minutos, então tinha audiência pública.
P/1 – Uma apresentação.
R – Então eu participo dessa apresentação, porque como a gente conhece todo mundo, conhece o pessoal de agência, dá um apoio pras meninas, pra ajudar, porque são várias salas e tem conhecimento e as pessoas dessa época recebem o prêmio regional já, é prata, a gente entrega nesse dia também. Porque antigamente existia o prêmio Aberje regional, que a gente ia pro Rio, fazia todo esse sistema, então nós diminuímos.
P/1 – Ah, vocês produziam localmente.
R – E íamos pra lá, pra Minas, ia pro Rio, fazia audiência pública, aí depois diminuímos porque tem estado que não tem tantos associados, então aí diminuímos, eles fazem em São Paulo a triagem, eles só vem agora pra, agora já saiu os primeiros vencedores, então eles vem pra essa triagem e nessa triagem é que vai sair o vencedor, eles são vencedores.
P/1 – Eles são finalistas.
R – É, são finalistas, são vencedores do estado deles, que eles ganham prato.
P/1 – Entendi, aí eles participam do nacional.
R – Aí depois vem pro nacional, que é o ouro, que é a festa máxima, então ele já ganhou no estado dele e agora ele participa pro nacional, então nessa parte, que esse pessoal, eu estou perto, hoje tivemos a reunião da diretoria, tive lá um pouco, nós tivemos o como, dei um pulinho lá também pra ver as pessoas, participar dos eventos. Porque agora a gente tem o instituto, quase toda semana, nós temos cursos todo dia e temos eventos onde os associados são convidados, temos palestras com assuntos corporativos, temos relacionamento, temos com marketing, toda a parte que abrange a comunicação hoje, porque a comunicação não é mais fechada. Hoje tem aquela parte de sustentabilidade, hoje tem a parte social, hoje tem o corporativo, isso, você tem a parte, que o pessoal trabalha com o governo, não é, tem aquele pessoal que trabalha interno, que é muito importante, assuntos corporativos, hoje a empresa, todas tem uma diretoria muito grande, a área de comunicação hoje não é uma pessoa só, ela é muito grande, como você sabe. Então ela cresceu muito também, então isso é muita chance, que eu fico muito feliz, que a gente abre pra essa meninada uma oportunidade linda que hoje tem campo pra tudo desde que tenha vontade pra trabalhar, estudar que hoje quem não estuda, filha, não tem jeito. E ainda o que me preocupa hoje, eu acho muito legal que nós temos vídeo, temos, o pessoal hoje leva Ipad na mão, todo mundo escreve, todo mundo vê, hoje o que tá me preocupando que o pessoal tá esquecendo um pouco o ser humano, o ser humano tá começando a se dispersar. Em própria família não se veem, porque se veem num tablet, gente, escuta, é gostoso você ta vendo a pessoa, mas não é mais gostoso você conversar com essa pessoa, sentar, tomar um cafezinho ou beber uma água, conversar, passear, falar, eu acho que o ser humano ainda, o ser humano, o calor humano é muito importante e eu to pensando que tá perdendo isso muito e me assusta isso. Me assusta muito porque hoje você senta numa reunião, você percebe num bar ou restaurante, as pessoas não conversam mais, ele pega o tablet ou então ele pega o iPhone dele lá, tá comendo e não ta nem sabendo, tá pagando um dinheiro pela comida e não tá nem observando nem a comida. Eu acho que eu não to errada nisso que eu to pensando, eu não vou ver mais pra frente porque eu já to com 79, eu vou fazer 79 anos, eu, mas isso me assusta porque as pessoas tão começando a se fechar muito, ela fala tudo através de uma máquina, você imaginou se de repente dá um crap no mundo? Que é possível, como não é?
P/1 – Sim.
R – E isso sai tudo fora do ar?
P/1 – Aí como as pessoas vão fazer?
R – Como é que essa pessoa, o que que vão fazer? Ele vai acordar aqui, aí ele vai correr que tem, sabe que tem família, sabe que tem amigos, aí ele vai conversar, o que que vai fazer? Não é? E também, como eu falo pra vocês, como eu lido com muitos jovens na Aberje, eu adoro ficar com eles, eu fico, quando eu vejo que cada um cresce dentro da Aberje, ou a pessoa vem fazer curso, você vê mulheres hoje, elas dominam muito mais a área de comunicação do que homem, as mulheres hoje tão...
P/1 – Que é completamente diferente de quando a senhora começou?
R – Começou, que eram homens, as mulheres eram poucas, hoje elas tomam conta de diretoria de assuntos corporativos com o governo, é pra tirar o chapéu, é, porque a mulher hoje, mesmo no curso da Aberje você repara, quando tem cursos vamos contar 20 fazendo o curso, 15 é mulher, cinco homem, ou 18 mulher, dois homem, eu não sei se eles se acham muito poderosos, não sei, que eles não vão, são cursos maravilhosos, gente, são cursos avançados. Então quando eu vejo essas meninas entrando na Aberje, a Aberje crescendo, vendo essas meninas trabalhando na Aberje, cada um no seu setor, que agora tem vários setores na Aberje, não, tudo me emociona, eu preciso sair porque senão eu começo a chorar, porque pra mim é tudo minha cria. E vejo também que o Paulo, o Paulo também é uma pessoa que ele vai na USP, ele vai procurar, ele puxa essa juventude, sabe, ele exige, mas não é que ele quer exigir tudo, é pra, que ele sabe que a pessoa tem capacidade pra fazer as coisas, isso é muito bom, é muito bom mesmo, tanto que ele é querido pelas meninas ali tudo, tem hora que tem razão, ele tem, como ele é diretor presidente tem hora que ele tem que ser um pouquinho, um pouquinho mais alto, pra falar um pouquinho mais, mas é muito raro ele fazer isso, mas ele é sensacional. O Paulo tem uma visão muito pra frente, isso é muito bom, trabalhar lá, muito, o dia que eu não vou trabalhar eu fico meio perdida, agora, quando vou de terça e quinta já...
P/1 – Como que é seu cotidiano, o dia que a senhora não vai trabalhar?
R – Bom, eu tenho minha casa, tenho minha gata, eu tenho uma gata muito querida, eu tenho um quintal grande, a minha casa tem um jardim na frente, que eu cuido do meu jardim, tenho flores, faço parte da terceira idade, toda sexta-feira nós temos uma reunião à tarde, quando reúne 48 mulheres pra gente vir passear, conversar, saber o que se passa de cada uma, porque senão a gente também não tem, perde o contato, e a gente faz viagens também, cada dois meses temos uma viagem. A viagem sempre é de sexta, sábado e domingo, então que nem agora, mês de outubro nós vamos pra Avaré, conhecer Avaré porque diz que é um lugar muito bonito, porque a gente tem que pensar muito o lugar que a gente vai porque são pessoas de idade, não é, eu ainda sou jovem, porque tem gente até de 90 anos no meu grupo, que andam, participam de tudo. Então eu faço parte disso também, eu tenho minhas coisas pra fazer em casa também ainda faço fisioterapia, to fazendo também acupuntura, tenho as coisas em casa pra fazer, abro meu computador pra ver o que tá acontecendo na Aberje, mas eu não abro Facebook, muito raro, eu acho que ainda eu tenho que. Agora, minhas pessoas, minhas famílias, eu abro meu computador uma vez por semana pra mim ver eles, mas não fico todo dia ligando, não, toda hora, falei: “Não ficam dando sinalzinho porque se eu tiver fazendo serviço eu não vou abrir, não, hein”. Porque o pessoal de fora tudo bem, moram nos Estados Unidos, minha irmã mora nos Estados Unidos, em Detroit, os filhos dela todos moram lá, mas eu tenho o meu pessoal, tenho uma sobrinha que mora em Curitiba e a outra mora em Pirituba, a que mora em Curitiba é viúva, o marido dela era arquiteto lá em Curitiba, faleceu, ela tem um filho, e a minha sobrinha que mora em Pirituba é solteira, mas também trabalha, é trabalhadora, hoje já é aposentada, hoje, graças a Deus.
P/1 – Essas são as crianças que a senhora ajudou a criar?
R – Que eu cuidei, é, ajudei a criar, essa que mora em Pirituba é que tá mais comigo, que chega fim de semana estamos sempre juntas e com a graça de Deus ela conseguiu, vai, já está montando uma loja aqui em Pinheiros só de anjos, tudo a base de anjo, tudo, que o sonho dela era abrir uma loja, tudo que se diz a anjos, tem coisas lindas, lindas, que nem eu não acredito no que eu vejo que vai ter na loja dela. Então também não vou, talvez no fim de semana, talvez que precise de uma ajuda, mas ela vai ter uma amiga que vai, já tá pra treinar com ela então se precisar de ajuda ela pode contar comigo também.
P/1 – Quais que são os seus sonhos hoje?
R – O meu sonho?
P/1 – É.
R – É, se Deus me permitir, continuar na Aberje pra ficar com essa meninada toda, que eu adoro a Aberje, porque eu posso dizer que eu adoro a Aberje, 36 anos de Aberje, minha convivência é muito grande, porque entrou e saiu muita gente da Aberje, mas eu lembro das pessoas, as pessoas lembram de mim, isso é muito bom. E o meu sonho hoje também ter, que eu to podendo passear, uma vez por ano eu vou pra casa da minha irmã, pros Estados Unidos, fico lá um mês de férias, saio muito com a turma da terceira idade, saio muito com as minhas amigas, vou em cinema, vou em teatro, eu aproveito bem a minha vida, eu, que Deus me dê essa continuidade, que eu possa ainda fazer tudo isso. Porque o sonho da gente é ver os sobrinhos realizados, na parte que a minha irmã mora nos Estados Unidos, graças a Deus, os filhos tão realizados, tão bem, já é bisavô de oito, então ela tem muito o que fazer também, ela com o marido, o marido dela ainda vive também, e essa convivência que a gente tem. E fora que eu tenho amizade na minha rua, são amigas minhas de infância, porque umas casaram, voltaram, umas casaram, continuaram morando na minha rua, hoje essa turma toda faz parte da minha turma da terceira idade, então a gente conta história da infância, tem vezes que a gente reúne, as filhas mesmo falam: “Não, conta um pouquinho quando vocês eram meninas, conta um pouquinho como é que era a rua”, então a gente fica contando isso assim pra elas que é muito bom. E depois eu gosto muito de ir pra Itanhaém, que eu tenho um apartamento em Itanhaém, eu gosto de ir lá também, agora no frio eu não vou, mas sempre no inverno quando eu posso eu também vou pra lá, Itanhaém, curtir um pouquinho a praia, que eu adoro praia.
P/1 – Dona Ana, como é que foi contar a sua história aqui hoje? Que pelo jeito a senhora tem o costume de lembrar essas coisas então não é...
R – Bom, são histórias que vem vem acumulando, você vai contando.
P/1 – E hoje, como é que foi contar hoje aqui?
R – Eu pra vir pra aqui?
P/1 – É.
R – Não é de hoje que a Karen e o José Santos queriam fazer, eu conheci o José Santos quando ele tava na rua, ele começou, eles não tinham nem alugado a casa, que você falou o nome da rua, como é que era?
P/1 – Na Barão de Itapetininga?
R – Fidalga.
P/1 – Ah, na Fidalga.
R – Na Fidalga, quando ele abriu a casa, que nós fomos lá, porque eu lembro que nós íamos fazer, eu, Paulo Nassar, José Santos, Karen, nós íamos nessa livraria e lá a gente montava esquema pra contar história do Museu da Pessoa, lá que ela funcionava, então eu conheço um pouquinho da história do Museu da Pessoa. E com essa história, sempre o José Santos querendo me entrevistar, querendo fazer, sempre tinha uma coisa ou outra que eu não vinha, o José Santos tinha até desistido, mas eu fui acompanhando o crescimento do Museu da Pessoa, tanto com a Karen, foi crescendo, pois eles foram crescendo. Aí vieram pra cá: “Não, porque tem que fazer a história da sua vida, você não vem”, bom, aí a minha querida falou assim pra mim: “Não, Ana, agora”, a Emiliana falou assim: “Não, Dona Ana agora nós temos que fazer a história, eles tão lá ligando, tem que fazer a história”, não sei o que, então vamos lá fazer a história, então ela que ficou pra marcar, mas eu devo isso, pra contar minha história pro José Santos, há muito tempo.
P/1 – Entendi, faz tempo que era pra senhora ta aqui.
R – Sempre, eu tava sempre, aí eu recebia, que eles faziam folhinha com história de cada pessoa, aí comecei a receber folhetos: “Ana, olha como é bonito, você não quer fazer”, “Não, eu vou fazer sim, eu vou” e fui empurrando, chegou agora que eu não pude escapar graças a Deus eu consegui vir contar também, que a Karen, o José Santos também sabem um pouco da minha história, que eu acompanhei eles crescendo. E cada vez que eu via eles, por exemplo, que nem agora, quando começamos a fazer esse evento da Votorantim, Museu da Pessoa, que tem sucesso, que você vê, o auditório fica cheio, gente, isso é muito emocionante, pra você ver a que ponto tanto vocês cresceram como a Aberje, que a gente tem que contar um pouquinho, cada dia tem um palestrante. Agora, o importante que todo mundo quer participar, todo mundo quer subir lá no palco, contar um pouquinho da história, contar a vivência junto com a Votorantim, que é uma pena que a Votorantim não está mais na Praça Ramos agora não sei onde, como é que vai ser feito os eventos, mas se Deus quiser vamos achar o lugar efetivo tomara. Porque o museu tem, o MASP tem ajudado a gente, mas a gente também não pode ficar ocupando, o MASP tem teatro, tem cinema, eles também têm, os museus, tem tudo lá, apresentações.
P/1 – Tem uma programação apertada.
R – Que a programação deles é anual e aqui é muito bonito, e não sei se vocês foram ver a exposição do Banco do Brasil, vocês tiveram lá?
P/1 – Ai, eu tive lá.
R – Nessa última?
P/1 – Terça-feira.
R – Lindo então eu fui, peguei a gripe lá.
P/1 – Por causa do ar condicionado?
R – Porque tava calor, fui no domingo, iam fechar, ia ter só mais uma semana, lá dentro aquele ar condicionado brabo, saímos de lá encantada porque a gente queria olhar tudo, ver tudo quando saí de lá, embaixo daquele calor, fomos até a Praça Ramos a pé porque a minha sobrinha deixou o carro lá, não tinha como deixar dentro, aonde ia deixar o carro? Porque eu ainda não subo em ônibus, eu peguei aquele calor, quando foi de tarde eu perdi completamente a voz.
P/1 – Ah, por causa do ar.
R – Peguei por causa do ar condicionado, você vê que eu já não tava boa, então aconteceu, mas valeu a pena, eu vi o museu, e pena quem não foi ver, você não foi ver? Muito lindo, olha que eu conheço, eu conheço Roma, conheço Itália, fui conhecer todos aqueles museus, mas esses quadros eu vi muito poucos lá do que tava expostos, porque esses quadros não são de museu, são de empresas, são de pessoas particulares, que eles emprestaram.
P/1 – É, lá é de coleção particular.
R – Eu tinha visto um quadro destes, foi em Ferrara, só que até reconheci o quadro, que tava tendo uma exposição pequena lá, aí eu vi esse quadro, mas eu fiquei muito encantada, muito lindo, isso é bom, faz bem pra cabeça, faz bem pra tudo é isso aí.
P/1 – Dona Ana, obrigada, viu, da senhora ter vindo contar a sua história.
R – Acho que faltou alguma coisa, faltou alguma coisa?
P/1 – Não sei, a senhora quer contar, a senhora quer falar mais alguma coisa?
R – Não, pra vocês tá bom assim?
P/1 – Se tá bom pra senhora, a senhora que decide.
R – Tá bom pra mim também, tá ótimo, tá bom.
P/1 – Tá bom, obrigada, viu, Dona Ana.
R – Nada, porque elas também fizeram pra mim, lá da Aberje, mas lá na Aberje, como é que eu comecei a conhecer a Aberje, como é que eu conheci todo mundo, porque a Aberje vai fazer, já tão preparando pros 50 anos.
P/1 – Ah, o material.
R – É, também gravaram um pedacinho pra mim dizer porque que a pessoa precisa se filiar a Aberje, por quê? Porque hoje, além de você fazer faculdade, você vai aprender muito mais, se você não participar do que a Aberje tem hoje, porque hoje eu posso falar que a pessoa tem que participar de tudo que a Aberje faz, porque se você não fizer você não tem como crescer. Mesmo que ela trabalha numa empresa, ela precisa saber o conhecimento quer tá tendo por fora, a visão das pessoas, porque cada dia é uma novidade, é computador, é fotógrafo, é nosso amigo aí que faz vídeo, não é, o apresentador, tudo, tudo vai modificando e as pessoas têm que aprender, acompanhar tudo isso. Se ela não participar de eventos, participar de cursos ela não vai a lugar nenhum, então ela não, também não tem o que passar dentro da empresa dela, porque quando tem palestras são pessoas pra falar o que acontece com ela, a empresa dela, aí ela pode se preparar, de repente dá uma crise, ela viu alguém falar sobre crise, ela vai ter mais ou menos uma orientação do que ela pode fazer também, não é? Uma parte sustentável também hoje precisa saber, parte social porque uma empresa se não tiver isso aí não tem como crescer, como é que ela vai crescer? Mesmo que nem o José Santos, começou ele e a Karen, aí era duas, três pessoas, aí quando a Karen viajava o José que ficava, hoje a Karen, ela só comanda graças a Deus, o José Santos também, eu lembro do José Santos, ele ainda anda de malinha? Eu sempre falo pra ele: “José Santos, essa malinha não pode mais andar com você”.
P/1 – É verdade, ele tem sempre uma malinha.
R – Eu acho ele uma graça, eu amo eles, são muito bons.
P/1 – Obrigada, viu.
R – E é bom porque eles também viram como a Aberje cresceu.
P/1 – Sim, acompanharam, assim como a senhora acompanhou o museu.
R – É, acompanharam muito, eu fico feliz de saber que o museu tá isso, não é, pois que as empresas antigamente não estavam procurando se preocupar com memória, depois, de um tempo pra cá, uns dez anos, que as empresas começaram a correr atrás, porque eram poucas empresas que tinham história, ela tinha história, mas acumulada e não sabia como montar. Hoje até pra isso tem gente que faz eventos, monta esse esquema todo tanto memória, vídeo, não é, porque se uma empresa não tem história como é que ela vai poder dar continuidade?
P/1 – É verdade.
R – É que nem a gente tem a nossa história vamos crescendo junto com tudo aquilo que a gente fez na vida e continua fazendo, espero que Deus me dê ainda bastante oportunidade pra atormentar essa meninada.
P/1 – Tomara.
R – Tomara, isso, ta, obrigada pela sua atenção.
P/1 – Obrigada a senhora.
R – Obrigada você também pela sua atenção, viu.
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