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Não registrado oficialmente em documentos pelo meu pai porque eu fui abandonado pelo meu pai muito cedo… quer dizer, na realidade, minha mãe deixou o meu pai muito cedo, eu tinha um mês e três dias de nascido, segundo ela e ela foi morar com a minha avó e acabou não registrando o nome do meu pai nos documentos, meu pai era alcoólatra e ela não suportou a situação apresentada no casamento. Eu o vi uma única vez, acho que eu tinha por volta de seis anos, ele havia adquirido uma doença e estava brincando de carrinho, era uma criança. Foi a única vez que eu o vi, eu lembrei por mais de muitas vezes esses dias, hoje, já nem tanto. E ele faleceu em 78.

Na minha infância em Piripiri nós brincávamos com o fruto do mandacaru, nós brincávamos com carrinhos feitos com latas de óleo, né, que até então, eram feitos de lata, nós brincávamos de pega-pega, de esconde-esconde, brincadeira… não tinha muita opção, não tínhamos brinquedos, essa é a grande verdade. Nós mesmos fazíamos com o que nós encontrávamos na natureza. Eu brigava muito na escola quando eu era criança, então, eu ia pra escola, ficava mais de castigo do que aprendia. Eu, na realidade, vim fazer, de fato, a primeira série, com nove anos de idade, de nove para dez anos. Até porque, escola mesmo nós não tínhamos e, Piripiri, pelo menos para a classe mais pobre era muito complicado e eu lembro que nós tínhamos lá uma professora que dava aula em uma sala e nós tínhamos que levar o banquinho de casa, que nós sentávamos no chão, colocávamos o banquinho de frente pra lousa que era a nossa carteira e o caderninho no saquinho de leite. Era essa… foi essa a minha escola. Ai depois, fizeram uma escola no bairro, mas eu já não cheguei a usufruir muito, o pouco que fui, ficava de castigo.

Minha mãe, me deixou com a minha vó aos quatro anos de idade, veio para a cidade de Fortaleza, porque lá não tinha opção de emprego e ela veio trabalhar como...

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Dados de acervo

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P/1 – Cledimilson, você pode falar o seu nome completo, local e data de nascimento?

R – Cledimilson Teixeira do Nascimento, nascido a nove de janeiro de 1966, na cidade de Piripiri no Piaui.

P/1 – Cidade de?

R – Piripiri

P/1 – Seus pais são de Piripiri?

R – Sim

P/1 – Seu pai e sua mãe?

R – Sim

P/1 – Como que é o nome do seu pai?

R – Não registrado oficialmente em documentos, era José Ferreira Lima, minha mãe, Creuza Teixeira do Nascimento

P/1 – Por quê que ele não é registrado oficialmente?

R – Porque eu fui abandonado pelo meu pai muito cedo… quer dizer, na realidade, minha mãe deixou o meu pai muito cedo, eu tinha um mês e três dias de nascido, segundo ela e ela foi morar com a minha avó e acabou não registrando o nome do meu pai nos documentos

P/1 – Por quê que ela separou do seu pai logo cedo?

R – Álcool. Meu pai era alcoólatra e ela não suportou a situação apresentada no casamento

P/1 – Você tinha outros irmãos?

R – Chegou a falecer antes de mim, que era pra ter uma irmã mais velha do que eu, dois anos mais velhas, mas não cheguei a conhecer. Faleceu antes mesmo que eu nascesse

P/1 – Ai ficou você?

R – Ficou eu

P/1 – E você chegou a conhecer seu pai?

R – Eu o vi uma única vez, acho que eu tinha por volta de seis anos, eu vi uma única vez… ele havia adquirido uma doença e… tava brincando de carrinho, era uma criança. Foi a única vez que eu o vi

P/1 – E você lembra desse dia até hoje?

R – Eu lembrei por mais de muitas vezes algum tempo atrás, hoje, já nem tanto. E ele faleceu em 78

P/1 – Quanto tempo você… até quantos anos você viveu em Piripiri?

R – Olha, em Piripiri foi uma historia engraçada, porque eu fiquei em Piripiri até os nove, depois eu vim pra Fortaleza, voltei com 14, ai sai de Piripiri novamente para Fortaleza aos 18, para servir ao Exercito.

P/1 – Como que era Piripiri na sua infância?

R – Piripiri na minha infância: uma...

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