Estávamos no meio da manhã, talvez o relógio marcasse 11:00 horas, de repente uma senhora aflita entrou na unidade, cortou fila, pediu desculpas, e falava que era uma questão de vida ou morte, fazia referência à filha, pois recebera uma ligação avisando que a haviam seqüestrado momentos antes, lembrando que a mesma partira de Pérola na noite anterior com destino a Campinas.
Os “indivíduos” pediram resgate de R$ 10.000,00, ao telefone a mãe diz que não tinha todo esse valor, baixaram para R$ 7.000,00 imediatamente e, nova negativa da mãe, baixaram para R$ 5.000,00 e a mãe fez a tréplica de não ter o valor solicitado, eles pediram o quanto ela tInha disponível, ela falou que o único dinheiro era R$ 250,00, então orientaram para se dirigir aos Correios e fazer o depósito/crédito da CLARO. A mãe ainda confusa, queria falar com a filha que estava do outro lado da linha, prontamente uma voz feminina, chorosa e embargada falou para a mãe creditar o valor, pois caso contrário a matariam. A mãe desesperada ainda pede pela neta, se estava com eles, respondem que sim.
A mãe sai com seu esposo, munida do valor que iria “salvar” a filha. Aparentava uns 65 anos, caminhou apressadamente até os Correios, dá aproximadamente 3 kms, chega exausta, mas na certeza de poder fazer o depósito/crédito, porém ela não estava com o número de conta ou algum outro de celular.
Feito o 1º contato com o atendente, percebeu-se tratar de um golpe, esses com intimidação através do telefone para creditar algum valor em determinado celular.
A mulher estava inconformada e queria levar a cabo sua intenção a todo custo, conversamos com ela e explicamos que provavelmente se tratava de um golpe, mas ela parecia não acreditar em nós. Ela chorava e tremia, oferecemos um copo d'água, mas o tremor de suas mãos eram tanto que ela não conseguia sequer beber um gole. Tentávamos convencê-la com nossos argumentos, mas tudo foi em vão. Haviam...
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Estávamos no meio da manhã, talvez o relógio marcasse 11:00 horas, de repente uma senhora aflita entrou na unidade, cortou fila, pediu desculpas, e falava que era uma questão de vida ou morte, fazia referência à filha, pois recebera uma ligação avisando que a haviam seqüestrado momentos antes, lembrando que a mesma partira de Pérola na noite anterior com destino a Campinas.
Os “indivíduos” pediram resgate de R$ 10.000,00, ao telefone a mãe diz que não tinha todo esse valor, baixaram para R$ 7.000,00 imediatamente e, nova negativa da mãe, baixaram para R$ 5.000,00 e a mãe fez a tréplica de não ter o valor solicitado, eles pediram o quanto ela tInha disponível, ela falou que o único dinheiro era R$ 250,00, então orientaram para se dirigir aos Correios e fazer o depósito/crédito da CLARO. A mãe ainda confusa, queria falar com a filha que estava do outro lado da linha, prontamente uma voz feminina, chorosa e embargada falou para a mãe creditar o valor, pois caso contrário a matariam. A mãe desesperada ainda pede pela neta, se estava com eles, respondem que sim.
A mãe sai com seu esposo, munida do valor que iria “salvar” a filha. Aparentava uns 65 anos, caminhou apressadamente até os Correios, dá aproximadamente 3 kms, chega exausta, mas na certeza de poder fazer o depósito/crédito, porém ela não estava com o número de conta ou algum outro de celular.
Feito o 1º contato com o atendente, percebeu-se tratar de um golpe, esses com intimidação através do telefone para creditar algum valor em determinado celular.
A mulher estava inconformada e queria levar a cabo sua intenção a todo custo, conversamos com ela e explicamos que provavelmente se tratava de um golpe, mas ela parecia não acreditar em nós. Ela chorava e tremia, oferecemos um copo d'água, mas o tremor de suas mãos eram tanto que ela não conseguia sequer beber um gole. Tentávamos convencê-la com nossos argumentos, mas tudo foi em vão. Haviam várias pessoas na agência e todos falavam a mesma coisa, que se tratava de um golpe, mas ela não acreditava, ela queria a filha viva. Diante do desespero daquela mãe, o nosso lado humano falou mais alto. Após alguns minutos, tentando acamá-la, sem exito algum, decidimos que a levaríamos para casa e fazer contato com a filha e assim, confirmar sua segurança.
Chegamos na casa da senhora juntamente com seu companheiro não menos aflito/nervoso e, constatamos que o telefone se encontrava fora do gancho, devido à orientação dos “indivíduos”, chegamos lá e percebeu-se que não havia ninguém na linha, desligamos e a partir daí começamos um árdua, desgastante e estressante tarefa de poder localizar a filha que partira de viagem na noite anterior e que, até então não entrou em contato com a mãe, algo que em outras oportunidades fizera entre 08:00 e 09:00 horas, tudo parecia conspirar contra. Até nós tínhamos algumas dúvidas, será que conseguiríamos tranqüilizar aquela senhora e se...for verdade?
A essa altura já havíamos contatado uns 7 ou 8 telefones, mas todos sem sucesso, ora para a caixa postal, ora número inexistente, ora em casas de pessoas totalmente estranhas. Em dado momento ligamos para o 190, nos atendeu um policial que passou algumas orientações, inclusive procurou tranqüilizar aquela mãe, conseguiu por alguns instantes apenas.
Continuamos nossas tentativas de falar com a filha e a mãe? Essa rezava pelos quartos em voz alta, clamava pelos santos, se comprometia com Deus pela “libertação” da filha, agora queria apenas falar com ela, saber que estava bem, mas... através dos telefones que tínhamos estava bastante comprometido, eram vistos em uma velha agenda, alguns sem nada de organização, íamos perguntando: e esse? De quem é? De acordo com o que nos respondiam era feita a ligação. Um era da vizinha em frente, que sempre ficava em casa ou talvez sua filha e naquela manhã ambas haviam saído. Tinha quer ser justamente nesse dia?
Conseguimos falar com um cunhado da suposta seqüestrada, morava longe, estava no trabalho e não conseguia ir até lá naquele momento, passou o telefone da esposa, talvez pudesse ajudar, infelizmente ela não atendia, o horário avançava e, nossas entranhas queimavam, a tensão era enorme.
De repente Deus iluminou ainda mais aquele momento. Ligamos novamente para o cunhado e pedimos o nome de algum comércio próximo à casa da filha “seqüestrada”. Ele nos passou o endereço da residência e o nome de um depósito e de um açougue, Depósito do Sapecado e Açougue do Billy Joy. Contatamos o 102 da região de Campinas e, pedimos as informações. Tudo em vão, números desatualizados. Mas sentíamos que Deus estava do nosso lado, um dos números era de outro depósito, uma senhora nos atendeu, contamos a ela o que havia acontecido, o quanto estávamos preocupados e nosso desejo em poder ajudar aquela mãe. A senhora prontamente resolveu nos ajudar, perguntou aos funcionários se alguém tinha o contato e, todos se comoveram. Conseguimos o telefone do Depósito do Sapecado, era próximo da casa da filha, a mãe agora, chorava e rezava, rezava e chorava e o pai? Esse queria ter depositado o valor, mas depositar aonde? O mais correto e importante naquela altura era conseguir falar com a filha.
Conseguimos o número, ligamos, deu certo, a pessoa que atendeu, se comoveu, disponibilizou outras pessoas para procurar a filha. Na rua os números eram irregulares, passados mais alguns minutos ligamos novamente e, nossa surpresa seria completa, e da mãe? Seu coração se abre e se alivia, ao telefone a filha falava com a mãe que se tranqüiliza, se confortou com a fala da filha. Até nós fomos confortados, estávamos certos, era um golpe, mesmo sem saber arriscamos, pelo bem da mãe, essa pobre, iria lhe fazer falta os R$ 250,00.
Ao final queria nos dar R$ 50,00, fomos embora, a alegria e a felicidade foi conosco, mas um bom punhado, talvez muito mais do que a nossa ficou com os pais.
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