Memória dos trabalhadores da Bacia de Campos
Entrevistado por Tânia Coelho
Depoimento de Ciro Sampaio Junior
Macaé, Rio de Janeiro 03/06/2008
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB332
Transcrito por Marcus Vinicius Mutti
P/1 – Ciro, queria seu nome completo, endereço e data de nascimento.
R – Meu nome é, sou Ciro Sampaio Junior, eu nasci 16 de abril de 1970, eu moro na Rua _______Paraíso, 186, Cavalheiros.
P/1 – Você nasceu aonde?
R – Eu nasci no Rio de Janeiro.
P/1 – E qual é a sua formação?
R – Eu sou professor de Educação Física.
P/1 – E você “tá” quase 10 anos aqui no total, quase 10 anos na Petrobras.
R – No total já “tô” quase 10 anos.
P/1 – E sempre dando aula de Educação Física, sempre trabalhando com esporte e lazer ou você teve outras atividades?
R – Sim, eu comecei na Bacia como encarregado de uma empresa de limpeza industrial na plataforma e depois eu saí pra estudar e retornei agora como professor de Educação Física, e ainda não paro por aí, eu “tô” fazendo agora um outro curso, Técnico de Segurança pra somar à minha profissão também.
P/1 – Que são coisas bastante distintas né...
R – Bem distintas, mas dá pra conciliar os dois.
P/1 – Hummmm.
R – Dá aula a noite e trabalha de técnico de dia ou que “seje”.
P/1 – Hoje como é que você trabalha, quer dizer, é área de esporte e lazer que é o nome oficial que a empresa dá, então a função correta, qual é o nome da sua função hoje aqui?
R – Na verdade aqui na Petrobras eu faço o quê? Eu faço ginástica laboral nos setores tá, é o quê?
P/1 – Que eles identificam como esporte e o lazer
R – Exatamente, a empresa investe no funcionário né, saúde, meio ambiente investe, a empresa investe bastante aqui no funcionário, mas principalmente na área que eu trabalho aqui, eu “tô” acompanhando mais, a área de saúde, é, todos os setores tem um educador, né, então esse...
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Memória dos trabalhadores da Bacia de Campos
Entrevistado por Tânia Coelho
Depoimento de Ciro Sampaio Junior
Macaé, Rio de Janeiro 03/06/2008
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB332
Transcrito por Marcus Vinicius Mutti
P/1 – Ciro, queria seu nome completo, endereço e data de nascimento.
R – Meu nome é, sou Ciro Sampaio Junior, eu nasci 16 de abril de 1970, eu moro na Rua _______Paraíso, 186, Cavalheiros.
P/1 – Você nasceu aonde?
R – Eu nasci no Rio de Janeiro.
P/1 – E qual é a sua formação?
R – Eu sou professor de Educação Física.
P/1 – E você “tá” quase 10 anos aqui no total, quase 10 anos na Petrobras.
R – No total já “tô” quase 10 anos.
P/1 – E sempre dando aula de Educação Física, sempre trabalhando com esporte e lazer ou você teve outras atividades?
R – Sim, eu comecei na Bacia como encarregado de uma empresa de limpeza industrial na plataforma e depois eu saí pra estudar e retornei agora como professor de Educação Física, e ainda não paro por aí, eu “tô” fazendo agora um outro curso, Técnico de Segurança pra somar à minha profissão também.
P/1 – Que são coisas bastante distintas né...
R – Bem distintas, mas dá pra conciliar os dois.
P/1 – Hummmm.
R – Dá aula a noite e trabalha de técnico de dia ou que “seje”.
P/1 – Hoje como é que você trabalha, quer dizer, é área de esporte e lazer que é o nome oficial que a empresa dá, então a função correta, qual é o nome da sua função hoje aqui?
R – Na verdade aqui na Petrobras eu faço o quê? Eu faço ginástica laboral nos setores tá, é o quê?
P/1 – Que eles identificam como esporte e o lazer
R – Exatamente, a empresa investe no funcionário né, saúde, meio ambiente investe, a empresa investe bastante aqui no funcionário, mas principalmente na área que eu trabalho aqui, eu “tô” acompanhando mais, a área de saúde, é, todos os setores tem um educador, né, então esse educador ele vai fazer o quê? Ele vai “tá” evitando que o funcionário, é, entre né, “seje” dispensado por alguma doença ocupacional, conhecida como LER____, né, e outras coisas mais, é, estresse, é, então são dez ou quinze minutos que a “gente” pára o nosso trabalho né, pra “gente” poder relaxar e alongar.
P/1 – Isso é uma prática em todas as unidades..
R – Em todas as unidades né, aqui...
P/1 – Diária....
R – Diárias, todos os dias, é muito interessante, muito bem aceito isso aí, e a tendência agora é aumentar e aumentar porque eles tão percebendo que é muito bom, que é saudável isso pra ele entendeu, então, a empresa “tá” investindo, por que? É mais barato investir na prevenção do que depois ter que...
P/1 – Deixa eu entender melhor, é compulsório, quer dizer em determinado momento eu paro na minha sala e tenho que fazer um exercício físico?
R – Sim, na verdade não tem que fazer, tá, é livre arbítrio tá, você vai se você quiser, mas acaba os amigos chamando, um comentando, poxa o cara é legal, legal, vai lá um dia, então ele começa ver um dia, aí ele fez dois, três, ele já percebeu que a flexibilidade dele já ficou melhor, que ele já, a postura dele, a parte de ergonomia, a “”gente” passa a ensinar isso também, a postura, a posição dos equipamentos na mesa, então ele já começa a sentir credibilidade, porque ele “tá” vendo que você “tá” ali “pra” poder cuidar da saúde dele. Então você tá ali, percebeu a cadeira, você percebeu a postura, olha senta melhor, vai lá, olha a postura mais ereta, aproxima de você o equipamento, então ele tá percebendo que você tá ali pra cuidar da saúde dele, então a tendência é sempre...
P/1 – A maioria faz...
R – A maioria, ganhando mais adeptos a cada dia
P/1 – A sua prática, o pessoal é muito tenso? A tua experiência, qual é a tensão maior aqui dentro?
R – Olha, depende dos setores tá, depende dos setores. Tem setores que são galpões que as pessoas ficam o tempo todo com equipamentos de risco, área de peculiosidade então a laboral ali geralmente já tem que, se tem que primeiro pesquisar o público que você vai trabalhar né, pessoal de escritório, é um tipo de laboral de exercício que você vai desenvolver, uma dinâmica voltada pra eles. Pessoal de galpão né, homens de área já é outro, e assim vai de acordo com a necessidade que você vai fazer o seu planejamento.
P/1 – Ahã....Como é a sua rotina aqui, quer dizer, você fica localizado em que setor?
R – Eu fico hoje em dia aqui na TIC.
P/1 – O que que é isso?
R – TIC é Tecnologia da Informação e Tecnologia da Comunicação.
P/1 – Humm...e aí você trabalha ali e sai ...
R – Todas as salas
P/1 – Em todas as salas..
R – Todas as salas da TI e
P/1 – Fala um pouco dessa rotina
R – Sete e quinze da manhã eu to pegando o setor 881 que é aqui embaixo que é telemarketing então já é outro, um perfil que você me perguntou. Essas pessoas não podem tirar o head-set do ouvido, da cabeça, elas fazem laboral o tempo todo com o head-set...
P/1 – Não acredito...
R – O tempo todo, então são quinze minutos, às vezes o cliente às chamam então ela tem que parar, dependendo do exercício ela pára, ou se for exercícios de dedinho, por exemplo ela tá ali falando, atendendo um cliente e fazendo a laboral dela né, e mesmo assim ela não pára porque ela sabe que aqueles minutinhos pra ela é sagrado, ela vai relaxar, é uma terapia, integração do grupo, que você consegue parar, desligar um pouquinho do que você tá fazendo, que é importante..
P/1 – Ahã...
R – Então, dali eu já subo lá na __________ lá em cima no alto, aí lá já são salas, escritórios, alguns setores eu fico na sala, alguns setores a “gente” consegue juntar todo mundo do lado de fora, ao ar livre e assim vai. Eu desço, pego outras salas aqui embaixo, na parte da tarde também são salas...
Então é praticamente eu fico o dia inteiro aqui dentro da Bacia.
P/1 – E qual é o maior desafio, o que que mais puxa por você ou o que mais te gratifica?
R – O que mais me gratifica na verdade é você sentir o carinho e o retorno dos funcionários porque você começa aqui a primeira semana, a pessoa tem um, vou te dar um exemplo fácil, a pessoa chega aqui mal mexe o dedinho. Na primeira semana ta aqui, na segunda semana ta aqui, na terceira semana já tá colocando o dedo e ele chegar pra ti e falar, pô professor, meu dedo não conseguia nem mexer, hoje em dia meu dedo...então satisfação, você ta vendo que seu trabalho dando resultado. Eu não colocava a mão no chão, agora eu to colocando a mão no chão. Então é um retorno assim, bem legal.
P/1 – E já teve algum caso inusitado, daqueles assim, que você mexe com o corpo né?
R – Sim, mas isso a gente não deixa, a gente não deixa isso acontecer devido...
P/1 – Não aconteceu nada que seja fora da rotina, engraçado?
R – Não, o máximo que pode acontecer é uma piadinha que você leva finge que não entendeu e dá aquele sorriso e desconversa...
P/1 – Que tipo de piadinha?
R – Ah...
P/1 – (RISOS)
R – (RISOS)
P/1 – São piadas pesadas...(RISOS)
R – Algumas até, mas a “gente” finge que não entende, esse detalhe a “gente” prefere nem comentar, acho que, a “gente” deixa, passa isso...
P/1 – E você tá entrando na área de segurança do trabalho né?
R – Sim
P/1 – Você já tem uma pratica de cuidar da saúde, e essa relação com a segurança do trabalho tem a ver com essa preocupação do...
R – Tem a ver um pouco né, porque a segurança do trabalho, o técnico de segurança ele trabalha a saúde do funcionário, ele trabalha, ou seja, num todo, o ambiente de trabalho, se é seguro, um ambiente seguro, né, e com isso vou ta somando tudo isso. Eu já posso antes de até fazer o meu DDS, que a gente chama, eu já vou simplesmente fazer uma laboral, pra quebrar essa, integrar o grupo né, então uma empresa ter um técnico de segurança e professor de educação física de uma vêz num grupo só, perfeito pra ele né.
P/1 – É, com certeza, e trabalhando com as pessoas porque a maioria aqui trabalha ou com tecnologia ou com projeto. Tua matéria prima é gente, né, trabalhar com as pessoas. Você se sente um petroleiro?
R – Eu acho que todos nós fazemos parte disso aí por quê? Porque você tá ajudando gente na verdade não ta de frente na plataforma, mas se não tem o pessoal de terra, o pessoal de base pra dar suporte pra eles lá, como eles vão fazer isso? Então na verdade é uma família né, uma equipe porque se a gente não consegue trabalhar em equipe, como é que vai ser? Eles lá...nós dependemos dele e eles dependem de nós.
P/1 – Claro...mas é muita gente aqui. É só você trabalhando com o corpo? Tem outras pessoas?
R – Não, só da minha empresa nós temos aqui no mínimo umas vinte pessoas.
P/1 – Todos trabalhando com o corpo.
R – Todos trabalhando, tem os fisioterapeutas né. Muita gente trabalhando com o corpo.
P/1 - E muita gente vai procurar vocês pra saber, pra pedir ajuda, independente de vocês irem até as pessoas, até as salas....qual é a maior demanda?
R - Sim, quando a gente acaba, porque a gente acaba o que? Estimulando a pessoa a fazer atividade, né, a gente tá ali o tempo todo estimulando ela fazer atividade física e com isso a pessoa já sai dali né já pergunta qual academia você trabalha, o que você faz, se eu faço personal, e outras coisas do dia a dia por exemplo, olha professor eu to com uma dor na lombar, o que que eu posso fazer pra melhorar? Pô professor...
P/1 - São dores
R - É são dores, é, ou uma atividade ou alimento, ah...um produto, entendeu, a gente já não entra nesse mérito, a gente já indica para um nutricionista ou seja, mas ele vem até a gente primeiro
P/1 – E tudo reduz o stress
R – Tudo isso reduz o stress, entendeu?
P/1 – E essa é a gratificação maior
R – Essa gratificação pô, atenção é bem legal
P/1 – Ah... legal você acha importante, como é que você vê esse projeto de resgatar a memória do trabalho das pessoas, você acha que é alguma coisa?
R - Esse trabalho que você estão fazendo? Eu acho muito legal até porque você pega um pouquinho da vida, do cotidiano de cada um, o meu aqui por exemplo, quem aqui iria saber né, que eu já trabalhei lá, eu fiz, na verdade, eu sou técnico em administração de empresa também, tanto que eu fui trabalhar na plataforma como encarregado de pessoal. Quem aqui iria saber que eu já trabalhei na plataforma, que eu trabalhei lá, então você tá resgatando essas coisas, eu acho bem legal, é válido isso.
P/1 – Maravilha, então muito obrigada Ciro, prazer enorme.
R – Tá bom, e parabéns pelo trabalho de vocês. Um abraço.
P/1 – Obrigada, valeu.
FINAL DA ENTREVISTA
FINAL DO CD
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