Sempre gostei muito de chuva. Desde pequena, sempre que podia, tomava banho de chuva.
Certa vez, quando cursava o então terceiro ano do primário, no Colégio Perpétuo Socorro, a Irmã Joana, diretora da escola, passou nas salas dispensando todos e mandando que fossem rápido para suas casas, pois viria uma chuva torrencial.
Eu e meu irmão Mário Luiz, mais velho que eu, e também mais arteiro, resolvemos ficar escondidos e sair apenas quando a chuva tivesse começado, pois assim tomaríamos um banho de chuva.
Para nossa surpresa, quando a chuva começou e nós saímos do esconderijo, veio uma forte ventania e uma chuva de granizo que nos impedia de correr ou sequer andar.
Por sorte, um senhor chamado Lázaro, que tinha um pequeno comércio em frente à escola, nos socorreu e, horas depois, inteiramente molhados, com o material escolar que virou um mingau dentro da antiga pasta de pano, nós chegamos em casa.
A esta altura, a mãe já sabia que a escola soltara mais cedo, e a varinha de goiabeira já nos esperava.
Nem precisaria dizer que nossos braços arderam com o granizo da chuva e as pernas, com a varinha de goiabeira.
Mas, como sou muito teimosa, depois de tantos anos, mãe de três filhos adolescentes, em 1998, um certo dia, vendo que ia chover, e querendo um banho de chuva, arranjei uma desculpa e saí dizendo que ía ao mercado.
Novamente fui surpreendida por uma forte chuva, com muito granizo, cheguei em casa com a maior cara de culpada, e meu filho Cláudio, que já conhecia minha história da primeira chuva, me disse às gargalhadas:
- Ah se a vó me desse aquela varinha de goiabeira
(História enviada em 15 de janeiro de 2009)