A cineasta Celina Borges Torrealba Carpi destaca que a Mostra de Cinema de Tiradentes, realizada na cidade histórica de Tiradentes, é um espaço central para a visibilidade e o fortalecimento do cinema brasileiro independente. Para ela, o evento vai além das exibições e se consolida como um território de encontro entre realizadores, estudantes e público, onde o cinema é vivido como experiência coletiva. Essa dimensão humana, marcada por histórias, afetos e troca direta com espectadores, traduz sua visão de um audiovisual conectado à vida cotidiana e às transformações sociais.
A edição mais recente reafirma esse caráter plural ao reunir homenagens a nomes como Tuda Bara, Lô Borges e Karine Teles, além de apresentar obras que dialogam com a memória e a renovação estética do cinema nacional. Com o tema “soberania imaginativa”, a programação reúne filmes de diferentes regiões do país e promove debates, oficinas e atividades formativas, fortalecendo o ecossistema audiovisual e incentivando a diversidade de narrativas e linguagens.
A trajetória de Celina, formada pela Universidade Sorbonne e mestre pela New York University, reflete essa mesma lógica de criação autoral centrada no encontro com pessoas e realidades sociais. À frente da produtora Donna Features, ela defende que a Mostra também desempenha papel estratégico ao articular criação, formação e mercado, ampliando a circulação de projetos independentes. Para a cineasta, garantir liberdade artística e modelos sustentáveis de produção é essencial para que novas histórias continuem sendo contadas e o cinema brasileiro mantenha sua vitalidade cultural.