Memória da Petrobras
Depoimento de Carlos Chinen.
Entrevistado por Eliana Santos
Cubatão, São Paulo.
23/9/2004.
Realização Museu da Pessoa
Entrevista nº: PETRO_CB663
Transcrito por Ticianne Couto
P/1 - Bom dia. Gostaria de começar essa entrevista pedindo que o Senhor nos fornecesse o seu nome completo, data e local de nascimento?
R - Bom dia. Meu nome é Carlos Massayuki Chinen e nasci em 28 de setembro de 1955, aqui em Santos.
P/1 – Senhor Carlos, o Senhor poderia contar para gente como foi o seu ingresso na Petrobras e quando foi?
R – Lembro, lembro bem porque naquela época, a Petrobras se dirigia a algumas universidades e comentavam sobre o exame que iria ser feito. Então, eu lembro da palestra da Petrobras. Foi bastante empolgante. Mostraram o quê que se faria na empresa, o nível de pesquisas que estavam sendo feitas, o nível salarial. E foi a partir daí que a gente começou a se interessar em prestar o concurso para a empresa.
P/1 – Como foi isso?
R – Isso foi no final de 1979.
P/1 – O Senhor poderia contar para gente alguma história marcante que o Senhor teria vivido durante esse tempo na empresa alguma história engraçada?
R - É. Eu trago uma lembrança interessante porque no primeiro período, ainda nas entrevistas, né, depois que nós passamos no concurso, eu lembro que o entrevistador, parece-me que um advogado, comentou porque eu teria prestado concurso na empresa, né, se era porque a empresa era grande, é se era por causa da tecnologia. E recém saído da empresa, eu não sabia dimensionar o que era uma empresa grande, ou seja, quais eram os benefícios de trabalhar numa empresa grande. E hoje, né, hoje a gente aquilata bem o que é trabalhar numa empresa grande e até a gente comenta com sobrinhos, amigos, exatamente isso: “procure é trabalhar numa empresa grande”, porque empresa grande é que dá condições de você ser treinado, e esse treinamento acaba refletindo não só na sua vida profissional, mas...
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Memória da Petrobras
Depoimento de Carlos Chinen.
Entrevistado por Eliana Santos
Cubatão, São Paulo.
23/9/2004.
Realização Museu da Pessoa
Entrevista nº: PETRO_CB663
Transcrito por Ticianne Couto
P/1 - Bom dia. Gostaria de começar essa entrevista pedindo que o Senhor nos fornecesse o seu nome completo, data e local de nascimento?
R - Bom dia. Meu nome é Carlos Massayuki Chinen e nasci em 28 de setembro de 1955, aqui em Santos.
P/1 – Senhor Carlos, o Senhor poderia contar para gente como foi o seu ingresso na Petrobras e quando foi?
R – Lembro, lembro bem porque naquela época, a Petrobras se dirigia a algumas universidades e comentavam sobre o exame que iria ser feito. Então, eu lembro da palestra da Petrobras. Foi bastante empolgante. Mostraram o quê que se faria na empresa, o nível de pesquisas que estavam sendo feitas, o nível salarial. E foi a partir daí que a gente começou a se interessar em prestar o concurso para a empresa.
P/1 – Como foi isso?
R – Isso foi no final de 1979.
P/1 – O Senhor poderia contar para gente alguma história marcante que o Senhor teria vivido durante esse tempo na empresa alguma história engraçada?
R - É. Eu trago uma lembrança interessante porque no primeiro período, ainda nas entrevistas, né, depois que nós passamos no concurso, eu lembro que o entrevistador, parece-me que um advogado, comentou porque eu teria prestado concurso na empresa, né, se era porque a empresa era grande, é se era por causa da tecnologia. E recém saído da empresa, eu não sabia dimensionar o que era uma empresa grande, ou seja, quais eram os benefícios de trabalhar numa empresa grande. E hoje, né, hoje a gente aquilata bem o que é trabalhar numa empresa grande e até a gente comenta com sobrinhos, amigos, exatamente isso: “procure é trabalhar numa empresa grande”, porque empresa grande é que dá condições de você ser treinado, e esse treinamento acaba refletindo não só na sua vida profissional, mas principalmente, na sua vida pessoal também.
P/1 - O Senhor veio transferido da Bahia, né, como o Senhor vê essa transferência Senhor Carlos, o Senhor acha que aqui ta melhor, como é que tá em relação a sua atividade? Sua atividade profissional?
R – Aconteceu um fato muito curioso, né? Nós prestamos o concurso, né, fui fazer o curso lá na Bahia, na época se chamava Cenor. E depois do curso, eu fui trabalhar, na época chamava-se R.P.B.A – Região de Produção da Bahia. E por lá fiquei por 16 anos, né, eu talvez seja um dos poucos engenheiros que conhece todos os campos da Bahia. A gente teve a oportunidade, a feliz oportunidade de trabalhar em todos os campos. E a gente tava com a vida muito bem estruturada, na época, a minha esposa já tinha o emprego dela, o ofício dela, a gente tava muito bem na unidade. Mas é, e a gente também na própria cidade, a gente conseguiu um redor de amigos, muito amigos mesmo, que também eram pessoas de fora. E quando a gente, descobriu essa vaga aqui na baixada, a gente pensou, a gente preferiu vir pra cá em função até de parentes, né? Tanto a minha descendência, que é japonesa, né, e quanto à descendência da minha esposa que é italiana, ela gosta muito do convívio familiar. Então, isso foi muito forte pra gente, a gente preferiu voltar apesar de ter toda uma vida estruturada, e todos os amigos. Então, foi uma semana de muita alegria, muita alegria mesmo. A gente ligou para os familiares: “Olha! Estamos voltando para São Paulo, estamos voltando para Santos.” E os familiares também festejando, foi uma festa. E o interessante, foi que o primeiro momento, primeira semana realmente foi de festa. Agora, a segunda semana, quando a gente começou a se despedir dos amigos, quando a gente pensou em vender apartamento, aquele apartamento que a gente idealizou, cada cantinho, o foro de gesso, cada detalhe. Aí, o meu comportamento mudou, o comportamento da minha esposa mudou. Porque de uma euforia, a gente acabou ficando triste por deixar os amigos. E foi interessante, que eu fiquei depressivo. Eu cheguei, eu já não sou gordo, né, e eu cheguei a emagrecer coisa aí de cinco a seis quilos. Fiquei muito depressivo e vim pra cá, inclusive, depressivo. Conversando até com os meus pais, eles também, foi um momento até de: “Olha! Puxa! Que bom que você tá voltando.” Mas quando ele também percebeu, né, é o meu estado, ele comentou: “Poxa vida! Então, continua por ai, né.” Mas eu não, né, eu gostaria de voltar porque, eu acho que para as minhas crianças, eu tenho duas filhas, elas são baianas e nasceram lá, né. E eu comentava, eu tive isso e eu acho isso importante, o convívio com os primos, com os avós, com os tios. Então, nós vamos voltar. E assim fizemos. A empresa é muito grande, e quando a gente saiu de lá, ainda comentei com a minha esposa. “Olha! Tenho a impressão que agora a gente vai. Os nossos objetivos, vamos dizer, profissionais, vão acabar ficando por você, né? A você volta pra lá, você tem mais chances - ela é empresária – de tocar a sua empresa lá. Agora eu na empresa, eu acho que, eu acabo minha carreira aqui, né, porque eu vou pra lá né, não conheço nada, não conheço atividade.” Mas a empresa é muito grande, fabulosa, ela te prepara e, sem até você saber, você começa tudo de novo e, com o preparo que você tem, você acaba tendo o mesmo sucesso. Agora, do lado pessoal, o mais interessante, que eu gosto de comentar, é que aquele era o exato momento de nós voltarmos. Isso serviu para a minha decisão de voltar, eu comentei comigo mesmo: “Poxa vida! Eu tenho 16 anos já na empresa aqui na Bahia, e nunca, nunca houve uma vaga, né, lá em São Paulo, principalmente em Santos que é minha cidade, apesar de ser uma área completamente diferente. Mas nunca houve uma vaga, então eu tenho a impressão que essa vaga é pra mim mesmo.” Então, nós voltamos, e começamos tudo novamente. E era um momento certo, porque dois anos depois, e como eu comentei que a gente ama o convívio familiar, dois anos após o meu retorno, o nosso retorno, o meu pai falece. Faleceu de um atropelamento, uma coisa também inexplicável, né. Meu pai já era aposentado, tava, na época, com 71 anos, e todos os dias ele fazia Tai Chi Chuan na praia com seus amigos, cedinho, coisa de seis horas da manhã. Então, como sempre ele fazia, e foi num domingo, pegou o carro dele, saiu da casa dele, se dirigiu ali à praia, ali no Boqueirão. E ele costumava colocar o carro na mão já de retorno, vamos dizer assim, pra facilitar, e com isso, ele atravessava a pista. Seis horas da manhã, ninguém, a cidade dormindo, ele foi atravessar a pista, veio uma moto em alta velocidade, é, acabou por atropelá-lo e morreram ambos. E isso aconteceu depois, dois anos depois após o meu retorno. Então, eu tenho a impressão que esse convívio de dois anos, era para eu ter tido esse convívio mesmo. E no ano seguinte, ou seja, o terceiro ano da nossa volta, a minha sogra, a mãe da minha esposa também veio a falecer. Então eu não tenho dúvidas que, que era para eu ter voltado mesmo. Eu acredito que as coisas não acontecem por acaso. E hoje eu vejo as minhas crianças, né, no convívio que elas têm o prazer que elas têm de convivência com os primos, com os tios, com as tias, o carinho da avó. Então, isso me completa plenamente, ou seja, aquilo que a gente pensou naquela época, né, isso foi em 95, então faz aqui perto de 10 anos, né, de nove pra dez anos. Isso foi uma decisão acertada, e a gente ta vendo que, que não pra gente né, mas pelas minhas crianças, pela minha família. Na verdade, em tudo, porque hoje, com a experiência que a gente teve né, agora comentando agora o lado profissional, com a experiência que a gente adquiriu, nós pudemos colocar um pouquinho da nossa contribuição aqui na refinaria. Então, a gente já passou aqui na refinaria desde que nós chegamos, por algumas áreas, né, então essa é a terceira área, onde a gente pode dar a nossa contribuição. A gente passou, quando nós chegamos, a gente passou pela a área comercial, área de Marketing, lá a empresa também me preparou, tive a oportunidade de fazer um MBA na USP. Foi uma área que eu gostei muito, depois a gente foi dar a nossa contribuição na área de gestão, né, na época se chamava de divisão de gestão. Nessa época a gente acumulou a função de R.H. Então, foi uma experiência muito, muito marcante, e agora a gente tá na área de planejamento e controladoria, que é uma área também, que talvez que até onde a gente se identifique mais. Porque planejamento é alguma coisa a longo prazo, é que é o que a gente, eu pelo menos, né, a gente caracteriza bem como alguma coisa necessária.
P/1 – O Senhor é filiado ao sindicato Senhor Carlos?
R – Uma coisa interessante também, no meu período na Bahia, eu fui sindicalizado. E é interessante porque naquela época, talvez até um pouco agora, aliás, agora também, né, era muito raro um engenheiro, um profissional de nível superior ser sindicalizado. Então, eu fui sindicalizado lá na Bahia. A pessoa que me sindicalizou é amiga minha até hoje. E porque eu me sindicalizei? Por que eu vejo o sindicato como representante do trabalhador e na época de faculdade, né, eu sou formado pela Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp. A gente participou de centros acadêmicos, então a gente tem alguma vivência nesse sentido representatividade e político. E então, lá na Bahia a gente era sindicalizado. Quando eu vim aqui pra Santos, foi numa época bastante marcante para a companhia, eu acho que houve grandes movimentos paradistas, 95. Então, não era uma época propícia, né, a gente se sindicalizasse, de maneira que até hoje eu acabei por não me sindicalizar.
P/1 – O que o Senhor acha de ter participado dessa entrevista contribuindo pro Projeto Memória Petrobras, Senhor Carlos?
R – Eu não sei se todos têm a noção da importância de você guardar a memória, né. Talvez até porque o país é um país muito jovem ainda e não dimensione isso. Eu particularmente, eu dimensiono bem esse trabalho de vocês. Por que? Porque um povo sem memória acaba não se encontrando, né. E, como a gente vem de uma descendência milenar, meus pais, meus avós, eles me ensinaram a valorizar muito a história, as pessoas idosas, os exemplos. Então, isso me marca muito, né, daí eu valorizar muito esse trabalho.
P/1 – Muito obrigada Senhor Carlos.
R – Eu que agradeço, obrigado.
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