O indivíduo que chega aos 85 anos de sua vida deve ter muitas histórias para contar, seja vivida ou contada por outras pessoas. Até os quatros primeiros anos, tudo que sei foi repassado por minha avó Isabel, a quem sempre chamei de mãe Bebé, ela que já tinha criado seus oito filhos, todos homens, eu seria apenas mais um. Fruto de um amor sincero e puro entre dois jovens de famílias vizinhas e amigas, nasci em 8 de março de 1939, na casa da avó materna que era parteira, não sou de uma família formal, marido e esposa, meu pai entrou para Polícia Militar para se livrar da convocação da Segunda Guerra Mundial, morou em varias cidades, construiu família, teve vários filhos. Minha mãe também se juntou com um homem solteiro como ela, nunca oficiaram a união mas viveram juntos até a morte, primeiro de minha mãe, depois de seu companheiro.
Ate os sete anos, fui criado por minha avó paterna com muito carinho e amor, e a segurança de meu avô. Era o nono filho, todos tinham deixado o ninho seguido suas vidas.
Aos seis anos já sabia ler e escrever algumas palavras, minha avó ensinava, aos sete fui matriculado na escola regular, estudei até o 5º ano do Curso Primário, coisa que apenas as famílias ricas tinha acesso, os meninos da classe pobre aprendiam ler e escrever com professoras legas, em suas casas, pagas pela prefeitura.
Hoje, considero-me realizado e feliz pelo patrimônio que tenho: Filhos, netos e bisneto, todos com o nível superior, professoras, oficial militar, advogados.
Caso tome gosto, continuarei contando historias vividas sem a pretensão de ser exemplo, mas na esperança de que seja para o bem comum.