IDENTIFICAÇÃO
Bom dia. Meu nome é Maria Aparecida da Fonseca Vaz, nasci dia 26 de junho de 1928, no estado do Rio, município de Angra dos Reis.
INFÂNCIA
Ah, as lembranças de infância da roça, você já viu como é? Subir no pé de jabuticaba para comer jabuticaba. Apanhar café. Fazer comida no fogão a lenha. É lavar roupa no rio, nas pedras. Mas é muito bom, sabe? Era bom porque o que a gente tinha para fazer era isso.
RIO DE JANEIRO
Eventos Históricos
Bom, a lembrança mais marcante mesmo do Rio de Janeiro foi quando chegou o pessoal da Guerra, da última Guerra que eu fui esperar até na Central. Chegaram os soldados que, quer dizer, foi uma coisa marcante e uma coisa importante. E acabou e foi em 1945, que eu sou lá da roça, mas já estava aqui nessa época.
RIO DE JANEIRO
Ora, o Rio de antigamente realmente eu não conheço bem, conheço mais lá para a roça. Mas eu acho que mudou muita coisa. Mudou muita coisa para melhor e algumas coisas estão mudando para pior. Atualmente tem muita coisa mudando para pior. Não que a evolução das coisas não seja para melhor. É que está sendo meio deturpado aí os novos costumes. As pessoas estão usando mal a sua liberdade, entendeu? Eu acho assim, está tudo muito, está tudo ótimo, principalmente para as pessoas de mais idade, porque nós agora temos abertura para tudo. Só que aí agora está tendo que ter uma integração de nós de mais idade com os mais novos. Porque nós assim estamos batendo de frente com o costume completamente diferente, entendeu? Então para isso, na minha história é assim, eu estudei até o, eu estudei fiz só o primário. Estudando a noite e trabalhando de dia. Mas aí depois, aí parei porque fui ser costureira. Que eu era costureira. Casei. Aí fui ter, tive filho, me separei. Criei dois filhos sozinha. Sozinha com a ajuda dos outros parentes. Aí eu tenho dois filhos. Uma filha casou, não deu certo, se separou. Eu fui ajudar a tomar conta de neto. Sempre...
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IDENTIFICAÇÃO
Bom dia. Meu nome é Maria Aparecida da Fonseca Vaz, nasci dia 26 de junho de 1928, no estado do Rio, município de Angra dos Reis.
INFÂNCIA
Ah, as lembranças de infância da roça, você já viu como é? Subir no pé de jabuticaba para comer jabuticaba. Apanhar café. Fazer comida no fogão a lenha. É lavar roupa no rio, nas pedras. Mas é muito bom, sabe? Era bom porque o que a gente tinha para fazer era isso.
RIO DE JANEIRO
Eventos Históricos
Bom, a lembrança mais marcante mesmo do Rio de Janeiro foi quando chegou o pessoal da Guerra, da última Guerra que eu fui esperar até na Central. Chegaram os soldados que, quer dizer, foi uma coisa marcante e uma coisa importante. E acabou e foi em 1945, que eu sou lá da roça, mas já estava aqui nessa época.
RIO DE JANEIRO
Ora, o Rio de antigamente realmente eu não conheço bem, conheço mais lá para a roça. Mas eu acho que mudou muita coisa. Mudou muita coisa para melhor e algumas coisas estão mudando para pior. Atualmente tem muita coisa mudando para pior. Não que a evolução das coisas não seja para melhor. É que está sendo meio deturpado aí os novos costumes. As pessoas estão usando mal a sua liberdade, entendeu? Eu acho assim, está tudo muito, está tudo ótimo, principalmente para as pessoas de mais idade, porque nós agora temos abertura para tudo. Só que aí agora está tendo que ter uma integração de nós de mais idade com os mais novos. Porque nós assim estamos batendo de frente com o costume completamente diferente, entendeu? Então para isso, na minha história é assim, eu estudei até o, eu estudei fiz só o primário. Estudando a noite e trabalhando de dia. Mas aí depois, aí parei porque fui ser costureira. Que eu era costureira. Casei. Aí fui ter, tive filho, me separei. Criei dois filhos sozinha. Sozinha com a ajuda dos outros parentes. Aí eu tenho dois filhos. Uma filha casou, não deu certo, se separou. Eu fui ajudar a tomar conta de neto. Sempre trabalhando, sempre costurando. Ajudei bem dizer a criar os netos - porque agora estão já bem dizer, um com 19, o outro está com 16. A minha filha casou novamente então eu deixei de tomar conta de neto, porque ela levou os filhos. E eu só tenho filho solteiro. Ela já está com 40 anos já. Aí ficou meio vazio o tempo, porque eu estava com o tempo preenchido e aí ficou meio vazio. Eu comecei a procurar alguma coisa para eu fazer que preenchesse o tempo ao invés de ficar sentada reclamando, entendeu? Aí fui estudar.
EDUCAÇÃO
Eu parei 50 anos de estudar e voltei a estudar. Eu tirei meu certificado em 1949 e voltei a estudar agora em 2000. Fiz o fundamental de quinta a oitava, fiz em 2 anos. No projeto PEGE, já estou no segundo ano do segundo grau. Estou batalhando e faço parte do grupo da Terceira Idade no SESC. Esses eventos assim eu gosto de participar. Já me inscrevi no projeto de Biblioteca Viva nos hospitais - não sei se você conhece? Biblioteca Viva nos Hospitais. Quando eu me inscrevi só tinha em três hospitais, dois aqui no Rio e um em São Paulo. Agora já está se estendendo mais que o pessoal está... Eu faço parte do projeto Biblioteca Viva lá na UFRJ. Eu leio para criança, eu sou mediadora para crianças doentes. Eu e o grupo, então eu procuro coisas para eu apanhar conhecimento e elevar minha pessoa. Uma coisa que eu estou fazendo, uma coisa boa para mim e para os outros, entendeu?
CONSELHO PARA AS FUTURAS GERAÇÕES
Olha, para a geração futura eu gostaria que eles - não é bem deles, que esse é o desenvolvimento que está deturpando um pouco. Está tendo muita coisa nova, então eles estão sendo meio conturbados nesses vários costumes novos. Eles não querem aceitar muito as coisas mais antigas. Eu gostaria que eles aproveitassem a orientação de gente mais velha para usar bem na mocidade deles, na juventude, que eles serão o futuro de amanhã. Se eles não aprender eles não vão saber usar, entendeu? Porque a maioria de jovens não quer muito aprender essa parte, porque eles acham que já está ultrapassada. Mas o bom costume não ultrapassa. Ele está sempre dentro de um limite que a gente pode fazer e não atrapalha aprender outra coisa. Eu, por exemplo, tenho essa idade, mas eu aprendo coisa nova. Eu acho que as novidades são ótimas. Só que o que eu aprendi me valeu para eu estar fazendo isso aqui hoje. Que é respeitar, duas coisas: respeitar as pessoas, duas coisas... Esqueci a outra agora. É que a gente antigamente tinha a educação. Antigamente você era educado pelo pai e pela mãe para viver em qualquer lugar. Você saía de casa sem ler, sem saber escrever, mas você sabia se comportar em um lugar. Então educação e o respeito a gente aprendia em casa, e o que está acontecendo agora é que isso não se aprende mais em casa. Então chega na escola a professora não tem como fazer as duas coisas juntas, ela fica meio perdida também, porque aí os alunos não querem obedecer, não querem respeitar, não aprendem direito. Se for exigir mais, eles já acham que está errado. Então o que está sendo deturpado que eu acho é isso. Então você vê que tem muito jovem se entregando a tudo quanto é coisa errada. Não vive. Eles acham que viver é só um dia. A vida é isso, eu estou com 75 anos e estou aqui dando depoimento, aprendendo. Acho que isso é maravilhoso. Isso é uma glória. Mas por quê? Porque eu aprendi e estou seguindo dentro dessa regra, entendeu?
ENTREVISTA
Foi muito bom participar. É isso aí. Você que é jovem está fazendo parte de uma coisa boa. Você está aprendendo. Você fazendo uma entrevista comigo você também está aprendendo. Você está, não é aprendendo a fazer o que eu faço. É aprendendo o que foi bom.
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