IDENTIFICAÇÃO
Bom dia. Eu me chamo Wanda Rocha Mello Brandão. Eu nasci, olha Nasci em Juiz de Fora, em 3 de julho de 1929.
INFÂNCIA
Olha, eu fui uma menina feliz. Eu fui criada em casa com quintal grande, com uma família grande. A imagem que eu mais tenho é de minha mãe. Uma mulher muito forte, embora não com muito estudo, mas ajudava meu pai muito. Meu pai tinha indústrias pequenas e ela trabalhava, ajudava. A imagem que me marcou muito, de um pai muito amoroso, muito carinhoso e de uma mãe de muita energia, uma pessoa lutadora e forte. Tive uma infância feliz entre irmãos.
AVALIAÇÃO
Estudei, fiz o primário em escola pública, depois o ginásio. O curso de Contabilidade. Antigamente era Contador, curso superior. Mas eu não cheguei a exercer a minha profissão porque namorei, casei, e naquela época as mulheres tinham a chance de ficar em casa criando os filhos, então eu não cheguei a exercer a minha profissão. Adoro estudar, ler, me meto com computação, faço curso de língua italiana que eu amo. É isso aí. A vida para mim valeu a pena. Casei, tive meus filhos, estão todos formados, adultos. Em resumo a vida foi isso.
MIGRAÇÃO
Eu vim para o Rio por circunstâncias. Primeiro, eu vim com o meu marido vivo, ele era militar e veio servir no Rio. Eu vim e morei no Rio muito tempo. Meus filhos fizeram faculdade no Rio. Depois quando ele se reformou eu fui para o interior, para Minas, uma vida mais calma, mais tranqüila. Mas ele faleceu, eu me vi sozinha e resolvi voltar para o Rio, isso em 94. Então eu moro com filha, com netos. Por isso estou no Rio.
RIO DE JANEIRO
Olha, eu acho o Rio uma cidade maravilhosa, viu? A coisa, desde nova ainda eu dizia: "Quando eu ficar velha quero estar no Rio." Por que isso? Porque o idoso no Rio tem uma vida ativa, participa do mundo, ao contrário da minha Minas Gerais, principalmente no interior, porque a mulher do momento que se casou vai se afastando. Ia, né? Porque não é assim hoje. Ia se...
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IDENTIFICAÇÃO
Bom dia. Eu me chamo Wanda Rocha Mello Brandão. Eu nasci, olha Nasci em Juiz de Fora, em 3 de julho de 1929.
INFÂNCIA
Olha, eu fui uma menina feliz. Eu fui criada em casa com quintal grande, com uma família grande. A imagem que eu mais tenho é de minha mãe. Uma mulher muito forte, embora não com muito estudo, mas ajudava meu pai muito. Meu pai tinha indústrias pequenas e ela trabalhava, ajudava. A imagem que me marcou muito, de um pai muito amoroso, muito carinhoso e de uma mãe de muita energia, uma pessoa lutadora e forte. Tive uma infância feliz entre irmãos.
AVALIAÇÃO
Estudei, fiz o primário em escola pública, depois o ginásio. O curso de Contabilidade. Antigamente era Contador, curso superior. Mas eu não cheguei a exercer a minha profissão porque namorei, casei, e naquela época as mulheres tinham a chance de ficar em casa criando os filhos, então eu não cheguei a exercer a minha profissão. Adoro estudar, ler, me meto com computação, faço curso de língua italiana que eu amo. É isso aí. A vida para mim valeu a pena. Casei, tive meus filhos, estão todos formados, adultos. Em resumo a vida foi isso.
MIGRAÇÃO
Eu vim para o Rio por circunstâncias. Primeiro, eu vim com o meu marido vivo, ele era militar e veio servir no Rio. Eu vim e morei no Rio muito tempo. Meus filhos fizeram faculdade no Rio. Depois quando ele se reformou eu fui para o interior, para Minas, uma vida mais calma, mais tranqüila. Mas ele faleceu, eu me vi sozinha e resolvi voltar para o Rio, isso em 94. Então eu moro com filha, com netos. Por isso estou no Rio.
RIO DE JANEIRO
Olha, eu acho o Rio uma cidade maravilhosa, viu? A coisa, desde nova ainda eu dizia: "Quando eu ficar velha quero estar no Rio." Por que isso? Porque o idoso no Rio tem uma vida ativa, participa do mundo, ao contrário da minha Minas Gerais, principalmente no interior, porque a mulher do momento que se casou vai se afastando. Ia, né? Porque não é assim hoje. Ia se afastando da vida social, da atividade. Então eu acho essa coisa que no Rio hoje que dá muita oportunidade ao idoso. Eu faço cursos na UERJ onde existe a UNATI, que é uma Universidade Aberta de Terceira Idade. Um movimento muito atuante. É essa a, vamos dizer o que torna a nossa vida no Rio muito interessante. É diferente de cidades menores. Hoje no Brasil inteiro já se fala muito dessa coisa da participação do idoso na sociedade, mas evidentemente que no interior a coisa ainda está mais restrita. No Rio é muito atuante. Eu acho isso interessante. Aliás, vocês representam o SESC, o SESC em Juiz de Fora também é muito ativo. Essa coisa da, vamos dizer, da oportunidade do idoso de continuar a vida. Por quê? Porque não é pelo fato de ter vivido 50, 60 70 anos, a gente não morreu, a gente quer viver. Lógico que tem limitações. Limitações físicas. Mas por exemplo, eu adoro computação. Aprendi um pouquinho, gosto. E acho que é o tipo da coisa que deveria ser mais facilitado para o idoso, porque do momento que você pode estar na internet você está participando, você está vivendo. E eu acho que o que mais marcou esses novos tempos foi essa participação do idoso na vida ativa. Porque gente, o tempo passa, o físico se acaba, mas o interior da gente não muda muito. A gente continua vivo. E isso é que no Rio e no momento atual está sendo mais acentuado e mais valorizado. É só olhar aí fora e ver os milhares de idosos que estão aqui participando. Torna a vida feliz.
CONSELHO AS GERAÇÕES FUTURAS
A mensagem que daria para as gerações futuras é que o problema não é passar o tempo. A passagem do tempo é inevitável. Mas existe toda uma possibilidade de participação intelectual, nas ações sociais, no âmbito da sociedade de uma maneira geral. Não é preciso se apagar porque o tempo passou. O físico realmente muda. O cabelo está branco - e eu faço questão de deixá-lo assim. A gente engorda, fica mais difícil, mas a vida continua bonita. Seja com 60, com 70, com 80 anos. A minha, uma das minhas maiores amigas tem 94 anos. E ela tem um cérebro privilegiado, estuda, faz cursos. Então é preciso principalmente que a mocidade entenda que não tem problema o tempo passar, o mais importante é continuar vivo interiormente. Isso é que eu queria dizer.
ENTREVISTA
Olha, eu fiquei feliz de poder falar essas coisas que eu acho que são importantes para quem já viveu muito contar para os que estão vivendo agora.
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