N – Boa Noite, senhor (Mioshi?).
M – Boa Noite.
N – Eu queria que o senhor começasse me dizendo o seu nome completo, local e data do seu nascimento.
M – Eu sou (Mioshi Kano?), nasci em (Nanai?), (Yamagata?), estado de (Yamagata?), no Japão, em 25 de maio de 1953.
N – Qual o nome do seu pai e da sua mãe?
M – Meu pai chama (Torao Kano?), minha mãe (Tome Kano?).
N – Qual que era a atividade dos seus pais?
M – Meu pai parece que era jornaleiro, lógico, e tinha produção mini fundiário, no Japão; e minha mãe acho que, além de cuidar dos filhos, que nós somos cinco filhos, e cuidava de lavoura também. Era a atividade lá no Japão.
N – O quê que ele cultivava lá?
M – Basicamente arroz, né, basicamente arroz.
N – Tá, e as crianças, os filhos, ajudavam na lida?
M – Sim, algumas atividades poderia estar ajudando, mas a gente – pelo menos eu – era muito pequeno, né. Saí de lá era praticamente 10 pra 11 anos de idade, então eu não tive muita atividade. O que eu ajudava mais era distribuir jornal, como era jornaleiro, representante de jornal, e a gente ajudava a distribuir jornal. Isso é o que eu tenho na memória, né.
N – E como é que era isso? Vocês saíam de manhã...?
M – Saia de manhã, né, e carregava alguns maços de jornais lá, e distribuía batendo nas casas, entregava os jornais.
N – Isso para os assinantes, então?
M – É, assinantes que tinha contrato, né, de fornecimento. E a gente distribuia lá, a ajuda que a gente fazia.
N – Como é que, a sua mãe ela não trabalhava fora, além da...?
M – É, minha mãe, minha mãe basicamente cuidava de lavoura, lidas diárias, né, período do Japão, período útil de plantio é muito curto, né? Nossa região, que é noroeste, digamos, do Japão, muito frio, né, inverno começa em novembro e vai até abril, uma coisa assim. Então, o período fértil de plantação é praticamente final de abril e colheita em agosto, setembro, e...
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N – Boa Noite, senhor (Mioshi?).
M – Boa Noite.
N – Eu queria que o senhor começasse me dizendo o seu nome completo, local e data do seu nascimento.
M – Eu sou (Mioshi Kano?), nasci em (Nanai?), (Yamagata?), estado de (Yamagata?), no Japão, em 25 de maio de 1953.
N – Qual o nome do seu pai e da sua mãe?
M – Meu pai chama (Torao Kano?), minha mãe (Tome Kano?).
N – Qual que era a atividade dos seus pais?
M – Meu pai parece que era jornaleiro, lógico, e tinha produção mini fundiário, no Japão; e minha mãe acho que, além de cuidar dos filhos, que nós somos cinco filhos, e cuidava de lavoura também. Era a atividade lá no Japão.
N – O quê que ele cultivava lá?
M – Basicamente arroz, né, basicamente arroz.
N – Tá, e as crianças, os filhos, ajudavam na lida?
M – Sim, algumas atividades poderia estar ajudando, mas a gente – pelo menos eu – era muito pequeno, né. Saí de lá era praticamente 10 pra 11 anos de idade, então eu não tive muita atividade. O que eu ajudava mais era distribuir jornal, como era jornaleiro, representante de jornal, e a gente ajudava a distribuir jornal. Isso é o que eu tenho na memória, né.
N – E como é que era isso? Vocês saíam de manhã...?
M – Saia de manhã, né, e carregava alguns maços de jornais lá, e distribuía batendo nas casas, entregava os jornais.
N – Isso para os assinantes, então?
M – É, assinantes que tinha contrato, né, de fornecimento. E a gente distribuia lá, a ajuda que a gente fazia.
N – Como é que, a sua mãe ela não trabalhava fora, além da...?
M – É, minha mãe, minha mãe basicamente cuidava de lavoura, lidas diárias, né, período do Japão, período útil de plantio é muito curto, né? Nossa região, que é noroeste, digamos, do Japão, muito frio, né, inverno começa em novembro e vai até abril, uma coisa assim. Então, o período fértil de plantação é praticamente final de abril e colheita em agosto, setembro, e finalizava praticamente. Não é, é diferente um pouquinho do Brasil, né?
N – Como é que o senhor definiria a sua infância? Como é que foi?
M – Olha, minha infância eu acho que... Bom, eu tenho dois períodos de infância, infância no Japão, começando a aprender o quê que é o mundo, né, lembranças de escola de infância, jardim de infância, comecei estudar o primeiro ano, né, no Japão, e até o quarto ano que eu estudei lá. Então eu tenho uma lembrança de muito pequeno assim, e o círculo de amizades que a gente tinha, nesse último retorno que eu fiz no Japão, né, que eu fui visitar, a gente não conseguiu encontrar praticamente ninguém. O pessoal que a gente convivia já tinha mudado pra cidade grande, né, a gente era bem no interiorzão, né, então eu tenho uma memória lá que não é tão assim, longo período de infância. Agora, no Brasil, que o período de infância é relativamente grande, desde praticamente os onze anos, né, que cheguei no Brasil, e nós fomos pra Ribeirão Preto na área rural, área rural. Quando veio do Japão, meu pai adquiriu acho que um pedaço de terra, e começou a plantar, e eu fui, lógico, ajudar em lidas, né. Eu tenho uma memória boa que a gente fazia era andar de cavalo, né, isso aqui no Brasil, andar de cavalo, pescar, caçar, naquela época era permitido, a gente usava a espingarda pra caçar. Isso aí memória muito boa que eu guardo até hoje, né.
N – O senhor sabe por que é que o pai do senhor resolveu vir para o Brasil?
M – Ah, com certeza. Naquele época, período bastante difícil de economia no Japão também, estava na fase de ascendência, mas ele tinha ideal, queria ser grande fazendeiro, era esse o ideal que eles tinham. Inclusive ele teve somente cinco homens, né, de filho, e ele pensou que – eu acredito, claro, não dá pra imaginar, ele já morreu, não dá nem pra perguntar, né, de novo, então eu acho que ele estava com a intenção de estar aproveitando a mão-de-obra dos filhos, tentar ver se crescia aqui no Brasil, né. Ele tinha a esperança, né, quer dizer, até hoje tem isso daí.
N – E como é que o senhor entrou em contato com a CTBC, como é que foi a sua aproximação?
M – Olha, a aproximação da CTBC foi bastante interessante, né. Eu, antes de vir para a CTBC, em 74, foi dia 1º de dezembro que eu fui admitido, em 74, na CTBC. E o contato dessa empresa foi que meu amigo, (Tadashi?), até hoje trabalha junto aqui, na área de engenharia nossa lá, ele me contactou que precisava de um cara inteligente pra trabalhar na CTBC... (risos) Aí, eu falei: “Ó, é comigo mesmo”, aí nós... foi feito o contato, o pessoal, tenho memória que é o seu Wilson da Costa, né. O seu Wilson era Superindentende na regional de Ribeirão Preto, na época, como eu sou de Ribeirão, então, contactando eu fiz uma entrevista com ele, e fui admitido no prontidão, daí... (risos)
N – E, com essa inteligência, veio fazer exatamente o quê? (risos)
M – É, pra tentar aprender, até então eu não sabia mexer, quer dizer, nunca eu tinha falado num telefone, imagina a situação, nunca tinha falado ao telefone... Aí eu aprendi a falar no telefone, daí começamos, aí, a trabalhar em telecomunicações, né.
N – Na área técnica mesmo?
M – Área técnica, esse pensamento técnico. Eu tinha formação, naquela época, eu fiz o curso do Senai, né, eu sabia pouquinho do quê que era eletricidade, instalações elétricas, só que nada de telefone. Mas aí foi, não foi assim tão fácil, pra quem hoje em dia tem um curso técnico, de engenharia, inclusive que aprende já assuntos mais profundos, né. Aí, no meu caso aí, eu tive que aprender do zero, né, praticamente.
N – E foi trabalhar específicamente em rede?
M – É, área de, no caso meu, eu comecei a trabalhar na Área de Transmissão. Praticamente até hoje eu estou trabalhando, lógico, só que hoje eu já, já trabalho a algum tempo, então fui, nós estamos hoje, estou na Área de Planejamento Técnico. E, basicamente, trabalhei na Área de Telecomunicações e direcionado à Área de Transmissão, né, transmissão...
N – Como é esse trabalho hoje? O quê que é trabalhar na Área de Planejamento?
M – Planejamento é, planejamento a gente verifica qual a necessidade que tem, né, da cidade, localidade, aonde que tipo de soluções técnicas que a gente pode colocar na prática, que dá resultado melhor em termos de custo e performance tecnológico. É isso o que seria o nosso trabalho aí; fazer levantamento de quanto custa, o quê que a gente pode estar fazendo pra melhorar, estudar as novas soluções técnicas, né, pra implementar, implantar na nossa empresa.
N – O departamento de transmissão hoje, em relação àquele departamento que o senhor entrou em 74, qual que é a...?
M – 74, quando comecei, telecomunicações era bastante rudimentar comparado aos dias de hoje, né, a gente tinha muitos, se a gente olhar o Museu das Telecomunicações a gente percebe, eu tenho memória boa nesse negócio... A gente usava basicamente linhas físicas, linha hoje em dia praticamente quase você não vê, né. Parecido com transmissão de energia, aquelas linhas clave, linhas de alumínio, ou cobres, e comunicava de uma cidade pra outra. E, sobre essa linha, a gente colocava um equipamento chamado (keher?), (keher?) é em inglês, né, seria o transportador, seria uma coisa assim. E transmitia a uma distância bastante razoável, né, toda a cidade nossa aí foi, tava sendo interligada com esse tipo de equipamento naquela época, essa época que eu comecei a trabalhar na empresa, né. Então hoje já é fibra ótica, rádios, satélites, né, têm outros, soluções que têm bastante (trecho inaudível).
N – Tá. Hoje nós estamos num programa de qualidade aqui, né?
M – Sim.
N – O quê que é qualidade para o senhor?
M – O quê que é qualidade pra mim...Qualidade é fazer uma coisa com melhorias, né, melhorias, capricho, e com perfeição. É isso que eu acho que, mais ou menos, que é qualidade.
N – E o quê que o senhor acha que deve ser mais importante no processo de trabalho? O quê que é mais importante lá no que o senhor faz?
M – No que eu faço?
N – Isso, o quê que é mais importante no processo de trabalho, nesse processo de qualidade, o que é que deve ser mais importante pra atingir essa perfeição que o senhor está se referindo?
M – Avaliar bem a situação, né, avaliar bem a situação, o quê que está sendo o foco, e colocar a ferramenta certa para atingir seu objetivo. Objetivo da, hoje em dia fala-se muito em atender a demanda que é querida pelo cliente, né, atingir o desejo do cliente, seria esse aí que eu acho importante.
N – Tem alguma história, algum causo, que o senhor se lembra que tenha acontecido na CTBC?
M – Tem muitos causos, né.
N – Conta um pra gente.
M – (risos) Bom, não sei se o causo, bom, têm muitos causos, né. A gente, o que eu vivenciei assim, que é interessante, na época que a gente viajava aí, carregando dois caixões, né. Não sei se você se lembra do Veraneio, aqueles Veraneio antigo que carregava, aquele que cabia um equipamento de praticamente três metros de comprimento. Então, o equipamento, esse daí da linha física que eu falei, né, cabia nesse Veraneio, né. A gente viajava aí noite adentro, aquela estrada de terra, poeira - hoje em dia, em muitos lugares você tem asfaltado -, naquela época a gente andava na estrada de terra. E aquela pressa danada de chegar no outro lugar, né, estrada de terra, e quase que a gente atropela as vacas... Aí a motorista, era companheiro nosso, “Pô, dessa vez você só tirou a fina, né...” (risos) Esse tipo de lembrança que a gente têm. Cair no mata burro, esse tipo de...
N – Legal.
M – Mas têm outros aí, mas não é o caso que a gente vivenciou, né.
N – Tá ótimo, senhor (Mioshi?), eu estou satisfeita. Tem alguma coisa que o senhor queria acrescentar?
M – Não, nada.
N – O quê que o senhor achou desse depoimento, de ter dado esse depoimento?
M – Não, tranqüilo.
N – Muito obrigada, então.
M – De nada.
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