Uma vida com Buda.
Perdi uma gata na pandemia. E com o luto e a culpa, eu me recusei a pegar outro gato. Com isso, deixei Pequena órfã de mãe e dona da casa toda e do meu amor.
Foi quando, em 2024, vi um anúncio de uma pretinha resgatada. E foi um instante de certeza sobre o momento e o encontro. Mas não era uma gata e sim um gato. O Buda. Logo virou Budapeste, de tão danado. E eu encontrei o amor nunca antes vivido. Meus gatos foram adotados grandes. Não sabia o que era ter um bebezinho. E amei cada segundo disso. E entreguei o meu melhor em cuidado. Um amor tão grande que foi fácil aceitar o terceiro gato. Buda merecia o mundo e claro, merecia um companheiro pra brincar. Pequena, idosa, ficava sempre na dela.
Assim chegou Mariano. E eu presenciei o dia de maior alegria do Buda. Ele estava em êxtase. Corria, admirava, brincava tanto que faltava o ar. Mariano estava pronto. Deu toda a energia que sempre teve e tem pra dizer ao Buda: agora somos pra sempre. E essa chegada trouxe um reforço sobre quem era o Buda em nossas vidas. Amor, acolhimento e cuidado.
Ele abraçava o Mariano. Não o deixava sem uma lambida qualquer. O ensinou tudo sobre a casa e a família. Mariano seguia atento do seu jeito. Buda aprendeu também. Seu medo de altura e de alcançar lugares inalcançáveis foram superados ao seguir os passos do mais novo. Aprendeu a passear de coleira e tudo. Sempre estava disposto. Ao lado de Mariano ele poderia conquistar o mundo.
Mas não foi só isso. Ele sabia que tinha uma Pequena para conquistar. E não se conformava enquanto não mostrasse pra ela essa amor. Muito respeitoso, encontrou espaço e logo veio a primeira lambida. Eu gritava de alegria. Como ele conseguiu isso? Só budinha era capaz!
Nas minhas oscilações emocionais, seu lugar na cama era estratégico e sempre seu. O lado esquerdo da minha cabeça. Meu primeiro olhar ao acordar. Ele também sabia dormir fora, o quintal. Mas nada além de uma meia noite. Tempo que...
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Uma vida com Buda.
Perdi uma gata na pandemia. E com o luto e a culpa, eu me recusei a pegar outro gato. Com isso, deixei Pequena órfã de mãe e dona da casa toda e do meu amor.
Foi quando, em 2024, vi um anúncio de uma pretinha resgatada. E foi um instante de certeza sobre o momento e o encontro. Mas não era uma gata e sim um gato. O Buda. Logo virou Budapeste, de tão danado. E eu encontrei o amor nunca antes vivido. Meus gatos foram adotados grandes. Não sabia o que era ter um bebezinho. E amei cada segundo disso. E entreguei o meu melhor em cuidado. Um amor tão grande que foi fácil aceitar o terceiro gato. Buda merecia o mundo e claro, merecia um companheiro pra brincar. Pequena, idosa, ficava sempre na dela.
Assim chegou Mariano. E eu presenciei o dia de maior alegria do Buda. Ele estava em êxtase. Corria, admirava, brincava tanto que faltava o ar. Mariano estava pronto. Deu toda a energia que sempre teve e tem pra dizer ao Buda: agora somos pra sempre. E essa chegada trouxe um reforço sobre quem era o Buda em nossas vidas. Amor, acolhimento e cuidado.
Ele abraçava o Mariano. Não o deixava sem uma lambida qualquer. O ensinou tudo sobre a casa e a família. Mariano seguia atento do seu jeito. Buda aprendeu também. Seu medo de altura e de alcançar lugares inalcançáveis foram superados ao seguir os passos do mais novo. Aprendeu a passear de coleira e tudo. Sempre estava disposto. Ao lado de Mariano ele poderia conquistar o mundo.
Mas não foi só isso. Ele sabia que tinha uma Pequena para conquistar. E não se conformava enquanto não mostrasse pra ela essa amor. Muito respeitoso, encontrou espaço e logo veio a primeira lambida. Eu gritava de alegria. Como ele conseguiu isso? Só budinha era capaz!
Nas minhas oscilações emocionais, seu lugar na cama era estratégico e sempre seu. O lado esquerdo da minha cabeça. Meu primeiro olhar ao acordar. Ele também sabia dormir fora, o quintal. Mas nada além de uma meia noite. Tempo que o fazia voltar e esperar a porta se abrir, fazer um barulho de quase miado e ocupar seu lugar no coração do quarto.
Buda não me deixava só. Estava pronto na janela para me ver chegar e também sair. Estava ao meu lado em horas e horas de estudo. Das coisas que só Buda tinha e eu admirava, o caminhado mais lindo da casa, rebolado de passarela. O pelo mais sedoso também. A barriga era única e ele adorava deixá-la pronta para o carinho. O jeito de me acordar para abrir a porta era exclusivo também . Derrubava qualquer item da mesa. Buda só bebia água de torneira. Adorava comer o patê de todo mundo. Lambia todo os meus copos pós danone (ele amava). E abria portas como um touro, batendo a cabeça com toda a força.
Todos os seus miados tinham um significado e som diferente. E eu reconhecia cada um deles e entregava o seu pedido. Ele era o nosso suporte, a conexão entre nós: filho, Pequena, Mariano e eu. Todos tinham em Buda a demonstração do amor.
Não consigo ainda explicar o que aconteceu e como ele se foi tão rápido. A dor acaba com minha força de viver. Acaba com minha humanidade. Destrói meu coração de todas as formas. Como vou seguir sem Buda. Sem minha sustentação maior. Como, em momento delicado da minha vida, depressão, dúvidas, sou privada de meu grande amor? Qual razão de termos apenas dois anos juntos? Inexplicável entender essa realidade. E enquanto escrevo e choro sem parar, não acredito na cura dessa ausência.
Ainda espero o acordar desse pesadelo. Sigo fugindo do sono que me leva ao sonho de o encontrar vivo. De ter tido o tempo que precisava para salvá-lo. Sofro com a possibilidade de dor do Mariano ao não entender a ausência do irmão. Espero os presentes que comprei pra ele e ainda não chegaram. Os presentes que vão me arrancar mais lágrimas. Escuto seu miado e vejo seu caminhar em todos os lugares. Minha mente não descansa e isso é devastador. Amar demais. E não receber mais o amor de Buda.
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