AUTISTA É SER ASSIM?
O que os balões azuis não mostram... e o que o tempo não apaga ?
*AUTISTA É SER ASSIM?*
serei a essência divina
luz que acende e apaga?
serei o tudo e o nada?
a verdade e a mentira?
preso num vão vazio
serei a morte e a vida?
serei o calor e o frio?
serei o efêmero e o etéreo?
entre o céu e o inferno?
serei a contradição?
entre o sim e o não?
Serei a busca constante
num mundo conflitante?
serei a divagação insana
vendo anjos e demônios
num céu de nirvana?
Serei a alma que desconheço
muito além do que penso?
sem embarque e sem regresso
serei a própria viagem sem fim?
seguindo entre atalhos e reversos
deixando rastros de mim?
Quem serei? se alguém
tiver a resposta, diga-me enfim...
Este poema, não é de hoje. Ele nasceu das páginas do meu livro "Pedaços de mim, sou assim", publicado em 2019. Mas a pergunta continua tão viva — e talvez ainda mais urgente — agora que o Rômulo é adulto.
Todo ano o céu se enche de azul, mas o que acontece quando os balões estouram? Ironicamente, o barulho do estouro é o que resta: o impacto das crises que ocorrem num silêncio ensurdecedor dentro de casa...
Dizem conscientizar, mas esquecem de incluir na conta o cansaço crônico da mãe atípica, que luta contra sistemas que não foram feitos para o seu filho. Esquecem do descaso com o autista adulto, que deixa de ser "encantador" para a sociedade e passa a ser invisível.
Vendem-nos um simbolismo de conto de fadas, mas a nossa realidade é feita de muralhas. Muralhas que parecem leves como balões para quem vê de fora, mas que pesam como concreto para quem precisa atravessar todos os dias.
Esse poema que fiz para meu filho Rômulo "Autista é ser assim?"
A pergunta também é da mãe atípica, sim não estamos na cor do laço, mas no respeito ao cansaço, no apoio à jornada e no reconhecimento de que o autismo não termina na infância e nossa luta também não.
O que a gente grita num...
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AUTISTA É SER ASSIM?
O que os balões azuis não mostram... e o que o tempo não apaga ?
*AUTISTA É SER ASSIM?*
serei a essência divina
luz que acende e apaga?
serei o tudo e o nada?
a verdade e a mentira?
preso num vão vazio
serei a morte e a vida?
serei o calor e o frio?
serei o efêmero e o etéreo?
entre o céu e o inferno?
serei a contradição?
entre o sim e o não?
Serei a busca constante
num mundo conflitante?
serei a divagação insana
vendo anjos e demônios
num céu de nirvana?
Serei a alma que desconheço
muito além do que penso?
sem embarque e sem regresso
serei a própria viagem sem fim?
seguindo entre atalhos e reversos
deixando rastros de mim?
Quem serei? se alguém
tiver a resposta, diga-me enfim...
Este poema, não é de hoje. Ele nasceu das páginas do meu livro "Pedaços de mim, sou assim", publicado em 2019. Mas a pergunta continua tão viva — e talvez ainda mais urgente — agora que o Rômulo é adulto.
Todo ano o céu se enche de azul, mas o que acontece quando os balões estouram? Ironicamente, o barulho do estouro é o que resta: o impacto das crises que ocorrem num silêncio ensurdecedor dentro de casa...
Dizem conscientizar, mas esquecem de incluir na conta o cansaço crônico da mãe atípica, que luta contra sistemas que não foram feitos para o seu filho. Esquecem do descaso com o autista adulto, que deixa de ser "encantador" para a sociedade e passa a ser invisível.
Vendem-nos um simbolismo de conto de fadas, mas a nossa realidade é feita de muralhas. Muralhas que parecem leves como balões para quem vê de fora, mas que pesam como concreto para quem precisa atravessar todos os dias.
Esse poema que fiz para meu filho Rômulo "Autista é ser assim?"
A pergunta também é da mãe atípica, sim não estamos na cor do laço, mas no respeito ao cansaço, no apoio à jornada e no reconhecimento de que o autismo não termina na infância e nossa luta também não.
O que a gente grita num silêncio unânime e num esgotamento mental que só Jesus literalmente na causa que esse dia tenha menos estética, e mais estrutura. Menos balões, mais verdade.
Lu Lena / 2026
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