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História
Por: Juliana Pedroso Sanches, 31 de março de 2017

Ator: coisa de outro mundo

Esta história contém:

Ator: coisa de outro mundo

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Na minha infância, todos os primos brincavam juntos na rua. A gente criava cenário, contava história. Tinha um primo que era da mesma vibe que a minha: brincar de guerra não era só “entrar e atirar”, não! Os outros primos ficavam de saco cheio porque a gente ficava dando a sinopse e a história de cada personagem, desde subir no helicóptero, que era o limoeiro, até descer no Vietnã. As galinhas eram os vietnamitas. Sempre tinha uma missão, só que o combinado era maior do que a missão. Eu acho que isso tem uma ligação com o teatro. Minha mãe foi a responsável pela fantasia na minha vida: ela sempre criava atmosferas fantasiosas, como o pezinho do coelho da páscoa, contar história, ler livros. Sinto muito orgulho dela.

Depois de um curso de teatro no Sesi, fiz uma esquete. Ensinei a peça, que era do Sherlock Holmes, a todos os meus primos. Foi a primeira vez que eu pensei em ser ator! Eu usava os casacos da minha mãe para parecer o Sherlock. Na história tinha um assassinato e um cachorro que farejava o crime. Apresentamos a peça durante a festa de aniversário de um tio, que gostou muito! Ele falou: “Nossa, você devia seguir carreira”. Eu nem sabia o que era carreira.

Comecei a fazer um curso com a Mônica Grano, uma professora formada na Unicamp que montou um grupo em Sorocaba. Ela falava: “Se alguém aqui for seguir a profissão...” Eu pensava: “Ninguém aqui vai seguir, ninguém aqui é ator”. Eu achava que pra ser ator tinha que ser uma coisa do outro mundo. “Aqui, não, nessa sala, imagina! Essas pessoas aqui vão ser atores? Não vão ser atores”.

Minha vó ajudava minha mãe a pagar o curso. Quando ela foi assistir nossa apresentação, a peça Filme triste, do Vladimir Capell, falou que se eu fosse igual aos outros atores, não ia mais bancar o curso! No final, todo mundo veio falar comigo. Meu irmão: “Eu sou irmão do Gaspar”, que era meu personagem de...

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Pré-existência

Dados da imagem Foto da lua de mel dos meus pais. Minha mãe (Ani Corrêa) está muito feliz, apesar do casamento não ter sido tanto. Olhando a foto, tenho a sensação de que tudo será bem, há uma possibilidade muito grande de alegria!

Período:
Ano 1976

Imagem de:
Rodolfo Corrêa Amorim

História:
Ator: coisa de outro mundo

Crédito:
Pai (Elisiário)

Tipo:
Fotografia

Foto da lua de mel dos meus pais. Minha mãe (Ani Corrêa) está muito feliz, apesar do casamento não ter sido tanto. Olhando a foto, tenho a sensação de que tudo será bem, há uma possibilidade muito grande de alegria!

Menininho raivoso

Dados da imagem Sempre fui uma criança raivosa, sempre frágil e pequeno em relação aos meus primos. Pra tudo, pegava a faca para tentar matá-los. Meu primo mais velho, sabendo deste costume, viu que eu ia pegar a faca e aproveitou para fazer a foto. Às vezes, ainda me identifico com esse menininho raivoso.

Período:
Ano 1985

Local:
Brasil / São Paulo / Sorocaba

Imagem de:
Rodolfo Corrêa Amorim

História:
Ator: coisa de outro mundo

Crédito:
Eli André Corrêa (primo mais velho)

Tipo:
Fotografia

Sempre fui uma criança raivosa, sempre frágil e pequeno em relação aos meus primos. Pra tudo, pegava a faca para tentar matá-los. Meu primo mais velho, sabendo deste costume, viu que eu ia pegar a faca e aproveitou para fazer a foto. Às vezes, ainda me identifico com esse menininho raivoso.

Os pestinhas

Dados da imagem Gangue de primos: Rafael Corrêa Amorim (irmão), Rodolfo, Rodrigo Corrêa de Andrade, Rudy Corrêa de Andrade, Elóy André Corrêa de Almeida, Rui Corrêa de Andrade e Amilton Meirelles Corrêa de Almeida.

Brincamos muito de polícia e ladrão, nos dividiam em times. Passamos muito tempo próximo ao muro, que dividia o terreno com o do vizinho (dona Zaira). Essa foto foi feita logo atrás tem um pé de pitanga, onde também passamos muito tempo pegando as frutas.

Período:
Ano 1985

Local:
Brasil / São Paulo / Sorocaba

Imagem de:
Rodolfo Corrêa Amorim

História:
Ator: coisa de outro mundo

Tipo:
Fotografia

Gangue de primos: Rafael Corrêa Amorim (irmão), Rodolfo, Rodrigo Corrêa de Andrade, Rudy Corrêa de Andrade, Elóy André Corrêa de Almeida, Rui Corrêa de Andrade e Amilton Meirelles Corrêa de Almeida. Brincamos muito de polícia e ladrão, nos dividiam em times. Passamos muito tempo próximo ao muro, que dividia o terreno com o do vizinho (dona Zaira). Essa foto foi feita logo atrás tem um pé de pitanga, onde também passamos muito tempo pegando as frutas.

A primeira faz tcham

Dados da imagem Meu filho Frederico Silveira Amorim, Fred, Macaco ou Fredera: ele nasceu quando eu tinha 20 anos. O momento foi como um empurrão. Eu já tinha terminado o colegial, fazia balé, estudava teatro e quando Fred nasceu, me despertou para a vida, no sentido de tomar um rumo. Me mudei para São Paulo para fazer EAD (Escola de Arte Dramática). Todo fim de semana, voltava para Sorocaba para ficar com o filho.

Vendo meu filho, percebo a presença da hereditariedade. Ele tem muita clareza, muita precisão no que faz, o que às vezes me causa perguntas e reflexões sobre as diferenças entre nós dois.

Período:
Ano 2004

Local:
Brasil / São Paulo / Sorocaba

Imagem de:
Rodolfo Corrêa Amorim

História:
Ator: coisa de outro mundo

Crédito:
Mariana Alves Silveira (mãe do Frederico)

Tipo:
Fotografia

Meu filho Frederico Silveira Amorim, Fred, Macaco ou Fredera: ele nasceu quando eu tinha 20 anos. O momento foi como um empurrão. Eu já tinha terminado o colegial, fazia balé, estudava teatro e quando Fred nasceu, me despertou para a vida, no sentido de tomar um rumo. Me mudei para São Paulo para fazer EAD (Escola de Arte Dramática). Todo fim de semana, voltava para Sorocaba para ficar com o filho. Vendo meu filho, percebo a presença da hereditariedade. Ele tem muita clareza, muita precisão no que faz, o que às vezes me causa perguntas e reflexões sobre as diferenças entre nós dois.

Minhas três florzinhas

Dados da imagem As três florzinhas: cenário de Hygiene, os vestidos são das três mulheres (Noêmia, Vera e Aurora) do personagem Edmundo, o Mundo (interpretado por mim). O local é Diamantina (MG), ao lado de um Hospital Psiquiátrico. A foto representa, para mim, o Grupo XIX, apesar dos integrantes não estarem na foto. Foi a primeira peça que eu fiz junto ao Grupo e não tinha ideia, na época, que continuaria fazendo a peça por muitos anos – o que traz muitas ressignificações para o grupo.

São muitos os elementos da foto que representam a foto: o botijão de gás que era usado para o som de sino, a cadeira... E são muitas as fotografias em vários lugares do mundo com essa cena.

Período:
Ano 2007

Local:
Brasil / Minas Gerais / Diamantina

Imagem de:
Rodolfo Corrêa Amorim

História:
Ator: coisa de outro mundo

Crédito:
Rodolfo Corrêa Amorim

Tipo:
Fotografia

As três florzinhas: cenário de Hygiene, os vestidos são das três mulheres (Noêmia, Vera e Aurora) do personagem Edmundo, o Mundo (interpretado por mim). O local é Diamantina (MG), ao lado de um Hospital Psiquiátrico. A foto representa, para mim, o Grupo XIX, apesar dos integrantes não estarem na foto. Foi a primeira peça que eu fiz junto ao Grupo e não tinha ideia, na época, que continuaria fazendo a peça por muitos anos – o que traz muitas ressignificações para o grupo. São muitos os elementos da foto que representam a foto: o botijão de gás que era usado para o som de sino, a cadeira... E são muitas as fotografias em vários lugares do mundo com essa cena.

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