Mate amargo, lembrança doce
Piá pequeno no Pilarzinho de antigamente, tomava chimarrão na casa da minha avó materna. Tia Alzira me passava a cuia, recomendando sempre não desmanche o morrinho da tia.
Com as duas mãozinhas de guri, eu segurava a cuia cheia. Os olhos postos no charme do morrinho de erva saliente na borda, altar da nossa comunhão, sorvia o mate devagar e total responsabilidade.
Na retina cansada dos anos, guardo essa pintura antiga: minha avó de coquinho branco, sentada na cadeira de balanço ao lado da janela, eu e a tia mateando na cozinha grande.
Nunca consegui fazer na cuia um morrinho como aquele altar de ontem, mas na face ainda sinto hoje o beijo doce da tia Alzira em cada gole do mate amargo.
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Na ilustração, a sempre amada e inesquecível tia Alzira Rissmann, irmã da minha mãe (Curitiba, 1920-1960).