Comecei a trabalhar aos 13 anos, como ajudante de refrigeração, em uma empresa familiar. Era um ambiente simples, mas cheio de gente diferente, cada um com sua história, sua cor e seu jeito de ver o mundo.
Com o tempo, fui crescendo e virei desenhista. Tive a sorte de aprender com pessoas incríveis. O Éder, homem negro, projetista de sistemas de climatização, com uma inteligência absurda e um carisma contagiante, me ensinou mais do que técnica: mostrou calma, paciência e respeito. A Neuma, que trabalhava no administrativo, tinha uma alegria que iluminava o ambiente.
Mais tarde, como vendedor, trabalhei com um chefe com deficiência visual. Nunca vi isso como limitação, mas sempre me perguntei como ele transformava um desafio em força. Também aprendi muito com o Clicério, homem negro, técnico em refrigeração e climatização, um verdadeiro exemplo de profissionalismo e serenidade.
Hoje, boa parte da equipe onde trabalho é negra, e fico feliz em ver que as oportunidades estão sendo dadas e bem aproveitadas. Cada pessoa que passou pela minha vida deixou um pedaço do que sou e me fez entender que o valor de alguém nunca está na aparência, mas no caráter e na vontade de fazer bem o que se ama.