As câmeras da rua
(Mauro Leal)
Em qualquer hora do dia, faça frio ou faça sol
com os olhos por cima dos óculos embaçados,
as comadres aposentadas Matilde, Lulucha, Candinha e Ceição,
produtoras de biografias orais não autorizadas,
nunca deixa passar nenhum sujeito
sem o comentário nefasto "no pé da orelha",
e concomitantemente em compulsão rolam a tela,
enquanto o fosgênio do feijão exala da panela,
e o arroz vai ao carvão,
assustando a vizinhança que novamente toca terror,
gritando e chacoteando pela fedentina e fumaceira
espalhada no espaço, contribuindo para a redução da
qualidade do escudo protetor da terra, a atmosfera.