Projeto Memória dos Trabalhadores Petrobras
Depoimento de Ary Correia de Oliveira
Entrevistado por Mirella
Macaé, 26 de março de 2003
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB108
Transcrito por Transkiptor
00:00:40 - P/1 - Eu gostaria que você repetisse para a gente o seu nome completo, local e data de nascimento.
00:00:45 - R - Meu nome é Ari Corrêa de Oliveira. Eu nasci em 1952, no dia 23 de 12 de 1952. E estamos aí nessa boa empresa que é Petrobras.
00:01:03 - P/1 - E que lugar você nasce?
00:01:05 - R - Rio de Janeiro.
00:01:07 - P/1 - E quando foi que você entrou na Petrobras? Quando e como?
00:01:11 - R - Quando e quando? Eu entrei na Petrobras em 1979. Tive a oportunidade de fazer uma boa viagem à Bahia. Eu trabalhava na Light no Rio, era mecânico de automóvel. Trabalhei na Light durante sete anos na Comendante Mauriti, na Praça 11, na nossa famosa Praça 11. e eu tive a oportunidade de conhecer a esposa no Rio de Janeiro, uma baiana, vamos para a Bahia, vamos conhecer. Eu estava namorando ela, acabei fazendo um passeio, tirando umas férias na light, fui para Salvador. Fiquei impressionado com Salvador e houve um concurso E o que aconteceu? Quando eu cheguei na portaria, eu tentei comunicar com o pessoal a possibilidade de conseguir me inscrever. Tinha encerrado a inscrição de manhã, eu cheguei à tarde. Mas aí eu fiquei triste na hora que a gente fica. Apesar de eu trabalhar na Light, que é uma excelente empresa, mas Petrobras seria melhor. Aí eu fiquei triste. Aí a menina, quando eu ia saindo assim, saí da mesa da recepcionista, ela me chamou. Vamos pulir aqui, faz favor. Você me falou que você é do Rio de Janeiro, você está de férias aqui na Bahia, mas você precisa muito de ter oportunidade de trabalhar numa empresa como a Petrobras. Olha, eu não fiz isso com ninguém não, mas vou dar essa chance para você. Eu não sei, eu gostei de você, eu estou sentindo que você... Vou dar essa chance. Aí ainda brincou...
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Projeto Memória dos Trabalhadores Petrobras
Depoimento de Ary Correia de Oliveira
Entrevistado por Mirella
Macaé, 26 de março de 2003
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB108
Transcrito por Transkiptor
00:00:40 - P/1 - Eu gostaria que você repetisse para a gente o seu nome completo, local e data de nascimento.
00:00:45 - R - Meu nome é Ari Corrêa de Oliveira. Eu nasci em 1952, no dia 23 de 12 de 1952. E estamos aí nessa boa empresa que é Petrobras.
00:01:03 - P/1 - E que lugar você nasce?
00:01:05 - R - Rio de Janeiro.
00:01:07 - P/1 - E quando foi que você entrou na Petrobras? Quando e como?
00:01:11 - R - Quando e quando? Eu entrei na Petrobras em 1979. Tive a oportunidade de fazer uma boa viagem à Bahia. Eu trabalhava na Light no Rio, era mecânico de automóvel. Trabalhei na Light durante sete anos na Comendante Mauriti, na Praça 11, na nossa famosa Praça 11. e eu tive a oportunidade de conhecer a esposa no Rio de Janeiro, uma baiana, vamos para a Bahia, vamos conhecer. Eu estava namorando ela, acabei fazendo um passeio, tirando umas férias na light, fui para Salvador. Fiquei impressionado com Salvador e houve um concurso E o que aconteceu? Quando eu cheguei na portaria, eu tentei comunicar com o pessoal a possibilidade de conseguir me inscrever. Tinha encerrado a inscrição de manhã, eu cheguei à tarde. Mas aí eu fiquei triste na hora que a gente fica. Apesar de eu trabalhar na Light, que é uma excelente empresa, mas Petrobras seria melhor. Aí eu fiquei triste. Aí a menina, quando eu ia saindo assim, saí da mesa da recepcionista, ela me chamou. Vamos pulir aqui, faz favor. Você me falou que você é do Rio de Janeiro, você está de férias aqui na Bahia, mas você precisa muito de ter oportunidade de trabalhar numa empresa como a Petrobras. Olha, eu não fiz isso com ninguém não, mas vou dar essa chance para você. Eu não sei, eu gostei de você, eu estou sentindo que você... Vou dar essa chance. Aí ainda brincou com o rapaz que estava ao lado. O seguinte, não sei, esse rapaz no Rio chegou aqui e causou uma boa impressão. Olha, vamos dar uma chance a ela. Aí ele deu um telefonema lá para o segundo andar e falou, eu posso mandar mais uma pessoa? Aí ela falou, eu sei que pelo telefone ela falou assim, ah, mas vamos dar uma chance, eu sei que encerrou, mas a última chance. Aí ele falou, Pelo que ele falou com ela, ela falou assim, tá, então vem amanhã aqui, vem amanhã aqui, traz o documento que você já vai fazer, porque é o seguinte, você vai fazer um, traz toda a sua documentação, que você vai fazer um teste prático, você é mecânico, como já está em cima do processo, você vai fazer um teste prático, para a gente saber a sua aptidão, tanto em torno como mecânica. Ótimo, porque de acordo com a aptidão mecânica, a gente vai ver se Você realmente é um bom mecânico, que é a área que mais está precisando lá em Catua e São Sebastião do Passeio. Eu falei, ótimo! Aí eu fui, fiz aquela... eu estava saindo da látima, mas graças a Deus eu fiz um... dois excelentes cursos na minha vida, que foi o curso Poliarte Profissional, o curso de mecânica que existe até hoje lá no Rio, e depois fiz um curso pelo SENAIC, né? Doutor em Motores pela Cofap do Brasil, eu estava... novinho naquela época, aí consegui, graças a Deus, me sair muito bem, entendeu? Na parte tanto de torno como mecânico. Ele ficou impressionado, me entregou uma série de ferramentas para ver meu conhecimento. Prática, mas depois teve a prova teórica, que a prova teórica também eu matei fácil, graças a Deus. E eu consegui, a ferramental, o paquímetro, o micrômetro, aquele negócio, o meu conhecimento, eu consegui, pelo conhecimento, a experiência que eu já tinha de oito anos de light, né, já, quase oito anos de light, aí eu consegui, na melhor forma, passar nos testes e eu estou hoje, eu trabalho desde 79 até hoje, com 50 anos e dentro dessa excelente empresa.
00:04:57 - P/1 - Ah, que legal. Fala um pouquinho dos locais onde você trabalhou.
00:05:01 - R - Olha, Eu trabalhei lá, depois que eu comecei em São Sebastião do Passé, na Bahia, depois houve uma transferência de vários funcionários da Petrobras, com oportunidade até de melhoras, para o Espírito Santo, São Mateus. E em São Mateus eu tive excelentes oportunidades, São Mateus no Espírito Santo, foi uma excelente cidade que eu estive lá e eu ganhei a confiança, graças a Deus, aonde que eu chego eu ganho a confiança dos meus chefes. É tanto que na Light o meu antigo chefe não queria que eu saísse jamais, entendeu? Que eu saísse lá da Light, mas eu fico obrigado a pedir demissão, porque eles não conseguiam me mandar embora na época. E lá em São Mateus o que aconteceu? E a chefia, por tanta confiança, me dava grandes responsabilidades. Ou ali, eu quero que você comande uma turma aqui, uma turma ali, e isso até hoje. E eu passei por momentos interessantes, entendeu? Porque logo no início eu tive um problema de coluna, saí da minha função de mecânico, né? E comecei a fazer uns trabalhos de apoio, entendeu? Sempre operacional, na minha vida, lá em São Mateus. E, nesse trabalho operacional, eu... o que aconteceu? Eu comecei a fazer viagens dando apoio às ondas terrestres da Petrobras. Minas, Goiás, e foi muito bom. O Sul da Bahia... lotado em São Mateus.
00:06:37 - P/1 - Quando você saiu da Bahia?
00:06:38 - R - Foi no final de 70, foi em 82 por aí, mais ou menos.
00:06:44 - P/1 - Foi E em São Mateus até quando?
00:06:45 - R - Fiquei em São Mateus até, não falho a memória, mas eu fiquei em São Mateus até, não falho um pouco a memória, acho que foi até 80 e... nove, por aí. Eu me falo um pouco a memória sobre esses detalhes. Mas em São Mateus eu tive momentos interessantes, porque numa dessas viagens que foram em Goiás, eu estava responsável pelo apoio tanto à troca de turma da sonda, porque eu fazia convênios com o pessoal em clínicas, dava apoio à troca de turmas, e responsável pelo pessoal que também fazia viagem, que é um voo da Bata, que constantemente o avião vinha trazer o pessoal nas trocas de turma, entendeu? E eu passei momentos interessantes, porque numa dessas vezes houve um contratempozinho, porque a gente estava num local que não tinha muitos recursos, no Alvorada do Norte, E o que aconteceu? O pessoal, na troca de tudo que estava chegando, não chegou o fundo rotativo a tempo para a gente pagar o almoço do pessoal. Aí eu falava, não posso, não posso liberar o almoço e o grupo todo estava com fome para chegar na sona. E eu tive que usar, às vezes, até cheque para poder pagar. comida de 15, 20 pessoas e eu chegava e falava, não, eu pago no meu bolso porque o seu me dá pelo menos 15 dias, que eu sei que a Petrobras é uma empresa de nome, é uma empresa que se pode confiar, quem desconfia da Petrobras, acho que, eu vou te dizer, é difícil, a pessoa que não confiar na Petrobras, acho que não Não tem nada a ver. E a Petrobras é uma empresa de pura confiança e eu consegui sempre reverter certas situações difíceis, entendeu? Como troca de turma, como eu já tive momentos muito delicados na Petrobras, porque...
00:08:49 - P/1 - Qual foi o momento mais, a lembrança mais marcante?
00:08:52 - R - Marcante na empresa? Olha... Todos os momentos meus foram marcantes e bons na Petrobras, entendeu? Eu já tive um momento delicado, como eu falei para você, foi um momento que uma turma queria sair de folga, que estava querendo urgente pegar o avião para retornar, era um jatinho-bata, E, ao mesmo tempo, um grupo de três geólogos queria, que estava a serviço também na sonda, que chegou um dia antes, queria vir embora. A turma, que estava há 15 dias, queria ir embora também. E não tinha vaga, aí era uma situação difícil. Porque eles falaram na hora e falaram, meu Deus, a gente trabalhou esse tempo, tem que ir embora. E o geólogo falou, ó, eu preciso ir embora. Afinal de contas, a gente passou a trilogia, tem que ir embora agora. E eu ficar em situação difícil, eu tenho que decidir. Entendeu? E eu optar pelos companheiros que trabalharam 15 dias. Eu tive até ameaça sobre isso, que eu me comunicar, uma série de coisas, mas eu acho que tudo tem que ser pelo direito. Minha maior herança que eu tive dos meus pais foi a educação, foi saber respeitar as pessoas e saber ser justo, entendeu? Isso foi a minha maior vitória, por isso eu não temo nada sendo justo, entendeu? É por isso que eu tô aqui até hoje, a maioria dos chefes tem confiança em mim e eu sempre obtive grandes vitórias na Petrobras, eu só tenho a agradecer a Deus por isso tudo.
00:10:23 - P/1 - E você é sindicalizado?
00:10:25 - R - Sou sindicalizado.
00:10:26 - P/1 - Desde quando?
00:10:27 - R - Eu sou sindicalizado desde que eu entrei no Petrobras, em 79. Eu achei que o seguinte, não é por nada, não é por uma segurança maior, não é por tentar aquele detalhe. Estar naquele grupo para sempre, estar brigando com a empresa, não é isso. Eu entrei para o sindicato porque o sindicato, na época, o sindicato tinha cooperativas, a gente tinha oportunidade na Bahia de comprar coisas mais fácil. remédios mais baratos, em farmácia com desconto pelo sindicato e eu peguei esse detalhe que eu sei que seria de benefício para todos os meus familiares e até talvez para um amigo que precisasse do medicamento, eu sempre fui desse ponto de vista.
00:11:12 - P/1 - Que legal! E o que você achou de ter participado dessa entrevista e ter contribuído com esse projeto de memória dos trabalhadores da Petrobras em parceria da Petrobras com o sindicato?
00:11:25 - R - Olha, eu achei, eu acho, eu acho coisa excelente, eu acho que é mais uma oportunidade de nós expressarmos aqui a nossa, nosso agradecimento, né, a Deus por todos nós estarmos vivos com mais esse novo dia e pelo que a Petrobras oferece, não só nós petroleiros, como eu acho que a toda a população, porque essas prefeituras, as prefeituras, o governo do estado, eu acho que eles investindo, os investimentos que a Petrobras dá a eles financeiros, eles botando em prática para a população, eu acho que é de grande serventia, quer dizer, todos nós ganhamos, não só o funcionário, toda a população.
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