Foi assim. Vivia no mundo do exato, das exatas tecnologias.
Meu desejo de mundo era maior, complexo e, estranho desejo, precisava incluir sentimento.
Estava nisso quando aceitei convite para participar de mesa, mesa de bar onde se discutia os clássicos, a escrita própria titubeante. Três homens Poetas e eu, mulher engenheira.
O que poderia aprender? Aprendi num prazo de três semanas de presença na mesa, em posição de escuta, que o que vem de dentro, com sinceridade costuma alcançar a alma de outros.
Foram aulas impagáveis, que me transformaram. Dali achei força para escrever sobre o que me ia por dentro. Quando apresentei na mesa os escritos que pude produzir e vi que eram sinceramente celebrados, já não podia evitar uma explosão de euforia.
Sou outra depois de ter tido o privilégio de assentar em mesa de bar orientada pela Literatura. Ainda sou engenheira, com toda certeza, mas deixei de temer, ou de duvidar, do poder que minha alma tem para contar.
Marcão, João, Marcelo como eu os agradeço!