Projeto Mulheres Empreendedoras de Trairi
Entrevista de Francisca Barbosa dos Santos (Netinha)
Entrevistada por Bruna Oliveira
Trairi, 03/09/2025
Realizada por Museu da Pessoa
Entrevista n.º: MNB_HV001
Revisado por Bruna Oliveira
P/1 – Para começar, Francisca, eu queria, por favor, que você me contasse qual que é a sua primeira memória de vida.
R - A minha primeira memória de vida iniciou bem na época quando eu tinha uns sete anos, que a gente morava muito distante daqui, né? Aí quando a gente vinha pro colégio, a gente tinha aquela toda trajetória de vir a pé, andando. Eu e as minhas irmãs, que era muito longe, quando a gente ia pro colégio, era muito longe. Era assim, hoje é tudo mais fácil, né?
(00:00:59)
P/1 - E me conta, eu queria que você me dissesse o seu nome completo, a data e o local do seu nascimento.
R - Meu nome é Francisca Barbosa dos Santos. A data do meu nascimento é 28 de fevereiro de 1974.
(00:01:17)
P/1 - E onde você nasceu?
R - Eu nasci aqui mesmo, em Trairi.
P/1 - E viveu a vida inteira aqui?
R - É, eu vivi a minha vida inteira aqui.
(00:01:26)
P/1 - E como é que era o nome dos seus pais?
R - O nome do meu pai é Boaventura Barbosa, e o nome da minha mãe era Ana Nunes de Castro.
P/1 - E como é que você descreveria eles?
R - Ah, meus pais, eles eram umas pessoas muito batalhadoras, que eles trabalharam sempre na agricultura para criar nós. Nós somos três irmãos, né? Treze irmãos. Aí, na época, não tinha energia, não tinha gás butano, que a minha mãe cozinhava sempre naquele foguinho antigo, num foguinho de lenha que existia. E na época não tinha leite assim, que pra gente comprar, meu pai criava, era cabra, pra dar o sustento do leite pros meus irmãos e pra mim. Na época, né? Quando a gente morava no interiorzinho, bem afastado daqui, mas era mesmo só trairia.
00:02:24
P/1 - E como é que era a sua mãe?
R - A minha mãe era... ela criou a gente... assim, na época só existia trabalho...
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Entrevista de Francisca Barbosa dos Santos (Netinha)
Entrevistada por Bruna Oliveira
Trairi, 03/09/2025
Realizada por Museu da Pessoa
Entrevista n.º: MNB_HV001
Revisado por Bruna Oliveira
P/1 – Para começar, Francisca, eu queria, por favor, que você me contasse qual que é a sua primeira memória de vida.
R - A minha primeira memória de vida iniciou bem na época quando eu tinha uns sete anos, que a gente morava muito distante daqui, né? Aí quando a gente vinha pro colégio, a gente tinha aquela toda trajetória de vir a pé, andando. Eu e as minhas irmãs, que era muito longe, quando a gente ia pro colégio, era muito longe. Era assim, hoje é tudo mais fácil, né?
(00:00:59)
P/1 - E me conta, eu queria que você me dissesse o seu nome completo, a data e o local do seu nascimento.
R - Meu nome é Francisca Barbosa dos Santos. A data do meu nascimento é 28 de fevereiro de 1974.
(00:01:17)
P/1 - E onde você nasceu?
R - Eu nasci aqui mesmo, em Trairi.
P/1 - E viveu a vida inteira aqui?
R - É, eu vivi a minha vida inteira aqui.
(00:01:26)
P/1 - E como é que era o nome dos seus pais?
R - O nome do meu pai é Boaventura Barbosa, e o nome da minha mãe era Ana Nunes de Castro.
P/1 - E como é que você descreveria eles?
R - Ah, meus pais, eles eram umas pessoas muito batalhadoras, que eles trabalharam sempre na agricultura para criar nós. Nós somos três irmãos, né? Treze irmãos. Aí, na época, não tinha energia, não tinha gás butano, que a minha mãe cozinhava sempre naquele foguinho antigo, num foguinho de lenha que existia. E na época não tinha leite assim, que pra gente comprar, meu pai criava, era cabra, pra dar o sustento do leite pros meus irmãos e pra mim. Na época, né? Quando a gente morava no interiorzinho, bem afastado daqui, mas era mesmo só trairia.
00:02:24
P/1 - E como é que era a sua mãe?
R - A minha mãe era... ela criou a gente... assim, na época só existia trabalho só na agricultura, meu pai fazia... meu pai plantava roçado. A minha mãe também ajudava a ir na colheita dos feijões. E sempre assim, a minha mãe era uma pessoa muito boa, trabalhou muito, se dedicou. E na época que a minha mãe criava a gente, a minha mãe também ficou doente. Aí ela foi precisar ir fazer uma cirurgia. E foi tudo assim que começou a trajetória da doença da minha mãe. Ela tinha problemas de pressão alta, minha mãe. Ela tinha muitos problemas. Ela era uma pessoa muito boa.
00:03:12
P/1 - E me conta como é que era a relação sua com seus irmãos nessa época da infância?
R - Ah, na época da infância da gente, a gente morava no interior. A gente ia tomar banho. A gente brincava muito nas lagoas, tomava banho. E era assim, na época, quando a gente morava lá no interiorzinho. É bem próximo daqui. Não tinha energia lá. Não tinha água encanada. A gente ia pegar água nas cacimbas. E não tinha na época. Não tinha água de caleche. E era assim, eu e os meus irmãos e as minhas irmãs. Foi assim a vida da gente, mas agora já melhorou um pouco, né?
00:03:57 P/1 - Queria que você me contasse se você chegou a conhecer os seus avós.
00:04:02 R - Conheci os meus avós, eles moravam também perto da casa da gente, era no interior aqui, depois daqui, era lá na Fazenda Bom. A gente morava bem próximo, era tudo um sítio, a gente morava tudo próximo. Meus avós também, eles trabalhavam na agricultura, meu avô criava animal, criava ovelha, criava cabra. E na época a gente só sobrevivia disso daí.
00:04:32 P/1 - E era todo mundo aqui de Trairi?
00:04:35 R - Era todo mundo, a maioria das pessoas, porque aqui não tinha trabalho suficiente para as pessoas e todo mundo só vivia da agricultura.
00:04:45 P/1 - E aqui é uma cidade que é litorânea, tem o mar, tem as praias perto, mas você falou que morava um pouco mais afastada. Você ia para a praia? Como é que era essa relação com o mar? Tinha?
00:05:01 R - Na época que a gente morava lá, a gente era mais próximo, assim, pra ir pra praia. Só era muito distante porque a gente tinha que ir a pé ou então tinha que ir nos jumentos, que o meu pai colocava, botava a cela dos jumentos e botava uns caçoais e a gente tinha que ir dentro dos caçoais para ir pra praia. Porque na época não tinha carro, era difícil. A gente andava assim, nos carros que naquela época eram instrumentos, né? Ou os cavalos.
00:05:34 P/1 - Netinha, eu fiquei pensando agora sobre a... Você estava contando agora sobre a sua infância, contando como que era diferente de hoje, né? Eu queria que você falasse um pouco mais sobre isso, contasse quais eram as diferenças, o que não tinha naquela época e tem hoje, que você percebe que mudou bastante, principalmente na sua vida.
00:05:59 R - Naquela época era muito difícil, porque a gente tinha que ir para o colégio, a gente tinha que ir a pé. Depois, com o tempo, foi que surgiram os paus de arara, que a gente ia para o colégio nos paus de arara. A gente tinha que ir e voltar nos Pau de Arara. Era muito complicado pra gente ir pra escola. Eu e meus irmãos, porque a gente morava... na época era muito distante, né, para a gente estudar. Aí a gente saía de casa. Tinha que sair umas seis horas da manhã, que é para quando fosse sete horas, a gente estar no colégio. E tinha que ir e voltar a pé. Aí depois, no decorrer do tempo, quando foi... Tipo, quando a gente foi ficando já maiorzinha, com uns 10 aninhos, aí foi na época que já começou o pau de arara funcionar, que eram os carros, que levavam a gente pro colégio, porque, na época, a gente estudava meio afastado do centro. Aí, depois que surgiram os paus de arara, a gente tinha que estudar no centro, porque o colégio lá só dava só para a educação infantil e a gente já estava num nível mais alto, né? Aí a gente tinha que ir no pau de arara, estudava, aí tinha que voltar no pau de arara também, sempre foi assim. Eu e os meus amigos e os meus irmãos também, né? Aí foi com o decorrer do tempo, foi muito difícil, era muito difícil as coisas, aí aqui no nosso município só existia até a 8ª série na época, porque agora é 9º ano, né? Aí depois que terminasse a 8ª série, tinha que deslocar para outros lugares, Fortaleza. Algumas pessoas iam para São Paulo, algumas pessoas iam para o Rio. As pessoas da minha família mesmo, foram alguns. Aí com o tempo foi que foi chegando o segundo grau. Aí ficou bem melhor. Aí já iniciou já os ônibus dos alunos, carregar os alunos. E aí já foi muito melhor, né? Nessa época agora. Agora é mais fácil a gente estudar. Até a faculdade já tem de graça, né? Na nossa época não tinha.
(00:08:07)
P/1 - Isso que você falou que não tinha luz elétrica, fogão, não tinha gás. Como é que era essa casa que você passou sua infância?
R - A nossa casa era de barro e pau. Tipo, era de taipa. Porque na época não tinha casa de tijolos. Eram os pais da gente que faziam a casa da gente. Na época não existia casa de tijolo, era só casa de taipa. E às vezes tinha algumas pessoas que não tinham casa de taipa, era de palha. Só era coberta em cima só de telha. Agora nas laterais e as portas, as janelinhas, era tudo de palha.
P/1 - E onde que ficava a criação nessa casa? As cabras que seu pai criava?
R - Ficava tudo nos currais, as cabras, os animais, os cavalos, ficava tudo nos currais.
P/1 - E você lidava com os animais ou não?
R - Às vezes, a gente saía só para dar uma olhada, mas praticamente quem trabalhava, quem cuidava mesmo eram os pais da gente e o meu avô.
(00:09:25)
P/1 - E você sabe como seus pais se conheceram?
R - Eu não tenho muita noção assim de quando o meu pai se conheceu com a minha mãe. Na época, eles estudavam lá no nosso... onde a gente morava. Não tinha energia. As escolas que eles estudavam eram chamadas... tinha só uma escolinha que era chamada Mobral na época, né? Aí eles se conheceram lá.
(00:09:51)
P/1 - E eles estudaram quando eles eram mais novos? Ou foi depois de casados?
R - Não, meu pai, meu pai e minha mãe, eles fizeram, estudaram no Mobral. Eles não entendiam muito, nem sabiam muito ler. Eles sabiam só o básico mesmo, só escrever o nome, porque naquela época nem as professoras não eram formadas. Aí só ensinavam mesmo a fazer a maioria das vezes só o nome da pessoa. Porque agora pra gente tirar um documento, a gente tem que saber pelo menos assinar, porque não existe mais pra colocar, porque na época tinha que colocar o dedo quando não sabia escrever, né? Agora não pode mais. E era assim, meu pai, minha mãe, meus tios, tudinho. A maioria deles só sabia só fazer o nome.
(00:10:43)
P/1 - E me conta uma coisa, quando você pensa na sua infância, tem alguma festa, algum cheiro, alguma comida que lembra essa época?
R - A maioria das vezes é a festa tradicional, que é a nossa festa aqui do no Ceará, que é as quadrilhas, as festas juninas, né? Aí tem muitas comidas gostosas, que é o bolo de milho, vatapá, um cruzar. Aí sempre, essas festas adicionais, elas sempre acontecem no nosso município, sempre, todos os anos. Elas nunca saíram não, sempre elas ficam aqui nas nossas memórias e todos os anos a gente festeja, né?
(00:11:23)
P/1 - E te lembra dessa infância?
R - É, lembro. Lembro muito da infância da gente.
(00:11:29)
P/1 - Você ia nessas festas quando você era mais nova?
R - Ia. Sempre eu fui com as minhas irmãs e meus irmãos. A gente sempre ia. Até agora a gente ainda vai.
P/1 - E seus pais deixavam vocês irem? Como é que eram as regras?
R - O pai da gente e a minha mãe, eles eram assim umas pessoas que não deixavam a gente sair. A gente saía mais com eles. Porque a gente já era tudo bem grandinha e a gente não poderia sair só. Até para missa, quando a gente ia para missa com a minha mãe, a gente só ia com ela, porque a gente não podia sair sozinha. E a gente já era mocinha, já tinha 12 aninhos, 15 aninhos e a gente não poderia ir sozinha. Tinha que ter uma companhia de pai ou de mãe, porque a gente não poderia ir sozinha.
(00:12:18)
P/1 - Francisca, por que você se chama Francisca, você sabe?
R - Assim, a minha mãe na época que me... Na época que a minha mãe engravidou, aí a minha vózinha, o nome da minha vózinha era Francisca. Aí foi um período assim que eu fiquei doente, aí eu tenho o meu outro irmão, o nome dele também é Francisco. Aí a minha mãe tipo fez uma promessa, disse que se eu não morresse, se eu ficasse boa, ela ia colocar o meu nome de Francisca em homenagem a São Francisco das Chagas de Canindé e o meu outro irmão, que já era Francisco também. Por isso que eu sou chamada de Francisca.
(00:13:03)
P/1 - E Netinha, de onde que vem esse apelido?
R - É porque na época a minha vozinha gostava muito de brincar, de brincar com as netas delas. Aí toda neta dela, ela falava um apelido na época. Um era Zefinha, um era Nenê, algumas coisas assim. Aí sempre ela me chamava de Netinha. Netinha não sei o que, não sei o que. Vai ali Netinha. Aí todo mundo ficou me chamando de Netinha. É por isso que o meu apelido é Netinha.
P/1 - Até hoje?
R - Até hoje, todo mundo só me conhece por Netinha. Francisca, que é o meu nome realmente verdadeiro.
P/2 - Francisca, eu vou te pedir um favorzinho pra não bater aqui, tá?
R - Certo.
P/1 - Mas pode repetir.
(00:13:43)
R - Na época, na época, a minha mãe me chamava mesmo de Francisca. Meu nome verdadeiro é Francisca Barbosa, mas sou conhecida mesmo por Netinha.
P/1 - Na clientela que você tem, todo mundo chama de Netinha.
R - Isso.
(00:14:01)
P/1 - E me conta como é que eram as aulas na escola. Você contou um pouco como era esse trajeto, que era feito a pé, né? Mas o que você gostava na escola? Ou você não gostava também?
R - Na escola a gente gostava de tudo, mas na hora sagrada era a hora da merenda. Que todo mundo só queria ir pra fila, só queria só aquela merenda, só queria aquele copo rosa. E aquele prato rosa. Era assim, era muito legal. Na escola a gente aprende muita coisa, né? Mas tinha aquela atração, sempre que a gente tinha aquela atração melhor, que era na hora da merenda, que saía todo mundo para o lanche, aí todo mundo só queria o copo rosa e a colher rosa e o prato rosa. Era uma briga na época.
P/1 - E o que que servia na escola, na merenda?
R - Era sopa, cuscuz, E eram esses lanches aí.
(00:15:00)
P/1 - E tinha alguma professora, algum professor que tenha marcado essa época da infância pra você?
R - É, na nossa época que a gente estudava, na infância, as professoras, elas eram muito... Gostava muito dela como se ela fosse as mães da gente, porque ela ensinava uma matéria a gente e a gente acabava aprendendo a matéria. Por isso que ficou guardado na memória da gente algumas professoras, que hoje até eu tenho duas professoras, ex-professoras que são minhas clientes. E ela já tem uma idade até avançada, a idade das minhas ex-professoras. Tem uns 75 anos e a outra eu acho que tem uns 70. É duas professoras, né? Que eu tenho.
P/1 - E qual que é o nome delas?
R - Que a minha professora de matemática era a dona Efigênia. E a minha outra professora era a dona Tamar. Ela ensinava... Na época ela ensinava Estudos Sociais, que hoje em dia nem tem mais essa matéria. Agora eu acho que é a História do Brasil.
(00:16:19)
P/1 - E como é que foi na sua juventude? Você já começou a trabalhar? O que você fazia pra se divertir? Eu sei que você não podia sair sozinha, mas como é que você fazia?
R - Às vezes, a gente saia escondida do pai da gente, porque ele não deixava a gente sair. Mas eu comecei a trabalhar bem nova. Eu comecei a trabalhar quando eu tinha treze aninhos. Até agora eu ainda trabalho, graças a Deus. Quando eu tinha treze aninhos, eu já comecei a trabalhar. Eu ajudava na casa da minha cunhada, porque ela trabalhava em um setor. E eu tinha que ir pra lá ajudar ela a fazer as coisas. Aí eu iniciei, comecei com treze anos. Aí comecei, aí quando foi, quando eu enterrei meus quinze anos, aí eu estudava, aí eu transferi meu horário de colégio pra noite, pra ficar lá o dia todo. Aí eu comecei já a trabalhar a trabalhar na casa dela o dia todo. Aí aos sábados, eu já comecei, na época, já quando eu tinha quinze anos, eu já comecei a fazer unha. Eu fazia unha já na época, quando eu tinha quinze aninhos. Só que eu estava aprendendo, né? Eu não sabia ainda.
(00:17:36)
P/1 - E como é que continuou essa história de ser manicure?
R - Ah, eu fazia. Eu fazia, eu ia nas... as clientes me chamavam e fazia domicílio na casa das clientes. Eu tinha muita cliente. Aí, na época, eu ficava num horário na casa da minha cunhada, que eu ajudava ela, e à tardinha eu ia fazer unha na casa das minhas clientes. Aí, de tanto eu ir fazer unha na casa das minhas clientes, eu já comecei a... Tipo, eu já era uma profissional, mas eu não tinha o meu curso ainda na época, né? Já faz bastante tempo.
(00:18:16)
P/1 - Uma coisa que eu fiquei pensando, voltando um pouquinho, mas depois a gente vai pra frente. Quando você estava contando como era a sua casa durante a infância, que era mais afastada, que era quase um sítio, eu queria saber como era o dia-a-dia lá. Vocês ajudavam nas tarefas? Que hora que anoitecia? O que vocês faziam à noite se não tinha energia?
R - Como era esse... De manhã, a gente ajudava a mãe da gente. A gente ia pra Cacimba pegar água. Quando a gente chegava em casa, a gente ia ajudar a mãe da gente. À tarde, a gente ia para o colégio. E à noite, a gente dormia cedo. A gente dormia 6 horas, porque não tinha energia. Aí por isso que a gente dormia cedo, porque na época não tinha televisão para a gente assistir. A gente dormia muito cedo, mas também cedo a gente acordava. Cinco horas da manhã a gente já estava acordado, né? Para ajudar a mãe da gente. Pra ir pra cacimba pegar água.
(00:19:16)
P/1 - E como é que era o vento naquela época? É igual hoje? Ele era forte assim?
R - Era o vento, sempre ele foi forte. Era muito vento, sabe? A gente quando ia para a cacimba pegar água, O vento era muito forte e o sol também quente, né? Que aqui, o nosso Ceará aqui é muito quente, viu? Principalmente aqui no Trairi. Nós estamos em período de verão, né? Que o inverno acabou alguns dias.
P/1 - E sempre foi desse jeito?
R - É. Porque nesse período agora, né? O mês de agosto que terminou e o mês de setembro. É o mês do inverno. É o mês dos ventos fortes. Aí por isso que o vento é muito forte.
P/1 - E quando você ia andando para a escola, o sol não incomodava?
R - É, o sol é muito quente, mas a gente não podia fazer nada, a gente tinha que enfrentar o sol. Porque a gente não tinha um transporte para ir, na época a gente não tinha nenhuma bicicleta para a gente ir para o colégio, a gente ia a pé mesmo.
(00:20:27)
P/1 - E me conta, o que você fez com o seu primeiro salário quando você começou a trabalhar? Você lembra?
R - Eu acho que eu nem lembro. Assim, né, na época quando eu comecei a trabalhar. O que eu fiz, eu acho que o que eu fiz com o meu dinheiro foi dar pra minha mãe pra ela comprar tecido pra fazer roupa pra nós. Fazer roupinha, vestidinho pra gente ir pra missa, né? Porque na época, assim, na época só o que a gente mais frequentava, assim, era o colégio e ia pra igreja com a mãe da gente, né, pras missas. Festa assim não tinha muito, só era festejo mesmo assim de padroeiro, né?
(00:21:09)
P/1 - Aqui é muito forte esses festejos de padroeiro?
R - Tem, tem. Praticamente quase todos os meses tem festejo de padroeiro, né? Porque daqui mesmo do nosso bairro aqui tem um aqui da igrejinha aqui de Sagrado Coração, que é no mês de julho. Aí quando for o mês de setembro para o finalzinho de outubro é em São Francisco, que é a nossa igreja aqui. Aqui do alto, da Serrinha. Aí em dezembro já tem lá no centro, que é a Nossa Senhora do Livramento. E tem vários festejos por aqui. Tem em junho também aqui da nossa outra padroeira, que é a Santa Paulina. É em julho também, em junho para julho. E é desse jeito aqui, tem festejo de padroeiro praticamente quase de dois em dois meses.
P/1 - E tem alguma lembrança de alguma festa de padroeiro que tenha sido marcante, um caos dessa época que você ia?
R - Tem o festejo aqui de São Francisco que sempre Todos os anos tem aquelas motivações, né, que vem o pessoal dos interiores, vem a pé, pra pagar aquelas promessas. Aí isso é muito marcante, assim, que cada ano que passa já fica mais normal e não era como era antigamente, tá querendo que todo mundo se veste com aquela roupa de São Francisco, aquele traje roxo, né, de São Francisco pra pagar as promessas. Isso é muito interessante, assim, eu acho que nunca apaga assim da memória da gente, desde criança, né. Você ficava olhando as pessoas... Até hoje ainda existe isso aí, né?
P/1 - E você continua frequentando?
R - É, eu vou sempre. Quase todas as quintas-feiras e domingos eu vou. Graças a Deus!
(00:23:05)
P/1 - Netinha, e me conta como é que...você tava contando antes pra mim, antes da gente começar a gravar, um pouco como foi a sua história de empregos, né? Como é que foi? Depois que você contou que começou a trabalhar como manicure e daí continuou...sempre trabalhou e trabalhou num monte de lugar. Eu queria que você contasse as suas experiências pra gente. Como é que foi? Onde você trabalhou? Você estava contando antes da gente começar a gravar um pouco o que você fez durante a sua vida de trabalho, que você trabalhou com algumas coisas e sempre foi empreendendo. Eu queria saber um pouco como que foi essa trajetória sua de trabalho, que trabalhos você fez, como é que eles eram, onde que você trabalhou, em que momento que você decidiu abrir o salão, mas isso por último, eu quero mais saber sobre da sua história mesmo.
R - Foi assim, na época, quando eu era adolescente, eu trabalhava fazendo unha nas casas, né? Porque as minhas amigas me chamavam lá no domicílio, né? Aí eu já cortava cabelo, mas eu não sabia, eu não tinha o curso, eu fiquei cortando as vezes. Aí eu disse, qualquer tempo desse aí, quando der certo, quando eu tiver condições, eu vou fazer um curso de cabeleireiro ou então de manicure. Aí eu fui trabalhando, na época eu estudava aqui, eu estudava à noite. Aí eu fui, foi na época que eu interei uns 19 anos, foi na época, 19 pra 20 anos. Aí eu terminei meu segundo grau, aí eu arranjei um trabalho num centro. Eu era assistente de professora, eu era assistente de professora. Aí eu trabalhei três anos como assistente de professora, eu levava as crianças pro banheiro e ajudava na sala de aula. E nesse daí eu trabalhei três anos, né? Aí depois... Aí eu saio porque se você não for concursado no trabalho de prefeitura, como muda de prefeito, aí você acaba saindo, né? Aí eu peguei, na época, eu coloquei... eu vendia roupa. Vendia roupa na escola para algumas professoras.
Aí, quando eu saí, o dinheiro que eu ganhei, eu investi no meu negócio, né? Eu comprei uma banca lá no centro, lá na feira. Aí eu tinha uma banca na feira que eu vendia confecção. Eu abria todo dia e vendia porque eu tinha minhas clientes. Aí quando foi... passou um período, aí eu terminei de vender as coisas, aí eu parei, né? Aí vendi as minhas confecções todas pra uma pessoa, vendi meu espaço que eu tinha lá, aí eu coloquei um comércio de cereais, vendia as coisas, vendia frango, vendia as coisas. Aí eu ainda fiquei 10 anos trabalhando no comércio. O comércio era na minha casa, era meu, né? Aí eu vendia as coisas, aí foi tudo dando certo. Aí no período que eu tinha o meu comércio, eu fiz o meu curso lá em Fortaleza. Eu fiz um ano de curso de cabeleireiro, aí depois que eu terminei o meu curso de cabeleireiro, eu fiz três anos, outro curso, que foi de colorimetria. Porque quando a gente trabalha com o cabeleireiro, a gente tem que saber as cores do cabelo da cliente, né?
A professora da gente falava que a gente tinha que fazer, porque você não tinha muita noção. Aí quase todas as meninas que faziam curso comigo, fez o curso de cabeleireiro. Aí depois que eu fiz o curso, meu curso de cabeleireiro, eu acabei o meu comércio, que eu tinha na minha casa. Aí eu terminei o meu curso. Ainda fiquei me organizando um ano depois do meu curso, mas eu atendia domicílio. Eu atendia nas casas das minhas clientes. Eu não tinha um espaço meu mesmo próprio, né? Eu só atendia. Aí quando foi com um ano, eu atendia as clientes nas casas. Aí fui comprando meus materiais, eu comprei a minha cadeira de cortar cabelo, depois comprei o meu carrinho, comprei o meu lavatório. Fui comprando as minhas coisas, comprei meu secador profissional, minha tesoura, as minhas escovas também. Minhas coisas, porque quando a gente trabalha no salão a gente tem que comprar só as coisas profissionais, porque se você não comprar, você fica sempre comprando, sempre comprando. Por isso você tem que comprar uma coisa que vale a pena pra você passar um tempo sem comprar, tá entendendo?
Foi na época que eu já tinha umas clientelas lá no centro, aí eu já aluguei um ponto no centro. Aí eu coloquei. Hoje em dia, lá no centro, eu já tenho bastante clientes. Já está com 14 anos que eu trabalho nesse ramo. E é muito bom, eu criei meus filhos tudinho trabalhando lá nesse ramo de cabeleireiro e eu gosto muito de trabalhar. E eu atendo homem também. Eu atendo masculino e feminino. E eu gosto muito.
(00:28:33)
P/1 - Eu ia te perguntar isso, se você já tinha uma família quando você começou a empreender como cabeleireira?
R - Tinha, meus filhos já eram quase todos grandinhos na época. A minha filha mais velha tinha doze aninhos, a minha outra filha tinha oito e os meus filhos que são gêmeos, eles tinham oito aninhos. Hoje em dia já são todos grandes, eles já fazem me ajudar, né? Às vezes quando eu tô muito cheia de clientes, tipo no final do ano, a minha filha já me ajuda, às vezes, já faz uma sobrancelha, já lava um cabelo e é desse jeito.
(00:29:25)
P/1 - E o que que te motivou a trabalhar pra você mesma?
R - É assim, sempre eu gostei de trabalhar pra mim mesma, sempre. Desde quando eu era adolescente, né? Que eu sempre gostei. Só no período que eu era assistente de professora foi que eu trabalhei assim, porque os meus filhos na época estudavam na mesma escola e eu queria ter o acompanhamento com eles na época, né? Ainda fiquei três anos lá.
P/1 - E você gostava?
R - Gostava, gostava, era muito bom. Mas sempre eu gostei de trabalhar pra mim, sempre.
(00:30:05)
P/1 - E como é que esse negócio de ser manicure, que foi a primeira coisa que você começou a fazer sozinha, a empreender sozinha, tinha outras manicures aqui? Você já tinha visto o trabalho de alguém? Como é que era?
R - Já tinha algumas manicures. Até foi uma das que tinha aqui, que era minha amiga, que ela sempre me orientava. Eu ia ajudar ela e eu aprendia ajudando ela. Aí eu, quando eu tinha alguma dúvida, eu perguntava pra ela. Ela dizia: “Não, mulher, assim é assim, tu consegue fazer desse jeito.” Aí eu fui indo, aí até que eu consegui.
(00:30:44) P/1 - E me conta como é que foi esse momento de fazer o curso em Fortaleza? Como é que era? Você ficou um ano fazendo. Como é que você ia pra lá? Como é que foi pra viajar pra Fortaleza? Eu queria saber se você já tinha ido pra lá.
R - Mulher, eu já tinha morado uns três anos já em Fortaleza. Alguns tempos atrás. Porque a maioria da minha família mora em Fortaleza. Eu tenho uma irmã que mora lá e tenho dois irmãos. Aí eles já moram lá e sempre quando eu ia, eu ia pra casa deles. Aí quando eu fiz o meu curso lá em Fortaleza, eu ia todos os sábados. Eu e os sábados eu saía daqui 4 horas da madrugada, 4 horas da manhã, porque tinha um ônibus que levava, tinha a frota de ônibus que tinha na época. Aí eu saía daqui 4 da manhã, chegava lá 8 horas e o meu curso começava 8. Todos os sábados eu chegava atrasada meia hora. Devido que era muito longe, né? E os caminhos que eram carroçais que iam por aqui, que iam por essa BR aqui, que só é poeira e buraco, que iam pela Paraipá, eu chegava muito atrasada. Onde vai? Todos os sábados eu perdia meia hora de curso. Aí, quando eu chegava lá, toda vida eu tinha que explicar. Não é porque o ônibus só chegou agora e eu tive que chegar a esse horário. Aí, passava o dia todinho no curso e tal. Aí, eu tinha que retornar pra cá todos os sábados. Eu retornava, era cinco e meia da tarde. Eu pegava o ônibus e vinha pra cá, que era pra Caputraria. Eu chegava nove e meia da noite. Aí todos os sábados eu tinha que ter esse trajeto pra ir fazer o meu curso. Foi um ano todinho. Mas é muito bom que às vezes a gente não consegue nada fácil, né? Sempre é assim, essa escorreria. E aí eu estudei o ano todinho e meus filhos ficavam, né? Ficavam em casa com a minha outra filha. Mas graças a Deus que deu tudo certo.
(00:32:57)
P/1 - E como é que foi se tornar mãe? O que a maternidade representou pra você?
R - A gente se tornar mãe é muito gratificante, né? Pela vida dos filhos da gente. É muito bom, porque eu tenho quatro filhos, assim, e eu não sou casada, né? Eu sou solteira. Aí eu praticamente criei eles sozinhas. Só com o dinheiro mesmo do meu trabalho, né? E hoje em dia, graças a Deus, que eu agradeço muito a Deus ter esse meu trabalho, né? E é muito bom. E que agora eu moro sozinha com meus dois filhos, que as minhas outras duas filhas já são casadas. E é assim, né? A vida da gente.
P/1 - Como é que eles se chamam?
R - Os meus dois filhos, eles são gêmeos. Um é Asle e o outro é Alan. Inclusive hoje, que é dia 3 de setembro, eles estão fazendo 22 aninhos.
P/1 - E as duas filhas, como chamam?
R - É a Lani, que tem 25 anos, e a outra que tem 30, chama Ani. Elas já são casadas.
(00:34:05)
P/1 - E você já tem netos?
R - Tenho, tenho. A minha filha mais velha eu já tenho. Já tenho um filho e umas filhas já.
P/1 -E como é que foi se tornar avó?
R - Fui avó tão nova que você nem imagina. Eu tinha 30... Acho que eu tinha 35 anos. Eu era a avó mais nova da escola. Quando tinha reunião na escola, todo mundo disse, quem é mãe? A única mãe que foi mais nova fui eu, e eu ganhei um prêmio porque era a mãe mais nova. E a avó também. Eu fui avó com 35 anos. Hoje em dia tenho 51 anos, mas eu já sou bisavó.
P/1 - Como é que é o nome dos seus netos e do seu bisneto?
R - Os meus netos... Tem um rapaz, né, que é o pai do bebê. Tem o Rodrigo, né, que é o meu neto. Aí tem a Thayná e tem a Emily, que é duas netinhas, né, que eu tenho. Aí tem o outro pequenininho de um aninho, que é o Vitor Hugo. E tem o meu outro bisnetinho também, que tem um aninho.
P/1 - Como chama?
R - Eu acho que é... Nem lembro direito o nome dele. Acho que é o Davizinho, eu acho.
(00:35:25)
P/1 - E me conta como é que o projeto Mulheres do Nosso Bairro entrou na sua vida.
R - Foi assim, tem uma colega minha que às vezes ela corta o cabelo comigo. Ela é minha cliente, mas é raramente. Ela perguntou se eu não queria participar do projeto, porque era muito bom, a gente se escrevia. Aí ele ia analisar o projeto da gente, caso se eles gostasse. A gente participava de palestras, reuniões, e era muito bom que a gente empreendia o trabalho da gente. Ela disse assim e eu: “Não mulher, não quero, não vai dar certo não, eu não tenho sorte.” Aí ela disse assim: “Vamos mulher, eu te ajudo”. Eu disse: “Mulher, eu não sei fazer não”. Ela: “Vem aqui na minha casa, aí tu traz o teu celular, que eu te ajudo”. Aí eu: “Tá certo, vou voltar ao dia”. Aí no dia que eu marquei, não deu certo, eu vou. Aí passou, ela disse: “Mulher, tu nem foi”.Aí eu disse: “Não, mas tu pode me ajudar amanhã? Se tu puder, eu vou amanhã”. “Que horas?” “Uma hora depois do almoço, porque duas horas eu tenho que ir trabalhar.” Ela: “Tá certo. Poxa, tu vem quando terminar de almoçar, tu vem que eu te ajudo.” Aí eu terminei de almoçar e eu vim lá na casa dela, porque ela mora aqui perto, aqui próximo. Aí quando eu cheguei lá, ela estava lá, ela veio, aí foi me explicar, me orientar como era que eu poderia fazer um celular. E quando eu tinha, assim, alguma dúvida, eu perguntava a ela. Aí eu fui fazendo. A gente tem que fazer as inscrições da gente. Coloca o nome, o endereço, o que é o projeto que a gente faz, o que é que a gente pretende. Um monte de coisa, um monte de perguntas. Aí eu fiz. Só que eu nem tinha o site. Ela que tinha, sempre ela que ficava olhando e me orientando. Aí eu tava, eu tinha ido, nesse dia eu tinha ido pra uma consulta lá em Fortaleza. Aí ela pega e me liga, só que o meu celular tava num silencioso e eu não poderia atender. Aí eu vi a mensagem, eu vi a chamada dela perdida. Só que eu não podia atender, eu mandei só uma mensagem: “O que foi? O que foi que aconteceu?” Ela disse assim: “Mulher, tu foi contemplada!” Eu disse: “Sério? Como assim? Acho que eu nem fiz o meu projeto direito.” Ela disse: “Mas deu certo.” Eu disse: “Não mulher, porque eu não tô podendo atender. Eu vim pra consulta agora, não tô podendo atender. Mas quando eu chegar em casa, eu vou aí na tua casa.“ Ela: “Tá certo.” Aí quando eu cheguei, eu fui lá na casa dela. Eu fui na casa dela, aí quando ela chegou, ela foi me explicar tudinho. Ela disse: “E daqui do Trairi, foram nós três, fui eu, você e outra moça.” Aí eu disse: “Que legal, graças a Deus que deu certo, né?” Aí ela foi me mostrar as pessoas que já tinham participado, né? E eu achei muito interessante os projetos das outras mulheres, porque não é só aqui do Ceará, é de vários cantos.
(00:38:44)
P/1 - E como é que foi esse momento de ter sido contemplada? O que você sentiu?
R - Eu fiquei assim, pensando, meu Deus, agora o que eu vou fazer? Aí eu fiquei pensando, vou ter que construir as minhas coisas bem direitinho e vai dar tudo certo. Aí eu fui, iniciei logo, comprei algumas coisas, né? Porque eu estava precisando. Aí eu já comprei um monte de coisa, comprei um secado novo, comprei uma prancha. Porque vocês sabem que quem trabalha em sala, as coisas são tudo caro, né? Aí eu fui comprando umas coisas, aí eu comprei muitas coisas, os produtos também que eu estava precisando. Eu comprei várias coisas. E assim, sucessivamente, só tem a crescer. O projeto, a gente foi contemplada e me ajudou muito e até hoje está me ajudando. Porque, através dele, eu consegui conquistar muitas coisas.
(00:39:47)
P/1 - O que você conquistou?
R - Assim, eu conquistei o meu espaço, que eu ainda não terminei, mas eu ainda estou construindo. Faltam algumas coisas para eu terminar.
P/1 - E agora você tem melhorado o seu espaço por conta...
R - É, também vou ter o meu espaço próprio. Sempre vou ter que estar fazendo uma reforma, porque já é meu. Agora quando a gente trabalha num espaço que não é da gente, a gente às vezes fica até meio receosa de arrumar sem ser da gente, né? É assim.
P/1 - E há quanto tempo você tá naquele espaço?
R - Naquele espaço que eu estou vai fazer dez anos que eu estou. Mas eu já tinha ficado em outro espaço quatro anos.
(00:40:43)
P/1 - E como é que é a clientela lá? As pessoas marcam? As pessoas marcam com você? Você já tem um público que vai lá? Ou elas passam e param lá?
R - Às vezes, elas passam e param. E a maioria dos meus clientes eu marco pelo telefone. Porque elas têm o meu contato, aí elas ficam sempre marcando. Quando não dá certo, aí remarca para outra data. E assim vai. Às vezes, passam umas que vêm indicadas pelas outras, né? Aí tipo assim: “De quem é esse salãozinho aqui?” “Da Netinha.” Eu digo: “Ué, mulher, tu é doida para me cortar meu cabelo? ” Porque a minha vizinha disse que tinha cortado comigo e amou. Aí eu disse: “pode entrar. Pode entrar que eu corto.” Aí graças a Deus, quando eu corto, todo mundo gosta. As minhas clientes. E assim vai aumentando, né?
P/1 - Do boca a boca, né?
R - É, sim.
(00:41:43)
P/1 - E aí, eu queria que você me contasse que ano que foi que você foi contemplada com o projeto da Engie.
R - Mulher, eu acho que eu fui contemplada foi no... em dois mil e... 2022? 2023. Foi 2023. Nós estamos em 2025, né? Foi 2023.
P/1 - E daí como é que foi, a partir do projeto que você escreveu, que você foi contemplada, como é que foi esse caminho de apoio que a Engie seguiu com você, o que aconteceu?
R – Mulher, foi muito legal assim, que eu fiz uns cursos com eles. Eu aprendi muita coisa, foi a respeito de curso de empreendedorismo, eles davam um curso, eu acho que foi seis meses de curso. Cada mês era um diferente, mas tudo na área do empreendedorismo, tá entendendo? Eu aprendi muito, tinha algumas coisas que eu não sabia. Até que era online o curso que a gente fazia, mas a gente deu pra tirar muitas dúvidas. Cada pessoa ficava perguntando, tipo, quando você não entendia, ela repassava de novo. E foi muito interessante. Eram pessoas de longe, né? Pessoas do Ceará. Eram várias pessoas diferentes que interagiam com as outras, tá entendendo? E foi muito bom. Aprendi muita coisa.
(00:43:14)
P/1 - Deu pra conhecer gente do Brasil inteiro, mulheres do Brasil inteiro, né?
R - É, porque assim, eram Mulheres do Nosso Bairro, né? Mas não era só aqui do meu bairro, era de vários cantos. Tinha de Recife, tinha de vários cantos. E elas tinham, assim, um potencial muito legal, todas as mulheres, cada uma tinha o seu negócio, cada uma tinha o seu empreendedorismo, cada uma trabalhava de uma coisa. E a gente aprendeu muitas coisas com elas também. Tirava dúvidas, ficavam perguntando algumas coisas. Foi muito interessante. Deu para aprender muitas coisas.
(00:43:52)
P/1 - E tem algum momento desse curso ou alguma mulher contando sobre o empreendimento dela que você lembra que tenha sido marcante para você?
R - Tinha uma mulher lá do nosso curso. Ela era muito empreendedorismo. Eu acho que, na época, ela tinha feito a inscrição e não tinha certeza que ia ser contemplada. Aí o dela foi, como dentista, fazer prótese dentária, tá entendendo? Ela disse que nunca imaginava que ela seria... tinha capacidade de ser contemplada. Aí cada menina falava uma coisa, né? Mas é a sorte, é a sorte. Ela disse graças a Deus. E ela falou que já tinha montado o negócio dela, mas queria mais algo para ampliar mais, tá entendendo? E foi, era muito interessante. Cada uma contava o seu negócio, né?
P/1 - E o que você acha que... Impede as mulheres de acreditarem no seu potencial, de se inscreverem. O que você acha que falta?
R - Porque as mulheres têm muito medo de ficar na internet. Tem muitas pessoas que não são ligadas muito na internet, porque a gente tem que escrever. Aí hoje em dia tem muitas mulheres que têm receio, tem umas que não sabem mexer no celular, fazer inscrições e tal. Principalmente quem mora no interior, né? Aquelas mais assim de idade, aquelas senhoras, não tem muita experiência, não sabem muito de mexer com internet. Por isso que elas têm muito receio de fazer as inscrições. Eu, né, na minha época, eu fiz porque a menina me incentivou. Por isso que eu fiz.
(00:45:44)
P/1 -E como é que você conhece? Você contou um pouco, mas eu queria saber mais detalhes, né? Quem que foi essa moça que apresentou o projeto para você? Como é que vocês se conheceram?
R - Ela mora aqui perto da minha casa. É a Nízia. Eu acho que ela já foi contemplada umas duas vezes. Ela trabalha como costureira. Foi ela que me incentivou a me inscrever. Aí por isso que eu fui no incentivo dela, porque se fosse eu mesma eu nem tinha me inscrito. Porque, às vezes, a gente acha que não é verdade, é mentira, né? Aí quando a gente é contemplada e a gente fica acreditando, vale ou será que foi eu mesma? Às vezes, a gente acaba pensando que é mentira, né?
(00:46:29)
P/1 - E uma curiosidade que eu queria saber. Lá no salão, você ouve de tudo? Ouve muita fofoca ou não tem?
R - Não, assim, às vezes, aparece. Só que quando eu sei que é isso daí, eu fico só na minha. Só escuto. Eu fico escutando porque eu não gosto muito de estar falando essas coisas assim. Eu fico só na minha. Às vezes, a pessoa fica falando e eu fico calada. Mas eu não gosto muito desses negócios de fofoquinha, não.
(00:47:03)
P/1 - E como é que era? Teve algum momento muito marcante? Alguma pessoa que você tenha cuidado no seu trabalho? Alguma cliente que tenha sido marcante por algum motivo? Pode ser uma unha que você fez para um casamento? Alguma coisa que tenha sido marcante para você nessa trajetória?
R - Bem, eu já fiz alguns cabelos de cliente já que iam se casar, né? Inclusive tinha uma senhora que ela era minha cliente, ela já faleceu já. Ela gostava muito quando tinha assim casamento, que a família dela não é daqui, a família dela era de Camusim, que é aqui do Ceará também. Era sempre no final de semana que ela ia viajar. Sempre tinha um casamento pra ela ir. Aí ela tinha que vir arrumar os cabelos. Sempre ela tinha que vir arrumar os cabelos. Aí quando foi uma época... um período de casamento que teve. Lá, sempre ela ia pra esses casamentos que tinha lá. E toda vida ela ia com os cabelos arrumados e cortados. E o mesmo modelinho e a mesma coisinha do cabelo. Aí ela disse assim... Mulher, toda vida que eu vou para os casamentos, que eu vou para as festas, eu só vou com esse modelo de cabelo e com essa cor, porque eu só gosto dessa cor. Mas eu fiz outro e não gostei, voltei para a mesma cor. Por isso que eu só venho fazer aqui, porque eu só gosto desse modelo. Aí assim a gente fica muito gratificante para os elogios que as clientes dão, porque elas ficam gostando do trabalho da gente, é muito bom.
(00:48:52)
P/1 - E me conta, o que mudou na sua vida depois do programa do Mulheres do Nosso Bairro? Se você for pensar assim, depois de ter participado, alguma coisa mudou? E se mudou, o que foi?
R - Ah mulher, mudou um pouco a respeito dos meus produtos. Eu comprei alguns produtos para fazer os cabelos das minhas clientes. Eu comprei muito com as promoções boas, porque quando a gente tem um dinheirinho bom, a gente compra muita coisa boa, porque a gente pega umas promoções, aí a gente já investe no salão da gente, nas coisas, né? Aí eu já tinha um estoque bom de produtos que eu comprei, né? E é muito bom.
P/1 - E isso fideliza as pessoas, né?
R - É. E os produtos bons que a gente compra só do representante, né?
P/1 - Por exemplo, tonalidade de cabelo, para pintar o cabelo.
R - Para escova orgânica, inteligente, produto de Botox. É muito bom.
(00:50:07)
P/1 - E você faz tudo isso?
R - Faço, faço tudo isso.
(00:50:12)
P/1 - E me conta, se você pudesse resumir a sua participação, pensando na sua trajetória no Mulheres do Nosso Bairro, esses meses que você fez as aulas, esse medo da época de se inscrever, que se transformou numa felicidade, depois você foi contemplada e depois esse curso. Se você pudesse resumir numa palavra esse momento, qual seria essa palavra?
R - Mulher, eu oriento as pessoas que têm medo de se inscrever. Eu digo para elas que podem se inscrever, porque quando a gente pensa que é mentira, não é. É realidade mesmo, porque em outra oportunidade eu vou me inscrever de novo, porque é muito bom o projeto. Ajuda bastante a gente.
(00:51:06)
P/1 - E na maneira que você vê o seu negócio, o seu trabalho, mudou alguma coisa depois das aulas?
R - Mudou, porque a gente não tinha muita orientação, eu não tinha muita orientação, só as vezes que eu estudava um pouco, aí eu tirava alguma dúvida, porque eu ainda faço curso, sempre eu faço alguns cursinhos de um dia. Que é o curso de aperfeiçoamento. E não dá praticamente para a gente aprender nada, né? Que é só um dia. Porque a gente já tem o curso completo, aí o de aperfeiçoamento é só um ano. Mas assim, é muito bom. Vale a pena.
(00:51:52)
P/1 - Me conta como é que começou essa história com bicicleta?
R - Com bicicleta? Mulher.... É muito bom a gente pedalar, mulher. Bicicleta, ele estimula muita gente. Em primeiro lugar, a saúde da gente, né? É muito bom. A gente faz aquelas corridas de bicicleta, já que também tira o estresse do dia a dia, né? Porque de tanto você trabalhar muito, você acaba ficando estressada. E os pedalagens de bicicleta é muito bom.
P/1 - E como é que começou isso? Quando que você começou a pedalar, a ser ciclista, assim, de percorrer distâncias longas?
R – Mulher, tá com 5 anos que eu pedalo, porque aqui no Trairi é um grupo de ciclistas. Aí a gente vai para outros cantos de bicicleta. Aí eu me engajei com a equipe deles, aí sempre a gente viaja. A gente vai até em Guaramiranga, a gente vai para a serra, só que a gente leva as bicicletas em outro carro, tá entendendo? A gente só leva as bicicletas pra pedalar lá, na serra. Não é só na serra não, tem em vários cantos também.
P/1 - E teve algum dia que foi especial?
R - Teve assim, um dia que a gente foi, né? Pedalar na serra, que é totalmente diferente daqui do sertão. Muito gelado, né? Muito frio, foi muito bom. Um passeio que a gente fez pra Guaramiranga.
P/1 - Onde que fica?
R - A Guaramiranga fica depois de Fortaleza. É na serra.
P/1 - E daí lá é mais gelado? É diferente?
R - Lá é frio, lá é muito frio.
P/1 - E como é que foi essa experiência?
R - Assim, foi muito bonita lá, é tão lindo, gelado. Gelado, o percurso lá, o percurso lá foi muito bom, assim, foi um 30 km bem sofrido, porque lá O passeio de lá não é igual o daqui, porque o daqui é reto, o de lá é inclinado, sei lá como é que é, porque Serra não é igual Sertão, né? É diferente. Eu nunca tinha ido, foi muito legal lá o passeio, gostei muito.
(00:54:23)
P/1 - Pensando na sua trajetória como empreendedora, o que que... E qual que foi o principal desafio da sua carreira, da sua trajetória como empreendedora?
R - O meu principal desafio foi no período que eu fui fazer o meu curso lá em Fortaleza. Eu tinha muita vontade, o meu maior sonho era fazer o meu curso. Na época, eu também não tinha dinheiro suficiente para me pagar. Aí eu fui, no dia que eu fui, eu não tinha o dinheiro da passagem, de pagar a passagem. Aí eu acho assim, que foi muito desafiador pra mim, porque eu fiz a minha inscrição do meu curso e no dia da minha primeira aula eu não tenho o dinheiro da passagem. Aí, é muito constrangedor, assim, pra gente, né? Que a gente tenha aquele sonho, aquela vontade. E fui, foi que eu não tinha o dia da passagem. Eu paguei na semana seguinte, porque no dia que eu fui, eu fui com um rapaz que faz frete daqui de Trairi. A passagem de ida e de volta eu paguei com a semana depois. Aí, o dinheiro que eu tinha só deu pra me lanchar no dia do meu curso e da primeira aula.
P/1 - Que bonito isso, porque de uma certa forma é uma inspiração a correr atrás dos sonhos, né?
R - É verdade.
(00:55:56)
P/1 - E qual que foi o maior aprendizado da sua trajetória como empreendedora?
R - O maior aprendizado foi assim, eu aprendendo assim no dia a dia, às vezes, tem tanta dificuldade, na vida da gente, ter os filhos da gente, que, às vezes, a gente fica doente. E aí a minha trajetória é assim, essa do dia a dia, porque ser mãe, ser empreendedora é muito difícil, porque a gente vai trabalhar, o filho da gente fica sozinho e tem que vir almoçar, fazer o almoço e é assim, a corrida, o dia é corrido, viu? Além de estar trabalhando, ainda tem que tomar conta de casa, de filho, fazer almoço é muito difícil.
(00:56:52)
P/1 - E você estava contando que você criou seus filhos basicamente com esse trabalho. Como é que foi isso? O seu trabalho permitiu você dar uma educação, criar eles?
R - Era assim, porque a maioria das vezes eu tinha que ir trabalhar para conseguir conquistar o dinheiro para me comprar as coisas. para a gente se alimentar na semana, no dia a dia. Aí tinha um horário de trabalho que eu tinha que ir trabalhar e eles ficavam no colégio. Mas aí, quando era no outro trabalho, no outro horário, eles tinham que ficar em casa e eu tinha que trabalhar, porque eu não podia ficar em casa para cuidar deles, então, nesse caso, eu tinha que deixar a minha vizinha olhando eles, né? Era que era para mim trabalhar, para mim... juntar aquele dinheiro para comprar a alimentação da semana. E é muito difícil, né? Principalmente aqui no interior. É muito difícil. E quando a gente também mora sozinha, né? Quando a gente não tem outra pessoa pra ajudar a gente.
(00:58:07)
P/1 - E você se considera uma mulher empreendedora?
R - Sim, eu me considero porque eu sou uma pessoa que batalha pelas coisas, né? Pelo... o meu... no meu trabalho, fico trabalhando e assim.
(00:58:25)
P/1 - E me conta, o que você gosta de fazer no seu dia-a-dia quando você não está trabalhando?
R – Mulher, é tanta coisa que eu gosto de fazer no dia a dia. É porque eu gosto de andar de bicicleta, eu gosto de fazer... É porque eu faço... Eu treino, eu vou pra academia e eu corro também, eu sou atleta. Eu gosto dessas coisas, de fazer isso aí.
P/1 - E é importante pra você? Os esportes e a saúde, né?
R - É muito bom, é muito gratificante a gente praticar exercício físico, né?
(00:59:04)
P/1 - O que você mais gosta, o que é mais importante pra você na sua vida hoje?
R - Hoje o mais importante é a saúde da gente em primeiro lugar, a família da gente. E aquele lá de cima que sempre ajuda a gente na correria, nas batalhas do dia a dia.
(00:59:26)
P/1 - Você estava contando que você é católica. Eu queria saber se você é devota de algum santo.
R - Ah sim, eu sou devota de Nossa Senhora de Pátria. Sempre dos dias 13, que é o dia dela. Sempre eu entendo por ela, para ajudar a nossa família e os meus clientes.
(00:59:52)
P/1 - Eu vou repetir a pergunta que você estava me contando antes, que faz um ano que o seu pai faleceu e também sua mãe faz um pouquinho mais de tempo, 9 anos, mas eu queria saber como que foi esse momento para você.
R - A morte do nosso pai, né? Foi assim, porque meu pai já tinha 92 anos, aí ele fazia um acompanhamento lá em Fortaleza, no Hospital São Camilo, que ele tinha um problema de próstata. Aí deu uma infecção na próstata dele, aí ele já estava com dois anos, que ele fazia acompanhamento de dois em dois meses. E aí toda semana foi o período que ele começou a usar a sonda. Aí ele tomava bastante medicamento porque ele também ficou tipo com Alzheimer, início de Alzheimer, ele ficou agitado devido à sonda, que ele não tinha costume de usar sonda. Aí foi, né, já estava com dois anos e dois meses que a minha irmã ficava com ele, né, assim, porque o meu pai era muito alto, ele era pesado também. E a minha irmã é bem magrinha, pouquinha. Ela já estava muito cansada, já estava com dois anos e dois meses. E a gente vinha aqui cuidando dele, tinha que levar toda semana para o hospital para trocar a sonda. É assim, que o pai da gente já tinha 92 anos. A gente não quer que ninguém da família da gente morra, né? Mas fazer o quê? Porque ele estava já muito cansadinho. Quando ele faleceu, eu passei a noite com ele no hospital. Quando eu cheguei em casa, que a minha outra irmã foi para ficar com ele, só deu tempo e eu vim para casa. Ele faleceu, mas sempre quem ficava com ele diariamente era a minha outra irmã. Mas quando era para ir para os hospitais, a gente tinha que estar acompanhando, né? Aí foi assim, foi um choque muito grande, mas a gente tem que se conformar. Porque o pai da gente já estava numa idade, e ele não ia ficar mais bom, né? A gente tem que se conformar também, porque a mãe da gente já estava com 9 anos, que tinha falecido. Aí a gente já, a gente, assim, lembra da mãe da gente, a gente nunca esquece, né? Mas ainda bem que foi muito distante, de um falecimento de um para o outro. Deu para recuperar sim, mas é muito difícil quando a gente perde a mãe e o pai da gente, é muito complicado. Mas, graças a Deus, está tudo bem, já melhorou muito. Deus dá o conforto a cada um da família.
(01:02:48)
P/1 - E nesse momento, antes de você ter sido, só retomando, que eu acho interessante perguntar porque você trabalha com público, como é que foi a época da Covid-19 para você? O que aconteceu na sua vida, com o seu trabalho?
R - Na época da Covid foi muito ruim. Aqui na nossa cidade os comércios foram todos fechados, menos farmácia e supermercado. Mas os outros comércios foram todos fechados. Não poderia abrir, a gente teve que se afastar de tudo. Foi fechado praticamente tudo, só que não podia fechar os supermercados e as farmácias, né? Que tinha que comprar o medicamento e no supermercado tinha que comprar a alimentação. E assim aí, a gente perdeu muito... Algumas pessoas da nossa família, eu perdi meus tios, né? Perdi uma tia também. E foi muito difícil na época da Covid aqui pra gente.
(01:03:58)
P/1 - E para o trabalho também, como é que foi?
R - O trabalho também foi muito ruim, porque passar três meses sem você trabalhar é muito difícil. Assim, na questão da alimentação, né? Porque você tem que tirar de onde que você não tá ganhando. Então, o pouco que você tinha guardado, Você teve que gastar na época, né? Porque a gente passou três meses sem trabalhar. Aí quando retornamos, no quarto mês, foi muito fraco, muito difícil. Foi melhorando depois do sexto mês da Covid aqui. Foi se adaptando mais, todo mundo era receioso, todo mundo não queria ficar perto de ninguém, era todo mundo com medo. E foi desse jeito, muito difícil. Até hoje o pessoal ainda tem receio ainda, algumas pessoas, entre aspas. Porque quando eu atendo alguns clientes, tem cliente que ainda pede pra me colocar a máscara. Mas eu coloco, as vezes eu coloco. Tem o procedimento químico que eu coloco toda vida. Mas vai indo assim, né? Graças a Deus que já passou, graças a Deus.
(01:05:20)
P/1 - Como é a relação com seus irmãos hoje?
R - Assim, o meu irmão é porque a maioria deles não mora aqui, né? Só mora aqui a minha irmã e tem outro irmão que mora ali na outra rua e tem outra irmã que mora aqui. Aqui mesmo só mora cinco irmãos, os outros moram tudo fora. Mora uma irmã que mora no Rio de Janeiro, mora uma irmã minha em Fortaleza, mora dois irmãos meus em Fortaleza, mora um irmão em São Paulo. Mas é muito legal a nossa convivência.
(01:05:54)
P/1 - Em algum momento vocês se encontram?
R - É praticamente assim quando a gente se encontrava todo mundo, quando era dia das mães, dia dos pais. Aí agora é difícil, vem um no feriado, aí vem um no outro feriado e é assim. Mas quase todo dia a gente se comunica, graças a Deus.
(01:06:12)
P/1 - E você tem sonhos?
R - É assim, eu tenho assim, não é realmente um sonho, né? É uma vontade de viajar pra trabalhar fora. Tô querendo, não sei se vai dar certo. Fora do Brasil? Passar uns três dias, uns três anos. Não, é aqui mesmo, aqui mesmo no Brasil. Tô com vontade, não sei se vai dar certo. Quem sabe, né, se dá certo.
(01:06:45)
P/1 - E tem alguma coisa que eu não te perguntei? Alguma memória ou alguma mensagem que você queira passar? Qualquer, assim, uma memória que eu não tenha te perguntado ou uma mensagem que você quiser passar?
R - Como assim?
(01:07:02)
P/1 - Por exemplo, a gente está chegando no final da entrevista, essa é a penúltima pergunta, aí eu sempre pergunto se a pessoa, se eu não fiz alguma pergunta que você queira contar alguma coisa para deixar registrado, ou se eu perguntei tudo e você acha que você contou tudo, tudo bem, mas aí eu pediria para você deixar uma mensagem para outras mulheres que vão conhecer sua história, que podem se inspirar pela sua história.
R - Eu quero só agradecer por esse projeto. Foi muito gratificante na minha vida. E todas as mulheres, se elas quiserem se inscrever, que se inscrevam, que é muito legal e interessante. Ele aumenta bem a renda da gente, é muito bom.
(01:07:57)
P/1 - Como foi contar essa história hoje para o Museu da Pessoa? O que você achou?
R - Foi bem legal, assim, a maneira de estar aqui nesse espaço que não é muito profissional, né? Nessa parte aqui muito ventilada. Muito bom.
P/1 - Você gostou?
R - Gostei.
(01:08:24)
P/1 - Então, Netinha, em nome do Museu da Pessoa, em nome do Saulo, em meu nome, em nome do Gabriel também, a gente agradece. E muito obrigada por poder compartilhar um pouco da sua história com a gente. É um momento sempre muito especial poder conhecer mais sobre vocês, ouvir a sua história. Muito obrigada.
R - Eu que agradeço o carinho de vocês. Muito obrigada.
P/1 - Obrigada.
[Fim da Entrevista]
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