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Era uma menina gentil, às vezes ligeiramente travessa, mas tinha fama de má. Brincava de coisas pouco convencionais para sua idade. Bonecas? Não as apreciava muito, ao menos era isso que sua mãe e irmãs mais velhas repetiam incessantemente. Relatavam inclusive que atirava as pobres criaturas de destino infeliz contra as paredes do quarto. Tinha divertimentos um tanto quanto excêntricos. Corria atrás de suas irmãs com pés de galinha de verdade, que a mãe acabara de cortá-los para fazer uma saborosa canja. Também gostava de brincar de luta e enamorava-se de personagens considerados esquisitos pela família: Kung Fu, Sakarikoga (pura ficção de um tio que conhecia seu gosto pelos orientais) e outros mais.

Certa vez, pronta para a aula de balé aguardava a hora de saírem, com sua bolsa preparada de acessórios, entre eles um espelho. Estava a implicar com as “frágeis” irmãs e eis que bate a bolsa várias vezes no bumbum da mais velha. Sem saber o espelho se quebra e quando arremessa a bolsa na outra irmã algo inesperado e desesperador acontece.

Em mais um capítulo de suas brincadeiras de mau gosto cortou profundamente a perna de sua irmã do meio, que urrava de dor e desespero ao ver um mar de sangue se formando diante dela.

Gritos, lágrimas, toalha para estancar o sangue e tentativas de localizar o pai, que encontrava-se trabalhando sem endereço fixo, para socorrê-las (todas precisavam de auxílio porque estavam histéricas) até um hospital público.

Foi assim que sua mente processou aquela tarde fatídica e digna de ser removida de seus pensamentos, ficou várias semanas consumida pelas cenas na emergência do hospital e pela cicatriz volumosa e medonha na perna da irmã que a acompanhou por toda a existência.

Anestesia que não fez efeito, pontos a sangue frio, injeção anti-tetânica. Ela chegou a assistir a tudo e pensou se era uma forma exemplar de puni-la sobre o ocorrido.

Na saída do hospital mais uma ocorrência pitoresca no...

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