Ana Carin Romann, Canoas, nasci no dia dois de abril de 1970.
Eu ingressei na Petrobras no dia 19 de maio de 1997, pela empresa Acadef – Associação Canoense de Deficientes Físicos – na área de Pessoa Portadora de Deficiência Física, onde a Refap tem um convênio com essa empresa. Eu ingressei na área de infra-estrutura.
Atualmente eu trabalho na sala de cálculos de logística, onde se controla a movimentação de produto, o que é vendido. A minha área é a parte de vendas. A sala de cálculo em si controla tudo o que é produzido, tudo o que a Refinaria recebe de petróleo e o que ela envia. Enfim todos os produtos que a Refap trabalha. É uma área bem dinâmica, é bem emocionante, porque aí tu conheces a estrutura toda da refinaria. Até 2001, eu trabalhava na área praticamente administrativa do setor de infra-estrutura. Depois eu passei para área de logística. Aí sim, eu fui conhecer o que era a Refap.
Trabalhamos com clientes, trocando informação com o que a Refinaria envia. Por exemplo, gasolina: temos a venda e a gente troca com determinada companhia. A gente vendeu gasolina para a Ypiranga, então, contabilizamos o que nós enviamos para a companhia e lá eles também fazem a conferência deles. Fazemos essa troca todos os dias. Trabalho com toda a movimentação de produto. É emocionante, é bem diferente. Anteriormente, eu trabalhava envolvida com pessoas, na parte de serviços. Quando eu comecei, vi o que precisávamos fazer para que a refinaria não parasse. Exemplo: transporte, alimentação, enfim, a infra-estrutura da refinaria. Hoje, eu sei o que a Refinaria faz, o que ela produz, e que a coisa é bem mais dinâmica na área industrial. Tu conheces o que a refinaria produz, o que ela vende, o que é uma refinaria em si.
Quando eu entrei, eu imaginava uma coisa, mas evoluiu. Naerde, eu fui conhecendo a Refinaria. Eu fui aprendendo a trabalhar junto com ela. Ingressou toda uma política de segurança, a gente teve uma noção...
Continuar leituraAna Carin Romann, Canoas, nasci no dia dois de abril de 1970.
Eu ingressei na Petrobras no dia 19 de maio de 1997, pela empresa Acadef – Associação Canoense de Deficientes Físicos – na área de Pessoa Portadora de Deficiência Física, onde a Refap tem um convênio com essa empresa. Eu ingressei na área de infra-estrutura.
Atualmente eu trabalho na sala de cálculos de logística, onde se controla a movimentação de produto, o que é vendido. A minha área é a parte de vendas. A sala de cálculo em si controla tudo o que é produzido, tudo o que a Refinaria recebe de petróleo e o que ela envia. Enfim todos os produtos que a Refap trabalha. É uma área bem dinâmica, é bem emocionante, porque aí tu conheces a estrutura toda da refinaria. Até 2001, eu trabalhava na área praticamente administrativa do setor de infra-estrutura. Depois eu passei para área de logística. Aí sim, eu fui conhecer o que era a Refap.
Trabalhamos com clientes, trocando informação com o que a Refinaria envia. Por exemplo, gasolina: temos a venda e a gente troca com determinada companhia. A gente vendeu gasolina para a Ypiranga, então, contabilizamos o que nós enviamos para a companhia e lá eles também fazem a conferência deles. Fazemos essa troca todos os dias. Trabalho com toda a movimentação de produto. É emocionante, é bem diferente. Anteriormente, eu trabalhava envolvida com pessoas, na parte de serviços. Quando eu comecei, vi o que precisávamos fazer para que a refinaria não parasse. Exemplo: transporte, alimentação, enfim, a infra-estrutura da refinaria. Hoje, eu sei o que a Refinaria faz, o que ela produz, e que a coisa é bem mais dinâmica na área industrial. Tu conheces o que a refinaria produz, o que ela vende, o que é uma refinaria em si.
Quando eu entrei, eu imaginava uma coisa, mas evoluiu. Naerde, eu fui conhecendo a Refinaria. Eu fui aprendendo a trabalhar junto com ela. Ingressou toda uma política de segurança, a gente teve uma noção do por que dessa política de segurança. Logo que eu iniciei na logística, em 2001, vendíamos “x”, hoje trabalhamos com um número maior. Então não pára; cada dia que passa há um crescimento. Eu acompanhei isso mais de perto de 2000 a 2002 mais ou menos, foi bem a evolução da parte de segurança. Estava no teu sangue, tu respiravas... Teve ISO, tu acabaste entrando, aprendendo e crescendo junto com toda essa evolução, buscando conhecimento e aprendendo um monte de coisa nova. Na verdade, a Política de Segurança da Refap inclui o meio-ambiente, as pessoas com relação à saúde e o bem estar delas. Está no teu sangue, tu respiras isso o dia todo.
A nossa contratação está incluída na parte de responsabilidade social, a parte de trabalho para pessoas portadoras de deficiência física, a parte ambiental, que a Refinaria também tem, junto com a Acadef. Então, todo esse trabalho de ação social também é repassado para a nossa empresa e a gente trabalha em conjunto.CONVÊNIO REFAP E ACADEF
A Acadef é uma associação. Quando eu iniciei na Acadef, a gente estava mais ligada à parte de contratação de pessoas, tentando colocar pessoas no mercado de trabalho. Tínhamos muito pouco conhecimento de política de segurança e era um trabalho mais voltado a colocar um portador de deficiência física no mercado de trabalho. Crescemos junto com a Refap porque começaram com uma, duas, três pessoas e foi evoluindo, o quadro foi crescendo. Quando colocaram a primeira pessoa deu resultado; foram aparecendo outros postos, outras oportunidades. O pessoal que estava chegando cresceu e aprendeu a ter uma profissão aqui dentro. Muitas vezes aprendeu a ter uma oportunidade de trabalho aqui. No meu caso também. Eu entrei mais ou menos no tempo em que a Acadef conseguiu o contrato aqui. A Acadef tem mais ou menos 11 anos de serviço e eu tenho 10. Quando eu entrei, tinha mais duas pessoas que estão hoje aqui também; a gente entrou junto. A gente praticamente abraçou a oportunidade e tentou buscar. Não é fácil. Também não sabíamos se iríamos conseguir atingir os objetivos da Refap, porque aqui eu sou prestadora de serviço, tu tens que apresentar resultados também. Até eu, quando entrei, não sabia que era capaz.
Eu entrei na Acadef para trabalhar na Refap. Eu não era portadora de deficiência física até então. Eu sofri um acidente e, logo depois desse acidente, mudou a minha condição de vida. Eu precisava trabalhar e precisava voltar. Para mim, a oportunidade de emprego foi uma fisioterapia. Eu voltei a andar, depois do meu acidente, consegui uma vaga aqui na Refinaria, estava junto com a fisioterapia, tentando me adaptar ao mercado de trabalho novamente e a Refap me deu a oportunidade. A partir daí eu cresci. Às vezes eu brinco que aqui também é a minha fisioterapia, porque tendo condições e as pessoas confiando no teu trabalho, tu sabes do que és capaz. É uma história de vida bem legal. Quando às vezes me questionam: “Tu queres dar algum depoimento?” Eu digo: “Claro que eu tenho que dar, porque aqui é a minha história de vida. É como se eu nascesse de novo com relação à parte profissional aqui dentro”. Aqui eu descobri várias coisas, assim como outras pessoas. Até então, eu representava a Acadef aqui dentro e era uma vitória cada vez que a gente conseguia um resultado positivo, que conseguia colocar mais uma pessoa para trabalhar. Abria um posto de trabalho e a gente conseguia trazer mais uma pessoa portadora para dentro da Refinaria. Conseguia também fazer com que ela se sentisse pessoa, que ela conseguisse buscar o seu caminho e se realizar profissionalmente. Eu até me emociono muito porque foi difícil e, nesse meio tempo, eu descobri pessoas e parcerias que me proporcionaram muita coisa. A minha história está ligada à Petrobras, à Refap, por muitos outros motivos. Aqui eu tive a oportunidade de trabalho, tive reconhecimento profissional. Hoje, além de ter tudo isso, eu consigo compartilhar com outras pessoas – tanto funcionários próprios como contratados – tudo aquilo que eu tive oportunidade de aprender. Então, é bem bacana, eu me sinto feliz, me sinto realizada trabalhando aqui. Foi bem complicado, não tem como falar disso e não se emocionar, só quem passa, quem vivencia uma experiência assim. Até então, tu tinhas uma mentalidade, tu tinhas uma cabeça, aí, por uma fatalidade, tu mudas toda a tua estrutura e tens que recomeçar, na verdade a cada ano. E pela confiança, pela tua honestidade, tu acabas conquistando muita coisa e encontrando pessoas aqui dentro que valorizam teu trabalho e que te apóiam, dão oportunidades e tu segues o caminho. Quando eu entrei na Refap, em 1997, eu estava aprendendo a andar. Foi bem complicado. Eu fui a primeira pessoa portadora de deficiência física com auxílio de equipamento, no caso, uma muleta. Até então, era uma realidade diferente também, porque a gente vive num país onde a estética fala muito. Então, a primeira imagem que tu passas não é uma imagem legal, não é uma imagem positiva, porque a maioria das pessoas, no conceito delas “anda com muletas, é doente”. Então, tu tinhas que provar para ti mesmo e para as pessoas que tu tinhas condições de batalhar, trabalhar, de mostrar o teu trabalho como qualquer outra pessoa. Em 1997, a mentalidade das pessoas era uma. Com o nosso trabalho aqui dentro, eles foram aprendendo a conhecer e nós também fomos aprendendo a conhecer o mundo novamente. Eu tenho duas realidades: antes do acidente, quando era uma pessoa normal, via a vida de uma maneira e depois do acidente quando mudou tudo na minha vida, eu tive que começar do zero. É bem complicado começar do nada e também sem saber que tu és capaz, de como vais fazer. Quando eu entrei na Refap, eu não sabia nada, não sabia nem ligar o micro, mas tive que aprender. Eu fui buscar recursos. Nessa luta de tentar voltar a ser o mais próximo da tua realidade, eu aprendi que, embora não tivesse a mobilidade física, eu era uma pessoa inteligente. Mas tive que buscar meios e aprender sempre mais. Então, como eu não tenho o movimento normal das pessoas, de locomoção, de dirigir, eu tive que mostrar que eu era capaz, que eu podia aprender, que podia fazer uma atividade – mesmo que eu tivesse que me adaptar novamente. A realidade era diferente, a cabeça era uma, mas a parte física outra. Tinha que tentar conciliar o mais próximo da realidade.
Nesse período que eu entrei na refinaria, Nossa Senhora. Só somei, só somei. Aprendi a parte financeira, tive oportunidade de conhecer o SAP, muitas vezes a gente não tinha como fazer todos os cursos porque era direcionado para um determinado número de pessoas, mas tu tinhas acesso ao sistema. Aprendi muita coisa mexendo, trabalhando, buscando informação, ligando para outras pessoas, até mesmo ligando para outras refinarias quando tinha dúvida. Hoje, como falei anteriormente, eu consigo passar tudo o que aprendi até para outras pessoas. Eu consigo compartilhar com outras pessoas as minhas vitórias, as minhas conquistas. Eu não tenho nem palavras, porque aqui eu aprendi muita coisa. Acho que se me perguntassem: “Valeu a pena?”, eu diria: “Valeu, começaria tudo de novo”. Hoje, a minha meta é toda vez que entra uma pessoa portadora de deficiência física, ou um novo funcionário, um estagiário, um novo contratado, é de deixá-lo mais tranqüilo possível, para que ele possa aproveitar toda a oportunidade que eu tive. Eu adoro compartilhar aquilo que eu aprendi e adoro mostrar para as pessoas que quando se tem vontade, a gente consegue. É bacana, é legal E a Acadef cresceu. Desde que entrei para trabalhar no setor de infra-estrutura, na área de transporte, ela só cresceu. Então, a minha recuperação motora, a recuperação da saúde foi na mesma escala que a minha ascensão profissional. Hoje eu sei um monte de coisas. Com certeza, se eu dissesse: “Hoje eu estou saindo da Petrobras”, eu sairia com uma bagagem muito grande tanto profissional quanto de relacionamentos com pessoas. Se dissesse: “Hoje é meu último dia aqui”, com certeza, eu sairia realizada. Às vezes eu me pergunto: começaria de novo? Começaria tudo de novo. E com auto-confiança para poder seguir carreira. Comparando 1997 com o que eu sou hoje, nem eu acredito que eu fui capaz de tanta coisa, de conquistar, profissional, de aprender, de mostrar para mim que podia, que era capaz, que não é difícil, que a gente sonha e isso pode se tornar uma realidade. E, nossa, tem muita coisa legal em relação à parte profissional, à parte de contato pessoal, das pessoas que te valorizam, que te admiram pela força de vontade, pela determinação. Eu acho que são três coisas fundamentais: honestidade, determinação e confiança de saber que tu podes.
Como temos um programa de segurança dentro da Refinaria, a nossa empresa – a Acadef – aprendeu junto com a Refap a cuidar do meio ambiente, a cuidar das pessoas, a ter um programa de segurança. Eu fazia parte da supervisão e quando entrou a política de segurança da Refinaria e houve a certificação de ISO e tal, as empresas conveniadas também tiveram que se adequar às noções de segurança. Cada empresa tem que ter o seu plano de segurança. Como a Acadef era uma associação, nós aprendíamos aqui toda a estrutura de segurança, como funcionava. E, na minha figura, como supervisora do grupo, levei as noções até a nossa empresa. Através da Refinaria, a gente criou o Programa de Segurança da Acadef, para adequar as pessoas portadoras de deficiência física aqui dentro, e que elas pudessem também trabalhar com segurança, com saúde e com a preocupação ambiental também. Uma das coisas que eu destaco hoje, em qualquer reunião na empresa, até para o nosso gerente de contrato, é que a Acadef aprendeu junto com a Refinaria. A gente teve meios de acompanhar todo o crescimento, toda a evolução de segurança na Refinaria e levar isso para a nossa empresa. Então, hoje a gente tem um programa de segurança, baseada na estrutura que a Refinaria nos proporcionou. Eu levei para a nossa empresa, criei, porque até então não tínhamos conhecimento por ser uma associação. Na época, tínhamos poucos funcionários. Hoje, eu não tenho o número exato de funcionários, mas a Acadef trabalha muito com convênios. Temos convênio com a Petrobras, com o Inmetro, com o Correio. Então, a gente levou isso para a nossa sede e expandiu para as outras prestadoras de serviço. Isso foi muito bacana, muito gratificante. A partir daí, eu conheci mais a Refinaria e a Refinaria me conheceu mais. Através da política de segurança, como não tínhamos essa estrutura, a gente coordenou, planejou. Eu levei e trouxe um programa de segurança da Acadef para apresentar na Refap. Então, crescemos juntos e aprendemos com a Refinaria toda a parte de segurança. Hoje, é uma outra pessoa que faz essa parte. Como eu fui para a logística, não tive como conciliar o tempo, então tem outro colega que faz essa manutenção do nosso Programa de Segurança. Quando tem uma emergência na Refinaria, tem um plano de como que as pessoas sairiam com segurança daqui, como elas iam se deslocar até um ponto de reunião mais seguro e tal. Tudo isso eu aprendi aqui, junto com a nossa empresa e em parceria com a Refinaria. Hoje a Acadef tem um programa bacana, tem um trabalho legal. Ela tinha coisas separadas, mas não tinha uma estrutura formada. Então, nós agregamos um monte de coisas daqui, aprendemos e expandimos lá fora. Hoje a gente traz aqui para mostrar o resultado. Isso também é muito bacana. Eu digo sempre assim: vamos juntando pedaços da nossa história. A nossa primeira parceria fechada foi com a Petrobras. Através disso cresceu, expandiu. É bacana reconhecer que a gente teve a oportunidade, que soube aproveitar e está sendo utilizada por muitas outras pessoas. Isso é gratificante O número de pessoas que já passaram pela Refinaria que a gente treinou e qualificou – eu falo a gente porque era eu, como supervisora, e outras pessoas; sozinho a gente não vai a lugar nenhum –, todas as pessoas juntas conseguiram chegar ao seu objetivo. Muitas delas já saíram, estão trabalhando em outros locais e também aprenderam muito, tiveram essa oportunidade. Muitas pessoas passaram e espero que muitas outras tenham a oportunidade que todos nós tivemos aqui. É um resultado bem positivo de uma história de 10 anos, no meu caso, e da Acadef, uns 11, 12 anos que está aqui dentro. Crescemos juntos.
Quando eu falo isso, me vem toda essa história, e na verdade, todo mundo diz: “Ah, é exagero” Mas passar tudo o que a gente passou, de tentar ser colocado no mercado de trabalho e levando muitos “nãos” até o dia que se consegue um sim, através da parceria com a Petrobras... Se eu falar com palavras você não vai ter noção do que aquilo significou para cada um de nós. Hoje, nós somos 12, 13 pessoas trabalhando aqui. Temos essa oportunidade e não existem palavras para descrever o que significa para mim. Como eu digo sempre: “Aqui é minha casa”. Eu me sinto à vontade, porque eu tive a oportunidade. É como se fosse a minha segunda casa, eu não me imagino sem isso. Hoje me sinto realizada profissionalmente, me sinto feliz por trabalhar, me sinto feliz pela oportunidade. É indescritível. Não sei te responder assim com palavras. Parece que eu nasci há 10 anos atrás e eu tenho 10 anos hoje, é como se eu tivesse uma nova visão de mundo. É diferente. Para algumas pessoas pode ser exagero, mas para quem vivencia isso todos os dias e para quem volta lá para 1997, é como se fosse a tua vida... Eu aprendi a andar de novo aqui dentro, nos dois sentidos, de ter oportunidade e de conseguir crescer, porque isso aqui é uma fisioterapia forçada.
Muito bacana, porque é uma forma de deixar registrado aquilo que tu vivenciaste e aquilo que tu aprendeste.
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