P/1 – Vamos começar, Seu Rubens, quero saber, pra iniciar, qual o seu come completo, o local e a data do seu nascimento?
R – Meu nome completo é Rubens Almeida de Barros, o local de nascimento é Belo Horizonte, Minas Gerais, data de nascimento é 21 de setembro de 1947.
P/1 – Qual o nome dos seus pais?
R – Geraldo Antonio de Barros e, minha mãe, Maria Clementina de Almeida, ambos já falecidos.
P/1 – E como era o bairro aonde o senhor morava quando nasceu? O senhor lembra da casa aonde o senhor morava?
R – Sim, com certeza, a minha memória... Eu, graças a Deus, eu me lembro quando eu mudei de uma casa e fui pra outra, eu tinha três anos de idade, e ainda me lembro, inclusive, das crianças que brincavam comigo. Eu nasci em um bairro lá em Belo Horizonte que se chama Santa Efigênia, fica próximo da Santa Casa, que por sinal eu fui funcionário dessa empresa, depois de adulto, é claro, e me mudei pra um bairro, que na verdade não era um bairro, era uma favela. Eu fui criado nesse local, e morar em favela não é vergonha pra ninguém, e se chama... Na época chamava Vila dos Marmiteiros, depois mudou o nome pra Vila São Vicente, e por sinal esse bairro foi desapropriado, sobraram poucas residências, a da minha família foi uma das poucas que sobrou, o bairro voltou a crescer, não tanto como antes, mas ainda existe, lá, o local; foi anexo ao bairro Padre Eustaquio.
P/1 – E como eram as brincadeiras na sua infância, nessa época?
R – Olha, as brincadeiras que a maioria hoje não faz, bolinha de gude, futebol, patinete, carrinho de rolimã, jogo de peteca, que mineiro gosta muito de jogo de peteca, eu também participei disso, cantiga de roda que a gente participava, e hoje a criançada não tem mais isso pra eles, ou pelo menos não se coloca em pratica.
P/1 – E quando o senhor veio pra São Paulo? Foi quando criança ou já mais velho?
R – Não, eu vim pra São Paulo já adulto, foi iniciativa minha, eu já estava...
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P/1 – Vamos começar, Seu Rubens, quero saber, pra iniciar, qual o seu come completo, o local e a data do seu nascimento?
R – Meu nome completo é Rubens Almeida de Barros, o local de nascimento é Belo Horizonte, Minas Gerais, data de nascimento é 21 de setembro de 1947.
P/1 – Qual o nome dos seus pais?
R – Geraldo Antonio de Barros e, minha mãe, Maria Clementina de Almeida, ambos já falecidos.
P/1 – E como era o bairro aonde o senhor morava quando nasceu? O senhor lembra da casa aonde o senhor morava?
R – Sim, com certeza, a minha memória... Eu, graças a Deus, eu me lembro quando eu mudei de uma casa e fui pra outra, eu tinha três anos de idade, e ainda me lembro, inclusive, das crianças que brincavam comigo. Eu nasci em um bairro lá em Belo Horizonte que se chama Santa Efigênia, fica próximo da Santa Casa, que por sinal eu fui funcionário dessa empresa, depois de adulto, é claro, e me mudei pra um bairro, que na verdade não era um bairro, era uma favela. Eu fui criado nesse local, e morar em favela não é vergonha pra ninguém, e se chama... Na época chamava Vila dos Marmiteiros, depois mudou o nome pra Vila São Vicente, e por sinal esse bairro foi desapropriado, sobraram poucas residências, a da minha família foi uma das poucas que sobrou, o bairro voltou a crescer, não tanto como antes, mas ainda existe, lá, o local; foi anexo ao bairro Padre Eustaquio.
P/1 – E como eram as brincadeiras na sua infância, nessa época?
R – Olha, as brincadeiras que a maioria hoje não faz, bolinha de gude, futebol, patinete, carrinho de rolimã, jogo de peteca, que mineiro gosta muito de jogo de peteca, eu também participei disso, cantiga de roda que a gente participava, e hoje a criançada não tem mais isso pra eles, ou pelo menos não se coloca em pratica.
P/1 – E quando o senhor veio pra São Paulo? Foi quando criança ou já mais velho?
R – Não, eu vim pra São Paulo já adulto, foi iniciativa minha, eu já estava empregado lá, e jovem deseja ganhar mais, em termos de salário. Eu também não sou diferente dos outros, achei que eu deveria ganhar mais, a empresa que eu trabalhava, que era a Santa Casa, não me deu oportunidade, eu me inscrevi aqui pro Hospital das Clinicas de São Paulo, já que a minha função é auxiliar de enfermagem. Na época só auxiliar de enfermagem, e hoje eu sou auxiliar de enfermagem aonde eu trabalho, que o curso eu fiz aqui, então eu escrevi pra empresa, a empresa me mandou uma correspondência, que na época o telefone era muito difícil. Então, me mandaram uma carta via Correios, graças a Deus, essa boa e ótima empresa que existe até hoje, e através dela, dessa carta do Correios , eu vim pra São Paulo, trabalhei no hospital por determinado tempo, fui pra outras empresas e graças a Deus to aqui em São Paulo e me considero um vencedor.
P/1 – Bacana. E qual foi a primeira impressão que o senhor teve de São Paulo quando chegou aqui?
R – Olha, eu tive boa impressão porque Belo Horizonte mesmo comparando com São Paulo hoje, não chega ao tamanho daqui, a começar pela população, lá não chega a três milhões de habitantes hoje, aqui são mais de dez milhões, então pra mim foi uma diferença muito grande, é uma cidade nova, não conhecia nada, não tinha amigos, não conhecia ninguém aqui, então pra mim, inicialmente, foi tudo estranho, e hoje eu amo essa cidade.
P/1 – E quando o senhor chegou aqui o senhor tinha família lá ainda, aí o senhor trocava muita correspondência com o pessoal de lá de Belo Horizonte?
R – Isso, eu tenho a minha família que mora lá até hoje, as correspondências nunca deixaram de existir, eu continuo escrevendo até hoje apesar de existir outros meios, telefone, etc. Mas eu sou fã da carta, tanto é que eu continuo comprando selo, envelope, etc. Tudor eferente aos Correios, não deixo de usar os Correios, sou um daqueles que realmente vai morrer usando os Correios. Tomara que essa empresa nunca deixe de existir. E outra coisa, os Correios também vendem cartão telefônico, eu compro nos Correios ao invés de comprar em outro local.
P/1 – Bacana. E como o senhor conheceu a sua esposa?
R – A minha esposa é ex uma colega de... Alias, ex não porque agora é minha esposa. Vamos dizer que seja ex porque eu conheci ela no meu local de trabalho, na empresa aonde eu trabalhava que era a Santa Casa de Misericórdia, em Belo Horizonte. Lá nós começamos a namorar, ficamos noivos, casamos lá e viemos pra cá, que é aonde nós fixamos a nossa residência.
P/1 – Bacana, Seu Rubens, tem alguma carta, em especial, ou alguma correspondência que impactou na sua vida?
R – Olha, as cartas, principalmente, eu escrevia muito pros meus irmãos antes de casar, pra minha esposa também, em especial pra ela eu escrevia muita correspondência porque a gente namorava e não tinha telefone. Eu sou daquela época que infelizmente o telefone era muito difícil, tinha assim, você via telefonista, acho que muita gente deve ter pego isso aqui ainda, pode ver nos orelhões até hoje, que ainda tem coisa pra usar o telefone via telefonista, mas hoje não precisa mais. Na época era muito difícil, tinha que pedir a ligação, esperar, ver que hora que iam ligar, então pra mim era difícil demais. Conclusão, os Correios eram a minha salvação, tanto pra mim como pra ela. E, foi através da correspondência que eu consegui namorar, falar das minhas vitorias, dos dissabores da vida que a gente sempre passa, e uma carta especial foi a que eu mandei pra ela falando... Ela queria muito casar, e eu também, era o pensamento de ambas as partes, e foi uma que eu mandei pra ela que dizia: “Marque a data do casamento no dia tal se for possível”. Então marcamos a data, e graças a Deus, depois de mais alguns dias eu casei, essa foi a coisa mais especial da minha vida, foi quando eu mandei pra ela avisando que eu queria casar, pra ela poder marcar a data.
P/1 – Legal, que bacana, Seu Rubens. E o que o senhor achou de contar a sua historia aqui pra gente?
R – Olha, contar a historia aqui pra vocês é muito bom. É excelente, e eu gostaria de dizer o seguinte, eu vim pra cá em 1972, essa cidade não era tão grande como é hoje, em termos de residências, tinha muito terreno vago, não tínhamos o metro. O metro foi inaugurado em 1974, muita gente que vai ouvir a entrevista talvez nem saiba disso, mas o metrô foi inaugurado em 1974, e a empresa que eu trabalhei, que era do Grupo Villares, to fazendo uma propaganda da empresa (risos), eu sou uma das pessoas que, indiretamente, participei da construção do metrô. Na empresa que eu trabalhei foi feita a caixa do motor, a parte de fora do motor dos trens do metrô foi feita nas empresas aonde eu trabalhava. Se vocês observarem na linha do metrô, inclusive vocês comprovam isso, olhem na linha do metrô, lá tem as caixas de alumínio, na linha um e na linha dois, essas caixas foram feitas no bairro do Cambuci, na Villares do Cambuci, era aonde eu trabalhava. Eu não coloquei a mão na massa, mas, indiretamente, pela minha profissão, eu tinha que cuidar dos funcionários que as vezes se acidentavam, ou sofria alguma problema, e era eu que cuidava deles, então eu como auxiliar de enfermagem, no caso, do trabalho, era eu que cuidava do pessoal que fazia muita hora extra pra poder dar conta do recado, pra poder colocar o metro em funcionamento. Então vocês podem ver, o metrô da linha um e da linha dois, a maior parte, vocês podem ver, ele praticamente não quebra, não to desfazendo dos demais, mas é uma grande coisa. Essa empresa, ela fazia muita coisa, os motores dos ônibus elétricos também, os mais antigos, eram feitos lá em Santo Amaro, na matriz da empresa. E graças a Deus eu vim pra cá, vim com uma mão na frente e outra atrás, não tinha nada, eu vim, como muitas pessoas, com sonhos, e parte desses sonhos eu considero realizados, continuo sonhando. Eu tenho muita coisa pra fazer ainda.
P/1 – Quais são seu sonhos para o futuro?
R – Olha, o meu sonho, primeiro, é conseguir um bom e ótimo emprego para os meus filhos. Eu continuo lutando, meus filhos são todos adultos, eu já tenho netos, sonho também para os meus netos, quero ter uma casa no litoral, um bom veiculo, apesar que eu já tenho veiculo, mas se eu puder melhorar... E poder ajudar a minha família, as pessoas de fora que eu sempre ajudo também, eu não sou melhor do que ninguém, mas acho que tenho um bom coração, procuro fazer o bem para as pessoas, explico como deve ser honesto, acho as coisas na rua, procuro devolver... Semana passada eu devolvi uma bolsa que alguém perdeu dentro do metrô, eu não entreguei no metrô, eu levei pra minha casa, abri, vi o endereço, levei pra minha empresa, pedi a pessoa pra procurar, inclusive tinha um determinado valor financeiro, nada disso eu tirei, não é a primeira vez que eu faço isso, e também não vai ser a ultima, e é isso que eu passo pros meus filhos também. Essa cidade aqui eu tenho bastante foto, inclusive eu não participei da ajuda do... Quando o Joelma se incendiou, eu estava trabalhando, eles pediram voluntários, eu não fui porque eu me sentia muito cansado, apesar que foram diversas vidas lá perdidas, mas como outras pessoas... Alguns colegas meus foram, ajudaram na salvação das pessoas, aquele dia eu trabalhei muito, em excesso, então eu não fui ajudar no incêndio do Joelma, depois disso me arrependi de não ter feito, por mais cansado que eu tivesse, a vida das pessoas é mais importante que qualquer cansaço, mas ninguém ficou sem atendimento porque os meus colegas atenderam. Eu creio que eles procuraram fazer o melhor possível, e é o que eu sempre procuro fazer como compensação por eu não ter ajudado no socorro lá no Joelma, e independente disso sempre que eu vejo alguém em apuros eu sempre to procurando ajudar e fazer da melhor maneira possível.
P/1 – Bacana, Seu Rubens, a gente agradece bastante o seu depoimento, a gente poderia ficar horas aqui conversando sobre a historia da sua vida...
R – Ah, sim, o que eu puder ajudar aqui pra nossa cidade eu to sempre procurando ajudar, quando tem algum defeito no metro, nos onibus, eu passo, aviso o funcionário, porque muita gente passa direto, se tem alguém na rua passando mal ou com algum problema eu procuro ajudar, algum caso policial, eu chamo a viatura, então eu to sempre participando, em qualquer lugar, tanto na rua aonde eu moro, que as vezes acontece algum caso policial, como ontem aconteceu lá, eu não estava presente, mas houve um assalto na casa de um vizinho, que por sinal também afetou a minha família, mas independente disso eu to sempre procurando ajudar. E quero também aproveitar pra agradecer a vocês por essa oportunidade de me deixar falar um pouquinho aqui, e espero que alguma coisa sirva pro futuro, não só meu, como de toda a nossa cidade.
P/1 – Claro, nós é que agradecemos, Seu Rubens. E o senhor tá convidado a ir lá no museu conhecer o nosso espaço e contar a sua historia lá também, se quiser, com mais calma até.
R – Muito obrigado, eu fico muito agradecido. E espero que alguma coisa do que eu falei sirva pra ajudar no crescimento da nossa cidade.
P/1 – Com certeza. Obrigado, Seu Rubens.
R – Obrigado, eu que agradeço.
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