Facebook Informações Ir direto ao conteúdo
Por: Museu da Pessoa, 6 de junho de 2026

Amor à Primeira Vista

Esta história contém:

Amor à Primeira Vista

Vídeo

Cinco negros numa quadra

A gente que joga bola, a primeira coisa quando se muda, é procurar um campinho. Aqui, praticamente todos os dias estavam mudando pessoas para a COHAB. Perto das casinhas tinham umas quadras, e eu fui lá. Tinha um pessoal jogando, e quando um time fazia dois gols, entrava o próximo. Por coincidência tinham mais cinco negros. Um perguntou para o outro: "Você joga?", "Vamos fazer o próximo jogo?". Por coincidência todos jogavam bola, e ali, sim, foi amor à primeira vista. Naquele dia surgiu o Negritude, porque parecia o Globetrotters jogando, todo mundo jogava muito bem. Éramos eu, o Bidula, o Agnaldo, o Osvaldão e o Marrom. Como todos éramos negros, e era a época do movimento black, pensamos em Black Power, Poder Negro, mas já era usado, então ficou Negritude.

Tivemos alguns impasses por causa do nome. Na primeira grande Copa que disputamos, no Metropolitano, chegamos na final e um dos diretores veio pedir desculpa: "Vocês me perdoem, a gente não conhecia vocês, e quando ouvimos que o time era o Negritude, de Itaquera, ficamos preocupados". Todo jogo tinha policiamento. A própria Federação Paulista não deixou registrar o nome, e tivemos que cadastrar como Alvinegro. Uma vez, chegando para jogar na Mooca, um cara fez uma piada infeliz: "Olha, o zoológico chegou".

Nunca deixou de ser um impasse. Não é mimimi…a gente sabe o que a gente construiu, mas não pode ser hipócrita de dizer que não tem uma certa restrição. Teve um ano em que nosso sub-11 foi campeão, e tínhamos no time apenas uma ou duas crianças pretinhas, e todas gritavam Negritude. A gente viu que as crianças podem aprender a odiar com o tempo, mas não nascem com ódio ou com restrição a nenhuma etnia. É uma das coisas que machuca. Para quem não conhece, às vezes critica, mas é porque não conhece.

Dados de acervo

O Museu da Pessoa está em constante melhoria de sua plataforma. Caso perceba algum erro nesta página, ou caso sinta falta de alguma informação nesta história, entre em contato conosco através do email atendimento@museudapessoa.org.

Essa história faz parte de coleções

fechar

Denunciar história de vida

Para a manutenção de um ambiente saudável e de respeito a todos os que usam a plataforma do Museu da Pessoa, contamos com sua ajuda para evitar violações a nossa política de acesso e uso.

Caso tenha notado nesta história conteúdos que incitem a prática de crimes, violência, racismo, xenofobia, homofobia ou preconceito de qualquer tipo, calúnias, injúrias, difamação ou caso tenha se sentido pessoalmente ofendido por algo presente na história, utilize o campo abaixo para fazer sua denúncia.

O conteúdo não é removido automaticamente após a denúncia. Ele será analisado pela equipe do Museu da Pessoa e, caso seja comprovada a acusação, a história será retirada do ar.

Informações

    fechar

    Sugerir edição em conteúdo de história de vida

    Caso você tenha notado erros no preenchimento de dados, escreva abaixo qual informação está errada e a correção necessária.

    Analisaremos o seu pedido e, caso seja confirmado o erro, avançaremos com a edição.

    Informações

      fechar

      Licenciamento

      Os conteúdos presentes no acervo do Museu da Pessoa podem ser utilizados exclusivamente para fins culturais e acadêmicos, mediante o cumprimento das normas presentes em nossa política de acesso e uso.

      Caso tenha interesse em licenciar algum conteúdo, entre em contato com atendimento@museudapessoa.org.

      fechar

      Reivindicar titularidade

      Caso deseje reivindicar a titularidade deste personagem (“esse sou eu!”),  nos envie uma justificativa para o email atendimento@museudapessoa.org explicando o porque da sua solicitação. A partir do seu contato, a área de Museologia do Museu da Pessoa te retornará e avançará com o atendimento.