Na estrada de terra que corta o interior de Minas Gerais, havia uma pequena casa amarela atrás de uma velha porteira de madeira. A pintura já descascava nas laterais, mas o quintal continuava florido como nos tempos em que a família Ferreira vivia ali. Seu Antônio e Dona Lurdes chegaram àquela roça ainda jovens, na década de 1970. Ele, filho de lavradores; ela, professora recém-formada que trocou a cidade pela vida simples do campo. Construíram a casa com as próprias mãos — cada tijolo assentado entre sonhos e dificuldades. Não tinham muito dinheiro, mas tinham coragem. Criaram três filhos correndo pelo pasto, aprendendo desde cedo o valor do trabalho. As manhãs começavam antes do sol nascer, com café forte no fogão a lenha e o som dos galos ao fundo. À noite, a família se reunia na varanda para ouvir histórias dos antepassados, falar das colheitas e planejar o futuro. Os anos trouxeram seca, geada e também boas safras. Trouxeram despedidas, quando os filhos foram estudar na cidade grande, e silêncios mais longos na varanda. Mas nunca faltou amor — nem esperança. Hoje, a casinha amarela continua ali, atrás da porteira. Já não ecoam as risadas das crianças, mas cada parede guarda memórias de luta, união e recomeços. É uma casa simples, mas carrega uma história inteira