Projeto Memória dos Trabalhadores Petrobras
Depoimento de Alípia Alves de Seabra
Entrevistado por Mirella
Macaé, 26 de março de 2003
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB114
Transcrito por Transkiptor
00:00:12 P/1 - Boa tarde, Alípia. Eu queria que você repetisse para a gente seu nome completo, local e data de nascimento.
00:00:33 R - Meu nome é Alípia Alves do Seabra, nasci em Rio Claro, Estado de São Paulo, e nasci em 07.02.1959.
00:00:43 P/1 - E quando e como se deu o seu ingresso na Petrobras?
00:00:47 R - Eu já fazia um trabalho para a Petrobras indiretamente, eu trabalhava na Cruz Vermelha Brasileira, trabalhava com a parte de emergência e de primeiros socorros. A empresa procurou esse serviço e parece que na época a Cruz Vermelha era a única que tinha. E eu treinava monitores de primeiros socorros pra dar aula, né? Não só na Petrobras, em vários lugares. E a Petrobras solicitou esse trabalho. Eu tomei conhecimento de um concurso da Petrobras pra enfermeira, eu era enfermeira, né? Fui fazer um concurso em São Paulo, São José dos Campos. Passei no concurso. E aí tinha uma vaga pra São José e uma vaga pra Macaé. E na hora da escolha, eu nunca tinha ouvido falar em Macaé. E achei, eu morava no Rio com meu pai, e achei que Macaé fosse Magé, entende? Então, por engano mesmo, assim, por desconhecimento. E aí, quando eu vi, né? Puxa, Macaé, que seria Magé pra mim. E São José dos Campos, do Rio, Macaé! Entendeu? E aí vim pra Macaé. E só fui descobrir o equívoco quando a primeira vez eu vim fazer os exames médicos, né? Entrevista e tal. E o ônibus passou pela ponte Rio-Niterói. E eu falei, ué, mas agora o ônibus passa na ponte? Entendeu? Não, é, ele passa na ponte. Mas esse ônibus não vai pra Macaé? Vai pra Macaé. Mas eu ainda tendo a noção de.
00:02:34 P/1 - Que Macaé... Geograficamente como se fosse uma AG.
00:02:36 R - E aí, nada de chegar a Macaé e eu voltei lá na frente. Se o ônibus é...
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Projeto Memória dos Trabalhadores Petrobras
Depoimento de Alípia Alves de Seabra
Entrevistado por Mirella
Macaé, 26 de março de 2003
Realização Museu da Pessoa
Depoimento PETRO_CB114
Transcrito por Transkiptor
00:00:12 P/1 - Boa tarde, Alípia. Eu queria que você repetisse para a gente seu nome completo, local e data de nascimento.
00:00:33 R - Meu nome é Alípia Alves do Seabra, nasci em Rio Claro, Estado de São Paulo, e nasci em 07.02.1959.
00:00:43 P/1 - E quando e como se deu o seu ingresso na Petrobras?
00:00:47 R - Eu já fazia um trabalho para a Petrobras indiretamente, eu trabalhava na Cruz Vermelha Brasileira, trabalhava com a parte de emergência e de primeiros socorros. A empresa procurou esse serviço e parece que na época a Cruz Vermelha era a única que tinha. E eu treinava monitores de primeiros socorros pra dar aula, né? Não só na Petrobras, em vários lugares. E a Petrobras solicitou esse trabalho. Eu tomei conhecimento de um concurso da Petrobras pra enfermeira, eu era enfermeira, né? Fui fazer um concurso em São Paulo, São José dos Campos. Passei no concurso. E aí tinha uma vaga pra São José e uma vaga pra Macaé. E na hora da escolha, eu nunca tinha ouvido falar em Macaé. E achei, eu morava no Rio com meu pai, e achei que Macaé fosse Magé, entende? Então, por engano mesmo, assim, por desconhecimento. E aí, quando eu vi, né? Puxa, Macaé, que seria Magé pra mim. E São José dos Campos, do Rio, Macaé! Entendeu? E aí vim pra Macaé. E só fui descobrir o equívoco quando a primeira vez eu vim fazer os exames médicos, né? Entrevista e tal. E o ônibus passou pela ponte Rio-Niterói. E eu falei, ué, mas agora o ônibus passa na ponte? Entendeu? Não, é, ele passa na ponte. Mas esse ônibus não vai pra Macaé? Vai pra Macaé. Mas eu ainda tendo a noção de.
00:02:34 P/1 - Que Macaé... Geograficamente como se fosse uma AG.
00:02:36 R - E aí, nada de chegar a Macaé e eu voltei lá na frente. Se o ônibus é pra Macaé, é! Entendeu? E foi assim, né? Tô há 19 anos aqui na empresa. Ah, que legal.
00:02:47 P/1 - Fala um pouquinho dos locais onde você trabalhou, por onde você passou, se sempre ficou aqui.
00:02:52 R - Não, aqui na empresa, só aqui na UMBC, né? Agora a UMBC, pra ser de campo. Eu sou enfermeira, então eu trabalhei no setor médico. Fui a primeira enfermeira a chegar na bacia de campus. Na época eram quatro técnicos de enfermagem, hoje a gente tem 100 técnicos, cresceu muito. Éramos cinco enfermeiros já e mais 106 técnicos. Na época eram quatro e eu cheguei. Eu cheguei numa época muito triste, que foi no acidente de enxuva. Foi um mês depois do acidente de enxuva. Então, foi uma época muito difícil pra companhia. Pra mim, na experiência, recém-formada, entendeu? Então, foi delicado. E sempre no setor médico. Há dois anos, com essa reestruturação da companhia, aí eu fui para um dos ativos de produção trabalhar na gerência de saúde, segurança e meio ambiente, onde eu cuido a partir de saúde.
00:03:56 P/1 - E assim, qual a lembrança marcante que você tem?
00:04:00 R - O que você recorda de importante?
00:04:02 P/1 - Nesse período, nesse tempo aí.
00:04:05 R - Olha, são muitas as lembranças marcantes, né? A empresa, ela te dá muitos momentos marcantes, ela te dá a oportunidade de vivenciar inúmeras situações marcantes. O setor no qual eu trabalhei a maior parte do tempo, que foi o setor médico, é outro setor também muito rico, Agora, o trabalho mais marcante pra mim, que foi o trabalho que me trouxe pra Petrobras e que me trouxe até a vir aqui falar com vocês, foi exatamente a parte de emergência, de primeiros socorros. que foi um pioneirismo na época, um trabalho que começou externo, que a gente trouxe para Basset de Campos. Daqui ele se tornou um trabalho corporativo para o Brasil inteiro, para a Petrobras em todo o território nacional. Envolveu todo o profissional de saúde, que desenvolveu os médicos, desenvolveu o enfermeiro, desenvolveu o técnico de enfermagem, que fica aqui, ele fica sozinho na plataforma. Na sonda de terra, ele fica sozinho lá na sonda. Envolveu todos os empregados do sistema Petrobras, porque foi criado um programa para situações de emergência. onde todos os empregados tinham que ter o curso de primeiro socorro. Alguns empregados seriam selecionados para fazer parte das brigadas de socorro e os técnicos de enfermagem todos foram formados em monitores de primeiro socorro. Então, foi um trabalho na época da assessoria de saúde da empresa, a qual eu fui convidada pra participar, entendeu? Só que em Macaé nós fizemos 11 turmas de monitores do Brasil inteiro, entendeu? Era um curso de três semanas, onde a gente trabalhava com todos os técnicos, isso pra técnica de enfermagem. Depois a gente montou as brigadas de socorro da bacia de campus toda, que era um curso de 20 horas, eu e os técnicos de enfermagem da bacia, né? E a gente tem aí, todos os empregados petrobrás têm curso de primeiros-socorros, né? Através do Promem. Então é um trabalho, assim, que foi muito rico, acabou sendo a minha tese de mestrado, por ser um trabalho inédito, entendeu? Eu desconheço uma empresa que tenha esse mesmo tipo de trabalho. que dê esse valor pro profissional da área de saúde, que custeia um trabalho desse tipo. Esse marcou muito a Alipe enquanto profissional. Você já embarcou? Já, já embarquei.
00:07:00 P/1 - Mas você trabalhou embarcada?
00:07:01 R - Não, não, não. Eu embarquei, assim que eu cheguei pra conhecer, depois eu fiquei 10, 12, 13, 14 anos sem embarcar, sempre em terra e agora quando eu vim para o SMS eu embarco para a Auditoria. Então eu conheço as plataformas.
00:07:20 P/1 - Qual é a periodicidade da Auditoria?
00:07:23 R - Ano passado eu embarquei duas vezes. Mas eu trabalho no escritório mesmo de SMS, dando mais assessoria, agora a Auditoria é uma atividade nossa, então Efetivamente, duas, três vezes por ano eu tenho que embarcar pra ajudar na auditoria, pra fazer a auditoria interna.
00:07:42 P/1 - É a auditoria que eu quis perguntar pra felicidade, então é duas vezes por ano?
00:07:46 R - É, duas, três vezes por ano. Entendi.
00:07:48 P/1 - Agora a assessoria é direto com todas as pessoas?
00:07:51 R - É direto.
00:07:51 P/1 - Alguma plataforma específica?
00:07:53 R - Não, assim, como eu trabalho no ativo de produção de Marlin, ele compõe de dez unidades. São cinco navios e cinco plataformas. Então, na realidade, o Marlin a gente atende a 10 plataformas.
00:08:10 P/1 - E o que você achou de ter participado dessa entrevista, de ter contribuído para esse projeto, o Projeto Memórias dos Trabalhadores da Petrobras, que é um projeto de parceria do sindicato com a Petrobras?
00:08:23 R - Olha, eu acho de suma importância. até apesar do meu constrangimento, de ficar tímida de falar e tal, mas eu acho importantíssima a nossa participação. Eu sinto muitíssimo que algumas pessoas importantes não tenham participado, entendeu? Acho que precisa abrir um espaço maior que vocês voltem aqui, entendeu? Para que ouçam outras pessoas que tem N coisas pra contar, entendeu? Por exemplo, eu contei da parte de Promen, mas dentro da área médica eu cheguei aqui, quantas vezes eu fui de ambulância daqui pro Rio apertando o soro do lado de fora porque não tinha vazão no soro do empegado. E não tinha atendimento médico aqui de porte pra uma grande emergência. Pra descer um empregado da plataforma, a gente pegava uma aeronave, tirava os bancos da aeronave e vinha um segurando a maca no chão enquanto o outro ia atendendo. Hoje você tem as ambulâncias de resgate aqui na empresa, né? extremamente bem equipada, ou melhor bem equipada que se possa imaginar, você tem um helicóptero, ambulância, com todo tipo de equipamento. Entendeu? Então, se você pegar um profissional da área médica que tem acompanhado isso como a gente tem, colegas que estavam aqui antes de mim, você vai encontrar histórias fantásticas, entendeu? Eu acho que a gente precisa divulgar melhor isso e ter uma outra chance. Porque existem pessoas que têm experiências muito mais ricas do que a mim. E eu tô dando uma experiência profissional. A gente tava conversando lá fora, a gente tem experiências de brincadeiras, como a gente tava falando, que a gente tem até vontade de escrever um livro. Que vai ser um livro de rir, entendeu? De alegria. Porque também a gente tem isso. Apesar do trabalho, de muito trabalho, a gente cria um clima de família. Então, eu acho que precisa ter mais oportunidade. Estender mais uns dias, que eu acho que vocês vão ter um material mais rico. E me sinto lisonjeada, envelhecida de estar participando. O meu gerente fez questão que eu viesse, o meu gerente atual. Eu até brinquei, falei, essa questão aí é porque é ser velha ou porque é ser importante? porque memória é história, aí é velhice ou é importante, entendeu? Aí ele falou, não, é importante. É isso.
00:11:06 P/1 - Obrigada, Alípia, foi ótimo.
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