P1 – Então, Aguinaldo, para começar eu gostaria que você dissesse seu nome completo, local e data de nascimento. R - Bom, meu nome é Aguinaldo Gomes de Faria, nasci em São Paulo, na Penha, no bairro da Penha, estado de São Paulo. P1 – Quando você nasceu? R - Em 30 do 10 de 64. P1 – E você sempre morou na Penha, Aguinaldo? R - Não, na realidade é assim, eu morei na Penha, no bairro do Cangaíba, que também faz parte do mesmo distrito, até os sete anos de idade. Depois eu vim para Guarulhos com sete anos, morar na cidade de Seródio, fiquei lá até 84. Depois voltei para a Penha novamente, no centro aí da Penha, fiquei de 84 até 90 e retornei para o Seródio, e estou lá até agosto de 2002. P1 – E quando é que você entra no Aché? R - No Aché foi até engraçado, na realidade eu trabalhava no bairro do Brás, numa indústria chamada “Artefatos de couro e lona Pontos Couro”. Estava de férias na época, e aí como eu já tinha morado aqui em Guarulhos, então eu aproveitei as férias e vim passear aqui em Guarulhos. E, na época, tinha um ônibus que fazia Brás até Haroldo Veloso, que é próximo do Seródio, ele passava aqui na Dutra. E eu era meio assim, meio malucão, meio assim, falei: “Pô, vou até Guarulhos.” Aí peguei esse ônibus ali e vim para cá, aí eu vi um tumulto assim aqui na frente da empresa, naquela época estava, era a coisa do Sarney, era difícil emprego, você colocava qualquer plaquinha “Preciso de...”, para trabalhar de graça e o cara ia. Aí eu vi aquele tumulto, eu falei: “Vou descer.” Não tinha nada para fazer, desci só para ver, que eu era meio aventureiro... Desci, aí tinha um tumulto, porque um era o pessoal que estava sendo alistado aqui no Tiro de Guerra do lado, e o outro era aqui na Aché, e eu fiquei na porta. Aí o pessoal falou assim, eu falei: “O que está acontecendo?” Eles falaram: “Eles estão, tem vaga...
Continuar leituraP1 – Então, Aguinaldo, para começar eu gostaria que você dissesse seu nome completo, local e data de nascimento. R - Bom, meu nome é Aguinaldo Gomes de Faria, nasci em São Paulo, na Penha, no bairro da Penha, estado de São Paulo. P1 – Quando você nasceu? R - Em 30 do 10 de 64. P1 – E você sempre morou na Penha, Aguinaldo? R - Não, na realidade é assim, eu morei na Penha, no bairro do Cangaíba, que também faz parte do mesmo distrito, até os sete anos de idade. Depois eu vim para Guarulhos com sete anos, morar na cidade de Seródio, fiquei lá até 84. Depois voltei para a Penha novamente, no centro aí da Penha, fiquei de 84 até 90 e retornei para o Seródio, e estou lá até agosto de 2002. P1 – E quando é que você entra no Aché? R - No Aché foi até engraçado, na realidade eu trabalhava no bairro do Brás, numa indústria chamada “Artefatos de couro e lona Pontos Couro”. Estava de férias na época, e aí como eu já tinha morado aqui em Guarulhos, então eu aproveitei as férias e vim passear aqui em Guarulhos. E, na época, tinha um ônibus que fazia Brás até Haroldo Veloso, que é próximo do Seródio, ele passava aqui na Dutra. E eu era meio assim, meio malucão, meio assim, falei: “Pô, vou até Guarulhos.” Aí peguei esse ônibus ali e vim para cá, aí eu vi um tumulto assim aqui na frente da empresa, naquela época estava, era a coisa do Sarney, era difícil emprego, você colocava qualquer plaquinha “Preciso de...”, para trabalhar de graça e o cara ia. Aí eu vi aquele tumulto, eu falei: “Vou descer.” Não tinha nada para fazer, desci só para ver, que eu era meio aventureiro... Desci, aí tinha um tumulto, porque um era o pessoal que estava sendo alistado aqui no Tiro de Guerra do lado, e o outro era aqui na Aché, e eu fiquei na porta. Aí o pessoal falou assim, eu falei: “O que está acontecendo?” Eles falaram: “Eles estão, tem vaga para trabalhar aí no Aché.” E eu, despretensioso, entrei e fiquei lá. Aí o rapaz falou assim para mim: “Você tem o primeiro grau completo?” Eu falei: “Tenho” “Ah, então entra aqui.” Entrei, né? Aí entrei, fiz uma ficha, não tinha nem caneta para preencher a ficha, esperei o cara preencher a ficha dele para mim começar a minha. Aí preenchi a ficha, ele falou: “Aguarda em casa e liga amanhã para cá.” Engraçado que eu liguei no outro dia, ele falou assim: “Olha, você vai vir para cá fazer...” Marcou exame médico para mim. Vim, fiz o exame médico, e o que assim, achei bacana, foi assim, foi a questão do salário, que eu ganhava X e ia ganhar três vezes X. Bom, você já fica, bom, um garotão de 19 anos ganhando o triplo do que ganhava assim de uma hora para outra, sem esperar E aí estou aí até hoje, depois dessa data. P1 – E aí você se desligou daquela empresa? R - Aí eu fui, fui, era uma empresa pequena, com 20 funcionários. Aí eu fui lá, era o Dorival Ponce, que era o filho do dono, porque empresa pequena eles coordenam tudo. Aí cheguei, um espanhol assim vermelhão, bravo... Aí eu cheguei: “Dorival, eu vim aqui pedir a conta.” Mas não foi desse jeito, porque naquela época eu era meio assim, a gente era meio acanhado e tal. Eu falei: “Dorival, eu vim aqui pedir a minha conta.” Ele falou: “Por quê?” Ele me chamava de baixinho: “Por quê, baixinho?” Eu falei assim: “Ah, porque eu arrumei outro emprego perto da minha casa, e eu vou ganhar um pouco mais...” “Parabéns” Não sei o quê, ele falou assim: “Você tenha sorte” Aí ele falou: “Não, você foi tão legal, que...” O meu irmão também tinha trabalhado lá. “O seu irmão era muito boca dura, mas você foi tão legal que eu vou liberar...” Na época questão de... Eu pedindo a conta, ele falou: “Não, eu vou liberar o fundo de garantia para você.” Eu lembro que ele liberou o fundo de garantia, eu comprei um sofá para minha mãe e estou aqui até hoje. P1 – Que legal. E qual que foi a sua trajetória dentro do Aché, Aguinaldo? R - Dentro do Aché, o primeiro dia de trabalho foi assim: eu entrei, aí o Celso Abreu fazia uma pré-seleção de onde estava precisando de mão de obra, e ele ia direcionando. Então eu cheguei ali onde é o almoxarifado, é até hoje o almoxarifado, onde fica o Márcio lá. E eu fui, fui lá, ele fez uma roda e começou a perguntar: “Você faz o quê?” Aí o rapaz falou: “Eu tenho...” Na época, datilografia, que era o show do momento. Aí: “Eu tenho datilografia.” Aí o outro falou: “Você faz o quê?” “Eu sou motorista.” Aí foi perguntando, chegou na minha vez, eu não tinha experiência de nada, não tinha, não estava preparado, eu falei: “Eu só tenho vontade de trabalhar, onde você quiser me colocar eu estou à disposição.” Aí fui para a manipulação... P1- Fazer o quê? R - Como ajudante de produção. Então eu lavava tacho, equipamentos que tinham que ser desmontados e lavados, eu é que era responsável. Depois de 84, mais ou menos até 86, dois anos eu fiquei nessa função. Aí eu passei para manipulador, que aí eu já não ficava mais lavando os equipamentos. Eu comecei a trabalhar com a formulação mesmo, que é você manipular o produto. De 86 mais ou menos a 88, de manipulador eu passei para líder de manipulação, então eu já não manipulava mais, eu coordenava toda a programação de entrada da produção, distribuir o trabalho, e era responsável no final do dia pela entrega da produção executada, e também os relatos das interferências do dia a dia. Aí isso aí, de 86 fui até 90, 94... Final de 93. Aí eu passei a ser, a trabalhar com controle de qualidade como analista químico 1. Que aí eu estava, já estava, comecei a me interessar por química, comecei a fazer alguns estudos, e aí comecei a trabalhar como analista químico 1. Analista químico 1 eu fiquei mais ou menos de 94 até 96, passei a analista químico 2, na mesma função, isso foi só uma alteração de salário e um pouco mais de função, mas não diferenciava muito, era mais como uma promoção. Depois eu passei, até 99, quando a estação passou para o departamento de RH, e aí eles me convidaram para ir junto com a estação de tratamento. Aí, da estação de tratamento, de 99 até agora 2002, eu sou técnico de meio ambiente. P1 – Já tinha esse trabalho antes, de meio ambiente, aqui no Aché? R - Não, meio ambiente. O Aché sempre foi uma empresa assim que se preocupou, à vista aqui do que você vê, a empresa arborizada... Teve uma até, não me lembro o ano, mas saiu na revista Istoé assim uma reportagem que eu lembro até hoje: “Empresa preocupada com o meio ambiente.” Naquela época, meio ambiente, no Brasil mesmo, era questão de verde, natureza... E aí tinha uma reportagem na revista Istoé que dizia assim: “Funcionários durante o horário de almoço podem passear por bosques de árvores frutíferas e comê-las.” Aí tinha uma foto de um corredor do Aché aqui com uma árvore, e realmente tem árvore frutífera, aqui você pode andar e ver. Então, na época, o Brasil mesmo tinha essa idéia de meio ambiente, mas a empresa se preocupava com destino de resíduos dentro das possibilidades do que o mercado oferecia. E aí, depois de 99 deu uma alavancada, não é porque eu entrei lá, (risos) mas é assim, porque a empresa teve uma visão que precisaria mudar e ela começou a investir em meio ambiente. Então, em 94, na realidade foi o marco, que foi a inauguração da estação de tratamento de efluentes. Então já em 94, começou a tratar os efluentes e a questão de destino de resíduos começou a trabalhar melhor. E 99 foi o auge, que aí se mudou todo o pensamento: “Olha, nós queremos ser os melhores, vamos começar a trabalhar isso aí.” E aí em 99 é que deu um boom, mas desde a sua existência a empresa tem algumas ações de não agredir o meio ambiente. P1 - Você podia contar um pouquinho, com mais detalhes, o que é a estação de tratamento de efluentes? R - Bom, basicamente a estação de tratamento de efluentes foi construída para atender ao Projeto Tietê. Todas as indústrias de São Paulo tiveram que, que são ribeirinhas ao rio Tietê, tiveram que fazer esse tratamento por ordem do governo do estado. E foi passado uma necessidade de atendimento à legislação, e o Aché construiu uma estação, com o aval da Cetesb, para tratar o efluente da seguinte maneira: tem um artigo 19 a, que é da legislação, e ela vai atender esse artigo. O que diz esse artigo? Você tem uns parâmetros de lançamento, no final o efluente final tem que estar dentro daquele parâmetro físico e químico. Então, por exemplo, PH tem que dar dentro de uma faixa, sólidos alimentáveis, metais pesados, sulfeto e sulfato. Então, eles construíram a estação que a gente chama um pré-tratamento físico químico, para que depois esse efluente líquido seja jogado numa rede coletora e sofra o tratamento final, biológico, pela Sabesp. Então vai, está programado para coletar esse efluente e tratar numa estação da Sabesp que fica no Parque Novo Mundo. Então a estação tem essa função, e funciona mais ou menos assim: ela tem uns tanques, que você vai, a água vai passando de um para outro, e cada tanque tem sua função. No final ele vai sair dentro desses parâmetros que eu falei para você, PH, metais pesados, vai estar dentro da faixa. Tem uma faixa mínima e uma máxima, então você tem que estar ali dentro daquela faixa. P1 – E você estava falando que foi em 99 que aconteceu esse boom, na área do meio ambiente, aqui no Aché. Que outras ações você implementaram? R - Na realidade assim, foi um gerenciamento dos resíduos sólidos, foi feito, que até então era coletado e destinado assim, vendia para um, vendia para outro. Então você não tinha um controle dos seus resíduos sólidos, era coletado manual, era mensurado, o destino era às vezes para quem pagava melhor alguma, por exemplo, algum reciclável. E, depois que nós começamos a trabalhar com a legislação e gerenciamento de resíduos, nós verificamos que temos que ter certos cuidados para você estar destinando, porque tem o nome da empresa envolvido. Já se pensava nisso, que descaracterizava, tudo, mas mesmo assim, você tem que saber onde você jogou, porque você jogou, documentar isso, então esse foi o ponto forte, do gerenciamento foi esse. Você começou a mensurar o que você gerava, documentar o envio, e até atender a legislação pertinente do município do estado, e até federal. Então esse foi o ganho que a empresa teve com a implantação desse gerenciamento de resíduos sólidos. A estação já vinha dentro de um padrão de controle que atendia a legislação estadual, então efluente líquido, resíduo sólido e faltava só a emissão atmosférica. Emissão atmosférica nós temos, assim, problemas que seriam a considerar: a frota da empresa, que é uma frota nova. E ela atende perfeitamente a legislação para veículos automotores, e aí nós pensamos: “Pô, qual é o outro ponto que tem emissão atmosférica?” Tem a caldeira, só que a caldeira não tem parâmetro na legislação para isso, mas mesmo assim, nós pensamos em estar medindo os parâmetros da caldeira. Medimos e verificamos que ele está dentro dos padrões legais, que a lei permite a gente estar fazendo essa comparação. E daí, de todo esse trabalho em conjunto, em paralelo já veio a idéia de se certificar o ISO 14.001, que é a ISO do meio ambiente. P1 – E que ganho você acha que o Aché teve com essas medidas? R - Primeiro, a gente pensa como empresa, né? O Aché, com essas medidas assim tomadas, não está vulnerável a multas nas questões ambientais, primeiramente. Então nós estamos atendendo plenamente a legislação do país, e isso dá uma tranquilidade para a empresa perante a questão de multas. Outro ganho foi na questão da conscientização interna dos funcionários quanto às questões ambientais, então você sente uma melhora nessa consciência, quando você iniciou: “Ah, o que é isso? Os caras estão ficando malucos, eu vou começar a pensar em jogar um copinho no lugar certo, eu vou...” A gente usa muito a palavra, quando está na palestra: “Cuidar do lixo com carinho.” Porque todo mundo fala: “Lixo é lixo, pode jogar de qualquer maneira.” Mas essa consciência nós tentamos mudar, por quê? O lixo é uma fase, você pôs dentro do saco e colocou aqui, mas até chegar no destino final tem várias fases que ele vai passando, e a pessoa tem que pensar nisso, até num, você dispor um resíduo que tenha um risco de corte ou de intoxicação, você tem que pensar nisso. Então nós passamos essa consciência para as pessoas: “Olha, vamos se conscientizar e colaborar com a questão de destino de resíduo, que você ganha, quem vai manipular lá na frente ganha, e no final ele vai para um destino correto e o meio ambiente vai agradecer, ele não vai impactar o meio ambiente.” Então, esse foi um outro ganho, a conscientização das pessoas que, internamente, que é importante você pensar no destino do resíduo. E outro ítem é que eles podem levar isso para casa também, ele começa a pensar: “Pô, o resíduo sólido, ele impacta, né?” Aí começa a resgatar a cidadania: “Será que em Guarulhos eles têm essa preocupação, de estar destinando o resíduo? Quando eu for votar vou perguntar isso para o meu vereador, ou para o meu prefeito, se ele vai se preocupar com isso.” Porque Guarulhos não tem... Porque a maior parte da população é de Guarulhos, e aí contém, e nesse caso a gente fala de São Paulo também, porque São Paulo também não tem lugar mais por onde colocar lixo. Então entra aquela outra questão, da reciclagem, então começa a pensar: “Pô, será que isso pode ser reciclado?” A gente começa a passar essas questões para no final ter esse ganho, tanto dentro da empresa, que eu vou ter uma consciência tranquila de que o meu resíduo, gerado aqui internamente, vai para um destino correto de maneira a atender a legislação, e isso está sendo assim, formando multiplicadores de consciência ambiental na questão dos resíduos, que é uma das questões mais assim críticas que eu acredito dentro da questão ambiental, aqui nós temos. Então esse é outro ganho. E outra questão é a imagem da empresa perante a comunidade, que isso aí nós estamos assim realmente sentindo com o retorno da comunidade. Então, após a implantação do sistema de gestão com base na ISO 14.001, abriu um canal de comunicação empresa-comunidade, comunidade-empresa, e isso possibilitou a gente estar recebendo informações da comunidade, recebendo a comunidade dentro da empresa e mostrando o trabalho sério que nós fazemos na questão ambiental. Por que isso é importante para a empresa? É importante, primeiramente, porque você tendo a participação da comunidade e a imagem boa da empresa lá fora, quando de repente de alguma denúncia, alguma questão que ocorrer voltada para o meio ambiente que vá repercutir na comunidade, você vai ter a comunidade do seu lado. Porque: “Não, eu já fui lá no Aché e realmente eu vi, isso é uma inverdade, você pode vir aqui. Se você está questionando alguma questão que o Aché está impactando o meio ambiente, você pode vir aqui e até nos ajudar, se ocorrer mesmo essa, nós não enxergamos esse impacto, você pode ter participação e ajudar a gente a corrigir.” E outra questão é a imagem da empresa na questão de que o povo brasileiro está mudando muito a idéia de consumo, não está consumindo mais só porque é barato, ele está, algumas questões de qualidade está entrando, que meio ambiente entra na qualidade. E a questão também da consciência ambiental. Algumas pessoas já estão pensando assim para comprar um produto, e aí a empresa pode ganhar em cima disso, por quê? A empresa, laboratório Y não cuida do meio ambiente, o Aché cuida. “Ah, então vou comprar do Aché.” Então pode ser trabalhado isso, mas assim, isso está meio engatinhando ainda, mas eu acho que vai, daqui mais alguns anos, já vai ter essa diferença dentro do mercado, porque lá fora já existe. P1 – É verdade, isso vai estar bem mais sedimentado, né? R - Sim. P1 – E, Aguinaldo, como que é a tua rotina hoje? Um dia típico de trabalho envolve que funções, ou que tarefas? R - Bom, primeiro assim, nós temos uma rotina básica a ser seguida, eu cuido da estação de tratamento de efluentes, eu cuido do destino dos resíduos sólidos, e então você tem que ter uma rotina básica para você ter um parâmetro para seguir, para ser o mais produtivo possível no final do dia, para no final do dia você atingir a sua meta de trabalho daquele dia. Mas assim, às vezes, no entanto, a rotina é meio quebrada, porque você tem que atender vários, o departamento da engenharia segundo o trabalho e o meio ambiente. Então, é um departamento assim que atende toda a empresa e, às vezes, a comunidade agora com essa questão do meio ambiente, você também está trabalhando com eles. Então é uma rotina programada, mas vira e mexe a gente não tem horário de almoço para... Perde um pouquinho e passa o horário de almoço, não que fique sem almoçar, que isso aí é sagrado, porque saco vazio não para em pé... Mas assim, não tem um horário de almoço programado, mas a gente tem que atender os clientes internos da melhor maneira possível, se sempre gera dúvidas de resíduos. Como eu falei que o pessoal está consciente, eu estou aqui, eu estou trabalhando, aí vem um telefonema: “Aguinaldo, tem um tipo de resíduo aqui que foi gerado...” Isso aí é a maior evidência de que o sistema funciona e que eles têm consciência. “Tem um resíduo aqui que eu não sei onde que eu vou destinar, como que eu posso fazer?” Aí eu tenho que ir lá, analisar o resíduo, ver se está dentro do nosso plano de gerenciamento, se não estiver eu tenho que incluí-lo. A estação de tratamento a gente tem que verificar três vezes ao dia os padrões de lançamento, quanto à temperatura, PH, evasão de saída eu tenho que anotar. E durante o dia nós também temos o cuidado de estar atendendo a legislação, então tem relatório, tem dias que eu tenho que fazer relatório para a Cetesb, uma vez por mês, tem relatório de resíduos que eu tenho que entregar para as áreas produtivas, tem um sistema de gestão integrada que a gente tem que atender às não conformidades ambientais. Tem a questão dos objetivos e métodos da empresa, que nós temos que estar, a soma de todos os dias no final vai dar o resultado, então você tem que sempre estar atento ao objetivo e método da empresa na questão de gerenciamento de resíduos, para que no final a gente consiga, do dia, ser o mais produtivo possível e no final do mês atender as metas estipuladas pela empresa. P1 – E nesses anos todos tem uma história mais marcante que você gostaria de estar lembrando aqui, registrando? R - Primeiro, assim, tem várias. Mas a primeira história marcante foi esse desafio da questão de gerenciar todos os resíduos. Que até então eu trabalhava só com efluentes líquidos. Tem outras, porque eu poderia contar uma da minha fase na produção, um da minha fase como analista químico e outro depois na área de meio ambiente. Mas eu vou dar ênfase mais à questão do meio ambiente, porque foi mais empolgante e porque eu achei que o desafio foi maior. Então, eu só cuidava da estação de tratamento, fazia o relatório, verificava os equipamentos, se estavam funcionando perfeitamente, e tinha a minha rotina um pouco centralizada só na estação. Aí quando a estação veio para a área de RH, que o pessoal falou assim: “Aguinaldo, nós vamos gerenciar tudo.” Então para mim foi um: “Pô, eu estou acostumado com aquela rotina minha...” Foi um desafio enorme, né? Falei: “Mas será que eu vou agüentar tocar o barco?” Mas eu coloquei um propósito que, bom, se eles estavam propondo para mim é porque eles confiavam, e se eles confiavam eu deveria provar que eu era capaz. Então, do dia para a noite você começar a se responsabilizar pela destinação de resíduos, procurar empresas idôneas, trabalhar com empresas idôneas, e ter toda essa questão legal atendida foi um grande desafio. E, no final, ele foi coroado, e a implantação do sistema, e chegamos até onde chegamos, ele foi coroado com o Prêmio Fiesp de Mérito Ambiental, no ano de 2001. Foi coroado com o Prêmio de Mérito Ambiental. Então a idéia da missão cumprida foi concretizada nesse prêmio, porque o Prêmio de Mérito Ambiental foi cedido pela Fiesp é um prêmio que eles entregam às empresas que têm uma conformidade ambiental de excelência. Então, esse prêmio para mim foi assim a concretização desse desafio que começou em 99. E aí vieram outros prêmios, como o Top Ecologia do DVB, que é a Associação dos Indivíduos do Brasil, nós também ganhamos com a questão de educação ambiental, porque nós temos um trabalho que é feito com as escolas, que é dentro do ítem Comunicação com a Comunidade. Nós trazemos a escola para dentro da empresa e elas sofrem uma carga de educação ambiental, mostrando o que a empresa faz e mostrando como é correto fazer na rotina delas do dia a dia. Então eles levam, acredito que alguns saiam daqui com a consciência de que o meio ambiente tem, tem como consertar o meio ambiente, como a gente recuperar esse meio ambiente. Só que é assim, não é você pensando só na Mata Atlântica, no Projeto Tamar, comprando a tartaruga, a camiseta com a tartaruga, e sim às vezes a pessoa compra a camiseta e joga papel no chão, desperdiça água, dorme com a televisão ligada... Então a gente procura fazer esse trabalho, trazer as escolas e mostrar que a educação ambiental começa no nosso quintal. Então isso aí culminou com o prêmio também, Top Ecologia da DVB. Além do sistema gestão integrada, que foi esse, o prêmio Fiesp de Mérito Ambiental foi justamente a gestão integrada. E o Top Ecologia da DVB foi sobre educação ambiental. Para mim o que marcou mesmo, como realização, foi esse desafio, mas tem outros, é claro, que a gente pode estar ficando umas três horas aqui falando sobre eles. P1 – É verdade, a gente podia ficar falando muito tempo, né? (risos) Mas como a nossa entrevista é curtinha, por fim, eu gostaria de saber o que você achou de ter contado um pouquinho da tua história? R - É gostoso às vezes a gente ser ouvido, e aí quando você pára e começa a contar um pouco da sua trajetória, você sente que valeu a pena. Por quê? Porque se você tem alguma coisa de bom para contar, que todos querem saber e isso aí pode passar, vai ser transmitido para outras pessoas, e elas podem também estar aprendendo alguma coisa com o meu depoimento, eu fico feliz de saber que durante esses 37 anos de vida que eu, nesse tempo de vida que eu tenho, eu tenho um pouco de história para contar. E, graças a Deus é alguma coisa boa, que eu posso estar passando para as pessoas, inclusive para a minha filha, para a minha esposa. E aí você passa, um momento que você pára para pensar e que você começa a contar a sua trajetória, você fala: “Nossa, mas quanta coisa que eu fiz e não parei um dia para olhar para trás um pouquinho, e ver que eu progredi.” Então, o que fica de gostoso é assim, que você tem o que contar e você enxerga que teve um progresso, do Aguinaldo que começou ali como um... P1 – Ajudante de produção. R - Ajudante de produção na Tubolites Elétricas, foi a primeira empresa que eu trabalhei. A segunda empresa depois foi a Pontos Couro, foi uma passagem rápida que não teve, a primeira empresa foi uma passagem rápida, que nem vale a pena contar, mas então depois foi a Pontos Couro, e de lá, aquele ajudante da Pontos Couro é um técnico de meio ambiente, e fez todo um trabalho que eu acredito que seja muito bonito. E deu uma parcela de contribuição para que melhorem as questões ambientais, e uma parcela de contribuição também para o sucesso da empresa, que é hoje o Aché. P1 – Sem dúvida, é uma história de conquistas, né, Aguinaldo? R - Com certeza. P1 – Muito obrigada, viu? R - Está bom.
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