Projeto Memória dos Trabalhadores da Bacia de Campos
Depoimento de Adiceumar Rangel Maciel
Entrevistada por Inês Gouveia
Campos dos Goytacazes, 01 de julho de 2008.
Realização Museu da Pessoa
Entrevista nº. PETRO_CB450
Transcrito por Rosângela Maria Nunes Henriques.
P/1 – Vou pedir para que você comesse dizendo seu nome completo, dizendo pra gente a data do seu nascimento e o local onde você nasceu?
R – Meu nome é Adiceumar Rangel Maciel, minha data de nascimento é 18 de julho de 51 em Campos dos Goytacazes.
P/1 – Adiceumar você pode contar um pouco da sua história em relação à Petrobrás, por que você está aqui hoje, enfim dá um panorama dessa história?
R – Sim, meu marido entrou na Petrobrás em 20 de outubro de 80 e trabalhava na plataforma e estava tudo bem, indo bem e não demorou muito aconteceu, dois anos e cinco meses ou seis meses aconteceu um acidente. Ele temia muito o helicóptero, ele sempre falava pra mim: “eu vou, mas não sei se volto” eu estou até um pouco emocionada porque tem 25 anos, mas a marca continua. E aí não acharam o helicóptero e nós fomos para Ibitiba ficar a beira mar eu e as outras companheiras. E ficaram 22 dias para conseguir resgatar o helicóptero com os corpos, porque a água estava difícil, estava muito turva e muita dificuldade a Petrobrás falava sempre sobre isso e a gente querendo que resolvesse, porque a gente não ia sair dali sem resgatar os nossos maridos, né? E aí resgataram e trouxeram o corpo aqui pra Campos e enterramos aqui.
P/1 – Perdão, qual era o nome do seu marido?
R – Gil Rodrigues Maciel.
P/1 – E o Gil trabalhava em que área?
R – Manutenção.
P/1 – E você se recorda indo para qual plataforma foi esse acidente?
R – Várias, ele ia para várias plataformas ele não ficava fixo, sempre era onde precisava, né?
P/1 – E como é que foi a reação da Petrobrás em relação a tudo isso que aconteceu? Você pode falar um pouco disso?
R – Ah eu...
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Projeto Memória dos Trabalhadores da Bacia de Campos
Depoimento de Adiceumar Rangel Maciel
Entrevistada por Inês Gouveia
Campos dos Goytacazes, 01 de julho de 2008.
Realização Museu da Pessoa
Entrevista nº. PETRO_CB450
Transcrito por Rosângela Maria Nunes Henriques.
P/1 – Vou pedir para que você comesse dizendo seu nome completo, dizendo pra gente a data do seu nascimento e o local onde você nasceu?
R – Meu nome é Adiceumar Rangel Maciel, minha data de nascimento é 18 de julho de 51 em Campos dos Goytacazes.
P/1 – Adiceumar você pode contar um pouco da sua história em relação à Petrobrás, por que você está aqui hoje, enfim dá um panorama dessa história?
R – Sim, meu marido entrou na Petrobrás em 20 de outubro de 80 e trabalhava na plataforma e estava tudo bem, indo bem e não demorou muito aconteceu, dois anos e cinco meses ou seis meses aconteceu um acidente. Ele temia muito o helicóptero, ele sempre falava pra mim: “eu vou, mas não sei se volto” eu estou até um pouco emocionada porque tem 25 anos, mas a marca continua. E aí não acharam o helicóptero e nós fomos para Ibitiba ficar a beira mar eu e as outras companheiras. E ficaram 22 dias para conseguir resgatar o helicóptero com os corpos, porque a água estava difícil, estava muito turva e muita dificuldade a Petrobrás falava sempre sobre isso e a gente querendo que resolvesse, porque a gente não ia sair dali sem resgatar os nossos maridos, né? E aí resgataram e trouxeram o corpo aqui pra Campos e enterramos aqui.
P/1 – Perdão, qual era o nome do seu marido?
R – Gil Rodrigues Maciel.
P/1 – E o Gil trabalhava em que área?
R – Manutenção.
P/1 – E você se recorda indo para qual plataforma foi esse acidente?
R – Várias, ele ia para várias plataformas ele não ficava fixo, sempre era onde precisava, né?
P/1 – E como é que foi a reação da Petrobrás em relação a tudo isso que aconteceu? Você pode falar um pouco disso?
R – Ah eu achei que ficou um pouco assim sem resolver a gente precisou mesmo ficar lá na beira do mar para poder verem que a gente estava querendo uma solução, porque a gente estava sofrendo, né? E a hora parecia um dia e... Até que...
P/1 – Adilcemar, o Gil comentava alguma coisa sobre o cotidiano do trabalho dele como era?
R – Ele achava muito tenso lá e sempre muito preocupado com a aeronave, ele sempre falava que ele ia, mas não sabia se voltava, ele despedia de mim e falava: “eu vou, mas não sei se volto” aí eu falei: “não deixe de besteira” eu não sabia do que se tratava, mas ele achava muito inseguro a aeronave.
P/1 – Ele trabalhava em regime de quantos dias?
R – Era o regime antigo de 14 por 14, 15 por 15.
P/1 – E já tinha todo um... Suponho um sofrimento em função da distância que se fica, né? Como é que era isso? Esse... Em função da folga, em função da...
R – Então quando chegava era uma alegria de estar em casa, mas na hora de ir ficava triste, né? Como acho que todo mundo tanto ele como eu.
P/1 – Como que é a situação sua hoje em relação à Petrobrás? Os seus sentimentos?
R – Eu o que eu mais quero é que eles resolvam a impactuação, porque eu estou dependendo disso para minha pensão ser reajustada, porque devido a esses planos todos eu tive uma defasagem muito grande e isso está contido na impactuação e para resolver todos os casos de pensionista, né? Então eu espero ansiosa essa impactuação ser homologada para decidir, porque eu sei que depende disso para o meu reajuste sair.
P/1 – Você pode me explicar o que é impactuação?
R – Impactuação é um termo que nós assinamos para resolver uma porção de itens e nesses itens está incluído o reajuste das pensões dos pensionistas que estão defasados. E só com essa assinatura, com essa homologação que vai sair o nosso reajuste e está para sair, mas eles tenham consciência do que nós estamos passando, porque é uma defasagem muito grande e é um direito nosso.
P/1 – E você conhece outras pessoas Adiceumar, que tiveram uma história semelhante à sua? Você tem contato?
R – Muitas. Muitas pessoas, eu tenho muitas amigas aqui no sindicato que é cada um com sua dor. O meu foi essa história, mas todo mundo tem uma história.
P/1 – Você tem notícias... Por conhecer alguém ou por saber mesmo de como a Petrobrás se comporta hoje em relação aos critérios de segurança que ela utiliza.
R – Aqui no Sindicato a gente está vendo que está desenvolvendo muito nessa base das aeronaves eu tenho acompanhado que está progredindo bastante, não sei se é ainda o suficiente, né? Porque sempre falta alguma coisa, mas eu creio que agora está tendo mais importância esse lado da aeronave.
R – Você relacionaria a luta de vocês a essas melhorias que a Petrobrás tem feito?
R – Com certeza, porque a gente não pode ficar parada diante da situação e aceitar, né? A gente tem que ir em frente e se for preciso fazer o que fiz, eu e as outras ficamos lá à beira mar, porque estão vendo que a gente se importa que a gente não está calada, porque se a gente se calar a gente consente, né? Então é uma forma da gente poder expressar.
P/1 – Onde foi o local que vocês ficaram à beira mar?
R – Em Ibitiba, em Macaé, os corpos foram resgatados lá.
P/1 – Bom Adiceumar de todo modo tem algo que eu gostaria que você me dissesse em relação à transformação de toda essa região de Campos, já que você é nascida em Campos e de Macaé em relação à própria Petrobrás, depois que a Petrobrás veio para cá o que mudou nessa região? Você saberia me dizer?
R – Olha, no meu entender poderia ter mudado muito mais, muito mais mesmo porque a gente tem consciência de quanto depósito de (royte?) que nós... No meu entender eu acho que falta a política de ter consciência disso e colocar mais em prática essa verba que vem pra cidade que é muito... Todo mundo sabe que é alta, né? E eu espero que isso aconteça porque a gente é daqui e quer ver isso aqui melhor, uma cidade melhor.
P/1 – Tem alguma coisa que eu não te perguntei e que você gostaria de deixar registrado?
R – Eu agora no momento o que eu mais quero é resolver essa repactuação, porque nós estamos assim esperando a hora de isso ser resolvido, sabe? Porque calado a gente não vai ficar se for preciso a gente vai pra rua. Eu, por mim eu falo, né? Pra resolver porque quem sabe é quem está passando e eles lá estão conscientes disso, por que... Tanto é que está no parágrafo isso da nossa revisão, então no momento o que eu mais quero é isso, eu não as minhas amigas também. Todas elas estão... Não sei se vão ter coragem de falar, mas eu estou abrindo meu coração, estou falando o que eu quero que resolva.
P/1 – Para concluir o que você achou de participar do nosso projeto e contar aqui um pouco da sua memória em relação à Petrobrás?
R – É uma experiência que eu nunca passei e que me fez lembrar uma fase que não foi boa na minha vida, uma marca que vai ficar pra sempre (choro) mexeu com o meu interior, mas creio que isso é positivo.
P/1 – Ok obrigada.
R – De nada.
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