Adeus, São Paulo. Logo volto para rejuvenescer (de novo)
Por Angelo Brás Fernandes Callou
Desde que vim a São Paulo pela primeira vez, em 1980, sabia que minha vida seria sempre atravessada por essa cidade. Não sei por quê. Mas meus santos me avisaram. E eu deixei que eles fizessem o trabalho. Acho que a vida artística, científica e cultural e a polifonia que a cidade oferece deslumbraram o pesqueirense.
São Paulo era minha escala de Recife a Santa Maria, quando fazia mestrado. Como não tinha grana para ir de avião até Porto Alegre, eu saltava por aqui e pegava um ônibus até o coração do Rio Grande do Sul. São 24 horas de estrada. Chegava ao destino como quem vai do Pina a Olinda. Eu era jovem, e era assim.
Depois, morei em São Paulo de 1989 a 1993. Período em que aproveitei muito do que a cidade oferecia em matéria de cultura e arte, enquanto realizava mais uma pós-graduação stricto sensu na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Foram formações paralelas que, hoje, percebo claramente, se complementaram. Uma me forneceu título de doutor; a outra ampliou minha visão de mundo, tão importante para a vida e, sobretudo, para quem é ou pretende seguir carreira na docência.
Os anos se passaram, melhor dizendo, as décadas se passaram, e eu ainda me sinto, digamos, o mesmo de antanho, quando passo temporadas por aqui. Tudo em São Paulo aguça minha curiosidade, que eu pensei que diminuiria com o avanço da idade. Qual o quê!
Subo e desço as escadas do metrô com alguma desenvoltura ainda, enfrento ladeiras e caminhadas longas com certo cansaço, neste calor surpreendente, para ir ao encontro da arte e da cultura tão pulsantes na Cidade de São Paulo. Sinto-me rejuvenescido a cada temporada paulistana.
Desta vez, revi 6 filmes de François Truffaut, na mostra Truffaut por Completo, promovida pelo competente Cinesesc; assisti às peças Sabius, os Molegues, o mais recente espetáculo de Gerald...
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Adeus, São Paulo. Logo volto para rejuvenescer (de novo)
Por Angelo Brás Fernandes Callou
Desde que vim a São Paulo pela primeira vez, em 1980, sabia que minha vida seria sempre atravessada por essa cidade. Não sei por quê. Mas meus santos me avisaram. E eu deixei que eles fizessem o trabalho. Acho que a vida artística, científica e cultural e a polifonia que a cidade oferece deslumbraram o pesqueirense.
São Paulo era minha escala de Recife a Santa Maria, quando fazia mestrado. Como não tinha grana para ir de avião até Porto Alegre, eu saltava por aqui e pegava um ônibus até o coração do Rio Grande do Sul. São 24 horas de estrada. Chegava ao destino como quem vai do Pina a Olinda. Eu era jovem, e era assim.
Depois, morei em São Paulo de 1989 a 1993. Período em que aproveitei muito do que a cidade oferecia em matéria de cultura e arte, enquanto realizava mais uma pós-graduação stricto sensu na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Foram formações paralelas que, hoje, percebo claramente, se complementaram. Uma me forneceu título de doutor; a outra ampliou minha visão de mundo, tão importante para a vida e, sobretudo, para quem é ou pretende seguir carreira na docência.
Os anos se passaram, melhor dizendo, as décadas se passaram, e eu ainda me sinto, digamos, o mesmo de antanho, quando passo temporadas por aqui. Tudo em São Paulo aguça minha curiosidade, que eu pensei que diminuiria com o avanço da idade. Qual o quê!
Subo e desço as escadas do metrô com alguma desenvoltura ainda, enfrento ladeiras e caminhadas longas com certo cansaço, neste calor surpreendente, para ir ao encontro da arte e da cultura tão pulsantes na Cidade de São Paulo. Sinto-me rejuvenescido a cada temporada paulistana.
Desta vez, revi 6 filmes de François Truffaut, na mostra Truffaut por Completo, promovida pelo competente Cinesesc; assisti às peças Sabius, os Molegues, o mais recente espetáculo de Gerald Thomas, e 7 Gatinhos, de Nelson Rodrigues, no Teatro Oficina - impactantes. O MASP traz três exposições que valem a pena admirar: Ser Imagem, de André Taniki Yanomani, sobre a produção visual indígena; Mofahe Guihu: A Árvore da Vida e da Abundância, de Abel Rodríguez; e Clarissa Tossin: Ponto sem Retorno. No Itaú Cultural, Ocupação Grande Otelo. No Farol Santander, Emanoel Araujo - Embates Construtivos. Li Medeia, de Eurípedes, e conclui a leitura do psicanalista Bernardino Horne, de 92 anos, Envejecer el Duelo por sí Mismo. Oportuna obra! De quebra, escrevi quatro crônicas e pintei doze quadros. Mas o melhor de tudo foi rever os amigos Carlos, Verônica, Heraldo, Cida, Nor e Vera. Sem eles, São Paulo é quase nada.
Adeus, São Paulo. Logo volto para rejuvenescer (de novo).
Aeroporto de Guarulhos, 13 de janeiro de 2026.
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