A vida nos ensina que o
amadurecimento vem através
da vivência.
Vindo de uma família religiosa de Minas Gerais, Adão passou sua infância e adolescência muito ligado à igreja, tendo durante esse período desenvolvido uma mentalidade e comportamento conservadores. Um de seus costumes nessa fase pautada pela igreja era promover a exclusão de irmão que ele acreditasse não estar dentro de sua visão do que “era
certo”. Depois Adão fez sua própria exclusão da igreja que
frequentava, por entender que sua ação de julgar o próximo
não seria uma atitude cristã.
Na vida adulta, Adão trabalhou como professor, radialista e até
em serviço social no sistema carcerário do Espírito Santo.
Segundo ele, esse foi um local de muitos aprendizados, em que
abriu mais a mente no contato com pessoas de outras
religiões e realidades sociais. Depois disso, já casado, foi
trabalhar como gesseiro no estado do Rio de Janeiro.
A vida continuou, Adão se mudou para Santana
de Parnaíba, onde sua família estava morando.
Separou-se, passou em concurso público da
Prefeitura de Santana de Parnaíba e foi no seu
novo emprego que conheceu sua atual esposa.
Em seu trabalho como inspetor de alunos, Adão
deu vida a dois personagens, Coelhinho Adão e
Palhaço Marmota, que a princípio tinham como
objetivo entreter os alunos, mas agora servem
também para trabalho voluntário.
“...eu nasci em 74 mas só fui registrado em 78, durante quatro anos eu
tive alguns nomes, primeiro minha mãe me chamou de Saul, que é
bíblico, minha mãe é da igreja tal, colocou de Saul, mas ela falou assim,
na época não falava palavra bullying, ‘vão chamar ele de Saulo na escola’,
vamos trocar, eu vou colocar o nome do meu profeta preferido, minha
mãe poderia gostar do Isaías, do Jeremias, mas qual era o profeta
preferida da minha mãe? Habacuque, eu passei a ser chamado de
Habacuque, e aí estava na cama não mexia, e depois mudou para
Emanuel, que quer dizer ‘Deus Conosco’, mas...
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A vida nos ensina que o
amadurecimento vem através
da vivência.
Vindo de uma família religiosa de Minas Gerais, Adão passou sua infância e adolescência muito ligado à igreja, tendo durante esse período desenvolvido uma mentalidade e comportamento conservadores. Um de seus costumes nessa fase pautada pela igreja era promover a exclusão de irmão que ele acreditasse não estar dentro de sua visão do que “era
certo”. Depois Adão fez sua própria exclusão da igreja que
frequentava, por entender que sua ação de julgar o próximo
não seria uma atitude cristã.
Na vida adulta, Adão trabalhou como professor, radialista e até
em serviço social no sistema carcerário do Espírito Santo.
Segundo ele, esse foi um local de muitos aprendizados, em que
abriu mais a mente no contato com pessoas de outras
religiões e realidades sociais. Depois disso, já casado, foi
trabalhar como gesseiro no estado do Rio de Janeiro.
A vida continuou, Adão se mudou para Santana
de Parnaíba, onde sua família estava morando.
Separou-se, passou em concurso público da
Prefeitura de Santana de Parnaíba e foi no seu
novo emprego que conheceu sua atual esposa.
Em seu trabalho como inspetor de alunos, Adão
deu vida a dois personagens, Coelhinho Adão e
Palhaço Marmota, que a princípio tinham como
objetivo entreter os alunos, mas agora servem
também para trabalho voluntário.
“...eu nasci em 74 mas só fui registrado em 78, durante quatro anos eu
tive alguns nomes, primeiro minha mãe me chamou de Saul, que é
bíblico, minha mãe é da igreja tal, colocou de Saul, mas ela falou assim,
na época não falava palavra bullying, ‘vão chamar ele de Saulo na escola’,
vamos trocar, eu vou colocar o nome do meu profeta preferido, minha
mãe poderia gostar do Isaías, do Jeremias, mas qual era o profeta
preferida da minha mãe? Habacuque, eu passei a ser chamado de
Habacuque, e aí estava na cama não mexia, e depois mudou para
Emanuel, que quer dizer ‘Deus Conosco’, mas em 78 meu avô paterno foi
me registrar, naquela época não precisava do pai e da mãe para registrar,
qualquer um poderia registrar em qualquer tempo, meu avô paterno foi
me registrar Manoel Jacó e no caminho do que ele ia registrar o Emanuel
ele mudou de ideia e resolveu registrar como Adão de Abreu Gomes
Junior. Junior filho, né, do pai que não me assumiu tá, então essa é a
história do meu nome, tem até um livro feito na escola que conta a
história dos nomes e conta a história do meu nome.”
“Essas exclusões me abalaram muito e essa leitura... porque você fala
‘poxa, o que eu tô pregando não tem nada a ver com o que está escrito
aqui’, ‘eu tô tendo uma interpretação totalmente errada’... E aí o excluir,
era uma coisa muito séria, porque tem um versículo que fala tudo que for
ligado na terra será ligado no céu e tudo que for desligado na terra será
desligado no céu. E quando eu estava desligando as pessoas eu estava
considerando que eu estava realmente desligando elas do céu e quando
eu me desliguei eu falei de certa forma eu estava, eu preciso encontrar
um caminho pra mim que eu não encontrei ainda... O caminho que eu vivi
até hoje, tudo que eu vivo, que eu herdei do radicalismo do meu avô. Meu
avô faleceu aos 98 anos acreditando que o Rio de Janeiro era um inferno,
que praia era um inferno, que televisão era pecado, que tudo isso era
errado, eu costumo dizer que tive uma conversão ao contrário. Sabe,
porque às vezes pessoas vivem e experimentam de tudo na vida e depois
elas se tornam radicais religiosos, eu comecei com uma vida de radical
religioso, até por uma tradição familiar, e depois eu me tornei uma
pessoa que foi abrindo a cabeça e eu sempre tô abrindo a cabeça.”
“Eu comecei a fazer um trabalho
chamado Intervalo Dirigido, porque eu
via as crianças correndo, um jogando
bolinha, outro jogando queimada,
pulando corda, jogando futebol no
mesmo espaço, outro brincando de
pique. Eu falei, gente, não tem
condição, pai e mãe em casa da conta.
Agora com 300 crianças aqui como é
que dá conta? Então eu criei o
Intervalo Dirigido, tinha um painel e
cada dia tinha uma brincadeira, hoje é
boliche, hoje é corda, hoje é futebol! A
gente foi disciplinando as crianças.”
“Eu chamei o professor de Educação
Física pra me ajudar, chamei
professora de Artes, chamamos um
grupo e virou Olimpíadas da Amizade!
Tinha um tapete vermelho, um TNT, na
abertura música, banda da guarda,
hino nacional, a gente fazia abertura,
fazia a competição durante um mês.
Um mês e pouco e no final tinha o
encerramento, premiação, presença
dos pais. Foi difícil eu deixar de ser
inspetor, hoje estou como oficial, foi
difícil por causa disso.”
“O dia que eu saí do Abelardo eu vim para o Benedita Odete, fui ser
o primeiro funcionário do Benedita Odete, mas no Abelardo ainda
eu criei dois personagens... o Coelhinho Adão e o Palhaço
Marmota. O Coelhinho Adão, porque eu tenho dois dentinhos
maravilhosos aqui na frente e eles zoavam de mim na escola, mas
eu nunca me importei com essa zueira. Eu achava graça e fazia os
dentinhos pra frente assim e eu falei ‘eu vou criar um coelho’. A
prefeitura entregava os ovos de páscoa. O que era o coelho: uma
roupa branca, uma pantufa branca, borda rosinha camisa branca
uma orelhinha branca e rosa também e tava lá de sala em sala
entregando ovinho cantando musiquinha da páscoa e o Palhaço
Marmota fazia a palhaçada em outubro e outros eventos, foram os
personagens que nasceram ali no Abelardo.”
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