Era uma criança, gostava de ouvir histórias da vida de meu pai, quase sempre a mesa, após o jantar na luz de um lampião de querosene. Ele descrevia a vida como uma aventura, acompanhando meus avós e seus muitos irmãos. Foram para o oeste do Paraná, nunca esqueci, Santa Isabel do Ivaí a cidade onde foram parar e onde meu avó plantou café sem nunca produzir pois se perdeu após uma forte geada. Meu avô, um grande aventureiro, neste período enquanto os pés de café cresciam foi ao Rio de Janeiro e comprou uma ilha no Rio Paraná, queria plantar arroz. Montou uma serraria tocada a vapor, cada filho tinha uma função, meu pai adolescente, era responsável por afiar as lâminas que cortavam a madeira. Reclamava que apanhava todos os dias de meu avô, nunca entendeu nem deixou de respeita-lo, talvez por isso afundou-se no alcoolismo e no fim da vida ainda perguntava aos psicólogos, "porque eu apanhava tanto?". Hoje, daqui, não tenho a versão do meu avô, mas talvez tenha sido sua infância, que não tenho ideia de como tenha sido.



