A SOBREVIVÊNCIA DE UMA ADOLESCENTE
Filha de uma família constituída seguindo as realidades de todas as famílias da época: 1.963, pai, mãe e geralmente 3 filhos. Assim era a família de Maria.
Nesta época, ainda sentíamos os resquícios da escravidão. Esta escravidão a que me refiro, é a escravidão de brancos porque não apenas a raça negra sofreu as auguras de uma submissão forçada.
Maria, 12 anos de idade, estudava no antigo ginasial e nas suas férias não desfrutava do período em momentos de lazer, viajando para praias, nem podia sentir as maravilhas da natureza em passeios campestres ou outros divertimentos próprios para sua idade.
Maria, em suas férias escolares, trabalhava como babá, pajeando crianças de 5 a 8 anos de idade, tarefa que deveria desempenhar para auxiliar nas despesas da casa, realidade que impactava com as necessidades de uma jovem adolescente de apenas 12 anos.
A tarefa não era fácil, pois as crianças eram frágeis, fracas e constantemente caiam ao brincar, justamente pelas suas fragilidades e isso provocava temor constante em Maria , pois as quedas provocavam alguma marcas e poderiam pensar que foram mal cuidadas .
No horário de sono das crianças, Maria recebia outros afazeres: lavar louças, limpar o quintal que era enorme e o pior, limpar os suportes (canos) que prendiam as passadeiras de veludo das escadas de mármore. Não era simplesmente passar o produto de limpeza. Tinha de esfregá-los até adquirirem o brilho dourado.
Bem, vencido o mês de férias, era-lhe feito o pagamento.
Poxa, ficava alegre, pois receberia seu salário. A patroa veio ter com ela e disse-lhe: “aqui está seu pagamento”. Maria pegou o dinheiro e viu que recebera por aquele mês de trabalho, três notas de um cruzeiro. Na verdade nem sei a quanto corresponderia hoje, mas creio que o valor foi irrisório pelo serviço...
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A SOBREVIVÊNCIA DE UMA ADOLESCENTE
Filha de uma família constituída seguindo as realidades de todas as famílias da época: 1.963, pai, mãe e geralmente 3 filhos. Assim era a família de Maria.
Nesta época, ainda sentíamos os resquícios da escravidão. Esta escravidão a que me refiro, é a escravidão de brancos porque não apenas a raça negra sofreu as auguras de uma submissão forçada.
Maria, 12 anos de idade, estudava no antigo ginasial e nas suas férias não desfrutava do período em momentos de lazer, viajando para praias, nem podia sentir as maravilhas da natureza em passeios campestres ou outros divertimentos próprios para sua idade.
Maria, em suas férias escolares, trabalhava como babá, pajeando crianças de 5 a 8 anos de idade, tarefa que deveria desempenhar para auxiliar nas despesas da casa, realidade que impactava com as necessidades de uma jovem adolescente de apenas 12 anos.
A tarefa não era fácil, pois as crianças eram frágeis, fracas e constantemente caiam ao brincar, justamente pelas suas fragilidades e isso provocava temor constante em Maria , pois as quedas provocavam alguma marcas e poderiam pensar que foram mal cuidadas .
No horário de sono das crianças, Maria recebia outros afazeres: lavar louças, limpar o quintal que era enorme e o pior, limpar os suportes (canos) que prendiam as passadeiras de veludo das escadas de mármore. Não era simplesmente passar o produto de limpeza. Tinha de esfregá-los até adquirirem o brilho dourado.
Bem, vencido o mês de férias, era-lhe feito o pagamento.
Poxa, ficava alegre, pois receberia seu salário. A patroa veio ter com ela e disse-lhe: “aqui está seu pagamento”. Maria pegou o dinheiro e viu que recebera por aquele mês de trabalho, três notas de um cruzeiro. Na verdade nem sei a quanto corresponderia hoje, mas creio que o valor foi irrisório pelo serviço prestado por aquela adolescente.
Estas são formas veladas de escravidão que muitos nascidos em meados dos anos cinqüenta ainda eram submetidos.
Algum dia sairá todas as amarras e a dignidade e o valor ao essencial prevalecerá.
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