Morro dos Prazeres – identidade e Memória
Realização Instituto Museu da Pessoa
Entrevista de Zilda Bernardete
Entrevistado por Neide Galvão do Amaral
Rio de Janeiro, 06 de julho de 2002
Código MP_CB014
Revisado por Luciana de Cássia da Silva
P/1 Dona Zilda, por favor, me diga seu nome completo.
R – Em primeiro lugar, boa tarde. O meu nome é Zilda Bernardete.
P/1 – Local e a data de nascimento da senhora.
R – Sou de 18 de dezembro de 1932.
P/1 – A senhora nasceu onde?
R – Niterói. Esse era o nome do lugar.
P/1- Quando e por que sua família veio morar em Morro dos Prazeres?
R – Quem veio foi só eu.
P/1 – A senhora veio sozinha?
R – Sozinha.
P/1 – Por que?
R – Porque eu queria conhecer o Rio de Janeiro, e aí eu fugi de casa.
P/1 A senhora podia dizer uma lembrança marcante, que a senhora tem sobre a sua chegada?
R - Na minha chegada eu vi um incêndio, que nunca em minha vida eu tinha visto.
P/1- Incêndio? Onde?
R – No antigo Tabuleiro da Baiana.
P/1- Onde era o Tabuleiro da Baiana?
R - Era perto da Igreja Santo Antônio, onde agora é A Carioca.
P/1 – Incêndio de que?
R – Estava pegando fogo num prédio, pra mim foi uma festa. Nunca tinha visto um incêndio assim.
P/1- Dá para a senhora contar uma história interessante e engraçada, ligada à sua convivência no Morro dos Prazeres?
R – Engraçada? Qualquer uma?
P/1- Qualquer uma.
R – Por eu ser muito ligada e ficar rindo muito [risos].
P/1 – A senhora sabe me dizer porque o nome Morro dos Prazeres?
R – É porque era um morro muito bom, muito calmo e gostoso. Por isso deu-se o nome de Morro dos Prazeres.
P/1 – O que a senhora acha desse morro?
R - Agora não é mais Morro dos Prazeres [risos].
P/1 – Conta pra gente a sua passagem pelo Acadêmico dos Prazeres.
R – Foi muito bom aquele bloco e me deu muita vida.
P/1- E a senhora saiu em que ala?
R – Na ala das baianas.
P/1...
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Morro dos Prazeres – identidade e Memória
Realização Instituto Museu da Pessoa
Entrevista de Zilda Bernardete
Entrevistado por Neide Galvão do Amaral
Rio de Janeiro, 06 de julho de 2002
Código MP_CB014
Revisado por Luciana de Cássia da Silva
P/1 Dona Zilda, por favor, me diga seu nome completo.
R – Em primeiro lugar, boa tarde. O meu nome é Zilda Bernardete.
P/1 – Local e a data de nascimento da senhora.
R – Sou de 18 de dezembro de 1932.
P/1 – A senhora nasceu onde?
R – Niterói. Esse era o nome do lugar.
P/1- Quando e por que sua família veio morar em Morro dos Prazeres?
R – Quem veio foi só eu.
P/1 – A senhora veio sozinha?
R – Sozinha.
P/1 – Por que?
R – Porque eu queria conhecer o Rio de Janeiro, e aí eu fugi de casa.
P/1 A senhora podia dizer uma lembrança marcante, que a senhora tem sobre a sua chegada?
R - Na minha chegada eu vi um incêndio, que nunca em minha vida eu tinha visto.
P/1- Incêndio? Onde?
R – No antigo Tabuleiro da Baiana.
P/1- Onde era o Tabuleiro da Baiana?
R - Era perto da Igreja Santo Antônio, onde agora é A Carioca.
P/1 – Incêndio de que?
R – Estava pegando fogo num prédio, pra mim foi uma festa. Nunca tinha visto um incêndio assim.
P/1- Dá para a senhora contar uma história interessante e engraçada, ligada à sua convivência no Morro dos Prazeres?
R – Engraçada? Qualquer uma?
P/1- Qualquer uma.
R – Por eu ser muito ligada e ficar rindo muito [risos].
P/1 – A senhora sabe me dizer porque o nome Morro dos Prazeres?
R – É porque era um morro muito bom, muito calmo e gostoso. Por isso deu-se o nome de Morro dos Prazeres.
P/1 – O que a senhora acha desse morro?
R - Agora não é mais Morro dos Prazeres [risos].
P/1 – Conta pra gente a sua passagem pelo Acadêmico dos Prazeres.
R – Foi muito bom aquele bloco e me deu muita vida.
P/1- E a senhora saiu em que ala?
R – Na ala das baianas.
P/1 – Sempre?
R – Aqui nos Prazeres? Aqui eu fiquei a primeira porta bandeira do bloco.
P/1 – E em outros lugares, a senhora participou de algum desfile?
R – De bloco?
P/1 De bloco, de escola?
R – Posso dizer todos eles?
P/1- Pode.
R – Saí no Unidos da Ponte, no Canarinho das Laranjeiras, no bafo da onça e vim terminar aqui em Santa Teresa.
P/1- Com o Acadêmicos dos Prazeres?
R – Com os Acadêmicos.
P/1 – A senhora tem alguma história ligada ao Casarão? Pra poder contar?
R – Um casamento que eu vim aqui.
[pausa]
R – Antigamente a gente não chamava aquilo de Casarão. “Vamos pros Padre.” [risos]
[Pausa]
P/1- Dona Zilda, onde foi esse desfile, esse desfile que está nessas fotos?
R – Foi no Meyer.
P/1- Qual foi o bloco?
R - Acadêmicos dos Prazeres.
P/1- A senhora pode me dizer quem são as pessoas da foto?
R – Essa aqui sou eu.
P/1- E a do meio?
R –Essa aqui é meu baliza.
P/1- E a outra?
R –Essa menina é uma vizinha.
P/1- A senhora sabe o nome dela?
R – Não. O nome dela eu não sei.
P/1- E o tema do bloco na época? A senhora sabe qual foi?
R – Não lembro.
P/1- Esta é uma foto que a senhora tirou de porta bandeira no Acadêmicos dos Prazeres.
R - Sim de porta bandeira dos Acadêmicos dos Prazeres.
P/1- Obrigada.
[pausa]
R - Membros do Carnaval em 1980, às seis horas da manhã. O meu colega tirou essa foto e eu guardei como lembrança.
P/1- Dona Zilda, onde é esse lugar?
R - Isso aí é na quadra, ali naquela subida.
P/1 A quadra da...
R – Aqui do Morro dos Prazeres.
P/1- A senhora lembra um pouco do sambinha deste ano?
R – Não lembro. Faz tantos anos.
P/1- A senhora pode me dizer quais são essas pessoas que estão lá na foto?
R – Uma é a dona Laurite. Ela já morreu. Todas duas morreram. E a outra é dona Sebastiana.
P/1 – Por que a senhora guardou essas fotos?
R - Porque eu amava muito as duas, o morro e o bloco, então, guardei de recordação.
P/1- A conclusão que a gente tira é que essa época foi ótima pra senhora.
R – Claro. Eu estava lá junto. Estava chegando do Carnaval. Eram seis horas da manhã.
P/1- Obrigada.
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