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Personagem: Joyce Silveira
Por: Joyce Silveira, 12 de agosto de 2025

a nostalgia de uma receita que eu nunca mais experimentei

Esta história contém:

a nostalgia de uma receita que eu nunca mais experimentei

Nos anos 2000, ainda quando meus avós (por parte de mãe) eram vivos, eu ia com frequência para a casa deles, principalmente, durante a semana. Era chegar a noite e, já me aprontava para ir visitá-los para jantarmos juntos. E nestes dias, guardo minhas melhores memórias de uma vida inteira e que saudade eu sinto.

Nestas noites, meu avô sempre gostava de me impressionar e sempre fazia novinha, algo que consegui me apaixonar, era a canjiquinha que só ele sabia fazer. Talvez, era algum ingrediente especial. Talvez, era só o amor que de tão imenso fez o sabor ser especial. Eu não resistia, e sempre tomava vários pratos de canjiquinha.

Não somente durante a semana, mas, todos os outros dias, era uma festa com meu avô. Ele era presente, carinhoso, sempre chegava de surpresa na nossa casa levando muitos doces e balas para mim, além de sempre me contar histórias e me chamar pelo meu nome no diminutivo, mas de uma forma diferente e doce. Consigo ainda me lembrar com exatidão da voz dele me chamando, do cheiro dele (me lembro de um cheiro de uma pessoa por décadas), da forma como ele almoçava e de como ele era adorado por todos.

Infelizmente, como diz o poeta “os bons morrem jovens” e foi assim. Tive meu avô apenas até os meus dez anos, mas, foram dez anos cheios de memórias que guardarei por toda vida e uma nostalgia de uma receita que jamais voltei a experimentar.

Logo após sua partida, como a criança que era, fiquei muito triste. Foi a primeira perda em minha vida, uma perda que realmente senti e, um dia antes, sonhei que ela aconteceria. Ele já estava no hospital e no sonho se despediu de mim (mas isso é assunto para outro momento). Enfim, essa perda mexeu muito com minhas emoções e aquela receita de canjiquinha era a nossa maior ligação.

Desde então, senti que voltar a tomá-la seria como trair meu avô, seria como cortar nosso elo e por isso, como a criança que era, não aceitei de mais ninguém. Confesso que de tanta...

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