“A mulher que renasce todas as vezes”
Eu sou feita das dores que tentei esconder, das noites em que a vida me empurrou para o deserto acreditando que eu não voltaria. Mas voltei. Voltei ungida, marcada pelas cicatrizes que agora brilham como constelações no peito.
Caminhei por histórias que tentaram me calar com violência, abandono, agressões invisíveis, abusos emocionais que o tempo quase levou como poeira. Mas a verdade é que eu me recusei a desaparecer. Aprendi a recolher meus pedaços com a delicadeza de quem junta pétalas após a ventania. E cada fragmento meu se reconstruiu com mais força, mais fé e mais verdade.
Eu vi o mundo apagar vidas, sonhos, gente que eu amava e mesmo assim, fiquei de pé. Amei, perdi, recomecei. Carrego memória como altar e palavra como espada. Descobri que a cura não é um lugar distante: é um gesto diário, um sopro, um reencontro comigo mesma.
Se a vida tentou me silenciar, hoje eu escrevo para me ouvir.
Se tentaram me diminuir, eu cresci.
Se quiseram me apagar, eu floresci como um girassol sempre virada para a luz.
Eu sou a soma das versões que sobreviveram e da mulher que escolheu renascer.
A que sabe que a dor lapida, mas não define.
A que honra seus mortos, celebra seus vivos e se torna, todos os dias, a possibilidade de um novo começo.
Eu sou Iamara:
mulher, autora, sobrevivente, cura em processo,
e testemunho vivo de que ninguém apaga o brilho de quem nasceu para iluminar caminhos.