A história de Fernando
Foi no ano de 2002, quando assumi a minha primeira turma de primeiro ano do ensino fundamental, no cargo de professora em uma rede pública, que me deparei com uma situação de violação do direito humano. A minha indignação me fez buscar mais conhecimento sobre o tema e foi no Estatuto da criança e do adolescente, na Declaração Universal do direito das crianças e em outros referenciais que me amparei para mobilizar minhas ações. Na sequência conto alguns fatos ocorridos na escola e vivenciados por mim.
O primeiro fato acorreu já no primeiro dia de aula quando as crianças estavam sendo organizadas no pátio para entrarmos para as salas de aula, alguns professores me desejavam boa sorte com ar de deboche e um, me entregando uma criança, disse: toma que essa bomba é sua. Era um menino, muito pequeno, tinha um jeito “arisco”, parecia amedrontado e tive dificuldade de segurar sua mão. Minha impressão foi que o toque era a difícil para ele. Esse fato me tocou profundamente, nenhuma criança deve ser tratada dessa forma, crianças não são bombas, crianças são crianças e a escola precisa ser um espaço de acolhimento e, sobretudo, educador.
Segundo fato, mas não significa que foi na sequência, no decorrer das aulas foram muitas as intervenções para melhor acolher a essa criança e suas dificuldades de adaptação. E sempre me deparava com falas, de profissionais da escola, como: você vai direto pro céu; como você aguenta essa peste; esse menino é um mostro e mais outras falas que não veem ao caso. Em um dia, depois de perceber que ele já estava mais adaptado e tinha autonomia permiti que fosse ao banheiro sozinho, e não demorou muito para eu ouvir uma profissional aos berros e arrastando ele pelo braço abrir a porta da sala de aula e me disse: olha quem peguei fugindo!
Terceiro fato, o pior de todos, em uma aula de um professor especialista ( arte), presenciei um ato de extrema violência, o professor...
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A história de Fernando
Foi no ano de 2002, quando assumi a minha primeira turma de primeiro ano do ensino fundamental, no cargo de professora em uma rede pública, que me deparei com uma situação de violação do direito humano. A minha indignação me fez buscar mais conhecimento sobre o tema e foi no Estatuto da criança e do adolescente, na Declaração Universal do direito das crianças e em outros referenciais que me amparei para mobilizar minhas ações. Na sequência conto alguns fatos ocorridos na escola e vivenciados por mim.
O primeiro fato acorreu já no primeiro dia de aula quando as crianças estavam sendo organizadas no pátio para entrarmos para as salas de aula, alguns professores me desejavam boa sorte com ar de deboche e um, me entregando uma criança, disse: toma que essa bomba é sua. Era um menino, muito pequeno, tinha um jeito “arisco”, parecia amedrontado e tive dificuldade de segurar sua mão. Minha impressão foi que o toque era a difícil para ele. Esse fato me tocou profundamente, nenhuma criança deve ser tratada dessa forma, crianças não são bombas, crianças são crianças e a escola precisa ser um espaço de acolhimento e, sobretudo, educador.
Segundo fato, mas não significa que foi na sequência, no decorrer das aulas foram muitas as intervenções para melhor acolher a essa criança e suas dificuldades de adaptação. E sempre me deparava com falas, de profissionais da escola, como: você vai direto pro céu; como você aguenta essa peste; esse menino é um mostro e mais outras falas que não veem ao caso. Em um dia, depois de perceber que ele já estava mais adaptado e tinha autonomia permiti que fosse ao banheiro sozinho, e não demorou muito para eu ouvir uma profissional aos berros e arrastando ele pelo braço abrir a porta da sala de aula e me disse: olha quem peguei fugindo!
Terceiro fato, o pior de todos, em uma aula de um professor especialista ( arte), presenciei um ato de extrema violência, o professor arrastou a criança até o local onde eu estava, atirou a criança na parede e me disse: como você aguenta esse demônio? E saiu enfurecido, sob minhas palavras pedindo calma e avisando da atitude violenta com a criança.
Por esse e outros fatos, solicitei espaço em uma reunião para buscar coletivamente, e com apoio de especialistas, ampliar a reflexão sobre direito das crianças, o que não surtiu muito efeito, contudo segui e sigo ampliando meu conhecimento sobre os direitos das crianças.
Fiz especialização e mestrado na formação de professores, atuo como formadora de professores e o foco principal das minhas formações está ligado aos direitos humanos para que nenhuma criança sofra, especialmente, nas escolas, qualquer tipo de violação dos seus direitos.
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