Eu vim com 17 anos, eu morava na roça, chamava boca da roça é Caatinga, quando vim para São Paulo não era tanto movimentado.
Eu trabaiava em casa de família aqui em São Paulo.
Quando estava lá na Bahia eu vim pra Caatinga, viemo caminhando a pé depois de trem até o Brás, depois meu tio me levou pro Jardim Luso, eu trabaia direto, saia de um trabaio tinha outro. Nessa viagem tinha quatro pessoas, no mesmo caminhão veio os quatro de Monte Azul.
Quando eu pisei em São Paulo, meu tio veio buscar a gente pro Jardim Luso, já quando eu fiquei um mês doente por causa da Espinosa, e quando eu fui pra casa do meu tio ele arrumou serviço pra mim e não parei mais.
Meu tio que arrumou fui por intermédio dele.
Eu tinha muitos conhecidos da minha cidade Piatã, não tinha amigos em São Paulo, eu tomava conta dos meus irmãos, sentava na roça e ficava olhando, enquanto meus pais trabaiavam, e até hoje depois dos meus 17 anos estou arrebentada de pegar peso.
Meu pai não se preocupava com nada, a gente morava no terreno do meu avô, antes era 500mir réis, pra pagar passagem o resto minha tia tomou.
A moda era três saia, vestido ninguém usava calça.
A sandália era chamada precata, usava pouca maquiagem, pois, o dinheiro era poco, não tinha dinheiro o era comida ou maquiagem, eu era a mais velha dos meus irmãos.
Quando tinha tempo a gente brincava de boneca nos pé de arvore, cafezais, só no domingo, no outro dia pegava no batente.
Trabalhava a semana toda só tinha folga de 15 em 15 dias, na casa da minha prima que eu descansava , e meu pai não deixava eu sair pra me divertir.
Quando eu tinha que sair ele deixava com aquelas veias com porretinho na mão, só saia pra ir no banheiro, que não era banheiro era mato.
Meu primeiro namorado trabalhava com meu irmão + velho, até ele descobri, ele queria me dar uma surra, e o meu namorado foi pra terra dele.
E o meu irmão arrumou uma italiana pra cuidar de mim.
Aqui eu saia sozinha encontrava meus...
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Eu vim com 17 anos, eu morava na roça, chamava boca da roça é Caatinga, quando vim para São Paulo não era tanto movimentado.
Eu trabaiava em casa de família aqui em São Paulo.
Quando estava lá na Bahia eu vim pra Caatinga, viemo caminhando a pé depois de trem até o Brás, depois meu tio me levou pro Jardim Luso, eu trabaia direto, saia de um trabaio tinha outro. Nessa viagem tinha quatro pessoas, no mesmo caminhão veio os quatro de Monte Azul.
Quando eu pisei em São Paulo, meu tio veio buscar a gente pro Jardim Luso, já quando eu fiquei um mês doente por causa da Espinosa, e quando eu fui pra casa do meu tio ele arrumou serviço pra mim e não parei mais.
Meu tio que arrumou fui por intermédio dele.
Eu tinha muitos conhecidos da minha cidade Piatã, não tinha amigos em São Paulo, eu tomava conta dos meus irmãos, sentava na roça e ficava olhando, enquanto meus pais trabaiavam, e até hoje depois dos meus 17 anos estou arrebentada de pegar peso.
Meu pai não se preocupava com nada, a gente morava no terreno do meu avô, antes era 500mir réis, pra pagar passagem o resto minha tia tomou.
A moda era três saia, vestido ninguém usava calça.
A sandália era chamada precata, usava pouca maquiagem, pois, o dinheiro era poco, não tinha dinheiro o era comida ou maquiagem, eu era a mais velha dos meus irmãos.
Quando tinha tempo a gente brincava de boneca nos pé de arvore, cafezais, só no domingo, no outro dia pegava no batente.
Trabalhava a semana toda só tinha folga de 15 em 15 dias, na casa da minha prima que eu descansava , e meu pai não deixava eu sair pra me divertir.
Quando eu tinha que sair ele deixava com aquelas veias com porretinho na mão, só saia pra ir no banheiro, que não era banheiro era mato.
Meu primeiro namorado trabalhava com meu irmão + velho, até ele descobri, ele queria me dar uma surra, e o meu namorado foi pra terra dele.
E o meu irmão arrumou uma italiana pra cuidar de mim.
Aqui eu saia sozinha encontrava meus conhecidos.
Se eu ficasse doente todos os conhecidos procuravam, e foi uma época que eu fiquei muito ruim, porque meu pai queria me casar com alguém que eu não queria, e o rapaz ficava me perseguindo e me pediu em casamento pro meu pai e eu falei que não, e o cara me pirraçava muito.
Quando arrumava café no comércio tinha que dá pra todo mundo, então eu parei de tomar café só chegávamos á noite do comércio.
Eu colocava um dente de alho na boca pra fechar o corpo ou pedra de sal. “Fechar o corpo é livrar de coisa ruim”.
Não casei naqueles tempos atrás, a gente ficava na rua, namorava assim, não sou de sair de casa, me chamam, mas não saio, a gente ia muito no Museu do Ipiranga, no jardim da aclimação também.
Este é o meu quarto namorado o que morreu eu fiquei mais de 40 anos com ele, o que eu saia era da minha terra.
Não estou com ele porque ele faleceu. Eu conheci primeiro a família dele, quando foi um dia eu e minha prima encontramos um conhecido, quando foi depois nois veio e a partir daí comecei avim sozinha.
Ele trabaia em minas e veio pro Rio e depois recebeu a carta da mãe e veio pra São Paulo.
E a mãe dele me chamava de nora e ai aconteceu.
Quando era a tarde todo mundo ia embora e ele jogava a paliti que os meninos ganhava as meninas e ele sempre me ganhava.
“Depois que a gente fica veia fica feia”.
Tudo acabou até a saúde eu sai da minha cidade porque vivia muito cansada.
Meu pai queria me casar e eu falei “com aquele excomungado eu não caso”, meu pai me bateu e eu fiquei três dias de cama.
Quando eu cheguei aqui era muito difícil, dormi no serviço, sozinha eu era muito medrosa, até hoje eu tenho medo, mas me acostumei.
Naquela época tinha bonde, tudo isso era mato, tinha algumas casa, a linha do trem, o aeroporto era pequeno o canal 7 ficava no matagal.. Só isso que tinha naquela época, que mudou e modificou tudo. O que já passou a gente não lembra mais.
A coisa melhor da minha vida foi quando eu conheci meu marido, mas Deus levou meus filhos, que só dele tive sete, antes dele tinha três, arrumava um namorado escapulia já ficava grávida. Um morreu, dois perdi e a terceira tive na parteira. Depois arrumei outro português dono de um bar, Adriano ele morava na Mooca, depois acabou também.
Arrumei esse outro motorista do meu serviço, eu fui ficando lá e ela tomou confiança e me dava dinheiro pra ir pra feira, e ela sabia que eu não sabia ler nem fazer conta, ela tinha câncer no braço, ela tomava muito remédio e ficava beba, eu ia pro hospital com ela. Não parava ninguém, trabalhei oito meses e sai, ganhava poco, fazia tudo era 18 mirreis naquela época.
O motorista só ele que sabia onde que eu tava, ele tinha telefone e endereço, minha colega deixou recado e queria que eu voltasse, fiquei grávida dele não queria ele morava na cidade, fui na farmácia tomar injeção, mas não resolvia, então fui na parteira, pois tinha vergonha da minha patroa, mas depois acabei descobrindo.
A única coisa que eu queria mudar é comprar minha casinha, pois moro em terreno da prefeitura, naquele tempo tinha manague e o nome dos meninos é de jogador, só do último que tínhamos esquecidos aí colocamos o nome do pai, já que era o último.
De tudo que eu passei sou muito feliz graças a Deus.
Apesar dos meus problemas de saúde e toma remédio e os médicos não sabem o que é e dói as costas e tomo remédio 2 vezes por dia.
Faça tudo dentro de casa, só não passo roupa.
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