A dona da flor.A dona da flor era ela , com seus 38 quilos, cabelinho lambido que voava enquanto estava andando de bicicleta escondido. Sempre dava um jeito fugir para ir na venda comprar doces ou coxinha e Gatorade.Minha mãe, 84 anos, viúva, espertinha, serelepe. E quando os filhos iam chegar ela pegava um frasco vazio de qualquer embalagem e inventava um vaso. Colocava flores, conseguindo deixar tudo lindo.Hoje depois de chegar olhei para aquele enfeite na mesa do quiosque. Lágrimas teimosas caíram do meu rosto em cascata silenciosamente. Como eu na minha pressa não percebi antes? Nem comentei!!! O tempo parou naquele instante e pareceu uma eternidade aquela emoção fluindo da minha alma
. Na sua esquisitice as vezes, bravinha e carrancuda, tinha seus momentos de ternura mesmo nunca tendo sido tratada na infância e adolescência com amor, mas com broncas , surras e gritos.Debaixo daquela armadura de forte e invencível, tinha amor e sentimentos bons.Hoje eu entendo o que nunca entendi.Nunca acreditei que me amasse.
Hoje tenho certeza que me ama do seu jeito, porque num momento difícil como o que passei hoje , ela me deu apoio e flores. Então me perguntei: Deus, porque não me mostrou isto antes?! Teria evitado tantas lágrimas sentida por achar que ela não me amava?! Tudo bem, estamos no fim da vida as duas mas ainda dá tempo de rir e tomar muito cafezinho juntas.
Como o tempo estas cicatrizes vão ficar quase invisíveis e olhar as flores no jarro improvisado será apenas doce sem ser doloroso. Ainda dá tempo de sermos melhores amigas, e curtir o sol nascendo iluminando nossas almas .Obrigada Mãe, pelas flores!

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