As refeições eram feitas quase todas, no quarto de minha tia.
Acho que assim, sentiam-se mais próximos, como se ali fosse a cozinha da casa e ninguém mais houvesse no local.
Não havia sofá e nem cadeiras, apenas a cama de minha tia, coberta com uma colcha azul bem clara.
Por baixo da colcha haviam dois travesseiros, extremamente alinhados, lado a lado e bem volumosos.
A colcha era velha conhecida de quase toda a população menos abastada, a colcha era de chenile, possuía nas laterais muitas franjinhas e na parte que ficava aos pés da cama, também haviam franjinhas.
Um bordado de flores grandes recobriam a parte superior da colcha, confeccionado com o mesmo material que fora utilizado para confeccionar as franjas.
As cores eram diversas, tanto dos bordados, quanto das colchas.
Mas, o que essas colchas representavam era algo que nunca mudava.
Representavam o pouco poder aquisitivo, daqueles que a possuíam na época.
Principalmente, o de minha tia.
Chamou-me a atenção para o uso daquela colcha, durante os quinze dias de férias que lá passei.
Todos os dias, a minha tia arrumava a cama com uma perfeição milimétrica, ajeitando muito bem os lençois e travesseiros, que seriam recobertos com a colcha azul de todo dia.
Podia notar em seus lábios, um certo sorriso de satisfação ao finalizar a arrumação da cama com a colcha azul, parecendo-me que ela, devido ao olhar de alegria e satisfação pelo resultado alcançado, ter forrado a cama de um rei e uma rainha, com o mais nobre, rico e majestoso cobre leito de todos os mais ricos reinos ou impérios do mundo.
Quando ela terminava a limpeza do quarto, dirigia-se à porta que dava para o corredor coletivo e ficava em pé a olhar para sua cama, coberta com a colcha azul.
Eu, na minha meninice, ficava a observar tal situação e sentia dó de minha tia, pelo fato de só haver para cobrir aquela cama, a colcha azul de chenile.
Isso porque, em casa de mamãe, haviam várias colchas, de vários modelos, uma...
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As refeições eram feitas quase todas, no quarto de minha tia.
Acho que assim, sentiam-se mais próximos, como se ali fosse a cozinha da casa e ninguém mais houvesse no local.
Não havia sofá e nem cadeiras, apenas a cama de minha tia, coberta com uma colcha azul bem clara.
Por baixo da colcha haviam dois travesseiros, extremamente alinhados, lado a lado e bem volumosos.
A colcha era velha conhecida de quase toda a população menos abastada, a colcha era de chenile, possuía nas laterais muitas franjinhas e na parte que ficava aos pés da cama, também haviam franjinhas.
Um bordado de flores grandes recobriam a parte superior da colcha, confeccionado com o mesmo material que fora utilizado para confeccionar as franjas.
As cores eram diversas, tanto dos bordados, quanto das colchas.
Mas, o que essas colchas representavam era algo que nunca mudava.
Representavam o pouco poder aquisitivo, daqueles que a possuíam na época.
Principalmente, o de minha tia.
Chamou-me a atenção para o uso daquela colcha, durante os quinze dias de férias que lá passei.
Todos os dias, a minha tia arrumava a cama com uma perfeição milimétrica, ajeitando muito bem os lençois e travesseiros, que seriam recobertos com a colcha azul de todo dia.
Podia notar em seus lábios, um certo sorriso de satisfação ao finalizar a arrumação da cama com a colcha azul, parecendo-me que ela, devido ao olhar de alegria e satisfação pelo resultado alcançado, ter forrado a cama de um rei e uma rainha, com o mais nobre, rico e majestoso cobre leito de todos os mais ricos reinos ou impérios do mundo.
Quando ela terminava a limpeza do quarto, dirigia-se à porta que dava para o corredor coletivo e ficava em pé a olhar para sua cama, coberta com a colcha azul.
Eu, na minha meninice, ficava a observar tal situação e sentia dó de minha tia, pelo fato de só haver para cobrir aquela cama, a colcha azul de chenile.
Isso porque, em casa de mamãe, haviam várias colchas, de vários modelos, uma mais bela que a outra, mais imponente e que ficavam sobre a cama apenas cinco dias.
Nenhuma delas eram de chenile.
Durante o tempo em que ficava na casa de minha tia, pude perceber que, todas as outras colchas de todos os outros quartos, eram de chenile, com o mesmo bordado de flores, mas com cores diferentes, mas ainda assim, todas de chenile.
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