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Por: Museu da Pessoa, 22 de maio de 2012

A casa própria

Esta história contém:

A casa própria

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Vim do Recife pro Rio de Janeiro com seis anos. Meus pais eram separados e eu vim com padrasto e com ela. Minha mãe ia trabalhar e eu ficava na creche, que eu não gostava. Tinha uma professora que me batia ali dentro. Certo dia, levei a minha mãe lá e ela pegou no flagra. Deu um sacode na mulher. Aí eu ficava já muito em casa, então, quando ela saía, às vezes, eu ficava na vizinha. Certo dia, ligaram pra minha mãe falando que meu padrasto tinha sido assassinado no trabalho. Minha mãe foi a até lá e descobriu que ele estava se envolvendo com uma mulher casada e o marido apareceu e o matou. Foi quando minha mãe foi trabalhar de camelô na Central e, como eu não consegui matrícula em escolas por lá, ficava sozinha em casa, às vezes dormia sozinha. Comecei a ficar com medo, via gente no quintal. Então minha mãe arrumou um lugar pra irmos morar no centro. É um casarão invadido, moram cinquenta famílias lá. Ela mora ainda lá, a minha mãe. Com quinze anos eu casei, ainda morei com meu marido um pouco no casarão, depois saímos de lá. Um ano depois, também, meu irmão foi assassinado. Estava envolvido com pessoas erradas, usando crack. Teve um tiroteio em algum lugar e ele foi encontrado na mata. Eu já trabalhei com a minha mãe, de camelô, já vendi roupa por comissão. Mas, por causa dos filhos, comecei a ficar em casa. E meu marido, depois, não queria que eu saísse. Quando comecei a me envolver com essas mulheres pra abrirmos nosso próprio negócio, que é o bar e restaurante Favela Point, meu marido foi contra. Acho que era ciúme, porque tinha cursos e tal e eu chegava tarde em casa e, mesmo quando eu atendo as pessoas, tenho que estar sorrindo, alegre. Mas hoje ele até nos fornece as bebidas. Tive que bater o pé. Ainda hoje, às vezes, ele resmunga. Foi uma trabalheira no começo, mas acho que já está ficando conhecido. Primeiro, falavam que era o Bar das Sete Mulheres, que fomos em sete. E as pessoas vinham de bom gosto no...

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Projeto Mulheres Empreendedoras Chevron

Depoimento de Ana Carla da Silva Chagas

Entrevistada por Rosana Miziara

Rio de Janeiro, 22 de maio de 2012

Realização Museu da Pessoa

Código: MEC_HV033

Transcrito por Carolina Candido / MW Transcrição (Mariana Wolff)

Revisado por Joice Yumi Matsunaga

P/1 –Oi, Carla, você pode começar a falar seu nome completo, local e data de nascimento?

R – Onde eu nasci?

P/1 – É.

R – Olá, meu nome é Ana Carla da Silva Chagas, tenho vinte anos, nasci dia 31 de outubro de 1990. E nasci em Recife, Pernambuco.

P/1 – Seus pais são de Recife?

R – São.

P/1 – Seu pai e sua mãe?

R – Meu pai e minha mãe.

P/1 – E seus avós?

R – Meus avós também, a família toda é de lá.

P/1 – E o que que seu pai fazia em Recife?

R – Meu pai era camelô, trabalhava ambulante.

P/1 – Aonde que ele tinha...?

R – No centro de Água Fria.

P/1 – E sua mãe?

R – Minha mãe também é ambulante.

P/1 – Até quantos anos você viveu em Recife?

R – Seis anos.

P/1 – E você lembra da sua casa de infância, onde você nasceu em Recife?

R – Mais ou menos.

P/1 – O que que você lembra?

R – Ah, eu lembro, eu estudava perto da minha casa, assim, mas eu morava com a minha mãe, meus pais eram separados, eu ficava de segunda à sexta com a minha mãe e final de semana eu ia pra casa do meu pai, ele morava com a minha vó.

P/1 – E como é que era o final de semana na casa da sua vó?

R – Ah, era bom, eu gostava de ir pra lá. Eu era mais acostumada a ficar com a minha vó, por parte de pai, do que com a minha mãe. Eu chamava a minha vó de mãe, por parte de pai. Eu sempre gostei dela.

P/1 – Como é que era o final de semana lá, o que que você fazia?

R – Ah, a gente saía muito, meu pai gostava muito de me levar pra passear, e as minhas tias moravam embaixo, era uma escada como essa que tem aqui pra subir pra casa da minha vó, minhas tias moravam embaixo, aí eu ia pra casa delas, elas...

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