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Por: Angelo Brás Fernandes Callou, 24 de maio de 2026

A capelinha branca de Pesqueira no meu quadro

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A capelinha branca de Pesqueira no meu quadro

A capelinha branca de Pesqueira no meu quadro

Por Angelo Brás Fernandes Callou

Quando eu era criança em Pesqueira-PE, a Capela de São Sebastião ficava muito distante, na minha visão de criança, quando olhada do topo da ladeira da Rua Barão de Cimbres. O mais próximo que eu chegava daquela simpática igrejinha era na base dessa mesma ladeira, para consertar, inúmeras vezes, a única bicicleta da casa, uma Bristol, acho que cor de vinho. Meus irmãos, já adolescentes, meio que a deixaram para mim. A magrela vivia sem freios, coitada. Acho que herdei alguma coisa dela.

Décadas se passaram até eu alcançar a capelinha branca. Sempre a achava distante quando visitava Pesqueira, ainda que estivesse a poucos metros, vejam vocês, daquele consertador de freios irreparáveis da Bristol. Quando subi as escadarias que levam ao templo, talvez hoje eu dissesse, como aquela simpática criança das redes sociais: “Cheglei, Brasil”. Foi o momento em que soube que o santo francês, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro, era o homenageado no altar-mor.

Toda essa lembrança veio à tona ao aceitar a proposta de pintar o quadro de Odilon Redon, São João, também conhecido como A Túnica Azul, de 1892, como exercício do curso de Pintura Criativa da artista plástica Jéssica Martins, no Museu do Estado de Pernambuco.

Olhei para o São João de Redon, com sua luminosidade inalcançável, e o achei parecido com São Sebastião em sua imagem tradicional, com o dorso despido. Foi nessa direção que concluí o exercício, sem martírios explícitos, com citações à Capela de São Sebastião de Pesqueira e às flores, às guirlandas e aos sóis do genial, e também francês, Marc Chagall.

Boa Viagem, 3 de maio de 2026.

Palavras-chave: crônica, pintura, pesqueira (pe)

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