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Quando eu era criança, tinha meus brinquedos prediletos, entre os quais se destacava um jogo de quebra-cabeças. Lembro-me do dia em que mamãe chegou com ele em casa – foi a maior euforia. Quando eu vi aquele embrulho enorme, saí correndo para abri-lo.

Eram a minha felicidade aqueles jogos de quebra-cabeças. Quando me cansava da televisão, esparramava um deles pela sala e ali se reduzia o meu dia. Era muito divertido montá-los, apesar de serem complexos – mas o prazer de vê-los montados compensava tudo.

Fui uma criança solitária. Não tive irmãos, nem primos de minha idade. Não tive contato com nenhuma outra criança, por mamãe não deixar e as minhas tias me protegerem demais.

Quando comecei a estudar, o meu convívio social teve um grande avanço, pois eu tinha contato com crianças da minha idade. Era muito divertido brincar nos bancos de areia, e melhor ainda era “pular elástico”. Todo recreio tínhamos que pular elástico, fazia parte do nosso cotidiano.

Quando chegamos no ensino fundamental, o elástico permaneceu entre nós. Não tínhamos condições psicológicas para deixá-lo. E cada dia uma pessoa se responsabilizava de levá-lo para a escola.

Hoje, após dezesseis anos de tudo isso, sei que o elástico foi o responsável por fazer de mim uma pessoa social.

Os meus amigo até hoje brincam de elástico e, quando nos reunimos, o elástico é lembrança do passado e alegria do futuro.

Não tem motivo para culpar minha família de tanto me proteger das outras crianças. Ao contrário, só tenho a agradecer, porque se não fosse por eles eu não teria conhecido o elástico.

Hoje vejo como as crianças de minha família são cercada de crianças. Eu, muito pelo contrário, não tive nada disso. Mas não culpo meus pais por isso, afinal, eles não têm culpa de ter filha única até a idade de nove anos.

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