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Personagem: João Carlos Hey
Por: João Carlos Hey, 7 de dezembro de 2024

Apenas um susto, mas que susto!

Esta história contém:

Apenas um susto, mas que susto!

Apenas um susto, mas que susto!

Muito pequenina ainda, um dia me abraçou e me beijou. Segurou meu rosto entre as mãozinhas delicadas, olhou-me fixamente nos olhos e disse pai, aconteça o que acontecer, mesmo que a gente se separe, nunca se esqueça de que eu sempre vou te amar. E repetiu: nunca se esqueça!

Não entendi o que teria motivado tal gesto, sendo ela tão novinha e sem nenhuma noção do que poderia ser quem sabe uma despedida ou infortúnio. Não me surpreendia mais a sua linguagem correta, pois embora tenha demorado um pouco para começar a falar, desde o princípio pronunciava as palavras direitinho, quase sem erros. Todo mundo se admirava com suas tiradas em português impecável e inteligentes. Contudo, não pude deixar de me emocionar.

Foi num exame de rotina, cerca de dois anos mais tarde, que veio o alarme. Neutropenia.

Entrei em desespero e mil vezes repeti: como pode, meu Deus? Uma menininha alegre, ativa, serelepe. Como pode? Por que essa terrível e impiedosa enfermidade escolheu minha filhinha?

Com o laudo do laboratório em mãos eu não conseguia acreditar no que lia. Imaginar as consequências devastadoras da doença então me desmontava. Quase me levava a nocaute.

No parquinho, à vontade, brincando e se divertindo pra lá e pra cá. Eu sentado num banco de madeira, pensativo em plena terça-feira de carnaval. Ela, aparentemente saudável, sem nada. Haveria mesmo uma coisa ruim escondida dentro dela?

Pediatra recomendou especialista. Levamos o mais depressa possível. Ela quase destruiu o consultório. Jamais foi de parar quieta. Falava e andava o tempo todo, mexendo aqui e ali. Sempre desse jeito. Acreditar que estivesse doente?

Novos exames. Valente, comportava-se com bravura em cada coleta no laboratório do Pequeno Príncipe. Supérfluas as mesuras do enfermeiro, habituado a lidar com crianças compreensivelmente medrosas na hora da agulhada. Com a Mariana não precisava de enrolação nem de meias-palavras...

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