40 anos de AIDS no Brasil — e 18 anos de vida, acolhimento e propósito”
Por Danilo Valisserra
Meu nome é Danilo Valisserra, tenho 38 anos, nasci em São Paulo e, em 2008, a minha vida mudou para sempre.
Na época, eu estava participando de um processo seletivo para uma empresa estrangeira. Fiz todos os exames exigidos — e, entre eles, havia um exame adicional. Foi assim, de surpresa, que recebi o diagnóstico de HIV positivo.
Naquele instante, tudo pareceu desabar.
Todos os meus planos, todos os meus sonhos, tudo o que eu imaginava sobre o meu futuro ficou em suspenso. A sensação era a de que a vida tinha sido arrancada do trilho.
Mas, no meio desse pânico, uma porta se abriu.
Eu fui atendido pelo SUS, em um centro de referência para tratamento de HIV. Lá, encontrei mais do que médicos: encontrei acolhimento, humanidade e — especialmente — uma psicóloga que me recebeu como eu precisava ser recebido naquele momento.
Foi ali que eu entendi uma das maiores verdades da minha vida:
informação e acolhimento salvam vidas.
Com o início do tratamento e a adesão correta, descobri que a vida continuava — igual, plena e possível.
Descobri que, com o método certo, disciplina e cuidado, o HIV não só é tratável: ele é controlável, garantindo qualidade de vida, futuro e dignidade.
E foi nesse momento, ainda muito jovem e assustado, que eu entendi meu propósito.
Eu decidi que, se eu tinha passado por aquilo, eu não iria guardar só pra mim.
Eu queria que outras pessoas soubessem que não existe culpa, que não existe sentença, que testar positivo não significa perder a vida — significa cuidar dela.
Decidi falar.
Decidi ocupar espaço.
Decidi transformar a minha história em ferramenta de acolhimento.
Desde então, uso minhas redes e meu trabalho para:
incentivar a testagem regular;
reforçar a importância da adesão correta ao tratamento;
combater a culpa, a vergonha e o estigma;
lembrar que...
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40 anos de AIDS no Brasil — e 18 anos de vida, acolhimento e propósito”
Por Danilo Valisserra
Meu nome é Danilo Valisserra, tenho 38 anos, nasci em São Paulo e, em 2008, a minha vida mudou para sempre.
Na época, eu estava participando de um processo seletivo para uma empresa estrangeira. Fiz todos os exames exigidos — e, entre eles, havia um exame adicional. Foi assim, de surpresa, que recebi o diagnóstico de HIV positivo.
Naquele instante, tudo pareceu desabar.
Todos os meus planos, todos os meus sonhos, tudo o que eu imaginava sobre o meu futuro ficou em suspenso. A sensação era a de que a vida tinha sido arrancada do trilho.
Mas, no meio desse pânico, uma porta se abriu.
Eu fui atendido pelo SUS, em um centro de referência para tratamento de HIV. Lá, encontrei mais do que médicos: encontrei acolhimento, humanidade e — especialmente — uma psicóloga que me recebeu como eu precisava ser recebido naquele momento.
Foi ali que eu entendi uma das maiores verdades da minha vida:
informação e acolhimento salvam vidas.
Com o início do tratamento e a adesão correta, descobri que a vida continuava — igual, plena e possível.
Descobri que, com o método certo, disciplina e cuidado, o HIV não só é tratável: ele é controlável, garantindo qualidade de vida, futuro e dignidade.
E foi nesse momento, ainda muito jovem e assustado, que eu entendi meu propósito.
Eu decidi que, se eu tinha passado por aquilo, eu não iria guardar só pra mim.
Eu queria que outras pessoas soubessem que não existe culpa, que não existe sentença, que testar positivo não significa perder a vida — significa cuidar dela.
Decidi falar.
Decidi ocupar espaço.
Decidi transformar a minha história em ferramenta de acolhimento.
Desde então, uso minhas redes e meu trabalho para:
incentivar a testagem regular;
reforçar a importância da adesão correta ao tratamento;
combater a culpa, a vergonha e o estigma;
lembrar que quem vive com HIV tem direito à felicidade, ao amor, ao corpo, ao futuro e ao respeito;
e, principalmente, mostrar que informação é a maior arma contra o preconceito.
Hoje, 18 anos depois do meu diagnóstico, eu olho pra trás e vejo que nada foi perdido — tudo foi transformado.
E é por isso que, nos 40 anos da epidemia de AIDS no Brasil, eu digo, com a voz mais consciente que já tive:
a luta continua, mas a esperança também.
Eu sou prova viva de que o acolhimento salva, o SUS salva, o tratamento salva — e a informação liberta.
Que os próximos 40 anos sejam de mais vida, mais acesso, mais ciência, mais respeito e menos silêncio.
Porque viver com HIV não é sobre morrer —
é sobre continuar vivendo.
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