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Personagem: Anônimo
Por: Museu da Pessoa, 10 de agosto de 2012

"Tudo que eu passei foi uma lição de vida"

Esta história contém:

"Tudo que eu passei foi uma lição de vida"

Meu nome é Dandara e eu nasci em agosto de 1966, no Rio de Janeiro. A data não é bem a data do meu nascimento, porque quando eu me entendi de gente, tava num orfanato e não tinha nome, nem data de nascimento, não tinha registro. Quando eu fui registrada, aos cinco, seis anos, tinha que ter o nome de uma mãe, uma data de nascimento, e eles criaram.

Lá no orfanato eram várias crianças que tinham uma vida assim. Nós brincávamos, mas éramos muito presos, nós só saímos no dia de visita. Esse lugar era como um mercado de crianças, que a gente se sentava e as pessoas olhavam para escolher uma criança, que na época até ficava muito difícil, porque eles nunca queriam crianças negras, adotar crianças negras, e fui ficando, fui ficando. Eu tinha muita vontade de ser adotada.

Eu fiquei nesse orfanato até seis anos. Porque uma senhora uma vez chegou e gostou de mim. Ela andou, andou, não quis ninguém, gostou de mim. Aí se abaixou, perguntou se eu gostaria de ir para a casa dela, eu disse que sim. E tinha a mãe dela que olhou para ela e disse: “Você vai levar essa? Essa negrinha que você não sabe nem se tem sangue ruim ou não?”. Eu nunca me esqueci disso. Eu era criança, mas isso eu não esqueci. E ela me levou, ela era solteira, uma pessoa muito boa. Eu passei um ano com ela e ela tinha um sobrinho também que me maltratava, me batia, a mãe dela também não gostava de mim. E eu não quis ficar, pedi para voltar, só que dessa vez não foi mais para um orfanato, foi para um educandário.

Esse sobrinho dela me batia, e quando eu completei de dez para onze anos, ele começou a tentar querer me aliciar. E aí a situação foi ficando pior, e eu pedi para voltar. Eu comecei a fazer um tratamento com um neurologista e para ele eu contava tudo o que eu sentia, aí ele conversou com ela. Eu fazia esse tratamento por causa do tratamento que eu tinha dentro do orfanato. A mãe da moça que me adotou me maltratava com palavras. Eu era...

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Dados de acervo

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Projeto Memórias e Histórias de Mudança Depoimento de "Dandara" Entrevistada por Márcia Ruiz e Fernanda Prado Natal, 10 de agosto de 2012 Realização Museu da Pessoa Entrevista VV_HV044 Transcrito por Liliane Custódio Revisado por Carolina Cervera Faria Nesta entrevista foram utilizados nomes fantasia para preservar a integridade da imagem dos entrevistados. A entrevista na íntegra bem como a identidade dos entrevistados tem veiculação restrita e qualquer uso deve respeitar a confidencialidade destas informações. Para ter acesso à entrevista na íntegra, entre em contato com museologia@museudapessoa.net.

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